quarta-feira, 31 de março de 2010

MEMÓRIAS







Volto à tasca da “Mariazinha”.
A arrumar papeis, encontrei estas ementas.
No dia 11 de Agosto de 1996, quem entrou porta dentro encontrou, como entradas, o paté da casa, passarinhos fritos, enchidos variados.
Nos peixes pôde escolher entre sardinhas assadas, peixe-espada, besugos, sargos, tudo grelhado no carvão e ainda joaquinzinhos fritos com arroz de berbigão.
Nas carnes havia entrecosto e entremeada grelhada, osso buco e carne de porco à alentejana.
As frutas eram escolhidas criteriosamente e havia pêssegos de Colares e melão.
Nos doces saliência para a sericaia e leite-creme.
O vinho era da pipa e vinha directamente de Olhalvo.
Bom apetite!



terça-feira, 30 de março de 2010

BARES




De Nicolás Guillén, o maior poeta cubano e mais "fidelista" do que o próprio Fidel, um poema de que o Hemingway haveria de gostar. Está incluído no livro "La Paloma de Vuelo Popular".
Lamentavelmente não tenho a Obra Completa de Nicolas Guillen à mão e a versão que vos deixo é de uma "Antologia Poética" publicada no Brasil. O aviso é importante, porque significa que é um poema cubano em português abrasileirado...

BARES

Amo êsses bares e tabernas
junto do mar,
onde a gente conversa e bebe
apenas por beber e prosear.
Onde João Ninguém chega e pede
seu trago alimentar
e estão João Bronco e João Navalha
e João Narizes e até João
Simples, o só, o simplesmente
João.

Lá, a branca onda
bate da amizade
amizade de gente sem retórica
uma onda de olá! e como estás?
Lá tudo cheira a peixe,
a mangue, a rum, a sal
e a camisa suada e secando no sol.

Busca-me, irmão e me acharás
em Havana, no Pôrto,
em Jacmel, em Changai,
com a humilde gente
que, apenas por beber e prosear,
povoa os bares e tabernas junto ao
mar.


Este meu exemplar da “Antologia Poética” está assinado pelo poeta, com data de 28 de Junho de 1975, e lembro-me da história.

Guillen estava a autografar na Feira do Livro, não me lembro bem em que Stand mas não estarei muito longe da verdade se disser que era o das “Editorial Caminho"... Quando eu cheguei com o livro, ele mirou-a e remirou-a com ar de espanto. Perguntou-me onde a tinha comprado, e eu disse-lhe que em Lisboa ,mais propriamente na livraria "Boa Leitura", na Avª Almirante Reis quase a chegar ao Areeiro...

Folheou-a uma vez mais detrás p'rá frente e de frente p’ra trás, e lá se decidiu a assinar, embora, manifestamente, o que ele queria era ter ficado com o livro... Eu penso que ele desconhecia a edição e queria ficar com ela para a sua colecção... Ou então, confirmar se lhe teriam pago os direitos de autor...! Durante uns tempos ainda fiquei com remorsos por não lhe ter oferecido o livro mas, agora, já passou...

O livro está comigo e se assim não fosse andaria agora perdido nos arquivos da “Casa das Américas”, de que Guillén era o Director...

E antes de me ir (porque vem a propósito...) deixo-vos esta pequena
maravilha de Sophia de Mello Breyner Andresen, que faz parte do "Livro Sexto":

"Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar"


Colaboração de Luís Miguel Mira

segunda-feira, 29 de março de 2010

MEMÓRIAS

“O dia dos meus anos. No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto”.


Versos de um poema de Álvaro de Campos, uma possível legenda para esta fotografia datada de Março de 1956..

O António maluco, um fotógrafo profissional, conhecido do meu pai, pedia à miudagem um-sorriso-olha-o-passarinho.

Na mesa pode ver-se o bolo de anos, que era feito em casa, arroz doce, sandes de pão de forma com fiambre e queijo, bolos secos sortidos, que seriam da “Triunfo” ou da “Nacional”.

Como por Março, antes ou depois, a Páscoa anda sempre perto, vêem-se amêndoas num pires, junto ao bolo.

Um jarro com água que era servida em taças.

Esta é a festa com os colegas da escola, os rapazes da mesma rua.

Nada de raparigas.

Nas traseiras havia quintas. Uma "vila" de gente a viver em barracas. Malta de pé descalço.
Era desta malta que gostava, mais do que da malta da rua ou da escola.

Futeboladas, matacões a servirem de balizas, bolas de trapos, muda aos cinco acaba aos dez. Apanhar lagartixas que se passeavam, ao sol, pelos muros.

No dia seguinte, com os restos da véspera, havia o lanche para os pés descalços das traseiras.
Chegavam, uns com alpergatas, outros com sandálias velhas, penteados, sem ranho no nariz, e não traziam presentes.

Também não havia raparigas.

O António maluco não estava para tirar a fotografia.

Tempos de inocência para os quais se reserva sempre um canto na memória.

A ideia deste texto pertence à Aida.

Foi ela que falou do contraste entre estas festas de anos e as de agora.

Os pais alugam salas, arranjam entertainers, contratam um outro António maluco para as fotografias. Ou são eles mesmo que tiram as fotografias, fazem as filmagens para mais tarde recordar.

Há rapazes e raparigas.

Alguém que se lembre dos versos do Álvaro de Campos para legenda.

Olho os rostos da rapaziada da fotografia dos meus 11 anos e tudo me parece estranho. Eu próprio.

Que será feito deles?

Que será feito da malta das traseiras, os que não tiveram direito a fotografia?

Sou eu que faço as perguntas mas as perguntas não têm respostas.

É como correr atrás do vento.

Nunca mais os vi!

TEMPOS QUE CORREM

James Ellroy é um escritor norte-americano que se autodenomina como o " maior escritor de policiais vivos dos Estados Unidos."

Que seja!


Há semanas, no lançamento do seu último livro, disse ao jornalista do "Público":

"Poder dar um tiro em alguns mafiosos - isso, sim, far-me-ia feliz."


De imediato, uma enorme quantidade de gente atravessa-nos o pensamento.

OLHAR AS CAPAS


Páscoa Feliz

José Rodrigues Migueis
Capa: Fred Kradolfer
Edições Alfa
Lisboa, 1932

“Não voltei mais a casa.
Não me lembro de mais nada, senão disto: alguns dias depois fui preso numa estrada, semi-nu, esfomeado, sem opor resistência.
O resto, já o doutor sabe.
Não me pergunte mais nada, foi exactamente assim que tudo se passou – nem podia ser de outra maneira, embora eu próprio duvide algumas vezes e o senhor possa julgar que eu não passo de um pobre alucinado”.

domingo, 28 de março de 2010

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS




Anúncios de um tempo em que Portugal se estendia do Minho a Timor.

Imagens: "Público", Lisboa s/d.

DOMINGO DE RAMOS



"Quando, já próximos de Jerusalém, chegaram a Betfagé, junto ao monte das Oliveiras; Jesus enviou dois discipulos, dizendo-lhes: "Ide à aldeia que está em frente de vós e logo encontrareis, presa, uma jumenta e com ela um jumentinho. Soltai-os e trazei-mos. E se alguém vos disser alguma coisa, respondereis: O Senhor precisa deles, mas logo os devolverá." Isto sucedeu para se cumprir o que fora anunciado pelo profeta:
"Foram os discipulos e fizeram como Jesus lhes ordenara. Trouxeram a jumenta e o jumentinho, puseram-lhes em cima as suas capas e Jesus sentou-Se sobre elas. Numerosa multidão estendia as suas capas no caminho; outros cortavam ramos das árvores e espalhavam-nos pelo caminho. Toda esta multidão, tanto a que O procedia como a que O seguia, dizia em altos brados: Hossana ao Filho de Davia! Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas".
Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou alvoroçada. "Quem é este?", perguntavam. E a multidão respondia: "É Jesus, o profeta de Nazaré, da Galileia".

Do "Evangelho segundo São Mateus" 21 - 1

Hoje, na Igreja, assim cantámos:

"Grande, grande é o amor
Que por nós tem o Senhor
Grande, grande é o amor
De Jesus sobre a Cruz!
Grande como o oceano
Fundo como o mar
Alto como o azul do céu
Assim é o Amor..."

sábado, 27 de março de 2010

COLAGEM DA FRANCISCA

Colagem da neta Francisca, 5 anos, feita ontem para oferecer à prima Maria.

quinta-feira, 25 de março de 2010

DO BAÚ DE POSTAIS

Conheço a "Adega dos Passarinhos", ali ao Cais do Sodré: filetes de bacalhau, sandes de torresmos, vinho da pipa
A "Casa dos Passarinhos" dizem-me que fica ali para Campo de Ourique.

Legenda: Fotografia de David de Abreu

EU AMO TUDO O QUE FOI



Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errnea fé,
O ontem que ´a dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

Fernando Pessoa

Legenda: Quadro de Edvard Munch

quarta-feira, 24 de março de 2010

POSTAIS SEM SELO

 
O mundo não posso mudar
Deixa-me sacudir
A areia das tuas sandálias.


Casimiro de Brito


Legenda: Quadro de Inessa Garmach

OS CLÁSSICOS DO MEU PAI

Não tenho qualquer elemento que me permita afirmar, com carácter de certeza, que este foi o 1º disco de Música Clássica que o meu pai comprou. É apenas um “feeling” que tenha sido este e não um outro, que também por aqui apresentarei um destes dias – “As Danças Guerreiras do Príncipe Igor”.

Trata-se de um LP de 10 polegadas da Dutsche Grammophon.

Lado 1
Abertura Solene “1812”, op. 49 de Tchaikowsky.

Lado 2
Abertura da Ópera “Navio Fantasma” de Richard Wagner.

Interpretações da Orquestra Filarmónica de Berlin, dirigida por Ferenc Fricsay.

O meu pai realçava sempre a versatilidade deste disco, que reunia, por um lado, uma peça progressista pois glorifica a derrota das forças de Napoleão no ano de 1812 e, por outro lado, uma peça de Wagner que, sabe-se, ter sido o compositor preferido de Hitler.

Gostava muito das duas aberturas, lamentava que a leitura de Ferenc Fricsay não contemplasse a sequência final de tiros de canhão, mas acrescentava que o coro emprestava um sainete que fazia esquecer os canhões.

Talvez por isso nunca tenha comprado uma outra versão da “1812”.

terça-feira, 23 de março de 2010

MONOS E LIVROS


No dia em que contribuímos para que as médias-pequenas livrarias morressem, ficámos dependentes de colossos, como a FNAC, cujo único objectivo é o lucro a qualquer preço.

Jorge Silva Melo, numa crónica a que chamou “Já Fechou a Livraria”, incluída no seu “Século Passado”, conta que uma pequena livraria abriu um dia em Campo de Ourique mas não chegou a estar aberta um ano.“Por que não fui interlocutor solidário daquela senhora que efectivamente ousou e foi vencida? Por que hei-de perdoar-me a mim? Não foi isso mesmo o que eu disse àquele pequena livraria? Que não a queria? Que não me servia para nada? Que lhe prefiro a Internet e as fnacs? Se a pequena livraria fechou, fui também eu que a fechei".

O Orson Welles dizia que, no tempo das grandes superfícies, chegará o dia em que iremos ter saudades do merceeiro da nossa rua.

Há dias soube-se que a “Leya” guilhotinou milhares de livros. Na discussão e indignação que se gerou, Maria Teresa Horta lamentou a destruição pela Bertrand Editora, do seu livro “A Paixão Segundo Constança H” que ela julgava esgotado.

Neste país que não lê, publicam-se demasiados livros, quarenta por dia, ao que dizem e a maior parte é lixo.

Há livros que chegam a estar apenas duas a três semanas nas livrarias, mas como não têm procura são devolvidos.

As livrarias, principalmente as grandes superfícies, tornaram-se meros entrepostos de novidades e apenas estão interessados naqueles que se vendam bem . Estão neste caso os livros "escritos" por um qualquer futebolista, um qualquer treinador de futebol, um qualquer pivot de televisão, um qualquer político,um qualquer vendedor de banha-de-cobra, não importa o que dizem, se têm ou não qualidade.
Estes são os livros que não regressam aos armazéns da editora. Ficam semanas e semanas nos tops.

Leio em “A Bola”, que acaba de sair “Os Mandamentos de Jesus” escrito por Rui Pedro Brás.

Ao que diz a notícia, o livro conta as origens humildes do treinador Jorge Jesus, as suas histórias e fala também de tácticas.

Não terei qualquer dúvida que se amanhã entrar numa livraria encontrarei montanhas de “Os Mandamentos de Jesus”, que dado todo o vento que sopra em redor do clube e do treinador, se vão vender desalmadamente.

Nessa mesma livraria se perguntar por um livro, por exemplo, de Carlos de Oliveira, ou José Gomes Ferreira, a resposta é um “não temos” e como não querem chatices, adiantam logo que está esgotado.

Não está esgotado, encontra-se, apenas, a apodrecer num qualquer armazém dos subúrbios. Passados os prazos legais serão guilhotinados.

É este o triste destino a que os amantes dos livros estão condenados quando, numa livraria, procuram um livro que não esteja anunciado na TV, que não tenha sido bolsado por uma qualquer arvela do “jet-set”.

BAILES DA VIDA



“Os Cinco Latinos” também andaram pelos bailes.
Os discos desapareceram mas, há uns anos, encontrei este CD que reúne os seus maiores êxitos. Curiosamente encontrei , recentemente, no boteco da Edith Cavel um EP mas, irei apresentá-lo no “Ié-Ié” do Luis Pinheiro de Almeida, já que foi ele que me fez voltar ao boteco, onde durante tantos anos comprei grande parte dos discos de antigamente.
Gostávamos dos Cinco Latinos não só pela música mas porque apresentavam versões, em espanhol, de grandes êxitos e assim já dava para perceber melhor o que se cantava: “Petit Fleur”, “Only You”, “You Are My Destiny”, “Come Prima”, “Smoke Gets In Your Eyes” e tantos outros.
Mas também havia originais e não posso esquecer “Un Telegrama”:
Antes de os teus lábios me confirmarem que me querias, já eu sabia, porque com o teu olhar me enviaste um telegrama.

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


A junior e a senior da "Ginja d'Óbidos".

segunda-feira, 22 de março de 2010

OS CLÁSSICOS DO MEU PAI



Quando, em 16 de Maio de 1978, a Sara nasceu ,ainda foi a cassette da 9ª Sinfonia de Dvorak que ouvi.

Mais tarde, quando comprei o “CD player”, o meu pai quis oferecer um disco e fiz questão que fosse a 9ª Sinfonia do Dvorak.

Quando o meu pai morreu, foi Dvorak que ouvi e, até hoje, é o único momento triste que a “Novo Mundo” assinalou.

Porque outros momentos felizes chegariam, e Dvorak registou os nascimentos do Afonso, da Maria, do André.

Tudo isto talvez seja uma história descabelada, e para mais descabelada ficar, direi que a família e os amigos, quando chegar a altura de eu deixar a terra da alegria, terão que ter a paciência de ouvir a 9ª Sinfonia de Anton Dvorak, a “Novo Mundo”.

E bebam, contem histórias, fumem charutos, riam, riam muito.

Porque, “quando eu morrer não compliquem o mistério com pios de coruja”, tal como o José Gomes Ferreira deixou escrito,e eu sigo à boleia dele.

A gravação é da EMI Records Ltd e a interprtetação da Orquestra de Filadélfia dirigida por Wolfang Sawallisch, Londres 1988

22 DE MARÇO DE 1945

Os meus filhos e os netos têm os jornais do dia em que nasceram.

Quando eu nasci não havia tempo, nem algo mais, para diversões deste tipo. Mas um dia destes vou até à Biblioteca Nacional passar os olhos.

A capa do “Diário de Lisboa” de 22 de Março de 1945, é uma cortesia de Luis Pinheiro de Almeida.
Mas faltam os “fait-divers”, os filmes em cartaz, as peças em representação, o quotidiano da cidade e do país.

Num qualquer dia hei-de ir à cata desses pequenos detalhes. Detalhes de que os dias também se fazem.

As notícias desta 1º página antecedem o fim da II Guerra Mundial que será, oficialmente, decretado a 2 de Setembro de 1945: 55 milhões de mortos, 35 milhões de mutilados, 3 milhões de desaparecidos, as bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaqui a 6 e 8 de Agosto desse mesmo ano. Um ano histórico.

A CIDADE ALEMÃ DE LUDWGSHAFEN FOI OCUPADA PELO 3º EXÉRCITO QUE CHEGOU AO RENO FRENTE A MANNHEIM.

O telex é de Paris e informa que as unidades blindadas do 3º Exército americano, comandado pelo Generel Patton, ocuparam a cidade alemã de Ludwgshafen que é um importante centro de indústrias químicas. Os alemães entretanto tinham destruído a ponte sobre o Reno entre Ludwgshafen e Mannheim.

LAVRAM INCÊNDIOS NA MAIOR PARTE DAS CIDADES DE RUHR PROVOCADAS PELA AVIAÇÃO

Telegrama de Londres noticiando que pilotos de bombardeiros médios da RAF realizaram ataques ao norte do Ruhr. O mesmo telegrama noticia que é a 30ª noite consecutiva em que Berlim sofre ataques aéreos. As comunicações ferroviárias da capital alemã já não funcionam.

Outras notícias:

O intelectual João de Barros, caso seja eleito para sócio efectivo da Academia das Ciências, não aceitará “por motivos de natureza intima que, em seu entender, não deseja nem quer que venham a público.

Em reunião da Câmara fica-se a saber que Nova Colónia Balnear das Juntas de Freguesia deverá ficar perto de S. Julião da Barra.

Ficam a faltar os “fait-divers”, algo como os filmes em cartaz, as peças em representação, o quotidiano da cidade e do país.

Num qualquer dia hei-de ir à cata desses pequenos detalhes. 

Detalhes de que os dias também se fazem.

Eventos históricos

· 1882 - Congresso dos EUA bane a poligamia.
· 1903 - Os Estados Unidos da América (EUA) instalam base militar em Guantánamo, em Cuba.
· 1895 - Os irmãos Lumière fazem a primeira apresentação pública do cinematógrafo.
· 1904 - O jornal americano Daily Ilustrated Mirror publica pela primeira vez na história uma fotografia colorida.
· 1917 - Os EUA são o primeiro país a reconhecer o novo governo da Rússia, que derrotou a monarquia czarista.
· 1919 - A Hungria proclama a sua independência.
· • 1933 - O Presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt assina a lei que legaliza o consumo de bebidas alcoólicas acabando com a Lei Seca.
· 1939 - O cardeal Eugenio Pacelli é eleito Papa com o nome de Pio XII.
· 1945 - A Liga Árabe é fundada no Egito.
· 1955 - O cometa Harrington-Abell é descoberto.
· 1963 - Os Beatles lançam seu primeiro disco, Please, Please Me, que incluía o primeiro compacto da banda, Love Me do, gravado no ano anterior.
· 1968 - A Universidade de Nanterre é ocupada por estudantes franceses que protestavam contra o sistema de ensino;
· 1977 - Indira Gandhi perde as eleições e deixa o cargo de primeira-ministra da Índia.
· 1982 - Começam formalmente as hostilidades entre as forças britânicas e as argentinas no Atlântico Sul, devido à ocupação das Malvinas.
· 1988 - Realizada na Austrália a primeira eutanásia legalizada da história.
· 1989 - Mais de cem mil pessoas abandonam Beirute, cidade submetida a contínuos bombardeios por parte do exército sírio.
· 1994 - O Papa lança um novo documento que proíbe aos sacerdotes a militância política e sindical.
· 2002 - Justiça britânica dá a uma mulher tetraplégica de 43 anos o direito de recorrer ao suicídio assistido.

Nascimentos

· 1599 - Anthony van Dyck, pintor flamengo (m. 1641)
· 1797 - Guilherme I da Alemanha, 5º rei da Prússia e 1º kaiser da Alemanha.
· 1907 - Lúcia de Jesus dos Santos, vidente de Fátima
· 1923 - Marcel Marceau, mímico francês.
· 1942 - Jorge Ben Jor, músico popular brasileiro.
· 1948 - Andrew Lloyd Webber, compositor britânico
· 1949 - Fanny Ardant, actriz francesa
· 1967 - Mario Cipollini, ciclista italiano,
· 1976 - Reese Witherspoon, atriz americana.

Mortes

· 1832 - Johann Wolfgang Goethe, poeta alemão
· 1945 - Tadamichi Kuribayashi, Tenente-General Japonês, comandante da defesa
· Japonrsa em Iwo JIma
· 2001 - William Hanna, caricaturista estadounidense, co-fundador (com Joseph Barbera) do estúdio de animação Hanna-Barbera.

domingo, 21 de março de 2010

AYRTON SENNA

Poucas ou nenhumas afinidades tenho com automóveis. Acontece mesmo que nem carta de condução tenho.

Sem qualquer motivo especial, talvez passar o tempo, num domingo de chuva intensa assisti, pela televisão, à prova de “Fórmula 1”, no Estoril, Abril de 1985, em que Ayrton Senna ganhou.

Por essa vitória sob um temporal desfeito, passei a ver mais vezes as corridas de "Fórmula 1"
Foi no 1º de Maio de 1994, quando estava a fritar bifanas na Alameda, que me deram a notícia da morte de o Ayrton Senna morrera.

Grande Prémio de S. Marino.

O seu “Williams-Renault”, a 300 Km/hora, não completa a Curva Tamburello, despista-se violentamente, ocasionando a morte de Ayrton.

Tinha 34 anos e já se consagrara três vezes campeão da Fórmula 1.

Dizem que Ayrton estava sempre ansioso para saber o que estava para lá velocidade.

Soube nessa tarde.

“Meu caro amigo, quando temos de ir, temos de ir. Não paramos para calcular o risco”, disse, um dia, James Dean.

Com a sua morte deixei de ver corridas de “Fórmula 1”.

Já depois da morte de Ayrton,. deparei com "A Bola" de 25 de Abril de 1994

A última página era dedicada ao início da fase europeia da “Fórnula 1”.

No capítulo de “Confirmações e Desilusões do Mundial 94”, Ayrton Senna tinha uma entrada.

A vida não estava fácil para Ayrton. O jornalista termina assim o texto:

“No meio de tudo isto, há, porém, uma certeza: Senna não é homem para se deixar abater por esta situação de desvantagem, preparando já a recuperação. E diz mesmo: “Pelo menos o Campeonato deste ano será mais animado que o do ano passado.”

Terríveis palavras…


Se fosse vivo, Ayrton Senna, faria hoje 50 anos.

JÁ CHEGOU!


Chegou ontem às 17,32, tempo do equinócio da Primavera, e por aqui ficará até ao dia 21 de Junho.
Faltam 285 dias para o final de 2010.

Guardei uma frase para uma saudação: o sol parece a canção do menino que saboreou aroma de baunilha, pela primeira vez, numa manhã de Primavera.

Li -a, há muitos anos, não sei onde, nem quem é o autor, mas sempre soube que um dia a escreveria num qualquer texto.

A frase fica mas o sol não apareceu.

Pior ainda: onze distritos do Norte e Centro de Portugal Continental estiveram sob aviso amarelo devido à chuva e vento forte.

E havia condições favoráveis à ocorrência de trovoadas.

As aves de arribação, que chegariam a Portugal durante este mês, vieram muito mais cedo e já há muito as andorinhas voam por aí, também os cucos e os rouxinóis.

Os especialistas dizem que se trata de mais um sinal das alterações climatéricas.

Hoje, um sol envergonhado passeou pela cidade , mas as previsões do Instituto de Meteorologia apontam para uma semana de céu cinzento, por vezes muito nublado, e aguaceiros.

Mas a Sagração da Primavera chegará.

“Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.”
Alberto Caeiro


Legenda: "Primavera", pintura de Sandro Botticelli

sábado, 20 de março de 2010

OLHARES











Caminhada breve pelas ruas de Braga.




VAYA CON DIOS

A noite havia sido longa e cansativa, como é costume.

Comeu-se, bebeu-se, riu-se, dançou-se, sem que, como sempre, alguma vez se tivesse tocado no essencial. Ou talvez que, finalmente, as coisas sejam mais simples e o essencial seja apenas isso…
Acompanhar os convidados à escada, com a habitual recomendação de “cuidado com os degraus!”. Correr para um último aceno à varanda…

Arrumar a sala num ápice e respirar de alívio por não se ter quebrado nenhuma “flute das caras” ou alguma “das peças importantes” do “serviço”, para que a digníssima esposa não nos venha deitar à cara, pela estafadissima vez, que as festas acabam sempre assim…

Ir de novo á janela e reparar que, entretanto, as nuvens já passaram, a noite se tornou calma, serena e acolhedora e a grande lua já pode estender, finalmente, o seu manto de luminosidade sobre o rio.

Já não é hora dos cacilheiros deixarem as suas marcas sobre as águas, mas, ao longe, uma pequena luz cintila, como se pedisse socorro e todas as angústias da cidade se tivessem concentrado, por um momento, nesse minúsculo ponto vermelho, à espera não se sabe bem de quê.

Tempo de relaxar. Passar os dedos pela estante e escolher qualquer coisa tranquila para fim de festa. Cliff Richard a cantar em espanhol, como não poderia deixar de ser…

Acender os restos do que outrora fora um garboso charuto cubano, mas que agora não era mais do que um pequeno coto que teimosamente resistia a ser violentado uma vez mais…

Estender o corpo no sofá e as pernas sobre a mesa.

Escolher as músicas e deixá-las rodar, repetidamente, deixando que a pouco e pouco se instale a calma que as músicas de “When in Spain” sempre proporcionam: começando por “Tus Besos” (“Kiss”, na versão que a Marilyn cantava languidamente no “Niagara” provocando um acesso de ciúmes ao Joseph Cotten…), passando por “Amor, Amor, Amor”, “Te Quiero Dijiste”, “La Cancion de Orfeo”, do “Orfeu Negro” e por aí fora… Tudo em perfeita harmonia e estado de graça, com uma cumplicidade total entre os arranjos de Norrie Paramor e as entradas de Marvin, Welch e Farrar
Enquanto se escuta, ver o fumo esgueirar-se lesto pela janela, como se levasse dentro de si algo de essencial que não tivéssemos conseguido segurar e se perdesse para sempre.

E vir desaguar a “Vaya com Dios”…

“Si llegó momento ya de separarnos
En silencio el corazón dice y suspira:
Vaya con Dios mi vida,
Vaya con Dios mi amor

Las campanas de la iglesia suenan tristes
Y parece que al sonar también te dicen:
Vaya con Dios mi vida,
Vaya con Dios mi amor

Adonde vayas tú yo iré contigo
En sueños siempre junto a ti yo estaré,
Mi voz escucharás dulce amor mío
Pensando como estarás
Volvernos siempre a ver


La alborada al despertar feliz te espera
Si en tu corazón yo voy, adonde quieras
Vaya con Dios mi vida,
Vaya con Dios mi amor…”

Não pensar em mais nada, a não ser que o corpo já pede cama e amanhã será um novo dia, em que teremos de recomeçar tudo, com um sorriso no rosto, se possível…

Colaboração de Luís Miguel Mira

O TEMPO EM QUE UM JOGO DE FUTEBOL NÃO PASSAVA DE UM JOGO DE FUTEBOL

Quando em 18 de Junho de 1950, no Estádio Nacional, o Benfica ganhou a Taça Latina, eu tinha cinco anos e não estive lá. Mas, volta e meia, o meu avô, o meu pai, falavam dessa tarde memorável.

Agora, com 90 anos, morreu Júlio da Silva Correia, mais conhecido por "Julinho”, o autor do golo da vitória de 2-1 sobre o Bordéus, ao fim de dois prolongamentos e 134 minutos de jogo.
Dessa equipa, apenas não vi jogar o "Julinho". No primeiro jogo que acabou 3-3 alinhou a ponta esquerda Pascoal, que também não vi jogar.

A equipa vencedora:

Bastos; Jacinto e Fernandes; Moreira, Félix e José da Costa; Corona, Arsénio, Julinho, Rogério e Rosário.

Com a morte de "Julinho", dessa tarde de glória, ainda estão vivos,: Rogério Lantres de Carvalho, o célebre “Pipi”, Rosário, Pascoal e Bastos
.
A Taça Latina disputava-se entre os campeões de Portugal, Espanha, França e Itália. Mais tarde surgiriam as competições europeias da UEFA.

No dia 18 de Junho de 1950, não estive no Estádio Nacional, mas pelos relatos do meu avô e do meu pai, ao longo dos tempos, foi como se lá tenha estado.

Faz parte desta minha paixão pelo Benfica, que surgiria três ou quatro anos depois, na paz serena de um país que saía à rua aos domingos de gravata e bandeirinha na mão.

Venenos próprios para o povo ter alegria.

Ainda hoje!

“O meu amigo, que era pintor,
Contou-me numa noite de bebedeira:
-Olha,
Quando chega domingo,
Não há nada melhor que ir para o futebol…”


Manuel da Fonseca em "Poemas Completos"

Legenda: Fotografia de Afonso Santos

sexta-feira, 19 de março de 2010

EM NOME DO PAI

´
Os dias “ de qualquer coisa” sempre me incomodaram: da mulher, da mãe, do pai, da água, do livro, da árvore, do teatro, até houve um idiota de um deputado do PSD que chegou a propor, em plena Assembleia da República o "Dia do Cão".Para mim, dia do pai sempre foi, em qualquer dia do ano, telefonar e dizer-lhe: “vamos jantar?” O meu pai, por vezes, sugeria: "podíamos primeiro ir matar uma matinée".Jantar é um modo, suave, de dizer, porque o que íamos era beber uns valentes copos. Por aqui, está emoldurada na parede, a conta do “Isaura Restaurante", de um jantar em 20 de Novembro de 1989:

Pão: 140$00
Vinho: 6.900$00
Peixe: 750$00
Aves e Caça: 950$00
Queijo: 500$00
Fruta: 500$00
Whisky: 1.300$00
Total: 11.160$00.


Numa das tais matinées que o meu pai, por vezes, propunha fomos um dia ver, ao “Londres”, “A Insustentável Leveza do Ser” baseado no livro do Milan Kundera.

Por comum acordo, saímos aos vinte minutos de exibição, e fomos para um restaurante ali para Alçantara, o “Cuidado com o Degrau”, que não sei se ainda existe.

Chegámos ao "Cuidado Com o Degrau", perto das sete da manhã, saímos à uma da manhã.
Havia mais histórias para contar, talvez um dia surjam, mas estes são os dias do pai que, penso, valer a pena ter na vida, os que não estão sujeitos a agenda.

Em Março de 2008, o "Público” publicou “Em Nome do Pai”, uma pequena antologia do Pai na Poesia Portuguesa, organizada por José Cruz dos Santos, que há dias viu a “Leya” guilhotinar-lhe uma série de livros, prefaciada por Vasco da Graça Moura, “a melancolia dos fantasmas mais amados” e direcção gráfica de Armando Alves.

Um livro bonito.

Vou lá buscar um poema, não porque seja dia do pai, mas porque a poesia é para sr consumida em todos os dias do nosso viver e sai hoje como poderia sair num qualquer outro dia.

Escolhi um poema de Vasco Graça Moura, um excelente tradutor de clássicos, um poeta e romancista de valor, mas com essa pecha de se perder, politicamente, na defesa do PSD e dos seus barões e demais populaça.

Necessariamente, ninguém é perfeito:

“o meu pai está em leça da palmeira, lá perto do farol da boa nova,
num cemitério varrido pela nortada e pelo cheiro a maresia,
não longe das melhores coisas do siza vieira e de lugares do nntónio nobre,
não longe da petrogal e dos seus grandes cilindros metálicos,
não longe do lugar onde nasceu, numa casa depois demolida para as obras de leixões

quando ele era pequeno, um dia a mécia de sena trouxe
uma fotografia,
cedidda por um amigo comum, de um renque de casas junto ao mar.
fiquei com uma ideia da casa dos meus avós na leça de fins
do século
e de como o mundo é ainda mais pequeno do que eu imaginava.
agora o meu pai já só escuta o ronco da sereia e as buzinas
do nevoeiro,

e passa-lhe por cima, em cadências regulares, um facho de luz
rasgando a noite.
agora já não vê as banhistas a menearem-se entre o sol, a areia e a água,
nem diz “olha aquela é muito potável” com um riso que sempre
irritou a minha mãe.
agora fiquei eu com a integral do balzac que ele passava a vida a ler,
e faz-me a maior das impressões que ele esteja para ali sem livros,
sem o Eça, sem nós todos.

o meu pai morava ali perto, no silêncio das luas já não sabe onde
era a sua casa.
a gente passa nos dias do costume a deixar-lhe flores e algum
recolhimento,
ou então um de nós diz “fui com a mãe pelo cemitério”, sem falar
no nome dele.
isso não é uma rasura, mas um sinal mais forte que perturba
a densidade das palavras,
porque o meu pai tinha os olhos muito azuis e essa cor às vezes
fica ali no mar.”

quinta-feira, 18 de março de 2010

DA MINHA GALERIA

Se a memória não me falha, foi em 1968, que num dos saudosos cinemas dessa época, o “Condes”, vi, pela primeira vez “E Tudo o Vento Levou.”
Era um domingo e só consegui bilhete para a fila A da Plateia.
Como sabem o filme é enorme e calculem como saí de lá com o pescoço.
É daqueles filmes que não são nunca para esquecer mas a dor no pescoço ajuda ainda mais a não existir mesmo qualquer esquecimento.
Pode-se esquecer Clark Gable, Vivien Leigh, Olívia de Havilland? O colorido, a música, os diálogos?
Não, não dá mesmo para esquecer e principalmente aquele final:


“Por Deus como minha testemunha, eles não me vão destruir! Eu sobreviverei a isto e ao que vier depois. Eu nunca sentirei fome novamente – nem eu nem quem estiver ao meu lado! Nem que eu tenha que mentir, roubar, enganar ou matar, por Deus, eu juro, jamais passarei fome novamente”!
Segundo li na “Visão” de 11 de Fevereiro de 2010, “E Tudo o Vento Levou”, continua a ser o filme mais rentável da História do Cinema.

O TEMPO DAS CEREJAS


Hoje é o dia da Comuna de Paris.

Hoje é o tempo das cerejas.

O Google diz-nos que A Comuna de Paris é a Primeira experiência de ditadura do proletariado na história, governo revolucionário da classe operária criada pela revolução proletária em Paris. Durou 72 dias: de 18 de Março a 28 de Maio de 1871.A Comuna de Paris foi resultado da luta da classe operária francesa e internacional contra a dominação política da burguesia. A causa directa do surgimento da Comuna de Paris consistiu no agravamento das contradições de classe entre o proletariado e a burguesia decorrente da dura derrota sofrida pela França na guerra contra a Prússia (1870-1871). O empenho do governo reaccionário de Thiers de fazer recair o fardo dos gastos da guerra perdida sobre os amplos sectores da população originou um poderoso movimento das forças democráticas.

O Tempo da Cerejas" é uma canção, também, o blogue de Vítor Dias, (http://www.tempodascerejas.blogspot.com/) e nele pode ler-se:

"Esta canção de Jean Baptist Clément (letra) e Antoine Renard (música) foi escrita em 1866 sendo portanto anterior à Comuna de Paris (que durou de 26 de Março a 28 de Maio de 1871) e não é um canto revolucionário, mas uma cançoneta de amor. Algumas informações apontam porém para que a última estrofe, posteriormente dedicada, segundo o testemunho de Louise Michel, a uma enfermeira morta em defesa da Comuna, foi escrita sob a influência da «semana sangrenta» em que dezenas de milhar de combatentes da Comuna foram cruelmente massacrados. Foi pois neste contexto histórico que esta canção se tornou um símbolo das imensas esperanças que a Comuna de Paris tinha gerado".

Transcrevo o poema de “O Tempo das Cerejas”. A tradução é de Rui Almeida:





“Quando cantarmos no tempo das cerejas,

E o feliz rouxinol mais o melro gozão
Andarem em festa.
As formosas terão tolice na testa
E os namorados sol no coração...
Quando cantarmos no tempo das cerejas,
Assobiará melhor o melro gozão
Mas passa depressa, o tempo das cerejas,
Quando os namorados colhem, a sonhar,
Brincos de princesa!
Cerejas de amor de igual beleza,
Caem sobre as folhas, qual sangue a pingar.
Mas passa depressa, o tempo das cerejas,
Brincos de coral colhidos a sonhar!
Quando vos chegar o tempo das cerejas,
Se tiverdes medo das coitas d'amor,
Evitai formosas.
Mas eu que não temo penas dolorosas,
Não hei de perder um só dia de dor...
Quando vos chegar o tempo das cerejas,
Haveis de ter também vossas coitas d'amor.
Sempre adorarei o tempo das cerejas:
Guardo desse tempo no meu coração
Uma chaga aberta.
E mesmo a Fortuna, posta como oferta,
Jamais poderá tirar-me esta aflição...
Sempre adorarei o tempo das cerejas
E esta memória no meu coração.”

quarta-feira, 17 de março de 2010

BEM A SINTO, BEM A SINTO

Mais importante que a Primavera, é estarmos à espera dela.

Assim como quem espera a mais improvável das primaveras.

O gosto de nascer que a Primavera tem, todos os anos, quando Março chega.

Donde vem a Primavera que todos a esperam febrilmente?

As palavras dos outros as palavras que escolho porque dizem, sempre, as coisas melhor do que eu digo.

Catarina Portas:

“Vislumbrar a primeira andorinha do ano é uma alegria inexplicável, como o deslumbre de um dia sair à rua e descobrir os jacarandás em flor ou aquele prazer raro de trincar as primeiras cerejas do calor. Agora cerejas já as há todo o ano, vindas daqui e dali, mas como as andorinhas ainda não se dão em estufa e só arribam quando muito bem lhes parece, esta é ainda uma das felicidades inteiras que o ciclo anual das estações nos traz.”

José Luis Peixoto:

“A minha dor é esta primavera que nasce e me mostra
Que o Inverno se instalou definitivamente em mim”


António Lobo Antunes:

“Não sei se as pessoas a partir de certa altura deixam de esperar seja o que for.”

Legenda: a imagem é retirada da imaginativa colecção de reclames da "Absolut Vodka"
Nota do editor: o título do texto é retirado de uma crónica de Fialho d'Almeida em "Os Gatos" Vol. I

terça-feira, 16 de março de 2010

NOTÍCIAS DO CIRCO



Segundo um relatório da OCDE, os ricos estão mais ricos e os pobres mais pobres.

Soube-se há dois dias que os rendimentos dos portugueses, situados entre 517 e 1284 euros, perdem deduções de IRS. A pouco e pouco iremos tomando conhecimento de outras medidas que o governo tem em carteira para nos tornar cada vez mais pobres.

Mas não todos.

Américo Amorim, empresário ligado ao negócio da cortiça, ocupa a 212ª posição da lista da "Forbes". É o mais rico dos portugueses e conta com uma fortuna avaliada em cerca de €3 mil milhões. Já em anos recentes Américo Amorim tinha sido uma presença na lista da "Forbes".

Quanto a Belmiro Azevedo, líder da Sonae, que anteriormente ocupou a 1ª posição no ranking português, ocupa o 665.º lugar da lista da "Forbes", com uma fortuna que ronda os €1,1 mil milhões. Belmiro de Azevedo, apesar de ser uma presença frequente nesta lista, não tinha figurado na mesma o ano passado.

Já Joe Berardo estatelou-se e caíu no ranking. Em 2009, figurava na 701ª posição, com uma fortuna avaliada em mil milhões de euros.

segunda-feira, 15 de março de 2010

OS CLÁSSICOS DO MEU PAI



São duas da madrugada do dia 13 de Fevereiro de 1973.

A Aida sentiu chegada a hora de ir para a maternidade.

Rua fora, a Aida, eu, de mala na mão, a Fernanda, o Tó, a pé, a caminho da maternidade.

Ainda se podia andar, em segurança, nas madrugadas de Lisboa.
.
Deixámos a Aida, regressámos a casa.

Sentei-me sem saber muito bem o que fazer. Não tinha telefone, mas calculei que o meu pai teria já teria chegado do jornal, e arranquei para a Mestre António Martins.

Como hábito velho, o meu pai acabara de petiscar, lia um policial e, num caixote-leitor-de-cassettes, ouvia música.

Não me apetecia comer e fui buscar uma garrafa de gin “Bols” que por lá havia.

 Mas de água tónica, nada. O meu pai era mais “scotch”, com o qual nunca tive grandes afinidades.

Enchi um copo meio de gelo, despejei-lhe gin e o sumo de um limão raquítico, sem casca que fora aproveitada, pela minha mãe, para fazer chá.

A cassette que, quando cheguei, o meu pai ouvia, era a 9ª Sinfonia do Dvorak.

Terminou a sinfonia e ainda ficámos por ali a conversar de qualquer coisa, o tempo a passar.
O dia queria romper e regressei a casa.

Pelo caminho meteu-se-me na cabeça que a 9ª Sinfonia me iria acompanhar sempre que alguma coisa de extraordinário acontecesse.

Assim um pouco como o Jack Nicholson para a Kathleen Turner em “A Honra dos Padrinhos”, que hei-de ver anos mais tarde , o filme do John Huston é de 1985.

Jack Nicholson no terraço do Hotel com a Kathleen Turner, uns Mariachis estão a tocar.

Jack Nicholson está com aquele casaquinho amarelo, que Kathleen ,minutos antes. dissera que lhe ficava a matar.

“Charlie Pargana – Que estão a tocar?
Irene Walker – “Noche de Ronda”
Charlie Pargana – Nunca me esquecerei desta música. Nunca esquecerei esse vestido. Nunca esquecerei nada do que se passou hoje. Seja para onde for que vamos, sempre que tocarem esta música… esta será a nossa música.”


Por aqueles tempos ainda não existiam métodos para, antecipadamente, se saber o sexo da criança.
O Mário nasceu às 10,30 da manhã.

A imagem, em cima, é a da cassette que o meu pai ouvia nessa madrugada.

A gravação é da RCA, interpretação da "Reiner Chicago Symphony, sem indicação do maestro que conduz a orquestra e sem data de edição.

domingo, 14 de março de 2010

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


OS CLÁSSICOS DO MEU PAI



O meu pai gostava dos trompetistas Harry James (“O Voo do Moscardo”) e Eddie Calvert (“Oh Mein Papa!” e “Zambezi”), da “Malaguena” cantada pelo Luis Alberto del Paraná e o seu trio “Los Paraguayos, da “Picolissima Serenata” pelo Renato Carosone, da “Granada” cantada pelo Mário Lanza, também havia uma versão do Luiz Piçarra, do "Piove" cantada pelo Domenico Modugno, "La Mamma" do Charles Aznavour.Lembro-me quando chegou a casa com o “Rock Around The Clock” do Bill Haley e os seus “Cometas”. As vezes que, nesse dia, o disco tocou.

Tudo discos de 78 rotações por minuto que, ao longo dos anos, se foram partindo.

Mas gostava, particularmente, do “Que Sera Será”, cantado pela Doris Day.

Para quem não saiba, esta era a canção que em “O Homem Que Sabia Demais” do Hitchcock, Doris Day, no papel de Jo Mckenna, costumava cantar ao filho, e que será a chave que há-de permitir que o filho seja libertado das mãos dos raptores.

Por sinal, uma canção que, também impressionou Ezra Pound, sabe-se lá bem porquê.

“Que Sera, Sera,
Whatever will be, will be
The future's not ours, to see
Que Sera, Sera will be, will be.”

Ray Evans, o compositor de “Que Sera, Sera” que, com 92 anos, morreu em Fevereiro de 2007, dizia aos amigos que uma das coisas que o encantava era o facto de as suas melodias terem sobrevivido ao longo de tantas décadas.

Já agora, também da autoria de Ray Evns, é o Tema Musical da celebérrima série “Bonanza”.

O meu pai, em determinada altura, comprou uns LPs da "Philips” da série “Popular Favourites”, que reuniam êxitos da música norte-americana. Por lá andavam, entre outros, o Louis Armstrong a interpretar “Mack The Knife”, Rosemary Clooney a cantar “This Old House”, o Frankie Laine a cantar “Jezebel”, o Johnnie Ray a cantar “Hernand’s Hideway”.O descaminho que alguns destes discos levaram , é um mistério.

Também gostava de canções napolitanas e tinha um LP, que não mais lhe pus os olhos.

Lembro-me perfeitamente da capa, em tons de azul, com o mítico Vesúvio, esse monstro adormecido, em fundo.

“Ver Nápoles e depois morrer”.

Terá algum dia dito?

Mas, acima de tudo, do que o meu pai gostava era de música clássica.

Ouvir música clássica, a televisão ainda não tinha entrado porta dentro, era um ritual da casa. Volta e meia ouvia-se o no corredor: “Vamos embora que vou pôr a 9ª Sinfionia”.

Não era um convite, era quase uma ordem, e eu e o meu avô avançávamos para o escritório e ali ficávamos, em profundo silêncio, a ouvir Beethoven.

É uma imagem gratificante que guardo: os três sentados, rodeados de livros, a ouvir música clássica.

Os discos de música clássica foram os únicos que não levaram descaminho.

Aos poucos irão aparecendo por aqui.

Começo com a 9ª Sinfonia de Anton Dvorak, a “Novo Mundo”.

Não foi o primeiro disco de música clássica que o meu pai comprou. Simplesmente, anos mais tarde, por motivos que contarei em “Memórias”, esta sinfonia, no correr dos anos, ficou a marcar alguns dos meus dias.

Para sempre.

A gravação é da Deutsche Gramophon, e a Orquestra Filarmónica de Berlin é dirigida por Ferenc Fricsay.Edição alemã, Agosto de 1956.

sábado, 13 de março de 2010

QUOTIDIANOS


"Diário de Notícias", 2 de Março de 2010

sexta-feira, 12 de março de 2010

BAILES DA VIDA


A maior parte da rapaziada do meu tempo pode não gostar da canção, mas devem lembrar-se do êxito que “A Noiva” teve.
Esta capa da Gelu é uma capa mesmo bonita.
Ainda me lembro da Gelu quando veio a Portugal e cantou na televisão que ainda era a preto e branco.
Mas a versão original é do António Prieto. A canção deu um filme, que vi no “Imperial com a Fernanda. E vi-o mais que uma vez, pois então.
Claro que “A Noiva” também andou nos bailes da vida.


“Blanca y radiante va la novia,
Le sigue atrás un novio amante,
Y que al unir sus corazones,
Hará morir desilusiones.

Ante el altar está llorando,
Todos dirán que es de alegría,
Dentro su alma está gritando,
Ave María!

Mentirá también al decir que sí,
Y al besar la cruz pedirá perdón,
Y yo se que olvidar nunca podría,
Que era yo aquel a quien quería.

Blanca y radiante valanovia,
Le sigue atrás un novio amante,
Y que al unir sus corazones,
Hará morir desilusiones.

Ante el altar está llorando,
Todos dirán que es de alegría,
Dentro su alma está gritando,
Ave María!
Ave María!”

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Doce como o amor, puro como um anjo, negro como o demónio e quente como o inferno. Quem da matéria entende, diz que é assim que deve ser um bom café.
Para mim a sentação do café não nasce do sabor mas do cheiro, sensação que se entranha. O beber não acompanha o gosto que vem do cheiro.
Frank Capra, por outros motivos, dizia que o segredo está no desejo e não na satisfação, na perseguição e não na captura.
O cheiro do café pela manhã, o cheiro das casas de cafés que existiam um pouco por todos os bairros de Lisboa, quando os supermercados ainda não tinham invadido a cidade, e o café, depois de escolhidos os lotes, era moído à vista do cliente e acondicionado em cartuchinhos de papel. O cheiro acompanhava os passos até casa.


Tenho a memória das casas de cafés que havia no bairro da Graça, já não há nenhuma. Uma que existia na Morais Soares, hoje é um snack ou lá o que é, onde a Aida, para além do café, comprava umas bolachinas rechedadas às quais o Mário fazia uns enormes olhos.
Na Rua da Misericórdia, quse a dobrar para o Larlo de Camões, ainda lá está "A Carioca", uma das mais antigas de Lisboa. Em frente ao antigo cinema Lys mantém-se por lá está o “Moinho do Lys”.
Existirão outras, e seria uma rota interessante a fazer pela cidade, mas as gâmbias já se vão recusando a grandes percursos.


A fotografia no topo é um antigo moinho de café. Está num canto do supermercado do Ferreira, faz parte do museu da casa. Há muito que o andava a namorar para o colocar, aqui, como objecto em vias de extinção. Foi hoje.
Reparo, agora, que poderia ter pedido, à simpática empregada, autorização para afstar a vasoura e o pacote de comida dos gatos, para apenas se poder ver o moínho.
Mas fica assim. Fazer cenário, por vezes, estraga as fotografias, torna-as artificiais. Digo eu, que de fotografia, como tantas outrsa coisas, não percebo nada.

quinta-feira, 11 de março de 2010

CARTA DE JC A MARTA TENTANDO NARRAR AS PERIPÉCIAS DE UM DIA TÃO INCRÍVEL QUE PARECE FICTÍCIO

Veneza, 11 de Março

Querida Marta,

não vais entender nada do que contam os jornais, nem nós, chamados testemunhas visuais, conseguimos perceber a aventura surrealista dum teco-teco militar sobrevoando a saloia capital durante mais de uma hora, metralhando um único quartel onde matou um soldado e regressou à base, liquidando a direita acusada de ter tentado tomar o poder com este avião de brinquedo, arrumada por isso para os próximos meses. Perdeste a oportunidade de presenciar uma intentona pela TV, que filmou o impagável diálogo dum oficial intentonista com o célebre Dinis de Almeida, comandante do quartel metralhado e sitiado pelo pelotão ou talvez nem isso, por um grupo de soldados “reaças” que começaram a chorar diante da TV quando a esquerda razoável lhes explicou terem sido enganados, manobrados ou obrados pelos maus que, como bons malandros já fugiram para Espanha deixando os pobres soldados ali de G3 na mão sem saberem bem porquê nem contra quem nem para quê nem para quem, os chefes s+o lhes disseram que era preciso ir salvar a revolução em perigo e todos se consideram salvadores da cuja dita. O Woody Allen tinha previsto um assassinato de presidente de república dado em directo pela TV, mas acho que a nossa ridícula realidade ultrapassa em tragicómico a ficção de “Bananas”. À hora em que te escrevo já os vencedores preparam a mitificação ou beatificação do soldado Luís, vítima desta brincadeira de mau gosto, ele que não tinha nenhum interesse em ver-se transformado em herói. Como explicação para tão absurda e obtusa acção de fogo, fala-se numa #matança da Páscoa” que o lobo mau prepararia a fim de cortar uma série de cabeças. Quem meteu isto nas fracas cabeças assim ameaçadas, ou se elas próprias inventaram tal estória, ignoro-o. Um ano de revolução permanente, ardentemente sonhada por nós leitores de Lev, começa a fatigar a burguesia que no início a ela aderiu por curiosidade ou simples desejo de mudar, como se fosse novo vestido ou penteado. Agora volta a vir ao de cima o nosso secular cepticismo, indiferença, fatalismo, transformado em gesto nacional o encolher-de-ombros de outrora conhecido. A fase de instrução colectiva luta agora contra as forças da inércia. Dizia mestre Lev: à fusão criadora do consciente com o inconsciente é que se chama inspiração. No momento em que a inércia tenta tomar conta do prec, uma espécie de usura apodera-se das pessoas, passam a pensar em termos de contabilidade, esquecem que com usura nenhum homem tem casa de boa pedra, que a usura é uma praga, que com usura, pecado contranatura, talvez se chegue ao poder, não se chega à liberdade. Também eu não chego a nenhum lado, a não ser aos exames que não sei se se fazem. De resto para que serve estudar leis num país que quero deixar? Ainda por cima leis tornadas diariamente arcaicas pela constante inflação da legislação, inflação só semelhante à da nossa moeda, pobre dela.
Da próxima vez prometo carta diferente, falando mais de mim que do prec que afinal te não interessa. Pergunto-me se eu te interesso.

Teu

JC

Almeida Faria em “Lusitânia”, Edições 70, Lisboa, Dezembro de 1980.


MEMÓRIAS



Há dias mostrei ao Luís Pinheiro de Almeida, por brincadeira, o catálogo da "Dinfer" em que, com 17 anos, passei modelos. Disse o Luís que isso era uma coisa gira para publicar no “Cais do Olhar”, achei que estava a gozar e passei à frente.
Não digo que a coisa não ficou a dançar dentro de mim.
Acontece que li no “Diário de Notícias” uma notícia em que Victoria Beckman defende modelos magras.
“Victoria Beckham veio a público defender as modelos magras, considerando que estas não devem ser discriminadas pelo seu aspecto.
“Acho que não devemos discriminar as modelos que sejam demasiado delgadas”, afirmou Victoria em entrevista ao programa The View, transmitido no canal ABC.
Às suas declarações iniciais, Victoria acrescentou que a”a maioria dessas raparigas são assim tão magras porque é essa a sua constituição física natural”.
Mas apesar de defender as modelos magras, a mulher de David Beckham, de 35 anos, diz que não é nenhuma modelo, e que se esforça para ficar em forma. “Tenho uma alimentação muito saudável, Como muito peixe, vegetais e frutas e não como porcarias”, explicou.
A história de manequim na “Dinfer” veio outra vez à lembrança.
Não escondo que tenho vaidade em mostrar o catálogo. Foi uma brincadeira, porque existindo modelos profissionais, a “Dinfer” entendia que seriam os trabalhadores da casa a passar os modelos e ninguém estava preocupado com medidas, com magrezas, com celulites.
Mesmo outros tempos e tudo era possível.
Eu não tinha experiência nenhuma, mas o patrão,o Sr. Dinis, entendia que o importante era a simpatia e o à vontade.


Nesta passagem, a única de que tenho catálogo, os outros perderam-se, a apresentação foi feita pela conhecida locutora Maria Leonor e os patrões faziam convites especiais a gente conhecida para assistirem às passagens. Nesta, entre a assistência, pode ver-se a vedeta da rádio Maria de Lurdes Resende.
Pessoalmente entendo que as modelos de agora, são muito isto, muito aquilo, mas chegam a afligir por tanta magreza.
Incomoda que as modelos de agora façam tantos sacrifícios para manterem a linha e, por isso, até há casos de mortes.
A saudade desses tempos também fica aqui