sexta-feira, 31 de maio de 2013

AS APOSTAS DO PS


Não se pode menosprezar o papel que a poesia de Manuel Alegre representou na luta contra a ditadura.

Não posso esquecer as noites de instrução nocturrna, no Regimento de Infantaria 5, nas Caldas da Raínha, em que os poemas da Praça da Canção, o meu velhinho exemplar da Ulisseia, eram lidos por um alferes que, conjuntamente com outros que tinham recusado continuar carreira militar na Academia, foram mobilizados e acabaram por fugir, uns  para Estocolmo, outros para Paris.

Uma poesia que ajudou a rasgar caminhos, a abrir janelas.

Mas há a faceta Manuel Alegre pós- 25 de Abril, dirigente e deputado do Partido Socialista.
O caso muda de figura.

De alegre se fez triste.

Há dias, num entrevista ao I declarou:

Temos o privilégio de ter a esquerda mais forte da Europa, mas a esquerda em Portugal não serve para nada.

Manuel Alegre foi comunista, esteve na guerra colonial, exilou-se em Argel, onde manteve laços de amizade com Fernando Piteira Santos.

Ainda em Argel, Manuel Alegre afastou-se do Partido, Fernando Piteira Santos, alvo de falsas calúnias, acabou por ser expulso
.
Álvaro Cunhal reconhecerá, mais tarde, que dos muitos erros cometidos pelo Partido, Fernando Piteira Santos foi um desses erros.

Alegre e Piteira Santos regressam, no mesmo dia, ao Portugal de Abril
.
Alegre filia-se no Partido Socialista, Fernando Piteira Santos, até à sua morte, manteve-se sempre fora de qualquer partido, mas nunca da militância política.
.
A sua coerência com a ideologia marxista que sempre orientou impossibilitou-o de aceitar qualquer cargo que o afastasse do marxismo que o norteou desde jovem. Cabe aqui contar um episódio que revela a integridade e coerência política do Fernando. Alguém perguntou-lhe um dia: “por que é que não te filias no Partido Socialista?” Resposta: “Porque sou socialista!”. (1)

Mário Soares, o animal político, como gosta que lhe chamem, nunca foi socialista.

Os seus princípios são os da social-democracia e a invocação do socialismo foi, apenas, uma história para juntar pedras para o passeio da sua caminhada política
.
Na primeira oportunidade, Outubro de 1974, Soares mandou às urtigas as ideias e arrumou – para sempre! – o marxismo bem no fundo da gaveta.

José Saramago em Outubro de 1996:

Os partidos chamados socialistas deixaram de ser esquerda. É melhor assumir essa realidade. Não vale a pena continuar com uma ficção que é a de julgar que os partidos socialistas ainda são esquerda. Já não são esquerda, são centro. É o centro de que o tempo em que vivemos hoje necessita.

No decorrer dos tempos, a social-democracia acabará por ser devorada pelo neo-liberalismo.

Bem o sabemos!

É em todo este deslizar de palavras, que se chega ao ponto de, face ao momento trágico que o país vive, sabermos, que o Partido Socialista, quer a todo o custo eleições, apela a uma maioria absoluta, difícil de obter, mas, mais uma vez, já fizeram saber que deve dar-se absoluta prioridade ao CDS para uma coligação. Francisco Assis declarou-o em Fevereiro: é mais fácil uma aliança com a direita.

É nesta certeza que Paulo Portas, coligado ainda com o PSD, já anda a tratar da sua  sobrevivência.

A esquerda em Portugal não serve para nada.

Pano para muitas mangas.

A política de esquerda terá que ser uma acção constante de cidadãos, de partidos de esquerda e não uma intrincada partida de xadrez, de movida por privilegiados de casta, casa e sangue.

A direita nunca defendeu causas, apenas interesses.

 Dizem que é estúpida mas o que é facto é que tem sabido tirar partido da divisão – por que não cegueira? - da esquerda.

As esquerdas, sim esquerdas, têm sido impotentes para mudar o poder e colocá-lo ao serviço do povo.

Não há democracia sem cultura.

Mas em tempo de eleições, voltarão os políticos do arco governamental, contar a velha milonga de que o povo português sabe escolher.

Apenas dizer:

Perdoai-lhes, Senhor, que eles não sabem onde votam.



Hélas!



 (1)   Depoimento de Maria Branco em Fernando Piteira Santos Português, Cidadão do Século XX,  Campo das Letras, Porto Maio de 2003.

QUOTIDIANOS


Num tempo não muito distante, Jorge Silva Melo escreveu um texto, a partir do conto Michael Kohlhaas de Heinrich von Kleis, a que chamou:

NUM PAÍS ONDE NÃO QUEREM DEFENDER OS MEUS DIREITOS, EU NÃO QUERO VIVER.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

DO BAÚ DOS POSTAIS

Enviado da Grécia, pela Suzanne, Maio de 1992.

OLHAR AS CAPAS


A Náusea

Jean-Paul Sartre
Tradução: António Coimbra Martins
Capa: Estúdios P.E.A.
Colecção Livro de Bolso nº 133
Publicações Europa-América, Lisboa Junho de 1976

«Muito bem», digo eu, «desde que o senhor é feliz…»
»Feliz?» O olhar dele incomoda: voltou a erguer as pálpebras e fixa-me com um modo duro, «O senhor poderá julgar. Antes de tomar essa decisão, sentia-me numa solidão tão horrível que pensei no suicídio: o que me reteve foi a ideia de que ninguém, absolutamente ninguém, se comoveria com a minha morte, que ficaria mãos sozinho ainda na morte que na vida.»
«Nunca mais estarei sozinho, meu caro senhor, nunca mais.»
«Ah, conhece então muita gente?», digo eu.
Ele sorri, e imediatamente me apercebo da minha ingenuidade:
«Quero dizer que deixei de me sentir sozinho. Mas é claro, meu caro senhor, que não é necessário, para isso, estar acompanhado.»
«Entretanto», digo eu, «na secção socialista…»
«Ah! Conheço lá toda a gente. Mas a maior parte só de nome. Ouça», diz ele com esperteza, «seremos obrigados a escolher os nossos companheiros de maneira tão estreita? Os meus amigos são todos os homens. Quando vou para o escritório, de manhã, há, diante de mim, atrás de mim, outros homens que vão para o seu trabalho. Vejo-os; se ousasse, sorriria para eles. Penso que sou socialista, que são eles todos a finalidade da minha vida, dos meus esforços, e que não o sabem ainda. É uma festa para mim.»
Interroga-me com os olhos; eu aprovo fazendo que sim com a cabeça, mas sinto que está um pouco desiludido, que pedia mais entusiasmo. Que lhe hei-de fazer? Será culpa minha se, em tudo quanto ele disse, reconheço incidentalmente as ideias de outros, as citações? Se vejo reaparecer, enquanto ele fala, todos os humanistas que conheci? Ah, conheci tantos! O humanista radical é amigo especialmente dos funcionários. O humanista dito «da esquerda"» tem como preocupação principal a de conservar os valores humanos: não adere a nenhum partido para não trair o humano, mas as suas simpatias vão para os humildes; é aos humildes que consagra a sua bela cultura clássica. Em geral é viúvo e tem uns bonitos olhos sempre húmidos de lágrimas: nos aniversários chora. Gosta também dos gatos, dos cães e de todos os mamíferos superiores. O escritor comunista gosta dos homens desde o segundo plano quinquenal: castiga porque ama.

POSTAIS SEM SELO

O pessoal dos rebocadores é geralmente boa companhia para uma chávena de café e, no tempo invernoso, quando nos gela a rebentação do rio, é um imenso prazer podermos refugiar-nos numa cabina aquecida por um fogão e deslizar pela água com uma chávena do mais negro café javanês.

Truman Capote em Os Cães Ladram, Relógio d’Água, Lisboa Julho de 2002.

Legenda: pintura de James Bard.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


OS MENINOS DOS 850

As noites povoadas dos anos 60, em que os "850" eram bólides.
Retrato desses tempos registado num comentário publicado no República de 18 de Janeiro de 1967.
Um sorriso salta para o teclado do computador.

QUOTIDIANOS


Jovem foi entregue aos pais após o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras confirmar a identidade, pois tinha dado nome e idade falsos. Vivia num barracão sem condições.
Um menino de nacionalidade estrangeira com 14 anos foi entregue aos pais depois de ter passado meses a viver como indigente, sobrevivendo à base de comida que recolhia em contentores do lixo junto ao LIDL de Castelo Branco,

terça-feira, 28 de maio de 2013

UM PASSEAR PELOS TEMPOS


Nas suas Memórias, Rómulo de Carvalho, também conhecido como o poeta António Gedeão, conta aos filhos dos netos dos meus netos o que foi o Movimento do 28 de Maio de 1926:

Em 1926 sucedeu o que tinha de suceder, mais ano menos ano, para pôr cobro ao desassossego em que se vivia: a instauração de uma ditadura. Tinha este vosso tetraavô então a bonita soma de vinte anos. A ditadura prolongou-se até 1974, o que significa que esteve instalada em Portugal durante 48 anos! Foi demais para a nossa inquietude mas justifica-se tão dilatado tempo por duas fortíssimas razões que, conjugadas, permitiram esse resultado: uma, foi a simultaneidade de outras ditaduras em países europeus; outra, foi o surgimento inesperado de um homem monolítico, nem de torcer nem de quebrara, possuído de uma filosofia política firmemente assente nos valores tradicionais da Nação (Deus, Pátria e Família), provinciano de quatro costados, homem sem mulher, que usava botas com atacadores. Sobre a pressão dessas botas  pôs o país em silêncio enquanto as cabecinhas dos portugueses assomando na periferia das gáspeas erguiam os olhos para o seu salvador.
Chamava-se, o homem, António de Oliveira Salazar. Era natural do Vimieiro, no concelho de Santa Comba dão, e mestre de Economia e Finanças na Universidade de Coimbra.
Notem, meus queridos tetranetos, que Salazar não se esgueirou por entre as massas para alcançar a ribalta política. Ele estava sentado na sua cátedra, a debitar os seus saberes, quando os ditadores militares de 1926, já desorientados com a sua própria revolução, lhe suplicaram que viesses até Lisboa tornar conta da pasta das Finanças, pois tinham notícia da sua competência e a nau portuguesa estava prestes a afundar-se. O homem veio, aceitou o cargo e apresentou o seu plano de acção governativa. As exigências do seu programa eram muitas e pesadas e, como não foram aceites, Salazar pôs o chapéu na cabeça e voltou para Coimbra. Cerca de dois anos mais tarde, como a confusão continuasse na mesma, tornaram a chamá-lo. Que viesses, que fizesse o que quisesse. Ele veio e vez o que quis, com a consciência tranquila.

POEMA DE 28 DE MAIO AO CONTRÁRIO


Gigante foi a luz que acesa se estendeu
por sobre as trevas de um povo prisioneiro

Ninguém esperava que no primeiro impulso
de um movimento militar se abrissem todas as janelas

e todas as portas. Mas abriram-se e por elas
a luz e as vozes foram restituídas.

Todos agora, exército e povo, os militares e os políticos,
e quantos nunca pensaram que a política é coisa

de todos os dias ter de aprender-se a ver,
a falar e a ouvir, lá onde na caverna

só sombras de fantasmas existiam.
Todos têm de aprender a governar e a governar-se n`alma

e a fazer governo a liberdade e as vozes
e o direito de existir-se à luz do dia

como gente viva num país que é ela.
Todos têm de aprender que a liberdade não existe

apenas porque é dada, pois pode ser tirada,
ou apenas porque é conquistada, pois pode ser

licença em que não reste senão ela perder-se.
Têm de aprender que não pode ter-se num só dia

o que se perdeu em décadas. E que a Justiça
é a Liberdade que pensa mais nos outros que em si mesma.

Santa Bárbara, 28/5/74
Jorge Sena de Poemas Políticos e Afins em 40 Anos de Servidão, Moraes Editores, Lisboa Setembro de 1982.

Legenda: fotografia de Eduardo Gageiro.

O SILÊNCIO DOS HOMENS


Neste dia, no ano de 2006, o Papa Bento XVI visitou o antigo campo de concentração de Auschwitz e perguntou onde estava Deus quando o horror aconteceu.

Tomar a palavra neste lugar de horror, de acúmulo de crimes contra Deus e contra o homem sem igual na história, é quase impossível e é particularmente difícil e oprimente para um cristão, para um Papa que provém da Alemanha. Num lugar como este faltam as palavras, no fundo pode permanecer apenas um silêncio aterrorizado um silêncio que é um grito interior a Deus: Senhor, por que silenciaste? Por que toleraste tudo isto? É nesta atitude de silêncio que nos inclinamos profundamente no nosso coração face à numerosa multidão de quantos sofreram e foram condenados à morte; todavia, este silêncio torna-se depois pedido em voz alta de perdão e de reconciliação, um grito ao Deus vivo para que jamais permita uma coisa semelhante.

Onde estava Deus naqueles dias da barbárie nazi?

Por onde anda Deus quando, em  todos os dias,  as tragédias acontecem no Mundo?

A Biblia refere a pergunta de Jesus:

Meu Deus, meu Deus por que me abandonaste?

O silêncio de Deus será com os crentes, mas o silêncio dos homens já é com todos.

Porque o sentido da vida só tem um caminho: ser vivida.

E cabe aos homens a busca dessa verdade.

O Q'UÉ QUE VAI NO PIOLHO?


Na próxima sexta-feira dia 31 de Maio, pelas 21,30 Horas, na Sala Manoel Oliveira do Cinema São Jorge - ENTRADA GRATUITA - exibe-se As Coisas Não  São Feitas Por Acaso , um filme de Tiago Cravidão sobre o fotógrafo Eduardo Gageiro.
Texto de promoção da Largo Filmes:

Estamos ao lado de Eduardo Gageiro quando o major Pato Anselmo lhe aponta a sua Walther de 9mm. Mas é Gageiro que dispara, fixando para sempre a última ameaça da ditadura Portuguesa que, segundos depois, e bem à nossa frente, se rende a Salgueiro Maia obrigando-o a morder o lábio para não chorar.

São agora os bancos de madeira do eléctrico 28 que nos transportam. Alfama, o Tejo, Campo de Ourique, Martim Moniz: é a preparação do próximo livro de Eduardo Gageiro. Aqui, constatamos a passagem da doença, e vamos assistindo ao ato fotográfico que das imagens quotidianas depura sínteses de vida. Presenciamos a espera, a escolha, o corpo em esforço para fixar a imagem imaginada. Matéria e ideia condensadas ao abrir do obturador. Gestos que este fotojornalista ensaia há mais de 65 anos.

Mas Eduardo fotografa ainda, é presente, actual, vivo e por isso, ao lado da grande escala assistimos às sessões fotográficas na humilde e lotada mesquita da mouraria, nos desgrenhados cabeleireiros para negros do Martim Moniz, e nas desarrumadas das lojas chinesas. “O dia-a-dia que soletramos sem dar por isso”, escreve o amigo José Cardoso Pires. Fragmentos unidos em torno do ponto de vista que este projeto, que durou cerca de 5 anos, foi instalando.

É este o olhar do filme sobre Eduardo Gageiro. Um filme que parte das histórias de duas imagens e que as cruza com a da preparação do seu último livro. Um filme que mostra como o olhar profundamente português deste fotógrafo viu as transformações em Portugal e no mundo nos últimos 60 anos. Um olhar que imaginou e que por isso viu e fotografou, o beijo de Dona Maria ao cadáver de Salazar em 1970, o rapto dos Israelitas nos jogos Olímpicos de 1972, o momento decisivo da revolução de 74, e as sedutoras revelações dos retratos de 95. Um olhar que na precisão científica de Álvaro Cunhal só pode ter origem num “observador atento e incansável que, com talentosa criatividade, não só colhe como cria a imagem e com ela interpreta a pessoa e o acontecimento.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O ÚLTIMO GIGANTE


Publicou sessenta e nove livros, dezassete dos quais são romances. O resto é História, biografia, polémica, investigação literária, literatura infantil, memórias, jornalismo, crónica.
Na obra de Aquilino Ribeiro há como que uma súmula de toda uma literatura, o balanço terno, suave, manso, truculento, genial, fradesco, libertário, aventureiro, troca-tintas, aquilo que fomos e somos.

Baptista-Bastos, abertura de um dossier Publicado no Expresso de 24 de Março de 1984, por ocasião dos vinte anos da morte de Aquilino.

Legenda: retrato de Aquilino Ribeiro feito por Leal da Câmara , tirado de Aquilino em Paris de Jorge Reis, Editora Veja, Lisboa s/d..

OLHAR AS CAPAS


A Via Sinuosa

Aquilino Ribeiro
Livrarias Aillaud & Bertrand , Paris/Lisboa 1939

O sol tinha rebentado duma hóstia vermelha em terras de Penedono, mesmo ao de riba do castelo, e as cotovias banhavam-se na sua labareda cantando. Já as franças dos pinheiros encandeavam, e era ao alto dos troncos, que pareciam romper a forma processional para largar connosco, um miraculoso, um incomparável pálio, sêda verde, lhama de oiro, a cobrir pelo caminho fora nossas frontes regaladas.
Pelas rá pidas esgueiras do caminho, à nossa direita, o monte luzia, com a farfalha violeta da manhã a levantar às mancheias de sol nos picotos. Não se avistavam os faunos, mas lá deviam andar nos abrigos, em lutas-cambalhotas ou escorregando o sim-senhor lanzudo de tunantes pelas lájeas em lavadoiro. Lá andariam, porque cacarejava para lá do perdigão e a corcolher, e eles, mercê dos jarretes leves de caprípedes e da carne coriácea, são menos tímidos que os voláteis que o homem abate para comer. De lés a lés nas longas estiradas do baldio, já sob os rebates da canícula havia começado a lenta agonia do verde. Desaparecera-lhe já aquele esmalte que nos velhos pratos de Palissy afoga em tinta crua a guloseima loira duns pomos sazonados. E adoçando-se, vivo ainda no codesso, cinzento nos rosmanos, com laivos de cobre no fieital e na rabugem, que come da frágua, havia em seu espraiar a sonoridade lenta dum monocórdio. Nas espaldeiras surradas de mato, flores do sargaço lacrimejavam; mas eram ralas, muito luzentes, inacreditáveis, como contas de oiro de moira desencantada, que as deitasse fora, ao fugir.

CEM ANOS SOBRE A MORTE DE AQUILINO


 Quem hoje lê Aquilino?

Tentei, mas reconheço que não fui muito além.

Talvez mais tarde, ia pensando.

Não aconteceu bem assim.

A transladação dos restos mortais de Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional (Setembro de 2007) não foi consensual. Uns quantos vieram dizer que Aquilino não merecia estar no Panteão por ter sido um terrorista que esteve envolvido na organização do atentado que matou o rei D. Carlos e outros porque a obra de Aquilino não tem valor para que lhe seja reconhecida a honraria de entrar no Panteão. Lembro que Vasco Pulido Valente, no Público, bolsou uma das suas idiotices: Aquilino é um escritor medíocre”.

Por esse tempo, lembro-me de ter concluído comigo mesmo que, do princípio ao fim, apenas lera um livro de Aquilino: Quando os Lobos Uivam.

Há diversos livros de Aquilino que vieram da casa do meu pai.

Mas lembro-me que o único livro de Aquilino que comprei foi A Casa Grande Romarigães.

A lápis, no canto superior direito da 1º página, o livreiro escreveu: 45$00. Mas não passei da página 54. Sei isto porque, naquele tempo, os livros não se vendiam com as folhas guilhotinadas, tinham de ser abertos com uma faca (De repente senti saudade da velha ferramenta do jovem leitor que fui. A faca de papel. A ferramenta fora de uso morre. A faca de papel, belo objecto, está a desaparecer. E com ele talvez certa leitura via Jorge Listopad emSecos e Molhados) e a minha tarefa ficou-se por essa página. Havia quem comprasse os livros e os abrisse de uma vez só. Eu gostava de ir abrindo à medida que os ia lendo.
Terá sido a velha história: chateei-me de ler tanta palavra que desconhecia, e, numa de preguiça literária, cansei-me da necessidade de tanto ter que pegar no Dicionário.

Tem um bonito começo:

O Vento, que é um pincha-no-crivo devasso e curioso, penetrou na camarata, bufou, deu um abanão. O estarim parecia deserto. Não senhor, alguém dormia meio encurvado, cabeça para fora no seu decúbito, que se agitou molemente. Volveu a soprar. Buliu-lhe a veste, deu mesmo um estalido em sua tela semi-rígida e imobilizou-se. Outro sopro. Desta vez o pinhão, como um pretinho da Guiné de tanga a esvoaçar, liberou-se da cela e pulou no espaço. Que pára-quedista!

Voltei hoje a pegar no livro.

Lá estão, ainda, as páginas por abrir.

Dei um salto ao fim do livro, terno final:

É pena que se não possa regular a vida como um relógio, andando com os ponteiros para diante e para trás segundo a nossa conveniência. Como eu faria da Quinta do Amparo um jardim maravilhosos, a minha instância de contemptor do Mundo, e de Nossa Senhora, esta doce imagem de faces bochechudinhas, minha amiga do coração?! A Primavera, tantas vezes rebelde ao calendário, rejuvenesce tudo menos o homem. As leis da ciclidade física assim o mandam. Para o ano, por esta altura, voltarão as aves a cantar. Que chova, que faça um sol radioso, com o mundo vegetal pletórico de seiva ou mais aganado, à triste planta humana é que nada a afasta da sua carreira para a morte. Será ela a obra-prima da Criação ou a pior de todas?

Vou abrir o resto do livro e lê-lo.

Os olhos também são outros… e é sempre tempo…

Mas quem hoje lê Aquilino Ribeiro?

POSTAIS SEM SELO


Já me aconteceu oferecer um pesa-papéis a algum amigo muito especial, e dou sempre algum dos que mais aprecio, porque como disse Colette naquela tarde remota, quando eu protestei que não poderia aceitar algo que ela tão obviamente adorava: «Meu caro, na realidade não faz sentido nenhum oferecer um presente a não ser que tenha valor para nós.

Truman Capote em Os Cães Ladram, Relógio d’Água, Lisboa Julho de 2002

domingo, 26 de maio de 2013

MARCADORES DE LIVROS

PANCADAS DE MOLIÉRE


Nasceu em Lisboa a 3 de Outubro de 1917 e em Lisboa veio a morre no dia 4 de Novembro de 2004.

Degrau a degrau, uma carreira feita a pulso e em que fez de tudo um pouco: teatro, cinema, televisão, rádio, actor, encenador, realizador, e em tudo deu sempre o seu melhor.

Em 1945 funda o Teatroda Guilherme Cossoul, colectividade que acabou por se transformar num viveiro de grandes actores: Fernando Gusmão, Henrique Viana, Glicínia Quartim, Raul Solnado, José Viana.
Esta é a capa do programa de O Diário de Um Louco, interpretado por Jacinto Ramos,que vi na Fila E, cadeira 1 do 2º Balcão do Tivoli, num findar de tarde  duma terça-feira 18 de Outubro de 1966, depois de desembolsados 17$50 que, digo-vos, era dinheiro.
Tostões amealhados e depois o meu avô a acabar por cobrir o resto das despesas.


Sempre, doces memórias, a mesma lenga-lenga: oh! avô, falta qualquer coisinha para

… e era o cinema, o teatro, isto e aquilo…

Tenho tudo dentro de mim: uma soberba interpretação de Jacinto Ramos no papel de Auxence Ivanovitch Poprichtcihn.

O louco é um sonhador acordado, o sonhador é um louco adormecido.

Peça de Nicolau Gogol, traduzida por Virgínia Ramos, música de Jorge Peixinho, cenário e figurinos de Sá Nogueira, encenação de Jorge Listopad, que, na 2ª página do programa, assim se explicou:


sábado, 25 de maio de 2013

NOTÍCIAS DO CIRCO


ELEITO,VÁRIAS VEZES, presidente da Camara de Oeiras, Isaltino Morais, já suspeito de corrupção e outras fraudes, sem o apoio do partido a que pertencia, voltou a receber a confiança dos eleitores de Oeiras.

 Não estivesse a cumprir pena de prisão e, pela certa, continuaria, pelos séculos fora, a merecer a confiança dos eleitores.

Contas na Suiça, fugas aos impostos, negociatas em Cabo Verde, suspeitas de entendimentos com os grandes empreiteiros, trafulhices várias, a imagem de um homem sem princípios, sem escrúpulos, sem qualquer ponta de ética.

Mas apresenta obra feita.

Um homem de visão, o melhor autarca do país.

Poucos oeirenses quererão saber, à custa de quê e de quem, Isaltino tem obra feita.

Otília, a mais antiga vendedora do mercado de Oeiras, diz que o erro dele foi gostar de mulheres. Se não se tivesse metido com a secretária e contado o que não devia…

O drama deste país é que, apesar da chocante incompetência de quem nos governa, do soberano desprezo que manifestam pelas pessoas, se amanhã houver eleições os votos entrarão nas urnas com a cruz no mesmo quadrado dos do costume.

Barafustam por tudo o que é sítio, chamam nomes aos deputados, aos políticos, mas no dia das eleições, o resultado é sempre o mesmo.

Assim foi durante quarenta e oito anos, assim tem sido desde que disseram que éramos uma democracia.

O Jorge Palma está ali a cantar:

Ai Portugal, Portugal enquanto tu estás à espera, ninguém te pode ajudar.

O recorte é retirado da 1ª página do jornal I de 22 de maio de 2013.
.
O NÚMERO DE DESEMPREGADOS no final de Abril aumentou 11% em termos homólogos, num total de 728.512 pessoas, com mais 72.614 inscritos nos centros de emprego.

Os desempregados há mais de um ano aumentaram 31,4% em termos homólogos, totalizando 319.541 inscritos, enquanto os que tinham um tempo de inscrição inferior a um ano diminuíram 0,9% para 408.971 inscritos.

A CÂMARA DE GAIA está a projectar a construção de um túnel rodoviário mergulhado nas águas do Douro para ligar a praia de Lavadores (Gaia) à zona do Castelo da Foz (Porto). A obra custa 54 milhões de euros.

Luiz Filipe Memezes garantiu que é um projecto para os futuros presidentes de câmara do Porto e de Gaia desenvolverem.

Quem falou em austeridade?

A ORGANIZAÇÃO NÃO GOVERNAMENTAL Oxfam afirmou que os designados paraísos fiscais escondem 14 biliões de euros. Uma perda de receita fiscal para os governos de cerca de 120 mil milhões de euros.

A organização internacional divulgou estes dados na altura em que os chefes de estado e governo da União Europeia se reuniram em Bruxelas para, mais uma vez, já se perdeu o conto às vezes que já colocou o assunto em agenda, para procurar e reforçar a luta contra a evasão e a fraude fiscal.

A Oxfam especificou que dois terços dos fundos, cerca de 9,5 biliões de euros, estão em paraísos fiscais relacionados com a União Europeia.

Em momentos como o actual, em que cidadãos de países ricos e pobres sofrem a austeridade devido aos défices dos orçamentos nacionais, esse dinheiro poderia proporcionar o financiamento de serviços públicos essenciais, como saúde e educação.

SEMPRE QUE ESTÁ AFLITO, o ministro Gaspar procura a asa protectora de Wolfgang Schauble.

O ministro alemão apressa-se a afirmar que o que se passa em Portugal é um caso de evidente sucesso.

Passámos a dormir mais descansados...

A PRESIDENTE DO BANCO ALIMENTAR, Isabel Jonet, foi a personalidade escolhida para homenagear a 10 de Junho, junto ao Monumento aos Combatentes do Ultramar, em Belém, as mães, mulheres e irmãs dos militares destacados para a Guerra de África nas décadas de 60 e 70.

Cilinha volta, estás perdoada!

QUEM JÁ LEU O Sorriso aos Pés da Escada de Henry Miller sabe da dignidade de um palhaço - um poeta em acção, ele é a história que desempenha.

Por isso, chamar palhaço ao presidente Cavaco Silva é ofender o trabalho, a dignidade dos palhaços.


Há que chamar a Cavaco outras coisas, e o português, desde Gil Vicente, é uma língua rica em vocabulário que permite encontrar vocabulário suficiente para chamar os bois pelos nomes.

Ou o tempo em que o garoto Paulo Portas escrevia no Independente que Cavaco era um homem ordinário com tiques de ditador a merecer um estalo e classificava a futura primeira-dama-Maria-Cavaco como uma PMI, ou seja  Pequena e Média Intelectual. 

VIAJANTES SEM NAVIO


Durmo na perpétua imobilidade do poema, nos recantos esquecidos, de uma praia inacessível, litoral eterno de viajantes sem navio. E o poema é esta casa abandonada, o rosto belíssimo de imagens mortas.

Nuno Júdice em Obra Poética (1972-1985), Quetzal Editores, Lisboa Junho de 1999.

Legenda: A Casa Abandonada de Carlos Carrà..

sexta-feira, 24 de maio de 2013

QUOTIDIANOS

Entristeço-me muito quando deparo com apelos, como este, colocados nas paredes das ruas, nas montras das lojas do bairro.
Só quem algum dia teve gatos sabe bem da tristeza com que ficamos quando os perdermos.
Uma gata é a grande companhia da minha mãe, que já conta com 90 primaveras.
Pula para o parapeito da janela, passeia-se pelo quintal, afia as unhas nos sofás e acontece entre as duas uma enorme cumplicidade.
Diz a minha mãe que só lhe falta falar.
Antevejo a tristeza desta criança que perdeu a sua gatinha.
Tenho escassas palavras para dizer o que sinto.
Terá voltado a casa?

GEORGES MOUSTAKI (1934-2013)


Ontem, com 79 anos, Georges Moustaki deixou-mos.

Há muito debilitado, regressou, estrangeiro como sempre, às suas ilhas gregas
.
Fumei muito. Fiz tudo para que não progredisse, mas é uma doença perniciosa. É um matador silencioso que não faz barulho. Só nos apercebemos dos seus efeitos. Já não fumo há vinte anos. Não há justiça.

Quando em 1952, Georges Brassens lhe deu a mão, poderia ter-se tornado cantor de intervenção, mas a sua sensibilidade levou-o a aproximar-se dos desprotegidos mas não das ideologias. Ficou-se pela utopia, pelo romantismo, ficou como quis e o mundo o passou a conhecer.

Uma vida apaixonante, como sempre desejou até ao dia em que o último acto chegasse.

As mulheres puseram-no a olhar para o longe, sem destino, fizeram-no sonhar. Não viveu com todas as mulheres com que se cruzou, mas andou lá bem perto.

Viveu com Edith Piaf e compôs para o pardalito, MIlord, um dos seus muitos grandes êxitos: sou apenas uma rapariguinha do cais, uma mera sombra da rua, sente-se à minha mesa, lá fora está frio.

Perdeu-se de amores por Brigitte Bardot mas a actriz, porque Deus criou a mulher, preferiu Vadim, olhou Carla Bruni que lhe disse que passava as noites com ele, mas apenas porque passava as suas canções num programa de rádio que produzia.

A todas as mulheres que lhe preencheram e embelezaram a vida, o velho sedutor deixou Chnason pour elle: ela não faz amor, ela ama, ela não anda, dança, ela não fala, canta, ela não se dá, oferece-se.

Ah! e pelo nosso Abril, à boleia de Chico Buarque, deixou um aceno de esperança  para os que não acreditando que os seus ideias possam  não ser cumpridos: existe um cravo vermelho em Portugal.

Na hora da sua morte, os que receberam, com alegria, o abraço metequiano, sabem que não é suficiente florirem cravos vermelhos.

Outras histórias...

POSTAIS SEM SELO


Acho que quando for grande nunca vou conseguir encontrar o caminho para casa.

Autor desconhecido

quinta-feira, 23 de maio de 2013

É O DETALHE QUE IMPORTA


New York, um tipo com ar de executivo chegava por volta das seis da tarde sempre ao mesmo bar e pedia um Dry Martini.

Deliciava-se, pagava, cumprimentava o barman, e saía.

Acontece que o cidadão foi trabalhar para uma outra cidade e esteve uns anos sem voltar a esse bar de New York.

Mas um dia voltou e o barman era o mesmo.

Pediu um Dry Martini e ficou, silenciosamente a saborear.

Terminada a bebida, perguntou:

Estive anos sem vir aqui, experimentei centenas e centenas de Dry Martinis em dezenas de bares,  e nenhum tem o paladar do seu. Qual é o seu segredo?

O barman olhou-o e, com uma calma ancestral, disse:

Coloco o gin, deixo cair a pequena raspa de casca de limão, ponho a azeitona a nadar um pedaço, e depois pego na garrafa de Martini seco, destapo-a e passo com ela, meio inclinada, com o gargalo por cima do copo, com o cuidado de não deixar cair nem uma gota no Gin... E voilá!...

Adaptação de uma história ouvida a Miguel Esteves Cardoso
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Legenda: imagem de Bill Butcher.

O Q'UÉ QUE VAI NO PIOLHO?




Começo da Estação Meteorológica, crónica de António Guerreiro no Ípsilon do Público de 10 de Maio de 2013:

A última vez que em Portugal ouvimos um artista manifestar publicamente o seu desprezo pelo público e afirmar que se subtraía ao seu poder de maneira soberana – e ostensiva – foi quando, na estreia de Branca de Neve, João César Monteiro disse a uma jornalista que ousou evocar tal entidade: “Eu quero que o público se foda”. Esta frase, quebrando com altivez despudorada todas as regras da “bienséance”, ecoava um grito vindo de outra época, dos primeiros modernistas, que a entoaram em coro e com violência. Podíamos referir muitos outros – artistas, escritores – que continuam a excluir o público dos seus cálculos, mas João César Monteiro fê-lo de maneira tão intempestiva e explícita que atraíu a fama de membro escandaloso de uma família respeitável, que uns vêem como um artista-filósofo e outros como uma figura um pouco simiesca.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

OS 200 ANOS DE RICHARD WGNER


Hoje ocorrem 200 anos sobre o nascimento de Richard  Wagner e uma vez mais às voltas com os meus problemas com a pessoa e a sua música.

Gosto de algumas peças mas o que, no fundo, preferia era não gostar de Richard Wagner.

Um pouco como o maestro judeu Leonard Bernstein: odeio Wagner, mas odeio-o de joelhos, ou a frase de Woody Allen cada vez que ouço Wagner fico com vontade de invadir a Polónia, ou ainda Eduardo Rincón porque a vida do homem é inseparável da arte que produz, e a de Wagner não é simples, nem pouco mais ou menos.

As coisas são assim mesmo...

O Holandês Voador, Rienzi, Tannhauser, Lohengrin, Tristão e Isolda, Parsifal, algumas mais.

Pois é...

Duzentos anos é muito tempo, mas as suas relações de proximidade com a Alemanha Nazi, embrulham-se, desesperadamente, com a música que compôs.

Katharina Wagner, bisneta do compositor e codiretora do Festival de Bayreuth, Entretanto, em entrevista anunciou que, por ocasião do bicentenário, irá disponibilizar documentos que ajudarão a compreender a relação da sua família com o poder nazi. Essas fontes, que herdou de seu pai, Wolfgang, serão entregues ao Arquivo do "Land" da Baviera para que possa assim "dar aos investigadores a possibilidade de aceder" ao passado da sua família e da sua relação com Hitler. A avó de Katharina, a inglesa Winifred Wagner (casada com Siegfried, filho de Richard), foi logo desde os anos 20 uma apoiante incondicional de Hitler (o qual era visita frequente da família) e transformou o Festival de Bayreuth numa montra cultural do regime nazi..

SARAMAGUEANDO


A Imprensa Nacional - Casa da Moeda apresenta hoje, pelas 18,00 horas, na Casa dos Bicos, em Lisboa, a emissão especial de moedas em ouro e prata, dedicada ao escritor José Saramago.

A emissão especial da INCM é uma moeda no valor de 2,5 euros, em ouro e prata, que se integra na colecção Escritores Europeus, da série Europa, na qual participam dez países convidados, que evocam os seus escritores, entre os quais o espanhol Miguel de Cervantes

As moedas da série Europa são emissões oficiais em euros que, embora com uma temática anual comum, cada uma delas é específica do Estado que a emite, e apenas aí tem curso legal.

Nesta série estão também representados o austríaco Stefan Zweig, o irlandês James Joyce, o francês Gustave Flaubert e o belga Hugo Claus.

CONSELHOS INÚTEIS A NINGUÉM!


Dando de barato que a grande parte do jornalismo que se pratica, por estes dias, em Portugal, está ao nível da sargeta, paremos um pouco na 1ª página que o I, de hoje, nos oferece:

Pai de Passos Coelho aconselha o filho a demitir-se e desabafa:

O meu filho está morto por se ver livre disto.

E remata

Quando isso acontecer a gente vai fazer uma festa.

O jornalista não o diz, mas a conversa, provavelmente terá ocorrido no findar de um jantar de domingo. São tramados os jantares de família dos domingos. Os que ainda têm jantar, note-se.

A história não tem pés para andar.

Pedro Passos Coelho mostrou-se ávido pelo poder não tendo pejo em declarar que ele, e o PSD, estavam mais que preparados para governar o País, e sabia bem por onde deveria começar.

Preparado não estava, nunca esteve, e onde atacou sabemos bem onde foi: despedimentos, redução de salários, redução nas pensões dos reformados e pensionistas.

O que Passos e o Gaspar fizeram ao país está bem à vista.

Este governo não poderá durar muito mais tempo.

Impossível.

Nem Cavaco Silva, nem a Nossa Senhora de Fátima o poderão salvar.

E pode crer o pai de Pedro Passos Coelho, a uma semana de completar 87 anos, que não será só em Vila Real que haverá uma festa que não queiram saber.

Será um país que, por inteiro, se levantará em gritos de alegria e foguetório.

Mesmo não sabendo o que será o dia seguinte, temos como certo que nada será pior do que este suicídio colectivo que nos foi imposto pela Alemanha e está a ser aplicado por Passos, Gaspar & Cº Lda.