sábado, 31 de outubro de 2015

POSTAIS SEM SELO


Nada esperes e nada prometas aos deuses.

OS IDOS DE OUTUBRO DE 1975


31 de Outubro de 1975

VOLTOU A NÃO SAIR O SÉCULO. Ontem aconteceu o mesmo. Trabalhadores apoiantes do PS juntaram-se a trabalhadores do MRPP e, em referendo , aprovaram a demissão do director Adelino Tavares da Silva e do chefe de redacção Joaquim Benite.
De um comunicado do Partido Socialista:


Um plenário, terminado já de madrugada, aprovou que o director do jornal seria. o tipógrafo Francisco Lopes Cardoso que remete para um caso semelhante em que o tipógrafo Alexandre Vieira, durante a primeira República, dirigiu  o jornal A Batalha.
Os trabalhadores e jornalistas afectos ao PS e MRPP consideraram a eleição como uma manobra vil de um minoritário grupo partidário «social-fascista». Os restantes trabalhadores chamaram-lhe uma grandiosa vitória da classe operária.
Até ao 25 de Novembro o jornal no cabeçalho o nome do novo director.

CARLOS ALTAMIRANO, secretário-geral do Partido Socialista chileno, que se encontra em Lisboa fazendo parte de uma delegação do Conselho Mundial para a Paz, disse, ontem, num comício em Sacavém:
As massas exploradoras de todo o Mundo têm, agora, a sua atenção concentrada
No que se passa em Portugal. O vosso processo revolucionário tem numerosas singularidades. Desejamos que Portugal não seja um novo Chile e sim um Vietname vitorioso.
O República pega em outras palavras de Altamirano e publica um «Ponto Assente»:


FALTAM 25 Dias para que se dê o golpe do 25 de Novembro de 1975, o «DIA NÃO», tal como escreveu Maria Velho da Costa.

Fontes:
- Acervo pessoal;
Os Dias Loucos do PREC de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira.

NOTÍCIAS DO CIRCO




José Pacheco Pereira ao jornal I.

QUOTIDIANOS


Um homem de 39 anos foi assassinado à pancada na madrugada deste sábado, no centro histórico de Guimarães, por um grupo de jovens.
 O homem sofreu ferimentos diversos, nomeadamente na cabeça, que lhe causaram a morte.
Fonte policial disse ao JN que a vítima protestou contra o barulho que os jovens estavam a fazer e, depois de desafiado pelo grupo, desceu à rua e foi  espancado até à morte.

Do Jornal de Notícias de hoje.

Legenda: imagem do filme Laranja Mecânica de Stanley Kubrick

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

POSTAIS SEM SELO


Não há língua mais estrangeira para um homem do que uma mulher.

Laura Gil

Legenda: pintura de Vincent Giarrano

MUIPÍTI


É onde deponho todas as armas. Uma palmeira
harmonizando-nos o sonho. A sombra.
Onde eu mesmo estou. Devagar e nu. Sobre
as ondas eternas. Onde nunca fui e os anjos
brincam aos barcos com livros como mãos.
Onde comemos o acidulado último gomo
das retóricas inúteis. É onde somos inúteis.
Puros objectos naturais. Uma palmeira
de missangas com o sol. Cantando.
Onde na noite a Ilha recolhe todos os istmos
e marulham as vozes. A estatuária nas virilhas.
Golfando. Maconde não petrificada.
É onde estou neste poema e nunca fui.
O teu nome que grito a rir do nome.
Do meu nome anulado. As vozes que te anunciam.
E me perco. E estou nu. Devagar. Dentro do corpo.
Uma palmeira abrindo-se para o silêncio.
É onde sei a maxila que sangra. Onde os leopardos
naufragam. O tempo. O cigarro a metralhar
nos pulmões. A terra empapada. Golfando. Vermelha.
É onde me confundo de ti. Um menino vergado
ao peso de ser homem. Uma palmeira em azul
humedecido sobre a fronte. A memória do infinito.
O repouso que a si mesmo interroga. Ouve.
A ronda e nenhum avião partiu. É onde estamos.
Onde os pássaros são pássaros e tu dormes.
E eu vagueio em soluços de sílabas. Onde
Fujo deste poema. Uma palmeira de fogo.
Na Ilha. Incendiando-nos o nome.


Legenda: Muipíti é uma elegia à Ilha de Moçambique

OLHAR AS CAPAS


O Medo
Trabalho Poético 1974-1997

Al Berto
Assírio & Alvim, Lisboa, Maio de 2005

     esqueço-me  de  tudo,  por  isso escrevo. longe  do terror  ao
sismo inesperado das estrelas, escrevo com a certeza  de que tudo 
o que escrevo se apagará do papel no momento da minha morte.
        o olhar fugiu pelos interstícios  dos objectos,  sinto-me como
se tivesse cegado por excesso de olhar o mundo. as palavras para 
nomear o que é belo  definharam, raramente as escrevo, penso-as 
só. aqui sentado, imobilizado sob a luz amarelenta do candeeiro, 
continuo a desejar aquilo que nunca verei: a cintilação dum corpo
na cal, o sorriso dum rosto ardendo de suicídio em suicídio.
        ignoro o mundo e a noite que o envolve e devora. deixo 
escoar o cansaço do corpo pela janela do quarto. fecho os olhos, 

finjo o sono, e vou pelos lugares desabitados do meu corpo.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

POSTAIS SEM SELO


Não é fácil chegar à meia-noite a uma cidade desconhecida, falido, ao frio, e encontrar onde dormir. O sueco não tinha cheta. Os meus bens resumiam-se a duas moedas de dez cêntimos e uma  de cinco. Indagando junto de uns garotos, ficámos a saber que a cerveja era a cinco cêntimos e que os bares estavam abertos toda a noite. Era a nossa safa! Duas canecas de cerveja custariam dez cêntimos e, se nos sentássemos ao pé do fogão de sala, poderíamos dormir até de manhã. Apressámo-nos em direcção a um bar iluminado, pisando a neve e com um vento gélido a soprar-nos nas costas.

Jack London em Vagabundos Cruzando a Noite

Legenda: pintura de John French Sloan

NOTÍCIAS DO CIRCO



João Miguel Tavares no Público

SARAMAGUEANDO


Um velho recorte do Diário de Lisboa de 29 de Outubro de 1988

De uma velha conversa com Baptista Bastos:

Eu diria que vivi tudo o que vivi para poder chegar a ela. A Pilar deu-me aquilo que eu já não esperava vir a ter.

Dedicatória de As Pequenas Memórias:

A Pilar, que ainda não havia nascido, e tanto tardou a chegar.

Pilar del Riolera O Ano da Morte de Ricardo Reis. 

Tanto gostou que disse a si mesmo que visitaria o autor para lhe agradecer tratar tão bem os seus leitores e fazer o percurso que vem no livro: Hotel Bragança, Cemitério dos Prazeres, Alto Santa Catarina, por aí fora.

Telefonou a Saramago e encontraram-se num hotel para um café.

Excepção feita a Manual de Pintura e Caligrafia e, naturalmente, em As Pequenas Memórias, Saramago sempre foi parco em deixar pedaços da sua vida nos livros.

A excepção é o encontro com Pilar.

Está na pág. 119 de Jangada de Pedra: 


Tem ali uma senhora à sua espera. Parou José à entrada da sala, viu uma mulher nova, uma rapariga, só pode ser esta, não há aqui outra pessoa, apesar de estar na contraluz dos cortinados das janelas parece simpática, ou mesmo bonita, veste calças e casaco azuis, de um tom que deve ser anil, tanto pode ser jornalista como não, mas ao lado da cadeira onde se senta tem uma pequena mala de viagem e sobre os joelhos um pau nem pequeno nem grande, entre um metro e um metro e meio, o efeito é perturbador, uma mulher assim vestida não se passeia pela cidade de pau na mão, Jornalista não será, pensou José Anaíço, pelo menos não estão à vista os instrumentos do ofício, bloco de papel, esferográfica, gravador.
A mulher levantou-se, e este gesto inesperado, pois está dito que as senhoras, segundo o manual de etiquetas e boas maneiras, devem esperar nos lugares que os homens se aproximem e as cumprimentem, então oferecerão a mão ou darão a face, de acordo com a confiança e o grau de intimidade e sua natureza, e farão o sorriso da mulher, educado, ou insinuante, ou cúmplice, ou revelador, depende. Este gesto, talvez não gesto, mas o estar ali, a quatro passos, levantada uma mulher esperando, ou, em vez disso, a súbita consciência de se ter suspendido o tempo enquanto não for dado o primeiro, é verdade que o espelho é testemunha, mas de um momento anterior, no espelho José Anaíço e a mulher ainda são dois estranhos, deste lado não, aqui, porque vão conhecer-se, conhecem-se já. Este gesto, este gesto de que antes não se pôde dizer tudo, fez mover-se o chão de tábuas como um convés, o arfar de um barco na vaga, lento e amplo, esta impressão não é confundível com o conhecido tremor de  que fala Pedro Once, não vibram, de José Anaíço os ossos, mas todo o seu corpo sentiu, física e materialmente sentiu, que a península, por costume e comodidade de expressão ainda assim chamada, de facto e de natureza vai navegando, só o saiba por observação exterior, agora é por sua sensação própria que o sabe.

Legenda: A fotografia do Hotel Bragança, finais dos anos 50, é tirada do blogue Restos de Colecção. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

POSTAIS SEM SELO


A fotografia é um espelho com memória.

Oliver Wendell Holmes

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

NOTÍCIAS DO CIRCO


Não foi sério. O que o governo cessante fez no caso da devolução da sobretaxa sobre o IRS tem um nome suave (manipulação) e outro menos suave (falcatrua).

O Governo calou-se, guardou os dados para si e começou a soltá-los no Verão: 12%, 20%, em agosto ultrapassava os 35% e, com a euforia no ar e as eleições a aquecer, os “spin doctors” foram fazendo chegar às redacções a mensagem de que, por este andar, seria mesmo possível devolver 50% da sobretaxa no próximo ano devido à espectacular recuperação da economia.

Azar. Em Setembro, a quebra na cobrança do IRS colocou a devolução do IRS em apenas 9,7%, o que significa que em vez de os contribuintes continuarem a suportar uma sobretaxa de 3,5% ela poderá reduzir-se para apenas 3,2%. Mas claro que este valor, por uma enorme coincidência, só foi conhecido depois das eleições de 4 de Outubro.

Não há duas formas de classificar o comportamento do Ministério das Finanças e do Governo: manipularam deliberadamente a informação para captar o voto dos eleitores. E receberam a discreta ajuda de empresas como a Somague e a Unicer, que só fizeram os despedimentos colectivos que já tinham previstos na semana a seguir às eleições. É bom recordar estes comportamentos quando vierem falar ao país de ética.


Nicolau Santos no Expresso, citado de Entre as Brumas da Memória.

PÉ ANTE PÉ


Eu sei que ele está aí, ao virar da esquina.
Mas chegou à caixa do correio o primeiro sinal publicitário.

OS IDOS DE OUTUBRO DE 1975


28 de Outubro de 1975

ESTÃO CADA VEZ MAIS QUENTES os idos de Outubro do ano de 1975.
A radicalização está na ordem do dia.

PINHEIRO DE AZEVEDO, ontem no Porto:
Ajudem-me nesta tarefa patriótica de pacificar os corações.
O primeiro-ministro falava para 200.000 manifestantes convocados pelo PS, pelo PPD, pelo CDS, pelo PPM.
À chegada, Mário e Soares foram vibrantemente ovacionados.

O JORNALISTA ADELINO CARDOSO, denuncia, na Crónica Parlamentar publicada no Diário Popular, o escandaloso abstencionismo dos deputados constituintes.
Um mal que se prolongará até aos dias de hoje.
Quase cerca de metade dos 250 deputados ou não compareceu em São Bento, ou desertou pouco depois de responder à chamada e de garantir o pagamento das ajudas de custo: 45 escudos diários para os deputados da província, 150 escudos para os de Lisboa, a que se soma o subsídio mensal de 10 mil escudos.
Se há muitos deputados que cumprem o seu dever, se há uma minoria que tem oferecido à tarefa de elaborar a Constituição muitas e extenuantes horas de trabalho, há outros que são crónicos absentistas, que se dedicam prioritariamente às suas actividades privadas.

O ALMIRANTE VITOR CRESPO, ministro da Cooperação, à sua chegada a Lisboa, vindo de Luanda, disse que a situação em Angola é praticamente de guerra generalizada.
As diligências, por parte do governo português, numa tentativa para encontrar uma solução política, não foram consideradas pelos três movimentos que se digladiam entre si.

MARIA GRAÇA AMORIM, apresentou credenciais como embaixadora, em Lisboa, da República de São Tomé e Príncipe, independente desde 12 de Julho.

OS PORTUGUESES só podem sair do país com um máximo de mil escudos em moeda nacional e 20 mil escudos em divisas estrangeiras e não podem levar consigo nem cheques nem cartões de crédito.

EM EDITORIAL, O Comércio do Porto escreve que, afinal, não houve golpe, ou tentativa de golpe e defende uma via pluralista para a construção do socialismo.

VERGÍLIO FERREIRA no seu Conta-Corrente:

E esta? Afinal não houve revolução. A regina encheu a banheira de água, porque a água é que seri o problema. Temos de esvaziá-la Enchê-la outra vez?). Uma colega dela que retirara para o campo com a prole (já o fez outras vezes) disse-lhe que se sentia «frustrada». A importância de nós. SE admitirmos seja o que for, mesmo uma calamidade, é necessário que ela se cumpra para termos razão.

Fontes:
- Acervo pessoal;
Os Dias Loucos do PREC de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira.
- Conta-Corrente – Vergílio Ferreira.


Legenda: o primeiro-ministro Pinheiro de Azevedo, tendo ao lado Sá Carneiro, discursando no decorrer da manifestação na Avenida dos Aliados no Porto.

MARCADORES DE LIVROS


Veio da Croácia.
Oferta da Fernanda Simões.
Obrigado.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

POSTAIS SEM SELO


Disse que sim com a cabeça a mim próprio, aproximei-me da janela e fiquei a ver o espectáculo do dia a nascer, como uma criança que foi pela primeira vez ao circo. Semicerrei os olhos, passei a mão pelo peito, sentindo a arma, e voltei as costas ao nascer do Sol.

Dennis McShade em Mão Direita do Diabo.

Legenda: fotografia de Nelson Cavalheiro

33 ANOS


33 Anos sem Adriano Correia de Oliveira.

Em 1994 a Movieplay publicou a Obra Completa de Adriano Correia de Oliveira.
Uma caixa de sete discos acompanhada com um pequeno livro com textos de Manuel Alegre, José Niza e Paulo Sucena, toda a discografia, bem como os textos de apresentação que Adriano escreveu para acompanhar os discos.

Para ilustração escolhi Fala do Homem Nascido, poema de António Gedeão e música de José Niza.

NOTÍCIAS DO CIRCO



Nuno Saraiva, hoje, no Diário de Notícias

Legenda: o novo governo na Polónia, do partido de Jaroslaw Kaczynski, é conservador e xenófobo.

SARAMAGUEANDO



Vou sentindo algumas dificuldades com alguns novos autores.

Fico sempre com a sensação de que os livros não foram escritos para mim ou, o mais certo, não tenho unhas para a guitarra.

Quando falo de novos autores, obviamente falo de quem publica livros e não tralha.

A idade traz-nos o prazer da releitura.

Assim passo os dias.

O cronista Nelson Rodrigues chegou a dizer deve ler-se pouco e reler muito.

O gosto das releituras reside, essencialmente no encontrar de ideias e palavras que nos escaparam numa primeira leitura.

Depois de As Intermitências da Morte e do Ensaio Sobre a Cegueira, desaguei na releitura de  A História do Cerco de Lisboa.

Pós Terra do Pecado e A Clarabóia, será, juntamente com Jangada de Pedra, dos menos citados romances de Saramago.

No entanto, José Carlos de Vasconcelos, num texto publicado a acompanhar uma entrevista, publicada no JL de 18 de Abril de 1989, não tem dúvidas em considerar A História do Cerco de Lisboa o melhor romance do José Saramago, o de mais notável construção, simultaneamente o mais inventivo e o mais equilibrado, o de maior riqueza e até complexidade de planos, que se vão sucedendo, entrelaçando ou quase sobrepondo, apesar de oito séculos de história os separar, e ao mesmo tempo o mais límpido até na escrita.

Por seu turno o crítico António Cabrita dirá.

Um belo e feliz romance.

Assino por baixo.

Numa amena e simples conversa com a revisora dos seus livros na Caminho, José Saramago, a dado passo, ouve-a dizer: 

Dos revisores é que nunca ninguém se lembra.

O autor não ligou muito ao que foi dito mas, o que é certo, é que a frase fica-lhe a bailar por dentro.

Assim nasce a história de um homem, Raimundo Silva de seu nome, que está a rever um livro que se chama História do Cerco de Lisboa. 

Intencionalmente apõe um não a um texto histórico sobre o cerco de D. Afonso Henriques a Lisboa.

Está como fascinado, lê, relê, torna a ler a mesma linha, esta que de cada vez redondamente afirma que os cruzados ajudarão os portugueses a tomar Lisboa

(pág. 48)

É evidente que acabou de tomar uma decisão, e que má ela foi, com a mão firme segura a esferográfica e acrescenta uma palavra à página, uma palavra que o historiador não escreveu, que em nome da verdade histórica não poderia ter escrito nunca, a palavra Não, agora o que o livro passou a dizer é que os cruzados Não auxiliarão os portugueses a tomar Lisboa, assim está escrito e portanto passou a ser verdade, ainda que diferente

 (pág. 50)

O erro é descoberto, publica-se a obra com uma errata e os directores da editora chamam Raimundo à pedra dizendo-lhe que semelhante coisa não voltará a acontecer sob pena de prescindirem dos seus serviços de revisor.

Maria Sara, responsável da editora pelos revisores, presente na reunião mas que nada disse, chama Raimundo Silva ao seu gabinete e entrega-lhe um exemplar do livro sem a errata. E a partir do voluntário erro incita-o a escrever a reinvenção da história do cerco de Lisboa.


Não me peça que explique, mais do que senti-lo, vejo-o, foi tudo isso, repito, que se condensou na sugestão que decidi fazer-lhe, E que é, A de escrever uma história do cerco de Lisboa em que os cruzados, precisamente, não tenham ajudado os portugueses, tomando portanto à letra o seu desvio

(pág.109)

José Saramago na entrevista a José Carlos Vasconcelos:

Eu penso que todos os revisores gostariam de ser autores. Mas este revisor não quer propriamente escrever um livro. O que há em certa altura, é um momento de insurreição que o leva a introduzir num texto que ele devia respeitar, que é obrigação sua defender e conservar, que o leva a introduzir a negação, a dizer que não é verdade aquilo que historicamente aconteceu. E a partir daí encontra-se numa situação difícil, da qual sai por obra e graça de uma mulher. Como em geral acontece nos meus livros.

Ainda Saramago, numa entrevista a Clara Ferreira Alves, publicada no Expresso:

Considero difícil escrever um romance sem lhe meter uma história de amor, mesmo que se trate de amores infelizes. Sempre terá que haver um homem e uma mulher e neste livro a história de amor empurrou a história da guerra.

A página 123, Raimundo Silva interroga-se:

Que vou eu escrever Por que ponta vou eu pegar nisto

Seguindo o sentir de Saramago, Maria Sara e Raimundo Silva apaixonam-se e essa paixão corre ao mesmo tempo que a relação entre Ouroana e o soldado Mogueime, personagens da trama afonsina que Raimundo vai tecendo.

A  páginas 123 já se interrogara:

Que vou eu escrever… por que ponta vou eu pegar nisto.

A páginas 239, numa conversa telefónica, já com o amor declarado:

Deixe que me despeça com um beijo, está a chegar o tempo deles, Para mim já vai tardando, Só uma pergunta mais, Diga, Já começou a escrever a História do Cerco de Lisboa, Já, Não sei se continuaria a gostar de si se me respondesse que não, adeus.

E chegamos ao final:

São três horas da madrugada. Raimundo pousa a esferográfica, levanta-se devagar, ajudando-se com as palmas das mãos assentes sobre a mesa, como se de repente lhe tivessem caído em cima todos os anos que tem para viver. Entra no quarto, que uma luz fraca apenas ilumina, e despe-se cautelosamente, evitando fazer ruído, mas desejando no fundo que Maria Sara acorde, para nada, só para poder dizer-lhe que a história chegou ao fim, e ela, que afinal não dormia, perguntou-lhe, Acabaste, e ele respondeu, Sim acabei, Queres dizer-me como termina, Com a morte do almuadem, E Mogueime, e Ouroana, que foi que lhes aconteceu, Na minha ideia, Ouroana vai voltar para a Galiza, e Mogueime irá com ela, e antes de partirem acharão em Lisboa um cão escondido, que os acompanhará na viagem, porque pensas que eles se devem ir embora, Não sei, pela lógica deveriam ficar, Deixa lá, ficamos nós. A cabeça de Maria Sara descansa no ombro de Raimundo, com a mão esquerda ele acaricia-lhe o cabelo e a face. Não adormeceram logo. Sob o alpendre da varanda respirava uma sombra.


Na contra capa do livro, mais uma epígrafe do tal Livro dos Conselhos que nunca se publicou, não passando de uma feliz manobra de diversão do autor:

Enquanto não alcançares a verdade, não poderás corrigi-la. Porém, se a não corrigires, não a alcançarás. Entretanto não te resignes.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

POSTAIS SEM SELO


Era jovem e os jovens merecem que os adultos não lhes antecipem as amarguras. A vida se encarregará de lhes mostrar que toda a experiência é uma cicatriz onde a ferida continua a doer.

Miguel Torga em Diário, Volume IX

33 ANOS


33 Anos sem Adriano Correia de Oliveira.

Memória de Adriano.

Duplo LP, publicado em 1983, como homenagem póstuma a Adriano.

Trova do Vento Que Passa – Capa Negra, Rosa Negra – Trova do Amor Lusíada – barcas Novas – Pátria – Para Que Quero Eu Olhos – Sou barco - - Margem Sul – Pedro Soldado – Lira – Menina dos Olhos Tristes – Erguem-se Muros – Canção com  Lágrimas – Canção do Soldado – Cantar de Emigração – O Sol Perguntou à Lua – Sapateia – Tejo Que Levas as Águas – As Balas – No Vale Escuro – Recado a Helena – Cantiga de Montemor

Juntamente com o disco foi distribuído um single com dois temas inéditos: Canção do Linho e Tão Forte Sopra o Vento


Para ilustração escolhi «Trova do Amor Lusíada».


OLHAR AS CAPAS


Lúcialima

Maria Velho da Costa
Capa: Paula Rego
Edições «O Jornal», Lisboa, Abril de 1983

- Ó pá, é uma bomba!
- Viva a República, onde?
- Deixa-te de gozo, pá, esta abana o regime até ao osso, o Henrique Galvão sequestrou o Santa Maria.
- O quê?, diz lá isso outra vez.
- Sequestrou, com mais vinte gajos, pá, apanharam o navio a caminho do Brasil e fizeram declarações contra o governo na Imprensa Internacional, uma escandaleira.
- Como é que soubeste?
- Disse o Caldas, ouviu-se na rádio estrangeira, a BBC e tudo.
- Pode lá ser, isso são fantasias de merda.
- Chama-lhe fantasias, o Galvão é doido bastante para se sair com uma destas, isto não pode continuar assim, a opinião internacional
- Está-se cagando, pá, de depois do Delgado, a oposição sabe que ladra mas não morde.
- Olha, pá, não é assim, isto vai dar muita bronca, a questão de Goa, e as colónias, tu já viste quando o Botas morrer?
- O Salazar é imortal, Juvenal, o Salazar é a pátria e a pátria com o Salazar fez-se mais Salazar do que antes, fez-se Salazar mesmo, medíocre, reles, fazendo da suficiência peca valor é tico e retórica, jesuitismo judeu é o que é o que isto é tudo, manha e verborreia, olha para nós para isto.

ESTAR EM TODOS OS CORAÇÕES


Tal como ficou prometido em AH!... AS ABÓBORAS!...

domingo, 25 de outubro de 2015

TEMPOS HISTÓRICOS


Quer alguém que tenha jogado melhor o jogo democrático do que o PC? Quer alguém que tenha jogado melhor o jogo parlamentar do que o BE? As únicas pessoas que não jogaram o jogo constitucional nos últimos anos foram as da coligação. Quem mais jogou contra a democracia, rompendo contratos, criando um Estado de má-fé e governando contra a Constituição foi a coligação. O PC não me parece que vá para o governo defender a ditadura do proletariado que aliás abandonou formalmente em 75. Mas ninguém pense que é um acordo máximo, é o mínimo - o que não quer dizer que não funcione. E tem de implicar o grosso dos orçamentos e alguma estabilidade governativa, para mais que um orçamento. E isso tem de ficar tudo no papel para vantagem de todos". Seja como for, são tempos históricos e "nada será como dantes".

José Pacheco Pereira em entrevista ao Diário de Notícias.

GRITO ABAFADO POR TAMBORES



Viriato Soromenho Marques, hoje, no Diário de Notícias.

BENFICA-SPORTING


Que seja apenas um jogo de futebol.

V.S.T. & ETC


Falar da excelência das edições dos livros da &etc. é apenas um falar.

È necessários ter os livros entre mãos para se ter a noção exacta dessa excelência.

Como escreveu Júlio Henriques em  Uma Editora no Subterrâneo:

Papéis pintados com tinta ou parte não dita da poesia? Em qualquer caso. Nada que se confunda com indizíveis ou inefáveis transcendências. Poucas coisas serão tão tangíveis como estes livros. Retirei-os das estantes, espalhei-os sobre a mesa e estou a folheá-los Há horas, quase esqueço o propósito da escrita. Pouco importa. Nunca os procurei por via escolar, nunca os encontrei em bibliografias obrigatórias. Se tiver que escrever sobre eles, escreverei sem sombra de dever. É o mínimo que lhes devo.

Em resumo: um homem que ama verdadeiramente os livros nunca pensa em cifrões.

Era assim Vitor Silva Tavares.

Um homem radicalmente livre.

A imagem é o «hors-texte» concebido por Carlos Ferreiro para o livro de Eduardo GuerraCarneiro.

É bem provável que existam outros, mas apenas conheço dois prefácios de Vitor Silva Tavares para livros por si editados.

Um, para o livro de João César Monteiro, Os Que Vão Morrer Saúdam-te e a que o Vitor chamou «O César Tem Uma Grande Telha», outro para o livro do Eduardo Guerra Carneiro «Como Não Quer a Coisa», e a que chamou «Noves Fora, Sete»

É do prefácio do livro do Eduardo este pedacinho:

Memórias, sonhos, encontros, desencontros. As marcas incisivas do prazer - e do conhecimento da dor. O rio subterrâneo do furor poético a desaguar no mar de palha deste país à beira-mercado comum plantado. Tralhas, mapas, casas, bichos. A flagelação irónica de um lusíada coitado (é fado nosso) desconfortado no fato cívico - e o ímpeto de bomba agarrado pelo rabo. Sexo q.b. e baba ternurenta. Cervejas agoniadas. Noites de bláblá. A máquina por vezes engripada de reinvenção do dia claro (igual à noite antiquíssima) numa lisboa cesárica, nuns bons e maus cheiros de província havida. Dúvidas, fragmentos, resíduos, desarticulações. Quem é este do cântico jugulado? Quem, na essencial totalidade? Quem, na irada moderação? Quem, no nem por isso invocado direito ao erro próprio tão idêntico a sabedoria? Orfeu ensaia o canto, envolto em treva e algazarra. «Trata-se pois de uma prática de amor». E morte.

OLHAR AS CAPAS


Como Não Quer a Coisa

Eduardo Guerra Carneiro
Prefácio: Vitor Silva Tavares
Capa e «hors-texte» de Carlos Ferreiro
Edições &etc. Lisboa, Agosto de 1978

PREFÁCIO A UMA HOMENAGEM A CESÁRIO VERDE

As clarabóias deste lado da cidade acendem-se mais cedo.
sinal que alguém projecta o fogo sobre o bairro
incendiando casas, talvez certas pessoas, as ruas
mais estreitas junto ao Tejo. Em manhãs como esta o sol
entra na mesa e pára junto às teclas. Parece um sorriso;
diria mesmo uma ternura. Poucos são os Palácios, mas imenso
é o espaço. E as águas, no rio e junto às teclas, acendem-se
com o fogo de outras clarabóias.

Depois são as luzes, as indústrias, o último petroleiro.
Descansam moradores em casas altas
enquanto se ergue a cidade nocturna de bares e liamba
e cresce um ou outro clandestino. É tempo de sair
por entre a névoa; rondar as esquinas; sorrir à puta;
apertar o copo; sentir o suor da cidade, corpo a tremer
de frio e febre neste tempo de amoníaco e éter
com ambulâncias lentas a caminho da morgue.

Antes ainda das luzes, quando, à maneira de Cesário,
o fumo se eleva no espaço, o recorte das fachadas
é mais nítido, o vermelho de Lisboa é mais intenso,
podemos imaginar escadas cansadas da madeira,
fogões acesos nas cozinhas,
crianças já com sono,
etc, etc...

PORQUE HOJE É DOMINGO


Segundo o seu agente, a actriz Maureen O'Hara morreu ontem, aos 95 anos, a ouvir o tema do filme «O Homem Tranquilo».
Não sei falar-vos da tristeza que senti ao ter lido a notícia.
Claro que, mais dia, menos dia, a hora chegaria.
Mas nunca estamos preparados.
Principalmente por quem tanto nos divertiu e tão bem representou.
Não é, pois, um Bom Domingo.

sábado, 24 de outubro de 2015

POSTAIS SEM SELO


Saí do café a matutar na velha e desiludida ideia de que as pessoas só entendem quando lhes batem à própria porta. O abuso cometido, por enquanto, é só um problema "deles", os do PCE e do BE, só 996 872 portugueses, só 18,44% dos votantes, a quem acenaram com um direito que depois rasuraram, mas só a eles. Ninguém, para lá dos comunistas e dos bloquistas, pensou: e se amanhã outro alucinado também me quiser apagar?

Da crónica de Ferreira Fernandes, hoje, no Diário de Notícias.

33 ANOS



33 Anos sem Adriano Correia de Oliveira.

Capa e contra capa do álbum «Que Nunca Mais» gravado e, 1975.
Músicas de Adriano Correia de Oliveira para poemas de Manuel da Fonseca.

Para ilustração escolhi «Recado para Helena».


OS IDOS DE OUTUBRO DE 1975


24 de Outubro de 1975

ONTEM MILHARES DE MANIFESTANTES participaram numa enorme concentração unitária, seguida de desfile, de apoio ao Poder Popular.
Segundo o Diário de Lisboa, do Rossio à Praça do Comércio, o desfile demorou cinquenta e cinco minutos.
«O Povo não quer fascistas no poder», «Soldados e marinheiros sempre ao lado do Povo».
E cantava-se:
«Venceremos, venceremos com as armas que temos na mão.»
O Diário de Notícias escrevia que «Força irresistível para o Avanço do poder Popular»:


O MAIS QUE SUSPEITO Jornal Novo chama-lhe a nota insólita do dia político: as Brigadas Revolucionárias regressam à clandestinidade.


Recorte do República.

SOBRE O TAL DECRETO DO EMGFA para que os civis devolvam as armas, o jornalista Rodrigues da Silva escrevia no Diário Popular:


Fontes:
- Acervo pessoal;
Os Dias Loucos do PREC de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira.

NOTÍCIAS DO CIRCO


Passos Coelho não quer continuar primeiro-ministro se o governo for derrubado no parlamento e Cavaco recusar a alternativa de esquerda proposta por António Costa. Ficar em gestão corrente até ao Verão é um cenário que o primeiro-ministro quer ver afastado. Na comissão política de quinta-feira, Passos desabafou: “Nem pensem que vou ficar aqui a assar para depois limpar o que os outros fizeram”.
Com Cavaco Silva indisponível para dar posse a um governo liderado pelo PS e apoiado pelo Bloco e pelo PCP, a solução do governo Passos em gestão até o novo PR  tomar posse está no horizonte. Mas Passos não quer essa solução, embora a lei só lhe permita terminar funções quando for nomeado um novo primeiro-ministro. Não querendo dar posse ao governo de esquerda, Cavaco ainda tem a possibilidade de indigitar um primeiro-ministro que seja aceite pela maioria dos deputados que, de acordo com a visão do PR, teriam de ser PS e PSD.

Do jornal I de hoje.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

33 ANOS



«Gente de Aqui e de Agora» é um álbum editado em Outubro de 1971.
A totalidade das músicas é da autoria de José Niza.
Os poemas são de Manuel Enriquez, Manuel Alegre, Conde de Monsaraz, Fernando Miguel Bernardes, Raul de carvalho, António Ferreira Guedes, António Aleixo

Emigração – E Alegre Se Fez Triste – O Senhor Morgadio – Cana Verde – A Vila de Alvito – Canção Tão Simples – Cantiga de Amigo – Para Rosalia -  Roseira Brava – História do Quadrilheiro Manuel Domingos Louzeiro

Arranjos de José Calvário, José Niza, Rui Ressurreição – Thilo Krasmann

Adriano Correia de Oliveira, após este disco, recusa-se a enviar os poemas à Censura e até ao 25 de Abril não publicará mais discos.


Como ilustração escolhi « A Vila de Alvito».



COMO SE DISSOLVE A MEMÓRIA...


Contra capa de De Profundis, Valsa Lenta

OLHAR AS CAPAS


De Profundis, Valsa Lenta

José Cardoso Pires
Prefácio: João Lobo Antunes
Capa: Emília Abreu
Publicações Dom Quixote, Lisboa, Maio de 1967


Janeiro de 1995, quinta‑feira. Em roupão e de cigarro apa‑ gado nos dedos, sentei‑me à mesa do pequeno‑almoço onde já estava a minha mulher com a Sylvie e o António que tinham chegado na véspera a Portugal. Acho que dei os bons‑ ‑dias e que, embora calmo, trazia uma palidez de cera. Foi numa manhã cinzenta que nunca mais esquecerei, as pessoas a falarem não sei de quê e eu a correr a sala com o olhar, o chão, as paredes, o enorme plátano por trás da varanda. Parei na chávena de chá e fiquei. «Sinto­‑me mal, nunca me senti assim», murmurei numa fria tranquilidade. Silêncio brusco. Eu e a chávena debaixo dos meus olhos. De repente viro‑me para a minha mulher: «Como é que tu te chamas?» Pausa. «Eu? Edite.» Nova pausa. «E tu?» «Parece que é Cardoso Pires», respondi então.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

NOTÍCIAS DO CIRCO




O homem passou-se de vez!...

DITOS & REDITOS


Amanhã é que vai ser bom.

A ternura é a essência do puro e duradouro amor.

Quem tem cabeça de cera não deve andar ao sol.

Semeia se queres colher.

Como se isto de casamento fossem só quatro pernas numa cama.

O que é necessário nunca é um risco.

Os melhores afins atingem-se por atalhos.

Não ser louco é que é loucura.

33 ANOS


33 Anos sem Adriano Correia de Oliveira.

«Cantaremos» é editado em 1970..

Cantar de Emigração - Saudade Pedra e Espada - Fala do Homem Nascido - O Sol Préguntou à Lua - Canção Para o Meu Amor Não se Perder no Mercado da Concorrência -  Lágrima de Preta - Canção Com Lágrimas - Cantar Para Um Pastor - Como Hei-de Amar Serenamente - Sapateia - A Noite dos Poetas.

Poemas de Rosalia de Castro, Manuel Alegre, António Gedeão, Matilde Rosa Araújo, Fernando Assis Pacheco, A. Barahona da Fonseca
«O Sol Perguntou à Lua» e «Sapateia» são canções do folclore Açoreano.
Músicas de José Niza, Roberto Machado e Adriano Correia de Oliveira.

Arranjos de Rui Pato e Carlos Alberto Moniz
Acompanhamentos de Rui Pato, Tiago Velez, Raul Mendes e Adriano Correia de Oliveira.

Para ilustração escolhi 'Lágrima de Preta», poema de António Gedeão. 



DA MINHA GALERIA

Querido Diário, filme Nanni Moretti.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

POSTAIS SEM SELO


A Pátria está em perigo, mas, se calhar, esse perigo é o que nos resta da Pátria.

Jean Giraudoux

OS IDOS DE OUTUBRO DE 1975


21 de Outubro de 1975

O EMGFA lançou um ultimato: oito dias para os civis entregarem
As armas de guerra que possuam.
Quem não cumprir a ordem do EMGFA será preso.
Entretanto começaram as buscas.
Eduardo Valente da Fonseca, a propósito, escreve em O Século:



POR INICIATIVA do Presidente da República, PS e PCP reúnem-se no Palácio de Belém. Presentes Mário Soares e Manuel Alegre, Álvaro Cunhal e Octávio Pato, enquanto Costa Gomes se fez acompanhar Vasco Lourenço e Almada Contreiras

Fontes:
- Acervo pessoal;
Os Dias Loucos do PREC de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira.