sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

OLHAR AS CAPAS



Pacheco Versus Cesariny
Folhetim de Feição Epistolográfica

Luiz Pacheco
Capa e ilustrações: Martim Avilez
Editorial Estampa. Lisboa, Maio de 1974

                              AUTORIDADE E LIBERDADE
                              SÃO UMA E A MESMA COISA
                                      (Fragmento de poema)

 Autoridade é do que é autor.
 Só a autoridade confere autoridade.
 A autoridade não é uma quantidade.
 Todo o homem é teatro de uma inexpugnável autoridade.
 Aquele que jula ser possível autorizar ou desautorizar
a autoridade de outrem não sabe no que se mete

                                       *

 Liberdade.
 A liberdade conhece-se pelo seu fulgor.
 Quatro homens livres não são mais liberdade do que
um só. Mas são mais revérbero no mesmo fulgor.
  Trocar a liberdade em liberdades é a moeda corrente
do libertino.

Pode prender-se um homem e pô-lo a pão e água. Pode tirar-se-lhe o pão e não se lhe dar água. Pode-se pô-lo a morrer, pendurado, no ar, ou à dentada com cães. Mas é impossível tirar-lhe seja que parte for da liberdade que ele é.
Ser-se livre é possuir-se a capacidade de lutar contra o que nos oprime. Quanto mais perseguido, mais perigosos. Quanto mais livre mais capaz.
Do cadáver dum homem que morre livre pode sair acentuado mau cheiro – nunca sairá um escravo.


                                AUTORIDADE E LIBERDADE
                                SÃO UMA E A MESMA COISA           

Lisboa, Maio-58


                                                Mário Cesariny de Vasconcelos

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