Chamou à Páscoa S.
João Crisóstomo, citado por João Bénard da Costa.
Há 248 dias sem a
presença física da Aretha Franklin mas sempre, sempre, com as suas canções
magníficas canções.
Poderão existir
outras versões, mas quando Aretha as interpretava as canções ficavam peças únicas.
Oh Happy day, é um hino do século XVIII. A versão gospel, interpretada
pelos cantores de Edwin Hawkins, em 1969, tornou-se um enorme sucesso
internacional. A Aida lembra-se de comprar o «single» na Grande Feira do Disco na Rua Forno do Tijolo.
Legenda: capa da revista
da Time de 26 de Junho de 1968
Em 1986 o estado de
Michigan declarou a voz de Aretha Franklin, um recurso natural, um património.
Em finais do passado ano,
foi posto á venda «The Atlantic Singles Collection» que reúne, em dois CDs, as melhores
canções de Aretha Franklin editadas durante os 3 primeiros anos da sua
carreira, entre 1967 e 1970, quando assinou pela Atlantic Records.
A Aretha é uma voz de
todas as horas, mas, por aqui, tem caído nos entardeceres.
É doloroso, triste,
saber que muita gente só descobriu Aretha, agora na hora da sua morte.
Mais vale tarde que
nunca, dizia a minha avó.
Barak Obama,
naturalmente, de lágrimas, doces lágrimas, nos olhos, escreveu:
«Aretha ajudou a definir a experiência americana. Na
sua voz, podíamos sentir a nossa história, toda ela, todas as suas nuances — o
nosso poder e a nossa dor, a nossa escuridão e a nossa luz, a nossa demanda de
redenção e o nosso respeito duramente conquistado. Ela ajudou-nos a
sentirmo-nos mais ligados uns aos outros, mais esperançosos, mais humanos. E,
por vezes, ajudou-nos apenas a esquecer tudo o resto e dançar.»
Há quem não saiba, ou
não lembre, mas Aretha Franklin para além de cantar, que continuamos a não
adjecticar, também tocava piano.
Não resisto
(re)contar uma história do José Duarte, que um dia soube, ao vivo, que um
divulgador, com um programa de jazz na rádio da América, desconhecia que Nina
Simone, para além de cantar, também tocava piano:
Esquecer os
adjectivos grandiosos, esquecer outras coissa, saber apenas daquela voz e da
luta de uma mulher pela vida fora.
Tal como disse BillyPreston, citado pela New Yorker:
«Não me interessa
o que dizem sobre a Aretha. Pode ficar escondida na sua casa em Detroit durante
anos, pode passar décadas sem apanhar um avião ou viajar para a Europa. Pode
cancelar metade dos seus concertos e enfurecer todos os produtores
discográficos e promotores de concerto deste país. Pode cantar todos os tipos
de canções foleiras que estão abaixo do seu nível. Pode entrar no seu modo diva
e desligar-se do mundo. Mas numa noite, quando aquela senhora se senta ao piano
e coloca o seu corpo e alma numa canção que lhe faça justiça, vai assustar-te
como a porra. E saberás — jurarás — que ela ainda é a melhor cantora que este
país maluco já produziu.»
O poeta António
Reis, dizia que «é o único dia que não repetimos e que dura menos.»
É este
enlanguescer da natureza, este vago sofrer do fim do dia. Cores fabulosas, um
fulgor que não conseguimos definir, que andam pelo cor-de-rosa, violeta,
cor-de-laranja, cor de fogo. Um deslumbramento.
Se a tradição de muitos dos anos mais chegados se
mantiver, Aretha Louise Franklin terá alugado para hoje umas quaisquer
instalações luxuosas, num hotel ou num clube, na cidade de Detroit. Terá
tratado de encomendar um "farnel" farto em gorduras e açúcares, para
manter o hábito de se dedicar à soul food. Terá cantores e/ou músicos
contratados para abrilhantar mais uma festa de aniversário, daquelas que
costuma oferecer a si própria, sem se esquecer de as publicitar para manter
aceso o lume de boas (e só boas) notícias a respeito da Rainha do soul.
E ouçam a pequena,
principalmente nas gravações que fez para a «Atlantic».
Tal como a
recordo, na tomada de posse de Barak Obama em 2009.
Foram os ingleses que inventaram o futebol, têm um enorme respeito por ele e chamam-lhe «The Beautiful Game.»
Vivem o jogo
como ninguém.
Deslocam-se,
enchem os estádios.
Avós, pais,
filhos, netos, bisnetos: a família.
A festa.
Nem em tempo
de Natal o dispensam.
Bem pelo
contrário: exigem que haja jogos nesses dias.
Nos dias de
transmissão do futebol inglês, quando as câmaras focam as bancadas, vêem-se
espectadores das mais variadas idades. Por vezes, parece que toda uma família,
do mais novo ao mais velho, foi ao futebol.
Uma das
claques mais conhecidas, no Reino Unido, é a do Liverpool.
Tomaram como
hino You’ll Necer Walk Alone, uma
canção composta por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II para
o musical da Broadway Carousel, de 1945 e que, em 1956, foi
adaptado ao cinema por Henry King.
Mas seria
com a versão de Gerry &The Pacemaker, conjunto oriundo da própria cidade,
que a canção se tornaria o hino do clube.
Hoje, outros
clubes, em outros países, o adoptaram como hino, mas nada como em Anfield Road.
Simplesmente
arrepiante.
Uma visita
ao You Tube permite ficarmos a saber dos grandes nomes da música
norte-americana, bem como outros, que gravaramYou'll Never Walk Alone.
Shirley Jones gravou-a para a banda
sonora de Carousel, mas há versões de Ella Fitzgerald, Ray Charles, Aretha
Franklin, Mahalia Jackson, Nina Simone, Louis Armstrong, Elvis Presley, Barbra
Streisand, Andy Williams, Judy Garland, Frank Sinatra, Johnny Cash, Roy
Orbinson, The Rigteous Brothers, Tom Jones.
Também é
possível encontrar uma versão dos Beatles.
Estas são as
minhas escolhas.
A versão da
Nina Simone é tocada ao piano.
Numa
entrevista ao Expresso (06.02.2016),
por ocasião dos 50 anos dos Cinco Minutos
de Jazz, perguntaram-lhe por um episódio destes longuíssimos minutos de jazz, o José Duarte respondeu:
Fui a uma rádio em Los Angeles, que passa
jazz 24 horas por dia. O edifício era lindo, alto, todo em vidro. Era o início
dos anos 70, o João ainda era vivo. Eu tinha levado comigo uma cassete da Nina
Simone a tocar piano. O apresentador fez-me perguntas, estranhou onde era
Portugal, expliquei-lhe que se nadasse sempre em frente chegaria a Lisboa. E
quando lhe contei que tinha um programa de cinco minutos fechou o microfone,
pensava que eu me tinha enganado no inglês! No fim, pôs a minha cassete da Nina
Simone e ia caindo da cadeira: nunca a tinha ouvido só a tocar o piano. Saí
daquela rádio orgulhoso.
Um orgulho
tão grande que, certamente, no regresso a Lisboa, o obrigaram a pagar excesso
de bagagem.
Se não sabem, ficam a saber que o Diário de
Notícias, na sua colecção Divas, disponibiliza, hoje, um CD de Marilyn Monroe, integrado
numa colecção por onde já passaram Maria Callas, Ella Fitgerald, Amália, Edith
Piaf, Aretha Franklin, Billie Holiday, Judy Garland e, ainda passarão, Marlene
Dietrich e Carmen Miranda,
A selecção musical e notas, são da responsabilidade
de Rui Vieira Nery, enquanto Patricia Reis assina um texto ficcional sobre
Marilyn, que termina assim:
A saúde de Marilyn está cada vez pior. Sofre de
fobias. Chega sistematicamente atrasada às filmagens. Começa a fazer terapia
com um psiquiatra e aceita ser internada na mesma instituição onde a mãe
esteve. O facto de não ter conseguido ter filhos, apesar de ter engravidado
duas vezes não ajudou. Queria muito ser mãe. E isso eu compreendo muito bem.
Foi uma bênção ter conseguido adoptar os meus filhos. Marilyn foi operada para
corrigir uma obstrução nas trompas de falópio. A seguir teve uma crise de
vesícula e voltou a ser operada. Nos anos sessenta estava já um fio e era tão
nova. Se pensarmos, morreu com 62 anos. Parece que a última pessoa a falar com
ela ao telefone terá sido o presidente Kennedy, mas quem o pode garantir? Elton
está convencido de que a mandaram matar. Era inconveniente, como misturava
bebida com comprimidos, não tinha filtro. Era uma diva e uma menina perdida ao
mesmo tempo. Como tantas outras divas. Parece que DiMaggio colocou rosas na
sepultura da ex-mulher até morrer. Eme morreu em 1999. A isso eu chamo amor.
Elton diz que posso estar enganado. Mas que sei eu? Casei com Elton John, a
minha vida é uma montanha russa. E admito, existem dias em que Elton é Marilyn.
Não me perguntem mais.