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quinta-feira, 18 de julho de 2019

OLHAR AS CAPAS



Os Afluentes do Silêncio

Eugénio de Andrade
Capa: Armando Alves
Editorial Inova, Porto, Dezembro de 1968

Esta morte, assim sem mais nem menos, que um amigo me comunica, entala-se-me na garganta. «Morreu o Manuel Ribeiro de Pavia. Levou-o uma pneumonia que o foi encontrar depauperado por uma vida quase de miséria. Passava fome! Tinha uma única camisa! Não pagava o quarto há não sei quanto tempo! E nós a falarmos-lhe de poesia…» Assim é: passava realmente fome. Todos nós o sabíamos. E ele a falar-nos de pintura, de poesia, da dignificação da vida. É justamente nisto que residia a sua grandeza. Não falava da sua fome – de que, feitas bem as contas, veio a morrer. A fome não consta de nenhum epitáfio.

sábado, 1 de junho de 2019

OLHAR AS CAPAS


Fernando Fernandes – 47 Anos de Divulgação da Leitura

Organização: José da Cruz Santos
Capa: Armando Alves
Campo das Letras, Porto, Maio de 1999

Entra-se para o universo do livro definitivamente. Passado o noviciado é muito raro a algum deste meio optar por outra profissão exterior ao universo de Gutenberg. Por mais adversidades, crises económicas ou outras, o livro parece conter a própria vida dos que com ele lidam quotidianamente.
Em Portugal nunca houve cursos superiores ou secundários especializados de editores e ainda menos de livreiros carismáticos tenham deixado o seu nome na memória e no saber dos que fazem do livro a sua actividade e paixão.

Do depoimento de Manuel Henrique Monteiro.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

OLHAR AS CAPAS


Crónicas Algarvias

Manuel da Fonseca
Capa: Armando Alves
Editorial Caminho, Lisboa, Dezembro de 1986

Avançando, coxia fora, noto pela primeira vez que há poucos passageiros. Sento-me no meu lugar, abro o jornal. Não consigo concentrar-me. Os pensamentos afastam-se da leitura. Lembro-me da família, os vizinhos, a vila, neste instante tão perto do comboio onde viajo. Teimo em ler. Mas, as recordações voltam. Nítida, ressoa-me na memória uma voz familiar:
- Olha que não deves ler nos comboios. Ou noutros meio de transporte.
- Porquê, tia?
- Porque pode provocar um descolamento da retina.

sábado, 1 de setembro de 2018

OLHAR AS CAPAS



O Rival

Roger Vailland
Tradução: António Neves-Pedro
Capa: Aramando Alves
Colecção Metamorfoses nº 13
Editorial Inova, Porto, Janeiro de 1975

- Tem entrevista marcada?
- Não.
- Então faça o favor de preencher uma ficha.
Mignot escreveu:
NOME: Fréderic Mignot
FINALIDADE DA VISITA: da parte de secção de Clusot do Partido Comunista Francês.
- Faça a fineza de esperar um momento, - disse o contínuo, que depois se dirigiu, coxeando, para escada.
Mignot teve a impressão que o velho lhe lançara um olhar espantado. Na realidade, há muito que o velho era demasiado míope para ser capaz de ler, mesmo quando punha os óculos: e era apenas isso que lhe dava aquele ar assombrado.
- Mande entrar esse senhor imediatamente. – disse Letourneau, que ficou à espera, com o coração a bater com força.
«Aí está a iniciativa misteriosamente anunciada ontem pela pequena Amable», pensou ele. «Cumpriu a sua promessa». Estava disposto a fazer algo de muito importante «introduzindo o inimigo na fortaleza». «Aqui está finalmente o meu primeiro acto de coragem», disse para si mesmo.
Mignot preparara cuidadosamente toda uma série de argumentos para persuadir Letourneau a petição para a libertação de… Mas Philippe dispôs-se a assinar mesmo antes de ouvir uma única palavra.
«Então é apenas isto!» pensava ele. Chegara a temer que Pierrette exigisse dele uma profissão de fé pública, como, por exemplo, ir ao domingo de manhã, à saída da missa, vender, berrando o L’Humanité. Tivera receio de ser ridículo. Não que ele ligasse grande importância à opinião que dele fariam os burgueses, e sabia até, pelo contrário, que os seus amigos de Lyon ou de Paris teriam achado extremamente divertido que ele andasse a gritar L’Humanité pelas ruas de uma sede de concelho provincial. Mas temia parecer ridículo aos olhos dos operários: «Não me saberia comportar como eles, ficaria deslocado.»

sábado, 21 de julho de 2018

OLHAR AS CAPAS


Limiar dos Pássaros

Eugénio de Andrade
Capa: Armando Alves
Limiar, Porto, Setembro de 1976

Nada sabia de marés, com algumas partias, com outras regressavas. Um dia, já há muito, deixei de te ver. Disseram-me que morreste, e que foste meu pai. É capaz de ser verdade, e ultimamente tenho imaginado como terias morrido. Espero que tenha sido sobre os teus olhos, que foram muito belos, que a morte haja começado com rigor o seu ofício. Era neles que incidia o meu desejo. Quando penso em ti, vejo-te de órbitas vazias, um sangue escuro invadindo-te a boca. Apodreces como toda a gente, só um pouco mais de lado, porque a morte deve ter prosseguido o seu trabalho sobre o coração. Que procurava ela quando o levou à boca? Está agora sobre o centro do teu ser, aí refocila voluptuosamente, crava os dentes até arrancar os teus mais viris ornamentos e cuspir-tos na cara. Foi pena que já não pudesses ouvir as suas gargalhadas ao longo do corredor.
Onde me espera.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

OLHAR AS CAPAS



Poesia Completa

Luís Veiga Leitão
Organização: Luís Adriano Carlos e Paula Monteiro
Apresentação crítica: Luís Adriano Carlos
Capa: Armando Alves
Colecção Terra Imóvel nº 12
Edições ASA, Porto, Setembro de 2005

Testamento

Abre os olhos – o sol é teu.
Mergulha as mãos – a água é tua.
Deixo-te o sol, o mar, o céu
que pousa no beiral da nossa rua.
E os trigais do dia que desponta
e as flores da terra que me cobre.
Toda a riqueza milenar, sem conta,
de mais um poeta pobre.

Deixo-te as palavras que não gritaram
estranguladas pelo nó do medo;
e as outras, fuziladas, que tombaram
nos pátios do degredo.
E os sonhos por abrir; hoje, no sono
dos séculos que chamaram eterno.
Toda a Primavera, todo o Outono,
das minhas árvores de Inverno.
E a luta que fundiu meu coração
num canto que sangrou nesta certeza:
Depois de mim virás, ó meu irmão!,
mais claro e limpo de tristeza.

1955

sábado, 10 de fevereiro de 2018

OLHAR AS CAPAS


Aldeia Nova

Manuel da Fonseca
Capa: Armando Alves
Editorial Caminho, Lisboa, Junho de 1984

Rui enchia o peito de ar, lavava-se no sol. Mas já ia correndo rua abaixo. Uma grande vontade de correr. Onde estaria o Tóino e os outros? Ah! diria a avó que não queria voltar mais àquela casa! E diria também ao Estroina. Talvez lhe dessem razão… Deixassem-no andar, assim à sua vontade. Deixassem-no correr. Correr era bom. O bibe abria-se para os lados como asas. Deitava a cabeça para trás; o chão fugia-lhe debaixo dos pés. Nem via as casas, só o céu por cima dele. Entontecia, sentia-se livre como um pássaro. Se a mãe estivesse, não sereia nada daquilo a sua vida, não. A mãe deixava-o ser livre como um pássaro. Diria tudo isso ao avô: «Avô, desde que a mãezinha partiu, sinto-me preso como um pássaro numa gaiola!» Mas o avô não compreenderia as suas palavras. Nem a avó, nem o Estróina, ninguém!... O melhor era ir correndo, correndo sempre, correndo até tombar de cansado.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

OLHAR AS CAPAS



Sonhar a Terra Livre e Insubmissa

Egito Gonçalves/Luís Veiga Leitão/Papiniano Carlos
Desenho de Augusto Gomes, Vinheta de José Rodrigues
Capa: Armando Alves
Colecção Duas Horas de Leitura nº 16
Editorial Inova, Porto, Fevereiro de 1973

Caminhos Serenos

Sob as estrelas, sob as bombas,
sob os turvos ódios e injustiças,
no frio corredor de lâminas eriçadas,
no meio do sangue, das lágrimas
               caminhemos serenos.

De mãos dadas,
através da última das ignomínias,
sob o negro mar da iniqüidade
                caminhemos serenos.

Sob a fúria dos ventos desumanos,
sob a treva e os furacões de fogo
aos que nem com a morte podem vencer-nos
                caminhemos serenos.

O que nos leva é indestrutível,
a luz que nos guia conosco vai.                                                      
E já que o cárcere é pequeno
para o sonho prisioneiro,
já que o cárcere não basta
para a ave inviolável,
que temer, ó minha querida?:
                 caminhemos serenos.

No pavor da floresta gelada,
através das torturas, através da morte,
em busca do país da aurora,
de mãos dadas, querida, de mãos dadas

                 caminhemos serenos.

Papiniano Carlos

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

OLHAR AS CAPAS


O Peso da Sombra

Eugénio de Andrade
Capa: Armando Alves
Desenho: Ângelo de Sousa
Editora Limiar, Porto, Outubro de 1982

Trabalho com a frágil e amarga
matéria do ar
e sei uma canção para enganar a morte –
assim errando vou a caminho do mar.

sábado, 30 de setembro de 2017

OLHAR AS CAPAS



Poesia 71

Selecção de Fiama Hasse Pais Brandão e Egito Gonçalves
Capa: Armando Alves
Editorial Inova, Porto, Junho de 1972

Dois Poemas

I

Nem sei estimar das tuas vestes sem costura
o fito e a alba
ou louvor da tala dos instantes
um só vermelho.
pelas moradas ledas e subtis
à passagem dos castos e escolhidos
                                                                    sustenidos
dos lidos
nada soube
que mais que o sáurio verde não prossiga.
Nem escolhido é o signo por lavrado
Entre a testa e o chão
No húmido verdor dalguma víscera.
Se casas são plantadas com perícia
e arrematados autos lautos
louvados por tão cautos
seja a lhaneza desta a palha da debulha
o verde devolvido em amarelo.
É que não sei dos nomes com firmeza
mais que o início quedo e boçal talo
nem companhia posso ou artefactos
que o langor da lagarta não assista
que não consinta o emergir dos catos.

II

No entretanto do tempo é que o verde resiste
o interstício manso a prova do contínuo
que quebra o passo e mais que o acrescenta
o assegura; se a roda começou
e do metal a terra é estreita         diminui
e de redonda à recta se afeiçoa
pelo verde o sabemos      no intervalo
dum ponto a outro ponto
do recado
da boca a outra boca   da fissura
entre o nome e o feito vertical.
No caule o facto osso e a semente
no espaço a obra de metal e a folha crua.


(Poemas de Maia Velho da Costa publicados no suplemento «Literatura e Arte» de A Capital)

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

OLHAR AS CAPAS


Poesia 70

Selecção de Egito Gonçalves e Manuel Alberto Valente
Capa: Armando Alves
Editorial Inova, Porto, Junho de 1971

Devolvem-me os canais em que circulo
os cartazes do pranto as unhas tensas
cruzando sobre a fronte o desengano
uma chuva de fogo para a noite

Dizendo noite a própria noite vela
para imitar o dia destruí-lo
uma lata vazia um grito gasto
onde a sopa arrefece

Nada mais tenho Escrevo na palavra
outra palavra

Dizendo dia crio a melhor forma
de revender a noite insinuá-la
fio de raiz roendo-me os tecidos
uma estátua crescendo

Nada mais tenho Escrevo na palavra
outra palavra.

Vasco da Costa Marques do livro Um Beco no Espaço

terça-feira, 29 de agosto de 2017

OLHAR AS CAPAS


O Amor Desagua em Delta

Egito Gonçalves
Capa: Armando Alves com um desenho de José Rodrigues
Colecção Coroa da Terra nº 1
Editorial Inova, Porto, Dezembro de 1971

Sitiados


Esta cidade é a última cidade...
Os muros derruídos estão cercados:
Os canhões troam através dos mapas.

Nossa imagem, revelada pelas montras,
Passeia pelas ruas de mãos dadas...
Somos a última trincheira valiosa.

Unidos, trituramos os assaltos
E renovamos o cristal da esperança.

Os ruídos emolduram-te o sorriso,
Pura mensagem, prenhe de um futuro
Isolado de poeiras e de lágrimas.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

OLHAR AS CAPAS


Poemas e Fragmentos de Safo

Tradução de Eugénio de Andrade
Desenho de Ângelo de Sousa
Capa: Armando Alves
Limiar, Porto, Dezembro de 1974

É um mal morrer e os deuses bem o sabem;
se assim não fora, eles próprios morreriam.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

OLHAR AS CAPAS


Os Meios de Transporte

Marta Cristina de Araújo
Desenho de Escher
Capa: Armando Alves
Colecção Pequeno Formato nº 40
Asa Editores, Porto, Março de 2004

À tua frente
silenciosamente
chegou o dia.

Já não vemos a cidade
o rio que passa perto
os amigos vozes barcos
confundidos na distância

Basta uma porta de exílio
todo o mundo lá ficou.
Onde longe sem fronteira
morta a memória da estrada?

Agora  nada nos prende
Ninguém nos espera mais:
No abandono dos outros
Deixámos o nosso amor

- resto de pão dividido
cada metade é a fome.
Conheço velha a que trouxe
levo comigo a que dou.

Ao teu lado
silenciosamente

chegou o dia.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

OLHAR AS CAPAS


Kaos

Ruben A.
Posfácio de José Palla e Carmo
Capa: Armando Alves
Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, Novembro de 1981

Sabes, meu amigo, somos mouros, ou saloios, ou árabes, ou lá o que é. Orgulhosos da nossa incapacidade.
Talvez.
Arrogantes do nada.
Em Portugal gastam-se energias produtivas a desfazer asneiras e muitas vezes a emendar os erros dos outros. É uma máquina, uma locomotiva que anda para trás. Um país, assim, progride como os cágados.
É tudo uma cagada. Ah! Perdão minhas senhoras.

sábado, 19 de março de 2016

OLHAR AS CAPAS



Em Nome do Pai
Pequena Antologia do Pai na Poesia Portuguesa

Vários Autores
Organização: José da Cruz Santos
Prefácio: Vasco da Graça Moura
Capa: Armando Alves
Modo de Ler, Porto, Março de 2008

Pai, dizem-me que ainda te chamo, às vezes, durante
o sono - a ausência não te apaga como a bruma
sossega, ao entardecer, o gume das esquinas. Há nos
meus sonhos um território suspenso de toda a dor,
um país de verão aonde não chegam as guinadas
da morte e todas as conchas da praia trazem pérola. Aí

nos encontramos, para dizermos um ao outro aquilo
que pensámos ter, afinal, a vida toda para dizer; aí te
chamo, quando a luz me cega na lâmina do mar, com
lábios que se movem como serpentes, mas sem nenhum
ruído que envenene as palavras: pai, pai. Contam-me

depois que é deste lado da noite que me ouvem gritar
e que por isso me libertam bruscamente do cativeiro
escuro desse sonho. Não sabem

que o pesadelo é a vida onde já não posso dizer o teu
nome - porque a memória é uma fogueira dentro
das mãos e tu onde estás também não me respondes. 

(Maria do Rosário Pedreira)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

POSTAIS SEM SELO


Cortaram os trigos. Agora
A minha solidão vê-se melhor

Sophia de Mello Breyner Andresen de O Nome das Coisas em Alentejo Não tem Sombra

Legenda: Campos de Évora, pintura de Armando Alves em Alentejo Não tem Sombra

domingo, 10 de janeiro de 2016

OLHAR AS CAPAS


Alentejo Não tem Sombra

Antologia de Poesia Contemporânea sobre o Alentejo,
Organizada por Eugénio de Andrade,
Com uma pintura de Armando Alves e outra de Jorge Pinheiro
Colecção O Aprendiz de Feiticeiro nº 2
Editorial O Oiro do Dia, Porto, Primavera de 1982


A Cortiça

É preciso dizer-se o que acontece
            no meu país de sal
há gente que arrefece      que arrefece
                  de sol a sol
                 de mal a mal.
É preciso dizer-se o que acontece
             no meu país de sal.

Passando o Tejo       para além da ponte
              que não nos liga a nada
                   só se vê horizonte
                          horizonte
                  e tristeza queimada.

É preciso dizer-se o que se passa
           no meu país de treva:
uma fome tão grande que trespassa
         o ventre de quem a leva.
É preciso dizer-se o que se passa
           no meu país de treva:

mal finda a noite       escurece logo o dia
                e uma espessa energia
                feita de pus no sangue
                    de lama na barriga
      nasce da terra exangue e inimiga

É o vapor da sede       é o calor do medo.
                  a cama do ganhão
                 a casca do sobredo.
                  É o suor com pão
          que se come em segredo.

É preciso dizer-se o que nos dão
      no meu país de boa lavra
aonde um homem morre como um cão
                à míngua de palavra:

Por cada tronco desnudado       um lado
              do nosso orgulho ferido
         e por cada sobreiro despojado
     um homem esfomeado e mal parido.

                         Ah não, filhos da mãe!
                         Ah não, filhos da terra!
                         Os enjeitados também vão à guerra.

José Carlos Ary dos Santos em Resumo

domingo, 23 de agosto de 2015

OLHAR AS CAPAS


Obscuro Domínio

Eugénio de Andrade
Capa de Armando Alves sob um desenho de José Rodrigues
Fotografias de Armando Alves
Editorial Inova, Porto, Novembro de 1971

Arte de Navegar

Vê como o verão
sùbitamente
se faz água no teu peito,

e a noite se faz barco,

e minha mão marinheiro

domingo, 12 de julho de 2015

OLHAR AS CAPAS


Luz Vegetal

Egito Gonçalves
Capa: Armando Alves
Limiar, Porto, Dezembro de 1975

Falo alto para sentir o som do que escrevo, a vida das
palavras que arrancam do sal que mantenho na ferida.

Mas não pronuncio o teu nome, És um ser abstracto
no fundo da dor.

Não é para ti. Nem por ti. De um fogo incinerado
Extraio vocábulos insepultos.

O mistério é pensar que se ainda existes

                                    és agora alguém que não conheço. 



Nota do autor:   Luz Vegetal inclui um ciclo de poemas escrito em um ano: de Setembro de 1971 a Setembro 1972. Este poema enviado para um jornal de província,  foi proibido pela censura.