Viva a república, Viva. Patrão, quanto é o jornal
agora, Deixa ver, o que os outros pagarem, pago eu, também, fala com o feitor,
Então quanto é o jornal, Mais um vintém, Não chega para a minha necessidade, Se
não quiseres, mais fica, não falta quem queira, Ai minha santa mãe, que um
homem vai rebentar de tanta fome, e os filhos, que dou eu aos filhos, Põe-nos a
trabalhar, E se não há trabalho, Não faças tantos, Mulher, manda os filhos á
lenha e as filhas ao rabisco da palha, e vem-te deitar, Sou a escrava do
Senhor, faça-se em mim a sua vontade, e feita está, homem, eis-me grávida,
pejada, prenhe, vou ter um filho, vais ser pai, não tive sinais, Não faz mal,
onde não comem sete, não comem oito.
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terça-feira, 14 de agosto de 2018
terça-feira, 27 de março de 2018
CARTAZ TURÍSTICO
Portugal
país de pirâmides
de sal
Podeis vê-las aqui, na Ribeira do tejo.
Desfilam à cabeça das mulheres
num faraónico cortejo
entre as fragatas e o cais.
Mas sal, Tejo e manhã
é luz demais: Cegamos.
Nasce um fosfeno de cristais.
Nasce o silêncio da Sedução.
É quando se ouve mais
o canto
da carregação.
José Fernandes Fafe
em Poesia Amável
Legenda: fotografia de Artur Pastor
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José Fernandes Fafe Poemas
quarta-feira, 28 de setembro de 2016
DA VIDA MARÍTIMA DE LISBOA
Os
habitantes de Lisboa, tirando os que vivem do mar, quase não sabem da sua vida
marítima de grande porto. Poucas são as janelas da cidade abertas para o
estuário imenso e maravilhoso. Quando muito, os lisboetas vão até ao Terreiro
do paço nas noites calmas de Verão, mas ignoram tudo da vida do rio: os pescadores
à linha da ponta do Cais do Sodré; as lentas fragatas que deslizam carregadas
de fardos, de sacos, ou de barris, com a sua grande vela, tantas vezes rubra
como um grito; as embarcações em repouso, onde fumega um fogareiro com a
caldeirada; a descarga do peixe para a Ribeira, com a agitação do povoléu
varino; os trabalhos da estiva nos cais onde acostam os cargueiros e os grandes
paquetes luxuosos, com o ranger dos guindastes e dos guinchos; o movimento do
desembarque de turistas nos cais da Rocha ou de Alcântara; a chegada ou partida
dos navios portugueses das carreiras de África; os preparativos dos
bacalhoeiros em véspera de partida para os bancos da Terra Nova; as reparações
dos vapores nas docas secas e a construção de novos navios nos estaleiros, com
o seu martelar metálico; a faina constante dos rebocadores e gasolinas, como
gaivotas à roda dos grandes vapores – todo esse fervilhar ruidoso e colorido
que é o espectáculo mais curioso de Lisboa.
José Osório de Oliveira na revista Panorama, início dos anos 50.
Legenda: fotografia de Artur Pastor
domingo, 18 de outubro de 2015
POSTAIS SEM SELO
A história não é
os governos que a fazem mas eu, a vizinha do lado, o merceeiro da esquina da
rua.
Rómulo de
Carvalho
Legenda:
fotografia de Artur Pastor
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Postais Sem Selo
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
CAIS
«… o cais é uma saudade de pedra».
Partem navios
e chegam navios
de todos os
pontos cardeais,
só eu fiquei
sonhando os
orientes
no cais.
Outros
partiram...
- Tantas vezes
me chorei perdido
e vencido me
arrastei
ao sabor das
tempestades e dos fados...
Tantas vezes fui
o herói da aventura,
o navio
naufragado...
e sempre
ressuscitei
no cais.
Que em mim vive
esta ânsia
sempre nova
da largada.
Eu não amo o que
possuo,
o que sou
não é jamais
onde estou;
eu sou o ausente:
a posse deixa-me
inerte,
só o desejo me
abraza...
Só eu fiquei
com saudade de
mim
nunca
embarcado...
Legenda: fotografia de Artur Pastor
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Joaquim Namorado Poemas
domingo, 13 de setembro de 2015
POSTAIS SEM SELO
À vela, no mar, o silêncio vale muito, vale mesmo mais
do que quando de terra se vê o mar, em silêncio.
José Duarte em
Jazzé e Outras Músicas
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