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terça-feira, 31 de outubro de 2017
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Contracapa de Recomeço Límpido.
O poema de José Gomes Ferreira é retirado de Poesia VI.
Refere o episódio do assalto ao paquete Santa Maria. Com estas palavras José Gomes Ferreira situa o episódio:
«O Galvão apoderou-se do paquete «Santa Maria». Baptizado de «Santa Liberdade» vagueia agora pelos mares numa missão de propaganda contra este Pedregal de Grilhetas.»
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
OBRIGADO PORTUGUESES
O “Notícias de Portugal”, boletim semanal de propaganda do regime, editado pelo SNI, referia-se, nesta prosa instigante, à chegada do “Santa Maria” a Lisboa, o fim da “ tragi-comédia do paquete Santa Maria”, como lhe chamava o pasquim:
O Tejo oferecia espectáculo impressionante.
Ao mesmo tempo que aumentava o número de embarcações que se dirigiam, a toda a velocidade,, para o “Santa Maria”, crescia a multidão ao longo da margem direita.
Toda a muralha de Alcântara, de extremo a extremo, estava cheia de populares, que já tinham ocupado inteiramente a plataforma da estação marítima.
Também na margem oposta, centenas e centenas de pessoas se concentraram ao longo do rio, formando, aqui e além, grandes grupos.
O “Santa Maria ficou a pairar em frente de Belém, para entrarem a bordo as entidades oficiais e os representantes dos meios de informação.
Rodearam-no então, os barcos dos pilotos, os cacilheiros, os “ferry-boats”, os iates de recreio, as fragatas e outras embarcações de pesca
Repetiam-se os toques de sirene.
Surgem outras embarcações, entre os quais velozes gasolinas e um vistoso iate, este do Conde de Barcelona.
O “Santa Maria” retoma a sua marcha, em direcção ao cais de Alcântara.
A certo momento, pelos altifalantes, anuncia-se:
-Portugueses! O Sr. Presidente do Conselho, Prof. Oliveira Salazar, vem a bordo do “Santa Maria” Dentro de instantes entra nesta estação marítima.
Assistiu-se, então, a nova onda de entusiasmo, se possível mais vibrante, se possível mais expansivo.
Antes de se retirar da estação marítima, o Presidente do Conselho apareceu à varanda superior do edifício da gare, agradecendo as ovações do povo.
Aos microfones, Salazar afirmou, dirigindo-se à multidão:
-Temos o “Santa Maria connosco. Obrigado, portugueses!
Novas aclamações rodearam o Presidente do Conselho quando, muito lentamente, o seu carro deixou Alcântara”.
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sábado, 22 de janeiro de 2011
O ANNUS HORRIBILIS DE SALAZAR
O segundo ano da década de 60, é o “annus horribilis” da ditadura de Salazar.
Efectivamente, nesse ano, começa o caminho, longo e difícil de 13 anos que há-de culminar na madrugada do 25 de Abril de 1974.
No dia 22 de Janeiro de 1961, o paquete “Santa Maria”, a navegar no alto mar, é assaltado, a 4 de Fevereiro, em Angola, ocorrem incidentes que serão o rastilho do deflagrar da guerra colonial, o apelo de Salazar: “para Angola, rapidamente e em força”, em Março, verifica-se golpe militar do General Botelho Moniz, em Julho a República do Benim intima Portugal a abandonar o Forte de São João Baptista de Ajudá e Salazar ordena ao responsável para o incendiar, em 19 de Novembro, Palma Inácio desvia um avião da TAP, que fazia a carreira Casablanca-Lisboa, lançando panfletos sobre a capital portuguesa, a 18 de Dezembro, a União Indiana invade Goa, Damão e Diu, por fim, no último dia do ano, ocorre o assalto ao Quartel de Beja.
Faz hoje 50 anos que umas escassas dezenas de idealistas portugueses e espanhóis, comandados por Henrique Galvão e Jorge Soutomaior, apoderaram-se do paquete "Santa Maria”. O plano designado por “Operação Dulcineia”, personagem do “D. Quixote” de Cervantes, consistia no desvio do navio, para posterior ocupação da colónia espanhola de Fernando Pó, de onde se partiria para Angola, iniciando um levantamento insurreccional contra as ditaduras ibéricas.
Henrique Galvão considerou o assalto uma vitória da heroicidade lusitana, enquanto o galego Jorge Soutomaior o considerou um fracasso e um esforço frustrado do colectivo galaico-potuguês.
Para mais uma das suas viagens regulares às Américas, O "Santa Maria" largara de Lisboa a 9 de Janeirode 1961. No dia 20 fez escala em La Guaira e é neste porto venezuelano que embarca o grupo de revoltosos. A caminho de Port Everglades, na Florida, com 612 passageiros e 350 tripulantes, precisamente à 1 hora e 45 minutos da madrugada de 22 de Janeiro de1961, o grupo domina os oficiais do navio. O terceiro piloto João José Nascimento Costa ofereceu resistência aos assaltantes e foi morto a tiro. A 23 de Janeiro, o navio aproximou-se da ilha de Santa Lúcia e desembarcou, numa das lanchas a motor, 2 feridos graves mais 5 tripulantes, comprometendo assim a possibilidade de atingir a costa africana sem ser detectado. No dia 25, o paquete, que passara a chamar-se “Santa Liberdade”, é localizado por um avião norte-americano.
A 2 de Fevereiro, o "Santa Liberdade" fundeou no porto brasileiro do Recife, os passageiros e tripulantes foram desembarcados, enquanto os revolucionários entregaram-se às autoridades brasileiras, vindo, posteriormente, a obter asilo político.
Nesse dia o paquete voltou a chamar-se “Santa Maria” e, embandeirado em arco, a 16 de Fevereiro de 1961, entrava na barra do Tejo.
Só no dia 24 de Janeiro os jornais publicam a nota oficiosa do governo, dando conta do assalto ao“Santa Maria”. E os seus editoriais expressam a indignação face ao acontecimento.
Também nesse dia, a Assembleia Nacional, antes da ordem do dia, ouve as vozes de repulsa dos deputados, srs. drs. Proença Duarte e Homem de Melo (conde de Águeda).
Da intervenção do sr.dr. Proença Duarte:
“Neste momento em que a alma nacional se encontra altamente emocionada e magoada, tenho eu por certo que interpretar o sentimento de todos os portugueses de boa vontade, seja qual for o seu credo político ou religioso afirmando aqui a sua repulsa e condenação deste acto de inqualificável indignidade.”
Da intervenção do sr. Conde de Águeda:
“E como há circunstâncias em que o coração carece do auxílio da inteligência para transbordar de indignação e de patriotismo, desse patriotismo que é apanágio de todos nós. É, pois, o coração, e só ele, que, num grito indignado protesto, verbera o acto de pirataria praticado no Mar das Caraíbas, contra um navio português e se envergonha por saber que o chefe dos ladrões do mar pôde um dia estar sentado nestas cadeiras, fazendo parte da representação nacional”.
O editorial do “Diário de Notícias” tinha por título “Crime Praticado contra Portugal” e nele podia ler-se:
“Registamos, como o faz o governo, que tais ocorrências não se passaram sem a resistência de oficiais e tripulantes, que deste modo honraram, até ao sacrifício da própria vida, as tradições da Marinha portuguesa.
A consciência dos portugueses condenará sem hesitações este crime praticado contra Portugal.”
O título do editorial de “O Século” era “Unamo-nos os de Boa Têmpera” e terminava assim:
“Unamo-nos os milhões que somos contra esse escasso cento de renegados; unamo-nos os de boa têmpera, indomáveis na vontade, prontos ao sacrifício. Portugal chama-os. Responderão: “Presente”
O editorial do “Diário da Manhã, “Quando o Ódio se Alucina”, destacava:
“Se no aspecto pessoal, o acto cometido representa a condenação final dum crápula exibicionista, sem consciência moral, que se perdeu definitivamente nos caminhos do crime, no aspecto politico é a prova irrefutável do que são e do que não são capazes os criminosos que publicam panfletos onde é nítida a intenção comunista, desagregadora da unidade dos homens e das terras da Nação portuguesa – e acabam por cair, de forma a não deixarem dúvidas, no assalto à mão armada, no roubo, no assassínio, na prática pura e simples da pirataria.”
Título do editorial de “O Primeiro de Janeiro” “Absolutamente abominável, de “A Voz” “ Preferiram cair a render-se” das “Novidades” “Queremos Ser um Povo que não se demite”, do “Diário Ilustrado “Indignação e Revolta”, do “Jornal de Comércio” “Respeite-se Portugal”, do “Diário de Lisboa” “Acto Insólito”, do “Diário Popular” “Um Crime Inédito contra a Pátria e a Civilização”, do “Jornal de Notícias” “Todos os Portugueses Sentem a Maior Repulsa”, de “O Comércio do Porto” “Não há Explicação nem Justificação”.
Em Setembro do ano passado, estreou “Assalto ao Santa Maria”, um filme de Francisco Manso, com argumento de João Nunes, e Vicente Alves do Ó.
Segundo Francisco Manso, o filme retrata a epopeia e a aventura quixotesca' do assalto ao paquete “Santa Maria” envolvido por uma história de amor entre uma passageira, filha de um apoiante de Salazar, e um dos revolucionários.
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