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quinta-feira, 23 de maio de 2019

ETECETERA


Nasce uma igreja por mês em Portugal.
Em 15 anos, foram registadas 833 confissões religiosas. 97 surgiram nos últimos cinco anos.

1.

Esquecimento fatal em Baku. O judoca Anri Egutidze, representante de Portugal e candidato à vitória na categoria de 81 quilos na prova do Grand Slam, foi eliminado ao fim de 13 segundos quando, durante um movimento mútuo para derrubar o adversário, o telemóvel esquecido no quimono do judoca português caiu.

 2.

O primeiro-ministro israelita anunciou o início do processo para criar um novo colonato judaico no território sírio ocupado dos montes Golã, com o nome do Presidente dos EUA, que em Março reconheceu a soberania de Israel naquele território.

 3.

O trafulha Berardo disse na comissão de inquérito que lhe tinham pedido para ajudar os bancos.
Quando dava, como comentador, catequese aos domingos nas televisões, Marcelo Rebelo de Sousa, em 2007, elegeu Joe Berardo a figura do ano na economia portuguesa, pelo papel que tinha tido na definição do futuro do BCP.

4.

Quase cinco pessoas detidas por dia em processos de violência doméstica.
De 1 de Janeiro até 10 de Maio, a PSP deteve 247 pessoas e a GNR 382, mas o número final pode ser mais elevado.
Apesar das muitas detenções, a maioria dos inquéritos acaba arquivada. No ano passado, só 14,4% resultaram em acusação.

5.

Quase 1,8 milhões de portugueses estão em risco de pobreza e 17,3% da população, a maioria no norte e centro do país, sobrevivem com 467 euros por mês.

6.

Um homem de 32 anos morreu após ter sido esfaqueado no pescoço, na Praia da Rocha, depois de ter recusado dar um cigarro a outro homem.

7.

Tempos de crise.
Charo é uma prostituta amiga de Pepe Carvalho, detective dos romances de Manuel Vasquez Montálban.
Em Os Mares do Sul, Pepe pergunta a Charo:
- Como vai o negócio?
- Mal. Há uma concorrência tramada. Com isso da crise económica até as freiras se puseram a foder.                                   

sábado, 11 de maio de 2019

NO PAÍS DOS SACANAS


O título do post pertence a um poema de Jorge de Sena em 40 Anos de Servidão.

Herberto Helder no começo de Os Passos em Volta:

Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade enorme de histórias terríveis.

O que se passou ontem com a audição de Joe Berrado na Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, é inenarrável.

Um vendedor de banha da cobra tem andado a enganar toda a gente com primeiros-ministros, ministros, banqueiros à cabeça da lista.

Num linguajar migrante, declarou que não tem dívidas, nem património, excepto uma garagem particular no Funchal, e culpa os bancos por lhe terem emprestado dinheiro.

«Não sabem o que fazem!»

Disse mais:

«Sou disléxico, misturo nomes, números. Não sou perfeito, ainda bem. Quem foi o mais prejudicado aqui fui eu».

Sempre me importei com determinado tipo de coisas e nada mudou ao ponto de deixarem de me incomodar.

Os breves minutos em que ouvi o traste, a rir-se de todos nós, aproximou-me do limiar do vómito, e saltei fora.

Passei pela estante e não sei se a (des)propósito saquei este poema do Jorge de Sena:

Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.

No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma. 

Legenda: Imagem JM Madeira

domingo, 17 de fevereiro de 2019

ETECETERA


O poeta e professor universitário Manuel Gusmão recebeu a Medalha de Mérito Cultural como reconhecimento do Governo português.

Discurso de Graça Fonseca, Ministra da Cultura:

«Há conjugações perfeitas como esta, de estar aqui neste lugar quase mágico, quase ficção, que é a Biblioteca do Palácio da Ajuda e prestar homenagem a um poeta e ensaísta como Manuel Gusmão, que certamente não levará a mal que o caracterize também como uma biblioteca, tanto de si mesmo, como de nós enquanto linguagem e poesia. Mas há também lugares ingratos e um deles é encerrar esta cerimónia e colocar as minhas palavras depois das de Manuel Gusmão, tão bem e tão musicalmente lidas por Fernanda Lapa e Ana Gusmão. O que me cumpre, assim postas as coisas, é reconhecer o óbvio e declarar esta medalha como aquilo que ela pode representar face a um autor como Manuel Gusmão. Ela não vem afirmar o mérito cultural de um poeta em que os séculos de tradição são convocados para criar um depoimento singular e incisivo sobre os dois séculos em que viveu. O mesmo sobre um professor e ensaísta lúcido, dedicado e que criou, nos seus textos, formas e pontes de leitura dos grandes autores da poesia portuguesa do século XX, muitos deles seus pares e contemporâneos, como Herberto Helder e Carlos de Oliveira. Se as palavras pouco podem, quanto mais as medalhas. Prefiro, a tudo isto, olhar para esta medalha como uma homenagem ao poeta Manuel Gusmão e, através dos seus textos, à grande literatura portuguesa do século XX e aos seus pares, a José Gomes Ferreira, a Carlos de Oliveira, a Nuno Bragança, a José Cardoso Pires, entre tantos outros. Digo-o porque tanto enquanto autor, como crítico ou investigador, o diálogo fez parte da forma poética de Manuel Gusmão, na procura de beleza como uma exultação comunicável e partilhável. Termino evocando uma poderosa associação de conceitos que Manuel Gusmão utilizou para dar título a um dos seus livros de ensaios: tatuagem e palimpsesto. Esta condição paradoxal de permanência e reescrita, de perenidade e reutilização, que não deixa de ser testemunhada por estas estantes que nos rodeiam, parece-me encerrar muito do percurso poético, autoral e pessoal que hoje homenageamos. O que me resta é, agora, reconhecer tudo isto e agradecer a Manuel Gusmão por dignificar, com o seu nome, este mérito cultural que não se reconhece, mas que se diz, tal como a poesia, até contra as evidências. Somos todos, por assim dizer, bibliotecas, mas uns têm a sorte de dedicar toda uma vida à Biblioteca, agora com maiúscula».

Um poema de Manuel Gusmão:

E o que te diz ela a ti … essa canção
que só pode ser ouvida por quem
na sua própria voz cantando a escuta?
– Nada lhe peço que me diga Apenas
que venha que continue a chegar
até mim com a sua morte a viver
oferecida viva e sem remédio.
E há então… uma tal soturna idade
uma tão violenta doçura… agora
que para sempre… por momentos
adia o meu morrer.

QUOTIDIANOS

1.

O nível cultural, intelectual da maioria dos nossos juízes não se recomenda.

Também podemos sobre Direito, duvidar do que andaram eles a aprender na Faculdade.

Há dezenas de casos de péssimas atitudes e decisões de juízes, mas peguemos nesta.

Uma advertência registada foi a pena disciplinar aplicada a Neto de Moura, juiz do Tribunal da Relação do Porto que desvalorizou uma agressão grave praticada pelo marido contra a “mulher adúltera”, num acórdão de Outubro de 2017.

O Conselho Superior da Magistratura determinou essa pena disciplinar com apenas quatro votos, tendo sido necessário ao presidente usar o voto de qualidade. Outros quatro membros do conselho defenderam a aplicação de uma pena de multa e os sete que votaram a favor do arquivamento do caso optaram pela abstenção. Numa anterior decisão igualmente controversa – oito votos a favor e sete contra - o órgão de tutela dos juízes recusou arquivar o caso, como sugeria o conselheiro que analisou o processo.


Recorde-se que o citado juiz nos dois acórdãos de 2017 que fundamentaram a abertura do processo disciplinar de que foi alvo (foram detectadas outras decisões do mesmo autor, mais antigas, com argumentações semelhantes, mas a responsabilidade disciplinar por aquelas já havia prescrito), o juiz desembargador do Tribunal da Relação do Porto apelida as vítimas de adúlteras, mentirosas, falsas e desleais, cita a Bíblia, invoca costumes religiosos e tradições que as punem com a morte ou normas legais de antanho que permitiam aos maridos o direito de as matar.

O advogado do desembargador Neto de Moura diz que o juiz irá recorrer da advertência para o Supremo Tribunal de Justiça.

2.

O que se vai conhecendo sobre  a gestão dos diversos Conselhos de Gerência da Caixa Geral de Depósitos, são uma vergonha,

Luís Marques no Expresso:

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

NOTÍCIAS DO CIRCO


Ao cair da tarde, foi entregue no Parlamento o relatório final do relatório da auditoria que apresenta os resultados da análise da gestão da Caixa Geral de Depósitos entre 2005 e 2015, realizada pela consultora EY mas onde, por enquanto, são desconhecidos os nomes dos grandes devedores do banco público.
Os partidos decidiram criar uma nova comissão de inquérito parlamentar para apuramento de responsabilidades políticas e outras.
Saberemos, ainda neste século, de todos os imbróglios e corrupções que envolveram a banca portuguesa?

domingo, 20 de janeiro de 2019

NOTÍCIAS DO CIRCO


A 3 de Dezembro do passado ano, o Público estava convencido que Armando Vara tão cedo não transporia os portões de uma prisão.

Havia uma série de habilidades em curso que possibilitariam que Armando Vara continuasse a passar pelos intervalos da chuva.

Mas um recurso apresentado ao Tribunal Constitucional foi rejeitado e, desde quarta-feira é o recluso 49 do Estabelecimento Prisional de Évora onde cumprirá pena de cinco anos de prisão no âmbito do processo «Face Oculta».

O catequista Marques Mendes disse na SIC:

«Armando Vara é apenas uma ponta do icebergue de uma rede muito poderosa que durante 20 anos, ou mais, existiu em Portugal, uma rede liderada por Sócrates, Vara e Carlos Santos Silva, que começou a operar ainda no tempo de Guterres, nos anos 90 e que foi até ao fim do consulado de Sócrates».

E nos finalmente proferiu:

«Armando Vara, para ajudar a destruir a CGD e o BCP, não teve apenas o aval de Sócrates. Teve também a aprovação do Banco de Portugal».


A Alexandra, personagem do José Cardoso Pires, sempre disse:

«Isto não é um país, é um sítio mal frequentado».

Teremos cadeias suficientes para todos os armandos varas que pululam por aí?

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

NOTÍCIAS DO CIRCO


O Governo, através do Ministério das Finanças, vai pedir ao Parlamento uma autorização de despesa no valor de 885,8 milhões de euros para gastar com os restos de dois bancos falidos ao abrigo do Orçamento do Estado de 2019: 337,6 milhões de euros para três veículos do Banif; 548,2 milhões para três sociedades com os restos do BPN.

Dos jornais

Legenda: fotografia do Expresso.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

NOTÍCIAS DO CIRCO


Decididamente não aprendemos nada.

Famílias mais endividadas: os bancos, desde o início do ano estão a emprestar 47 milhões por dia.

Os créditos concedidos para compra de casa e bens de consumo continua a subir e em Junho registou-se o nível mais alto desde 2010.

Será que assim o Estado encontrou um outro modo de ajudar os bancos?

Ao povo ninguém concede ajudas.

Nem o próprio povo, que, amiúde, esquece sempre qua as trancas têm que ser postas nas portas antes da casa ser roubada.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

ETECETERA


O cerco aperta-se em redor do personagem Manuel Pinho:

«A confirmar-se é uma situação incompreensível e lamentável», diz Carlos César.

O líder parlamentar do PS, Carlos César, afirmou que o Partido Socialista «sente-se envergonhado» em relação ao ex-ministro Manuel Pinho, caso sejam confirmadas as suspeitas de que é alvo.

Questionado sobre o caso José Sócrates, Carlos César admite que a vergonha «até é maior», dado tratar-se de um ex-primeiro ministro.

BOB DYLAN

Bob Dylan vai lançar em Maio uma marca de uísques, a "Heaven's Door", num negócio para o qual conseguiu angariar mais de 28 milhões de euros de investidores.
«Este é um grande uísque», afirmou Dylan 
O nome da marca remete para a música Knockin' on heaven's door.


CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS

«A polémica que envolve a actual composição do conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos esconde uma realidade: os cargos na gestão do banco público serviram para distribuir lugares de acordo com prioridades que nada têm a ver com os interesses da CGD. Recuámos a 1989, à época da privatização da banca, da criação da União Económica e Monetária e das maiorias absolutas do PSD, com Cavaco Silva como primeiro-ministro. Analisámos os dez mandatos que cobrem o período entre 1989 e 2015 e os números são claros: a passagem de ex-governantes, militantes, dirigentes e gente próxima do PSD, do PS e, a partir de 2004, do CDS tem sido regra na gestão da Caixa.
Mas uma análise caso a caso mostra outra realidade: a promiscuidade alastra-se ao regulador – o Banco de Portugal – e à banca privada. O que têm em comum Vieira Monteiro, Mira Amaral, Carlos Santos Ferreira, Tomás Correia e Jorge Tomé? Todos eles foram presidir a bancos privados depois de saíram da Caixa. Na verdade, os três primeiros ainda estão à frente do Santander Totta, do BIC, e do BCP, respectivamente.
Os conselhos de administração da Caixa Geral de Depósitos foram, ao longo dos últimos anos, território ocupado por gente próxima do poder político e económico, que muitas vezes se confundem. Na verdade, a actual composição dos órgãos sociais da Caixa não mostram qualquer ruptura com este passado, pelo contrário. Paulo Mota Pinto, ex-deputado e dirigente do PSD, preside à Assembleia Geral. Rui Vilar, o primeiro presidente do período que abordamos, é vice-presidente do conselho de administração. O presidente, António Domingues, e metade da comissão executiva vieram directamente do BPI para o banco público»

Lido em Abril, O Outro Lado das Notícias


A FECHAR


Frades... frades... Eu não gosto de frades. Como nós os vimos ainda os dêste século, como nós os entendemos hoje, não gosto dêles, não os quero para nada, moral e socialmente falando.
No ponto de vista artístico, porém, o frade faz muita falta.
Nas cidades, aquelas figuras graves e sérias com os seus hábitos talares, quási todos pitorescos e alguns elegantes, atravessando as multidões de macacos e bonecas de casaquinha esguia e chapelinho de alcatruz que distinguem a peralvilha raça europeia — cortavam a monotonia do ridículo e davam fisionomia à população.
Nos campos o efeito era ainda muito maior: êles caracterizavam a paisagem, poetizavam a situação mais prosaica de monte ou de vale; e tão necessárias, tão obrigadas figuras eram em muitos dêsses quadros, que sem elas o painel não é já o mesmo.


Almeida Garrett em Viagens na Minha Terra

quinta-feira, 19 de abril de 2018

NOTÍCIAS DO CIRCO


O ministro das Finanças, Mário Centeno, admitiu que o Estado pode vir a apoiar a Associação Mutualista Montepio, em caso de necessidade, e adiantou que o Novo Banco pode precisar de injeções de capital em 2019.

O apoio do Estado à banca desde 2007 até 2017, um período de 10 anos, ultrapassa os 17 mil milhões de euros, segundo dados hoje publicados pelo Banco de Portugal.

Ainda há semanas se soube que o Novo Banco vai precisar de mais capital para cumprir os rácios de solidez financeira depois de ter apresentado os prejuízos mais altos da sua história recente: 1.395 milhões de euros em 2017. Esta perda obrigou a ativar o mecanismo de capitalização contingente previsto no acordo de venda da instituição à Lone Star, poucos meses depois de fechado o negócio. Vão entrar mais 792 milhões de euros.

Como escrevia um jornalista do Diário de Notícias:

«Assim também quero ser banqueiro!»

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


Segundo um estudo da consultora Oliver Wyman Portugal é o terceiro país europeu em que houve uma maior redução de trabalhadores e agências bancárias entre 2011 e 2016. 
Dos nove países analisados só os bancos espanhóis e gregos é que despediram mais do que os portugueses.  
Desde 2007, de acordo com cálculos do Tribunal de Contas do ano passado, a banca privada já custou cerca de 20,3 mil milhões de euros entre as falências do BPN, do BPP, do BES e do Banif, e nos apoios públicos ao BCP e ao BPI.

sábado, 15 de abril de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO



Títulos do Expresso de 8 de Abril e Público de 8 de Abril.

quarta-feira, 29 de março de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


Podemos não concordar com o que pensa José Pacheco Pereira, mas uma coisa não podemos escamotear: a sua frontalidade

Referente a José Sócrates já escreveu:

 De há muito me apercebi que havia algo de muito errado na sua actuação pública, mesmo naquela que não era susceptível de constituir crime. Desde a história das marquises, passando pelas histórias das ETAR, do Freeport, do currículo académico, das rasuras na ficha biográfica de deputado, do contrato com Figo e muito mais, era-me factualmente evidente que este homem era capaz de tudo, embora eu não soubesse da dimensão do tudo. Como já referi, a ficha biográfica de deputado rasurada em fotocópia foi para mim a epifania, porque eu sabia bem como as coisas funcionavam na Assembleia e tudo aquilo era tão completamente implausível que tinha de haver, numa expressão plebeia, marosca.

Hoje, soube-se pelo Diário de Notícias que o processo da «Operação Marquês» vai ter mais «pessoas distintas»:

É a primeira certidão extraída do processo Operação Marquês: os últimos dados bancários enviados pela Suíça para o Ministério Público revelaram novas suspeitas sobre banqueiros e recebimentos de comissões ilegais. No despacho que ordenou a retirada dos elementos do processo para uma investigação autónoma, o procurador Rosário Teixeira não identifica os suspeitos, dizendo apenas serem "pessoas distintas" das já constituídas arguidas no processo e tratar-se de "cidadãos portugueses" que "tinham responsabilidades em instituições financeiras e na concessão de crédito".

Durante anos e anos a fio fomos metralhados pelo brilhantismo dos nossos empresários e banqueiros,  o dizer que o sucesso das empresas e bancos onde actuavam se devia às suas estrelares qualidades de gestores.

Apenas eles.

Vamos agora sabendo que, a maior parte, não passava de um gang de trapaceiros e corruptos.

Com o chegar de mais gentalha, vai tomando vulto o mega processo «Operação Marquês».

Para além do imenso peixe miúdo que por lá se passeia, já lá estão Ricardo Salgado, José Sócrates, o Zava, o Granadeiro, o Vara.

Continuarão os sucessivos adiamentos dos prazos que têm vindo a ser concedidos, até tudo acabar na maior das impunidades.

sexta-feira, 17 de março de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


O Circo está ao rubro.

1 - Onze anos depois de ter falhado a OPA lançada pela Sonae à PT, Paulo Azevedo disse que o jogo estava viciado. Agora que o assunto volta a ser falado no âmbito da Operação Marquês, o CEO da Sonae diz, que estavam todos feitos e que a justiça fará o seu trabalho.
Aguardamos mesmo que a Justiça faça o seu trabalho mas temos que nos sentar.
Se não der em aborto, o parto não vai ser fácil.

2 - O que Assunção Cristas disse, em entrevista, ao Público deixou muito a desejar sobre o Governo de Direita que, para agradar à Troika, tramou - e de que maneira! – o povo e os trabalhadores portugueses: cortes nos ordenados e nas reformas, perca de regalias, aumento de impostos constavam da receita.
Como, segundo Cristas, da banca não se falava no Conselho de Ministros, somos levados a concluir que o Conselho de Ministro, eram aqueles sorrisos gravados pelas televisões, no início de cada conselho, como os treinos das equipas de futebol, e mais não seriam que umas reuniões que a minha mãe, a long time ago, fazia lá em casa para as amigas em que se vendiam tupperwares, acompanhados de sandes em pão de forma e bolos sortidos da Nacional.

3 – O Público noticia que Paulo Núncio terá estado ligado ao registo de 120 "offshores", ao longo dos 10 anos em que trabalhou para a Zona Franca da Madeira, como fiscalista, antes de ir para o governo.
Também se soube agora que o ex-secretário de estado dos assuntos fiscais foi advogado, durante três anos, da petrolífera estatal venezuelana, que enviou parte significativa dos 7,8 mil milhões para o Panamá, via BES.
Recorde-se, ainda Cristas, que, quando se soube das trapalhadas em que o dirigente centrista estava metido, declarou com pompa e circunstância:
Paulo Núncio mostrou uma grande elevação de carácter e o país deve muito ao doutor Paulo Núncio pelo trabalho de combate à fraude e à evasão fiscal.
Lembrei- me agora:

Por onde anda Paulo Portas?

Legenda: pintura de Nikias Skapinakis

terça-feira, 14 de março de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO

Em entrevista ao Público, Assunção Cristas garante que o Governo de Direita a que pertenceu, nunca discutiu, em profundidade, questões da Banca.
Nem BES, nem Banif, nem Caixa Geral de Depósitos, NADA!
Então, de que falavam, com profundidade, as excelências em Conselho de Ministros?
Não é preciso ser bruxo para saber que , em Conselho de Ministros, apenas abordavam, com profundidade, as directrizes da Troika que visavam lixar os trabalhadores, o povo, o País.
Durante quatro anos estivemos entregues a esta gente.

sábado, 11 de março de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


No final de 2016, a Caixa Geral de Depósitos tinha 8.133 trabalhadores em Portugal, menos 297 do que no final do ano anterior, quando eram 8.410.

Em termos de agências, o banco fechou 42 em 2016, tendo no final de dezembro passado a ter uma rede de 1.211 unidades comerciais.

Nos próximos anos, no âmbito do plano estratégico negociado com Bruxelas, a CGD prevê dispensar 2.200 pessoas através de pré-reformas e rescisões por mútuo acordo.

Em termos de agências, a CGD quer chegar a 2020 com um número entre 470 e 490.

O banco prevê gastar 150 milhões de euros com as saídas de trabalhadores até 2020.

A CGD apresentou agora os resultados de 2016 em que teve prejuízos históricos de 1.859 milhões de euros, mais de dez vezes mais os resultados negativos de 171 milhões de euros de 2015.

sábado, 27 de julho de 2013

NOTÍCIAS DO CIRCO


PROVAVELMENTE, nesta altura do campeonato, não interesse muito saber se a Maria Luís mentiu, ou não, nos depoimentos que fez na Assembleia da República sobre o caso das swaps que, muito honestamente não sei o que são, e estou acompanhado pela esmagadora maioria dos portugueses.

O que há a destacar é que a senhora não tem condições para ocupar lugar no governo. Não é bem ser incompetente, é outra coisa: ânsia de poder a todo o custo, uma inqualificável falta de ética e de escrúpulos, desonestidade pura e dura.

Nos tempos que correm quem vá para a pasta de finanças de um governo, seja como ministro, seja como secretário de estado, tem a obrigação de saber que as swaps são  uma bomba atómica.

Não havia que esperar por, por parte da anterior governação, que chegassem os dossiers, a informação detalhada
.
Era, de imediato, começar a tratar do assunto, pegar o boi pelos cornos
.
Acresce que Maria Luís não tem ponta de desculpa porque, enquanto membro da direcção da REFER, lidou com swaps e sabe muitíssimo bem o perigo de que o assunto se reveste.

O que estamos a pagar, continuaremos a pagar, por incompetências e irresponsabili- dades deste tipo, é um caso de polícia.

Caso houvesse justiça neste país.

O APARECIMENTO DE RUI MACHETE  no governo, como ministro dos negócios estrangeiros, é um mistério.

De há algum tempo se sabia quem era a pessoa escolhida para essa pasta mas, de repente, eis que tudo muda e surge o homem.

Diz que recebeu um telefonema e só necessitou de três horas para se decidir.

Quem lhe telefonou, ou mandou telefonar?

Não é difícil adivinhar.
O inquilino de Belém entendeu que era altura de colocar no governo alguém de confiança para que aquele bando de garotos não continuasse com as brincadeiras sem rei nem roque.

Havia que recorrer ao polvo.

Um está preso, outros andam por aí, não se sabe bem onde, mas com a certeza que andam a tratar da vidinha.

A escolha recaiu em Machete que, tal como Vitor Constãncio, nunca vislumbrou que algo de anormal acontecia no BPN.

 No momento em que as fraudes do BPN e da SLN pesam tanto nas contas públicas e no bolso de cada contribuinte, julgo tratar-se de uma escolha de muito mau gosto, afirmou o deputado João Semedo do Bloco de Esquerda.

Mas Machete diz-se de consciência tranquila… há muitos anos…

Também de bolsos cheios… há muitos anos… diz que e foi o imperativo de servir o país que o levou a sair do remanso em que vive, das negociatas em que se movimenta.

Os portugueses olham para tudo isto com uma indiferença, um deixa andar, que causa medo.

JOSÉ PACHECO PEREIRA no Abrupto:

Os principais controleiros do aparelho, os que distribuem empregos, benesses, subsídios, pelos “seus”, estão no governo, junto com alguns outros de uma incompetência e ignorância abissal. E quando digo abissal é mesmo abissal. Seria bom começar a dar umas aulas a explicar que Tonga não é na África do Sul, que a Turquia não é um país asiático e que Putin não é o presidente de Bielorrússia.

quinta-feira, 14 de março de 2013

A NACIONALIZAÇÃO DA BANCA



Há 38 anos, o país era surpreendido com a notícia de que , na sua primeira reunião, o Conselho de Revolução decretara a nacionalização da Banca.
A reacção geral foi de apoio a esta medida.
Um dia de alegria para todos menos para aqueles que beneficiavam largamente do sistema anteriormente vigente, no dizer emocionado do primeiro-ministro Vasco Gonçalves..
O PPD, hoje PSD, sublinhava que substituir um capitalismo liberal por um capitalismo de estado não resolve as contradições com que se debate hoje a sociedade portuguesa.
Mário Soares chamava-lhe um dia histórico em que se pode assinalar que o capitalismo se afundou. Efectivamente a nacionalização da banca privada, que por sua vez detém nas carteiras a maior parte das acções das grandes empresas e, ao mesmo tempo, a fuga e a prisão dos chefes das nove grandes famílias que dominavam Portugal indica de uma maneira bem calar que se está a caminho de se criar uma sociedade nova em Portugal.
Para que não restassem quaisquer dúvidas, José Magalhães Godinho lembrava que a nacionalização estava inscrita no programa do Partido Socialista.
O economista Eugénio Rosa lembrava:
É suficiente dizer, e só a título de exemplo, o que aconteceu até há pouco tempo com um banco. O grupo económico a que ele pertencia criou 15 empresas no mesmo edifício, com um capital social de 3.500 contos, a quem emprestou mais de 3 milhões de contos para que aquelas pudessem jogar em acções especulativas, sem qualquer interesse para satisfação das necessidades populares.



Para o povo o dinheiro do povo?
Passados 38 anos, sabemos da quantidade de água que passou por debaixo das pontes, as voltas e reviravoltas, as contorções, as cambalhotas, as omissões e as traições de quem entendia que o comboio estava a andar depressa demais e urgente seria começar a pensar em meter travão às quatro rodas.
Alguma dessa gente já não se encontra entre nós, mas outros ainda estão por aí.
Como se sentirão quando de manhã se olham ao espelho?
Não sentem nada!
Antes aproveitam para dizer que os trabalhadores, porque aguentam, aguentam têm de baixar ainda mais os ordenados que auferem, que os reformados vivem tempos demasiado longos.
Não é suficiente chamar-lhes nomes feios!...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

À LUPA


O negócio da banca é duro e complexo. Trata-se de comprar dinheiro barato e vendê-lo mais caro. Pensando bem, talvez não seja assim tão complexo. Estamos a falar da comercialização de um produto que toda a gente aprecia. O risco não é muito grande. E, além disso, é um bem que não se estraga. Ninguém diz, ao levantar um cheque: "Olhe, desculpe, estas notas são da semana passada."

Ainda assim, um número bastante elevado de banqueiros consegue reunir a mistura de talento e obstinação necessária para levar muitas destas instituições à completa ruína. Não deve ser fácil.

O jornalista Nicolau Santos fez, há dias, uma lista não exaustiva de banqueiros portugueses envolvidos em escândalos financeiros e consequentes processos judiciais. São cerca de dezena e meia. E acrescentou uma lista de bancos que o Estado português já ajudou, com avultadas injecções de capital. Contando com o BPP e o BPN, são cinco. Num país com a dimensão de Portugal, 15 banqueiros e cinco bancos parece muito. Não sei se é o suficiente para estabelecer uma regra, mas são números um tanto alarmantes.

Qualquer dia, banqueiro detido passa a ser um pleonasmo. Talvez fosse bom remodelar os testes psicotécnicos na admissão de candidatos ao lugar de banqueiro. Aparentemente, saber de finanças não habilita ninguém a gerir instituições financeiras.

Ricardo Araújo Pereira na Visão.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

QUOTIDIANOS


Fernando Ulrich, gestor e banqueiro questionado por, sistematicamente, andar a dizer que os portugueses ainda aguentam mais austeridade, bolsou

Não recebo lições de sensibilidade social dos outros. Essas lições tive-as em casa, na escola e na religião católica.

O cidadão vulgar conclui que ou os paizinhos, os professores os padres da catequese, explicaram as coisas mal ao menino, ou então Ulrich não assimilou os piedosos ensinamentos.

No café do bairro, à hora do telejornal, o Dudu ouvindo o palavreado, disse à plateia que, como sabem, nem é um homem violento, mas se tivesse o golpe de sorte de apanhar a criatura a sair do carro para entrar no banco, não sabia muito bem o que lhe faria, nas tem a certeza que ele ficava a mancar por uns tempinhos, ai isso ficava…