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terça-feira, 22 de maio de 2018

JÚLIO POMAR (1926-1970)



Pronto, agora ficámos sem o Júlio Pomar.
Aperta-se o cerco…
Que dizer?
Brecht ajuda muito:
«Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.»

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

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Sobre os incidentes ocorridos no Teatro Capitólio, em Março de 1960, durante a representação, pela Companhia de Maria Della Costa, da peça de A Boa Alma de Sé-Chuão de Bertolt Brecht, e referidos nestas Pancadas de Moliére, reproduz-se uma página de memórias, escrita por Luiz Francisco Rebello, e que está incluída no programa da representação da peça pelo Novo Grupo.

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Capa do programa da representação de a Boa Pessoa de Setzuan pela Companhia  Grupo Novo no Teatro Aberto em Fevereiro de 1983.
Encenação de João Lourenço, interpretações, entre outros, de Irene Cruz, Mário Viegas, António Montez, Mário Sargedas.

PANCADAS DE MOLIÉRE


Em plena ditadura salazarista, vieram a Portugal algumas companhias brasileiras de Teatro

Recordo-me de o meu pai contar que, nos anos 60, assistiu no Capitólio à representação de A Alma Boa de Sé-Chuão de Bertolt Brecht, pela Companhia de Maria Della Costa, em que metade da assistência era composta por agentes da PIDE e legionários, que no final desataram a patear, mas foram engolidos pela ovação que ecoou pela sala, entremeada com Vivas à Liberdade e à Democracia.

Por sinal, José Saramago numa carta para José Rodrigues Miguéis,  datada de 22 de Março de 1960 fala da proibição das representações da Companhia de Maria Della Costa no Capitólio:

«… sabe que a «rapaziada» do Tempo Presente fez escândalo no Capitólio durante as representações da Alma Boa de Se-Tsuan, do Brecht, pela maria della Costa? Garrafinhas de mau cheiro, gritos de «fora!» e «abaixo!», intervenção da autoridade – um encanto! O cabecilha era o Goulart Nogueira, nazista honrado e confesso, que tem chorado amargamente lágrimas pela morte de S. Hitler, principal santo do seu (dele) agiológico. Conseguiram o que queriam: a peça foi retirada…»

Este é o bilhete que regista a minha presença no Recital que Paulo Autran realizou, no Teatro Monumental, na noite de 19 de Abril de 1966.

Paulo Autran fazia parte da Companhia de Tonia Carrero que, por esse tempo, esteve em Lisboa e aproveitou um intervalo nas representações para este Recital de Poesia.

Um deslumbramento.

Ouvimos o discurso de Marco António em Júlio César de Shakespeare, monólogos do Othelo, outra vez Shakespeare, monólogo do rei Creonte da Antígona de Sófocles, poemas dos poetas brasileiros Cecília Meireles, Vinicius de Moraes, Castro Alves, Carlos Drumond de Andrade, Sophia de Mello Breyner Andresen, Alexandre O’ Neill, Mário Cesariny de Vasconcelos, António Gedeão, Joaquim Namorado.

Antes da recitação dos poemas dos poetas portugueses Paulo Autran teve o cuidado de dizer que no Brasil os poetas portugueses, da moderna geração eram completamente desconhecidos. Foi apenas em Lisboa que, mão amiga, lhe mostrara poemas desses poetas e pedia desculpa pelo pouco tempo que dedicara à  preparação da recitação desses poemas.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

AS CASAS


As casas pertencem as quem as torna melhores.

Bertolt Brecht

sábado, 24 de junho de 2017

POSTAIS SEM SELO


O problema com os intelectuais é aquilo que começa como sentimento e acaba como ressaca.

Bertolt Brecht

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

POSTAIS SEM SELO


Meteu na caixa tudo o que precisava:
Pouco. Mas sempre foi isto e mais isto.
Por exemplo o cachimbo que sempre à noitinha fumava
E o livrinho com que sempre o tinham visto.

Bertolt Brecht excerto do poema Lenda da Origem do Livro Taoteking Quando Laotsé ia a Caminho da Imigração em Poemas e Canções

sábado, 30 de maio de 2015

POSTAIS SEM SELO


Muitos juízes são absolutamente incorruptíveis; ninguém consegue induzi-los a fazer justiça.

Bertold Brecht

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

OS IDOS DE OUTUBRO DE 1974


16 a 31 de Outubro

A F.N.L.A, único dos movimentos emancipalistas armados angolanos que mantinha uma actividade militar efectiva, ordenou a todos os combatentes o cessar-fogo.
Agostinho Neto:
O povo angolano já conquistou através de 13 anos de luta heroica o direito à sua independência.

OS TRABALHADORES do Jornal do Comércio, empresa do Grupo Borges & Irmão, terminaram a greve, iniciada há 33 dias, quando a administração recusou negociar o caderno reivindicativo então apresentado e no qual se exigia o saneamento do director do jornal, Carlos Machado.
Entretanto, em consequência da intentona de 28 de setembro, as autoridades militares passaram um mandato de captura contra Carlos Machado, o que levou a administração a reconsiderar a sua posição.

O PRESIDENTE Costa Gomes discursa perante a Assembleia Geral da ONU no dia 17:
Não mais admitiremos trocar a liberdade de consciência colectiva por sonhos grandiosos de imperialismo estéril.

PROJECTO DE Lei Eleitoral:
- Direito de voto aos 18 anos e para emigrantes.
- Não podem ser eleitores os indivíduos comprometidos em organizações antidemocráticas.

- Obrigatório e oficioso o recenseamento.


COM A PRESENÇA do Ministro da Justiça, Salgado Zenha, de representantes dos partidos políticos, de muito povo, a Ponte Salazar passou a chamar-se Ponte 25 de Abril.

SEIS MESES volvidos sobre o 25 de Abril.
O Diário de Notícias perguntou a uma série de personalidades:
Que pensa destes seis meses decorridos desde o 25 de Abril?
Respigaram-se estes:
Ilse Losa:
Duma maneira geral, no País e no estrangeiro tinha-se o povo português como pachorrento, passivo e desalentado. Durante quase meio século dominado por um grupelho poderoso que não se dignava dar-lhe a mínima satisfação sobre as medidas tomadas e o dinheiro gasto, parecia, de facto, alheio o seu próprio destino. Eis que em 25 de Abril, a mais humana revolução desde sempre, fez estalar a casca da indiferença e de aparente adormecimento, e surge-nos um povo decidido a provar que se conservou vivo apesar de tudo e de todos.
José Augusto França:
É claro que há gente que não tinha e ainda não tem vergonha – e muito há fazer em todas as frentes, da cultura à economia, para evitar enganos de governo, mal-entendidos de partidos, e, numa história que corre veloz, perdas de tempo. Após estes seis meses, há que ganhar sem descanso outros meses e outras batalhas que hão-de vir. A revolução de 25 de Abril é um facto da civilização e, portanto, um facto moral.
José Cardoso Pires:
Nestes seis meses vivemos mais do que em vinte anos.
Luzia Maria Martins:
Quantos anos serão necessários para que surja essa nova sociedade ansiada pela maioria? Não me atrevo a fazer previsões neste campo. Creio que já é importante que estejamos a caminhar para ela. E  estes seis meses têm sido uma experiência notável, e, na sua generosidade, muito positiva.
Paulo Quintela:

O meu ofício é estudar poetas e transmitir-lhes a mensagem. Ora, os poetas, em momentos altos, são também profetas. Um deles, e dos maiores e mais castigados pelas desgraças do nosso século, Bertolt Brecht, deixou-nos estes versos que agora entrego à vossa meditação, como «vademecum» de todo o homem que quer ser livre e quer ajudar a construir um mundo de justiça e de razão:

De que Serve a Bondade

I

De que serve a bondade
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos
Aqueles para quem foram bondosos?

De que serve a liberdade
Quando os livres têm que viver entre os não-livres?

De que serve a razão
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?

II

Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor;
A faça supérflua!

Em vez de serdes só livres, esforçai-vos
Por criar uma situação que a todos liberte
E também o amor da liberdade
Faça supérfluo!

Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos
Um mau negócio! 


Fontes: Recortes de acervo pessoal, Portugal Hoje, edição da Secretaria de Estado da Informação e Turismo.

sábado, 7 de dezembro de 2013

NELSON MANDELA (1918-2013)


Há meses gravemente doente, Nelson Mandela morreu aos 95 anos.
A força de um homem que viveu e lutou pela liberdade do seu povo, pela liberdade de todos povos.
O que dizer de alguém que mudou  a vida de tanta gente?
Podemos pedir ajuda a  Bertold Brecht:

Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

DEIXAR O EGO NO BENGALEIRO...


Penso que aprendi, desde muito pequeno e muito pobre, a refrear o orgulho e a dominá-lo, como um luxo a que só se podem dar os bem-nascidos, ou os protegidos posteriores da roda da fortuna. O ego inflamado não é sinal de inteligência. E é, de resto, uma das dificuldades com que nos defrontamos no teatro. Brecht dizia aos actores que, ao entrarem na sala de ensaios, deviam deixar os egos pendurados, com os chapéus e os abafos, no bengaleiro.

Joaquim Benite

sábado, 29 de setembro de 2012

SÓ OS DO COSTUME É QUE FICARAM EM CASA!





Quando aumenta a repressão, muitos desanimam.
Mas a coragem dele aumenta.
Organiza sua luta pelo salário, pelo pão
e pela conquista do poder.
Interroga o capital:
De onde vens?
Pergunta a cada ideia:
Serves a quem?
Ali onde todos calam, ele fala
E onde reina a opressão e se acusa o destino,
ele cita os nomes.
À mesa onde ele se senta
 senta-se também a insatisfação.
A comida sabe mal e a sala  torna-se estreita.
Aonde o perseguem chega a revolta
e de onde o expulsam persiste a agitação.

Bertold Brecht

sábado, 11 de fevereiro de 2012

POSTAIS SEM SELO


Os maus têm medo das tuas garras
Os bons alegram-se com a tua graça
Coisas destas
Gostava eu de ouvir
Dos meus versos.

Bertolt Brecht, Poemas e Canções, tradução de Paulo Quintela, Livraria Almedina, Coimbra 1975

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

JANELA DO DIA


Todo o manifestante que, em qualquer parte do mundo, se manifestou, e terá que continuar a manifestar-se, pela defesa dos Direitos do Homem, foi considerado, pela revista Time, a personalidade do ano.

Feliz escolha.

Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.
Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde. (1)

(1)       Texto do pastor protestante Martin Niemoller, também atribuído a Bertold Brecht.