Mostrar mensagens com a etiqueta Bertolt Brecht Livros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bertolt Brecht Livros. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

OLHAR AS CAPAS


Teatro I
Ti Coragem e os Seus Dois Filhos
A Boa Alma de Sé-Chuão

Bertolt Brecht
Tradução: Ilse Losa
Poemas de Ti Coragem e os Seus Dois Filhos traduzidos por Jorge de Sena
Poemas de A Boa Alma de Sé-Chuão traduzidos por Alexandre O’Neill
Capa e desenho: Tóssan
Portugália Editora, Lisboa, 1961

A Canção do Fumo

O avô:

Em tempos, ainda não tinha eu estes cabelos brancos,
Julgava poder viver perfeitamente
Só da minha esperteza, como tantos…
Mas hoje sei: não há esperteza que sobre
Para encher o estômago dum pobre.
Portanto digo: deixa-te disso,
Olha o fumo cinzento que vai para além
De regiões frias, cada vez mais frias.
Assim vais tu também…

O homem:

Vi espancar os bons, vi espancar os justos,
E resolvi então seguir o meu caminho,
Mas por esse caminho, nós, os brutos,
Ainda mais brutos vamos ser.
Agora já não sei o que fazer.
Portanto digo: deixa-te disso,
Olha o fumo cinzento que vai para além
De regiões frias, cada vez mais frias.
Assim vais tu também…

A sobrinha:

Oiço dizer que os velhos já não esperam
Pois o tempo – e o tempo é tudo! – já lhes falta,
Que aos jovens como eu – foi o que me disseram –
A porta se oferece escancarada,
Mas disseram-me ainda: aberta sobre o nada.
E então digo também: deixa-te disso,
Olha o fumo cinzento que vai para além
De regiões frias, cada vez mais frias.

Assim vais tu também…

terça-feira, 4 de agosto de 2015

OLHAR AS CAPAS


Poemas e Canções

Bertolt Brecht
Selecção e versão portuguesa de Paulo Quintela
Livraria Almedina, Coimbra 1975

Prazeres

O primeiro olhar da janela de manhã
O velho livro de novo encontrado
Rostos animados
Neve, o mudar das estações
O jornal
O cão
A dialéctica
Tomar duche, nadar
Velha música
Sapatos cómodos
Compreender
Música nova
Escrever, plantar
 

Viajar, cantar
Ser amável.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

OLHAR AS CAPAS



Poemas

Bertold Brecht
Selecção, estudos e notas de Arnaldo Saraiva
Colecção Forma nº 6
Editorial Presença, Lisboa s/d

Sente-se.
Está sentado?
Encoste-se tranquilamente na cadeira.
Deve sentir-se bem instalado e descontraído.
Pode fumar. É importante que me escute com muita atenção.
Ouve-me bem? Tenho algo a dizer-lhe que vai interessá-lo.

Você é um idiota.
Está realmente a escutar-me?
Não há pois dúvida alguma de que me ouve com clareza e distinção?
Então
Repito: você é um idiota.
Um idiota.
I como Isabel; D como Dinis; outro I como Irene; O como Orlando; T como Teodoro; A
                               como Ana.
Idiota.

Por favor não me interrompa.
Não deve interromper-me.
Você é um idiota.
Não diga nada. Não venha com evasivas.
Você é um idiota.
Ponto final.
Aliás não sou o único a dizê-lo.
A senhora sua mãe já o diz há muito tempo.
Você é um idiota.
Pergunte pois aos seus parentes.
Se você não é um I.
Claro, a você não lho dirão,
Porque você se tornaria vingativo como todos os idiotas.
Mas
Os que o rodeiam já há muitos dias e anos sabem que você é um idiota.

É típico que você o negue.
Isso mesmo: é típico que o I negue que o é.
Oh, como se torna difícil convencer um idiota de que é um I.
É francamente fatigante.

Como vê, preciso de dizer mais uma vez
Que você é um I.
E no entanto não é desinteressante para você saber o que você é
E no entanto é uma desvantagem para você não saber o que toda a gente sabe.
Ah sim, acha você que tem exactamente as mesmas ideias do seu parceiro.

Mas também ele é um idiota.
Faça favor, não se console a dizer
Que há outros I.
Você é um I.
De resto isso não é grave.
É assim que você consegue chegar aos 80 anos.
Em matéria de negócios é mesmo uma vantagem.
E então na política!
Não há dinheiro que o pague.
Na qualidade de I você não precisa de se preocupar com mais nada.
E você é I.
(Formidável, não acha?)

Você ainda não está ao corrente?
Quem há-de então dizer-lho?
O próprio Brecht acha que você é um I.
Por favor, Brecht, você que é um perito na matéria, dê a sua opinião.
Este homem é um I.
Nada mais.

Não basta tocar o disco uma só vez.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

OLHAR AS CAPAS


Os Negócios do Senhor Júlio César

Bertolt Brecht
Tradução: António Ramos Rosa
Publicações Europa-América, Lisboa Setembro de 1962

A fuga de capitais torna cada vez maior amplitude.
A taxa do dinheiro subiu de 6 para 10 por cento. Então sempre é verdade que temem Catilina na City! Pompónio Celer (Curtumes) exprimiu, na verdade, uma curiosa opinião: «Talvez a City provoque a saída dos capitais, para que haja medo de Catilina.»
Discutimos uma hora este ponto de vista.