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segunda-feira, 6 de março de 2017

POSTAIS SEM SELO


O tempo que gostas de perder não é tempo perdido.

Bertrand Russell

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

OLHAR AS CAPAS


A Conquista da Felicidade

Bertrand Russell
Tradução: José António Malheiro
Guimarães Editores, Lisboa, Janeiro de 1957

Todos os grandes livros contêm passagens aborrecidas e em todas as grandes vidas houve períodos pouco interessantes. Imaginai um moderno editor americano a quem lhe levassem o Velho Testamento como um manuscrito novo para ser publicado pela primeira vez. Não é difícil adivinhar quais seriam os seus comentários a respeito, por exemplo, das genealogias: «Meu caro senhor, diria, a este capítulo falta animação; não pode esperar que os leitores se interessem por uma simples lista de nomes próprios de pessoas sobre as quais lhes diz tão pouco. Reconheço que começou a sua história num belo estilo e no princípio eu estava muito favoravelmente impressionado, mas verifiquei que tem um desejo excessivo de dizer tudo. Escolha as passagens mais claras e importantes, elimine as supérfluas e volte a trazer-me o manuscrito quando tiver reduzido a uma extensão razoável.» Assim falaria um editor moderno que conhecesse o medo que os leitores têm de se aborrecer. Diria o mesmo a respeito das obras clássicas de Confúcio, do Alcorão, do Capital de Marx e de todos os outros livros consagrados que provaram ser best-sellers. E isto não se aplica somente a esses livros. Todos os melhores romances têm passagens aborrecidas. Um romance brilhante da primeira até à última página é quase certo que não será um bom livro. 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

OLHAR AS CAPAS


Ensaios Impopulares
Bertrand Russell
Tradução: Brenno Silveira
Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1956

O Homem é um animal racional – pelo menos foi isso que me disseram. Durante uma longa vida, tenho procurado, diligentemente, uma evidência a favor de tal afirmação mas, até agora, não tive a sorte de deparar com ela, conquanto a haja procurado em muitos países que se estendem sobre três continentes. Tenho visto, ao contrário, o mundo mergulhar incessantemente, cada vez mais, no desatino. Tenho visto grandes nações, que antes eram líderes da civilização, serem levadas à perdição por pregadores de tolices bombásticas. Vi a crueldade, a perseguição e a superstição aumentar em grandes saltos, até chegar ao ponto em que o louvor à racionalidade serve apenas para fazer com que um homem seja apontado como uma criatura de ideias confusas, que lamentavelmente, sobreviveu a uma época já passada. Tudo isso é deprimente, mas a tristeza é uma emoção inútil. A fim de livrar-me dela, fui levado a estudar o passado com mais atenção do que antes lhe havia concedido, tendo descoberto, como Erasmo descobriu, que a loucura é perene, mas que, não obstante, a raça humana sobreviveu.


Nota do editor:
Durante o mês de Abril, irei apresentando uma série de livros que me acompanharam durante os tempos da ditadura.
Livros que, por isto ou por aquilo, ajudaram a formar uma consciência cultural e política.
A sua aparição não obedece a algum critério, e, naturalmente, muitos livros e autores irão ficar de fora.