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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

IDÍLIO EM BICICLETA




Reprodução das páginas do suplemento do Diário de Notícias em que é recordada a viagem de 33 000 quilómetros em bicicleta que o Idílio fez desde o Canadá até à Argentina.
Eu ainda acredito que o Idílio escreverá o livro sobre esta extraordinária aventura pan-americana.

domingo, 4 de agosto de 2019

UM PORTUGUÊS NA PAN-AMERICANA


Chama-se Idilio Freire e é um amigo da casa.

Na noite em que nos disse, no meio de umas fabulosas migas de bacalhau por ele confeccionadas, que ia fazer a “Pan-Americana", senti um arrepio espinha abaixo.

Pediu uma licença sabática, comprou uma “bicla” e ala que se faz tarde, pernas para que vos quero.

Tendo lido com gosto e emoção, entre outros, os livros de Emilio Salgari , reconheço que dessas enternecedoras leituras não saltou uma fagulha do chamamento daquilo a que chamam o espírito da aventura, sair porta fora, saco às costas,  em busca de...

Detesto deslocar-me. Ir a Cacilhas já me causa calafrios.

A respiração começa aos solavancos, quando se fica a saber como se percorre a estrada Pan-Americana do Alaska à Patagónia argentina, algo que lembra histórias de outro mundo.
In brief, como se diz pelos sítios em que o Idílio anda, cito do“Expresso”:


“É todo um mundo, um projecto – ou um estado de “delirum tremens”. Fazer a estrada Pan-Ameicana do Alaska à Patagónia argentina, unindo extremo a extremo do continente descoberto por Colombo, é somar 48.000 kim de estrada, através de 13 países, paisagens e climas totalmente diferentes. Da Icefields Parkway Road, no Canadá, que atravessa as Rocky Mountains ao longo de 300 kms, ao Big Sur dois EUA, na costa entre Monterey e Cambria, entre o mar e as falésias, com vistas estonteantes. Do Parque de Yellowstone às ruínas místicas da civilização maia, em Tikal, na selva tropical da Guatemala, ou em Palenque, na vasta travessia que é o México. Da América Central para a do Sul, entrando pela selva amazónica do Equador, pode cruzar o Pantanal brasileiro e descobrir inúmeras espécies animais (cuidado com os encontros imediatos com jacarés…) e encadear com a Transpantaneira boliviana (o nome diz tudo, não?), 400 km de caminho em Parque Natural. Das missões de jesuítas e do altiplano da Bolívia, a viagem prossegue pela cordilheira andina do Chile, com o regresso do alactrão para percorrer os 430 kms que separam o Deserto do Atacama de Purmamarca, na vizinha argentina. A epopeia termina na Patagónia de Chatwin, e na cidade mais austral do mundo, Ushuaia. Tenha em conta que alguns troços ficam intransitáveis na altura da estação das chuvas. Mais do que uma estrada, a Pan-Americana é uma verdaeira epopeia, de duração imprevisível.”

O Idílio começou a sua aventura em Inuvik no dia 23 de Julho, e pensa terminá-la em Setembro do ano que vem.

Tanta água que irá passar por baixo das pontes...

São 35.000 kms, uma média de 100 kms por dia, enfrentando neve, chuva e frio.

O equipamento pesa 55 kgs, e perguntamos: como é possível?

Não é impunemente que se nasce a meio da década de 60.

Heroísmo, dizem os montanheses do Cáucaso, é aguentar um minuto mais.

O Idilio não pretende provar nada a ninguém. Apenas quer saber o que está para além do arco-íris.

Entretanto já foi tema de reportagem no “El País”.

Nasceu em Setembro de 1966 e, tal como desenhou no seu perfil,  já foi pastor, cozinheiro, agricultor, calceteiro, aprendiz de pedreiro, pintor, estudante, economista, estaticista, desportista. Curioso e viajeiro, aventureiro também. Acontece que a jornalista espanhola, deliciosamente, transformou o Idílio de pastor para sacerdote.

Uma aventura destas, “a aventura do fim do mundo e eu ouço os teus segredos mais ousados e aceito os teus desmandos e regras sem protestos”, tem  necessariamente de dar um livro e, enquanto não o temos nas mãos, podemos deliciar-nos com o relato dos dias que voam de Idílio Freire pela Pan-Americana, no seu “blog”  e ao qual deu um nome bem patusco: “Bacalhau de Bicicleta Com Todos”.

“Este blog não é de receitas (nem despesas). Pelo menos não culinárias... Pretende ser uma janela por onde espreito os meus amigos, de onde lhes acenarei e por onde vos deixarei entrar nos meus dias.”

São deliciosos os textos do Idílio, “o relato despretensioso de um biciclista que passa o tempo a pedalar, não a escrever, não a filosofar, não sociologisar, não a antropologisar.”  e maravilhosas as fotografias que nos mostra. A tal ponto que irei aproveitar algumas, e por aqui as irei apresentando, como “Idílio em Bicicleta”. Umas vezes com textos do Idílio, outras com o que calhar.

No sábado, o Idílio estava aproximar-se de S. Francisco e deixei-lhe um comentário no blog para não esquecer, tal como manda o evangelho segundo São Scott McKenzie, as flores para o cabelo.

(Texto publicado neste blogue no dia 24 de Setembro de 2010)

O TEMPO CAVALGA, CAVALGA, CAVALGA...


Rita Hayworth morreu a 14 de Maio de 1987.

Mas João Bénard da Costa diz que ela morreu num dia, num mês, do ano de 1948 quando Orson Wells mandou cortor-lhe os longos cabelos acobreados para que ela assim entrasse em A Dama de Xangai.

O Diário de Notícias, publica-se uma vez por semana em formato papel, encontra-se on line, mas para mim morreu no dia em, diariamente, deixei de o olhar nas bancas dos jornais.

Tudo isto para vos dizer que me chegou às mãos um suplemento do Diário de Notícias semanal em que é feita a evocação da louca viagem, iniciada a 24 de Julho de 2010, do Idílio Freire desde o norte da América até à América do Sul.

Não dei pelo tempo passar e fiquei assim meio aparvalhado coisa que me acontece regularmente desde que passei os setenta anos.

O Cais do Olhar acompanhou essa viagem e, à sua tosca maneira, foi deixando por aqui textos e textinhos sobre essa extraordinária aventura.

Tudo pode ser revisto na etiqueta «Idílio Freire» deste blogue.

Divirtam-se e maravilhem-se.

Legenda. capa do suplemento do Diário de Notícias de 20 de Julho de 2019

quinta-feira, 4 de abril de 2019

NUMA CANSADA BICICLETA PASTELEIRA


Vai agora, pelos campos, para os lados de Vila de Frades, um apicultor, numa cansada bicicleta pasteleira. Traz no exposto porta-bagagens um bidão de plástico amarelo, cheio de mel, que muito desequilibra aquele andar. Pois ainda que vagando sozinho, também faz conversa. Fala com os seus botões. Nem os solitários escapam ao afã elocutório, porque a abotoadura, desde que foi inventada, tem o condão mágico e tradicional de nutrir o paleio. E vem o apicultor a dizer baixinho, mas com convicção: «ora bem, estes vinte litros de mel distribuídos por cento e cinquenta frascos que já lá tenho lavados e que não custaram nada porque foram recolhidos nos vidrões dos supermercados, o trabalhão que isso deu, descontando dez euros para etiquetas e colas e paninhos para tampas, dá, deixa ver Eleutério (chama-se Eleutério), deixa ver… A oito euros o frasco, a bela maquia de mil cento e noventa euros. Com metade, compro sementes de quivi, que é o que está a dar, e o resto divido em duas partes, uma para comprar uma prenda para a Irina porque as namoradas em pousio desertam, a outra para comprar um jogo de matraquilhos em terceira mão que instalo na tasca do meu cunhado, rendimentos a meias». E lá segue o homem, a pedalar e a falar, por um dos trilhos deste Portugal, muito a sul. Nisto, espalha-se nos ares a melodia de Smetana, O Rio Moldávia, em notas fininhas, como vibração de fios de arame invisível, o homem remexe nos bolsos, tira um objecto brilhante, brada «tá?» e a bicicleta andando, andando, enquanto o homem comunica, uma das mãos no guiador a outra no Nokia.
Telefones móveis! Soturna apoquentação! Um país tagarela tem, de um momento para o outro, dez milhões de íncolas a querer saber onde é que os outros param, e a transmitir pensamentos à distância.
Afortunados ventos que batem todas as altitudes e pontos cardeais e levam as mais das palavras, às vezes frases inteiras, parágrafos, grosas delas, para as afogar no mar, embeber nos lameiros de Espanha, gelar nos confins da Sibéria, perder nas imensidades do éter. É um favor de Deus único e verdadeiro. O país pereceria num sufoco, aflito de rouquidões, atafulhado de vocábulos, envenenado de sandices, se a Providência caridosa lhos não disseminasse por desatinadas paragens.


Legenda: ilustração de Mihai Christie

terça-feira, 20 de outubro de 2015

POSTAIS SEM SELO



Aprendi a conhecer os camaradas que andavam na luta política pela maneira como andavam de bicicleta.

Lucinda Cochicho, militante comunista.

Legenda: desenho de Rogério Ribeiro

domingo, 5 de julho de 2015

OS OUTROS PEDAIS DA BICICLETA


Ninguém toma a sério a bicicleta como eventual substituto do automóvel na crise de energia que atravessamos, que nos atravessa. A bicicleta é resignação, fleuma, ginástica, infância revisitada, revivida (mais como sonho do que como prática), humor, euforia dominical de carolas que vão «pescar» a sua caldeirada a vinte ou trinta quilómetros da cidade. A bicicleta poderá ser a pedalada contestação dos amigos da Natureza. Para nós, os escravos do volante, ela não passa de mais uma ideia que nos faz sorrir. Nada substituirá, no nosso apreço, o automóvel. Nem no trabalho, nem no lazer. Por enquanto...
Mas a bicicleta tem outros pedais que não podemos ver.
Movido pela necessidade, esse «tubular engonço», como em jeito barroco uma vez lhe chamei, desenrola quilómetros bem menos alegres do que as tiradas que nele sonhamos fazer.
A bicicleta pode ser o mundo às costas: serra de carpinteiro, caixa de ferramentas, cesto de padeiro. A bicicleta pode ser a cruz às costas. Para um renovado olhar sobre a bicicleta, aqui transcrevo, sem mais oitos, o «Apelo Angustiante» que há anos, por ocasião das grandes cheias na região de Lisboa, apareceu nos jornais: 

O meu marido saiu de casa no dia 25 de Novembro para procurar trabalho no Carregado ou no Barreiro, levava: uma bicicleta a pedais, caixa de ferramenta de pedreiro, vestia calças azuis de zuarte, camisa verde, blusão cinzento, tipo militar, e calçava botas de borracha e tinha chapéu cinzento e levava na bicicleta um saco com uma manta e uma pele de ovelha, um fogão a petróleo e uma panela de esmalte azul. Como houve as inundações e não tive mais notícias, já estou alarmada e já espero o pior. Estou aflita, eu e os meus dois filhos.

Alexandre O’ Neill em Já Cá Não Está Quem Falou

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

sábado, 2 de maio de 2015

OLHAR AS CAPAS


Poesia Toda
2º Volume

Herberto Helder
Capa: Alda Rosa
Plátano Edotora, Lisboa, Setembro de 1973

BICICLETA

Lá vai a bicicleta do poeta em direcção
ao símbolo, por um dia de verão
exemplar. De pulmões às costas e bico
no ar, o poeta pernalta dá à pata
nos pedais. Uma grande memória, os sinais
dos dias sobrenaturais e a história
secreta da bicicleta. O símbolo é simples.
Os êmbolos do coração ao ritmo dos pedais –
lá vai o poeta em direcção aos seus
sinais. Dá à pata
como os outros animais.


O sol é branco, as flores legítimas, o amor
confuso. A vida é para sempre tenebrosa.
Entre as rimas e o suor, aparece e des
aparece uma rosa. No dia de verão,
violenta, a fantasia esquece. Entre
o nascimento e a morte, o movimento da rosa floresce
sabiamente. E a bicicleta ultrapassa
o milagre. O poeta aperta o volante e derrapa
no instante da graça.


De pulmões às costas, a vida é para sempre
tenebrosa. A pata do poeta
mal ousa agora pedalar. No meio do ar
distrai-se a flor perdida. A vida é curta.
Puta de vida subdesenvolvida.
O bico do poeta corre os pontos cardeais.
O sol é branco, o campo plano, a morte
certa. Não há sombra de sinais.
E o poeta dá à pata como os outros animais.


Se a noite cai agora sobre a rosa passada,
e o dia de verão se recolhe
ao seu nada, e a única direcção é a própria noite
achada? De pulmões às costas, a vida
é tenebrosa. Morte é transfiguração,
pela imagem de uma rosa. E o poeta pernalta
de rosa interior dá à pata nos pedais
da confusão do amor.
Pela noite secreta dos caminhos iguais,
o poeta dá à pata como os outros animais.


Se o sul é para trás e o norte é para o lado,
é para sempre a morte.
Agarrado ao volante e pulmões às costas
como um pneu furado,
o poeta pedala o coração transfigurado.
Na memória mais antiga a direcção da morte
é a mesma do amor. E o poeta,
afinal mais mortal do que os outros animais,
dá à pata nos pedais para um verão interior.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

POSTAIS SEM SELO


Como con­se­guiu a liber­dade a bici­cleta aban­do­nada?

Pablo Neruda

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

POSTAIS SEM SELO


Almoçamos em casa, o restaurante hoje está fechado. A Regina pergunta-me se eu posso ir buscar o pão. Vou buscá-lo de bicicleta.

Vergílio Ferreira em Conta-Corrente, 4º volume

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da imagem.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

QUOTIDIANOS


Diário de Lisboa, 27 de Dezembro de 1995.

domingo, 21 de dezembro de 2014

POSTAIS SEM SELO


Sempre que vejo um adulto de bicicleta, volto a confiar no futuro da raça humana.


Henry Wells

Legenda: Susan Peters numa foto publicitária para o filme Random Harvest,

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

OLHAR AS CAPAS


Eles Vieram de Madrugada
Cartas para a Clandestinidade a Soeiro Pereira Gomes

Manuela Câncio Reis
Capa: José António Flores
Editorial Caminho, Lisboa, Julho de 1981

Eu não gostava das visitas do Alexandre. Não gostava que ele viesse falar contigo às ocultas, fechados ambos no teu escritório, depois de escondida a bicicleta no quintal. Adivinhava nesses misteriosos diálogos alguma coisa que cedo ou tarde te arrancaria a nossa casa. Mas gostava do Alexandre, da bondade que revelavam os seus olhos azuis, transparentes, e do modo compreensivo com que me falava quando o meu «burguesismo» estava em causa. Admirava o arrojo de vir assim, na sua bicicleta, em pleno meio-dia, bater-nos à porta, tão naturalmente como se a sua segurança, a sua vida não perigassem. E fazia-me pena o seu corpo magoado entalado no mesmo fato cinzento, curto e apertado, a palidez do seu rosto que a varíola um dia picou, a magoada ternura com que falava do filhito sempre doente. Dizias que ele passava fome e eu via que era verdade, no apetite com que partilhava o nosso almoço reforçado à pressa. Só que não gostava nada, também, que ele dissesse, trocando breve olhar contigo, que a vida na clandestinidade não era assim tão má como eu poderia julgar.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

POSTAIS SEM SELO


O seu charuto apagara-se. Lamentou não ter trazido a bicicleta e correu, sim. Correu pelas ruas, como um gaiato, de tal modo o desvairava a ideia daquele navio que, por falta de mazute, ia perder a maré e ver talvez gorar-se a sua viagem a Riga.

Georges Simenon em O HomemQue Via Passar os Comboios.

Legenda: imagem tirada do site da Latvian Shipping Company.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

OLHARES


Bicicletas em Viana do Castelo.

domingo, 10 de novembro de 2013

POSTAIS SEM SELO


Cunhal parecia um asceta bíblico, que devia alimentar-se então de reuniões e viagens de bicicleta.


Santiago Carrilho em Álvaro Cunhal - Retrato Pessoal e Íntimo de Adelino Cunha, Esfera dos Livros, Lisboa Novembro 2010.

Legenda: desenho de Rogério Ribeiro.

domingo, 22 de setembro de 2013

FRUTA DO TEMPO


Alguém prendeu a bicicleta para que não fosse roubada.
De pouco serviu: levaram-lhe as rodas.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

POSTAIS SEM SELO


quero-te de bicicleta
quero-te outra vez de bicicleta sobre as folhas
quero-te ouvir chegar de bicicleta
quero o som macio que fazia na mata a tua bicicleta

Fernando Assis Pacheco extracto do poema Últimos Desejos em Variações em Sousa, Hiena Editora, Lisboa Maio de 1987

Legenda: Brigitte Bardot.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

OLHARES

Lisboa.
Uma bicicleta no Martim Moniz.

terça-feira, 16 de julho de 2013

TODOS OS ANOS, EM JULHO...


Crónica de Ferreira Fernandes no Diário de Notícias de hoje:

Todos os anos, pelo Tour de France, tomo substâncias euforizantes. Injeto esteroides anabolizantes que me fazem ver arco-íris e formas surreais. Também lhes podem chamar aldeias francesas. Eu, sentadinho no sofá, vejo casas de camponeses que são casas de camponeses - em França, São João da Pesqueira não está geminada com a Damaia-de-Baixo. Se são tetos de colmo, são tetos de colmo, se são telhas, são telhas, cada região, hoje, como já era no primeiro Tour, em 1903. Fico narcotizado só de pensar que aquele país, desde aí, foi devastado por duas guerras mundiais... Todos os anos, em julho, deixo de ser um português sem vícios e tomo imagens de TV francesa em doses galopantes. As câmaras que cavalgam motos mostram-me muros de pedra comida por musgo e silvas, e não blocos de cimento a que se encostam colchões fartos de ser usados e à espera do carro do lixo da junta. As câmaras dos helicópteros abrem-se sobre pastagens pontuadas com medas de palha e não sobre merdas de biscateiros que fizeram uma garagem no meio das vinhas. O campo em França não é de suburbanos que emigraram sem sair da terra. Os camponeses do Midi e os pescadores bretões não fecharam as varandas para guardar as botijas de gás, alindam-nas com vasos de flores. Cuidam dos olhares de fora como nós, nas casas de frontaria medonha, reservamos os napperons para as visitas. Todos os anos, em julho, o meu controlo dá positivo e a droga chama-se civilização. Importada.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A ETERNA QUESTÃO


Começou ontem a Volta à França.

Trata-se da sua 100ª edição e nada melhor para comemorar o acontecimento que o norte-americano Lance Armstrong, despojado dos sete títulos conquistados na Volta à França, numa entrevista ao Le Monde, considerar impossível ganhar o Tour sem recorrer ao dopping.

Roger Vailland escreveu que não se ganha a Volta a França sozinho e Joaquim Agostinho, sem papas na língua disse um dia,  que não se sobe o Tourmalet  a comer bifes e a beber Água do Luso.

O antigo ciclista belga Eddy Merckx, que venceu a Volta a França por cinco vezes,  numa entrevista ao Parisien Dimanche, contestou as palavras de  Armstrong e garantiu que se pode ganhar o Tour sem recurso ao dopping.