Dulcíssima
cidade.
Branca?
Tanner diz que
sim.
Branco é o
silêncio, a solidão, o encantamento, a violência, o feitiço a nostalgia, a
amargura, o deslumbramento.
Tudo branco?
Tanner diz que sim.
Lisboa ao voo do
pássaro como diria o Mário-Henrique Leiria.
Um rio que se
atreve a ser mar.
Cheiros. Gentes.
Mãos que encontram outras mãos, mãos que ajudam, desajudam.
Paulo Nogueira,
ao tempo da estreia do filme, escreveu que a felicidade só está disponível para
quem sabe parar. Tanner pergunta todo o tempo se as cidades gostam dos homens.
Paul é um marinheiro
que trabalha na casa das máquinas de um navio que aporta a Lisboa.
De um poema de
Eugénio de Andrade:
Os navios existem
e existe o teu rosto encostado
ao rosto dos navios
Paul desembarca
e embrenha-se na cidade. Entra num bar e depara na parede com um relógio cujos
ponteiros rodam ao contrário. Nada, de facto, é tão permanente em relação a um
barco, como a próxima rota da sua viagem.
António Reis
deixou versos em que dizia que há sempre um rapaz triste com lágrimas nos olhos
frente a um barco.
Paul resolve
deixar partir o barco e ficar na cidade.
Talvez o primeiro dia do resto da sua
vida.
A Cidade Branca sofre um pouco da tristeza que é a nossa, ressalta a ternura que
ansiamos e procuramos indefinidamente.
Volto à
superfície, Stop; Rosa partiu não sei para onde, Stop; o único país de que
gosto verdadeiramente é o mar, Stop; amo-vos, Stop; beijo-te ternamente, Stop;
o corpo duma mulher é demasiado grande, Stop; a recordação e o esquecimento têm
a mesma origem, Stop; as mulheres são demasiado belas, stop; os comboios não
partem à tabela, Stop; não sei mais do que dantes, Stop., escreve Paul antes de deixar Lisboa, a cidade
branca.
Realização e
Argumento: Alain Tanner
Interpretação:
Bruno Ganz
(Paul)
Teresa Madruga
(Rosa)
Estreia em
Portugal: Quarteto, 21 de Abril de 1983

















Esta fotografia do “British-Bar” é de antes da remodelação que se verificou em
Um livro ternurento de que o Mário Castrim disse ser uma armadilha de encantamento de que poucos livros conhecem o segredo”, e o Júlio Conrado: “ao que o Eduardo Olímpio chama mini-crónicas chamo eu pérolas da literatura portuguesa. E assumo a inteira responsabilidade daquilo que escrevo., ou o Jorge Listopad: Lê-se, e o português canta. Através das coisas, das falas, do tempo. Sem falso lirismo, sem literatice. É possível que passasse por entre os “grandes” despercebido? Que não tivesse encontrado os leitores que merecia e merece?.