Mostrar mensagens com a etiqueta Cadernos do Meio Dia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cadernos do Meio Dia. Mostrar todas as mensagens

sábado, 29 de junho de 2019

RELACIONADOS


Estes são os colaboradores do nº 5, e último, dos Cadernos do Meio-Dia.
Falta-me o nº 4, porque quando comprei a colecção, na Livraria Divulgação do Porto, encontrava-se esgotado e, penso, nunca se fez uma reedição.

OLHAR AS CAPAS


Cadernos do Meio-Dia
Nº 5

Coordenação de António Ramos Rosa, Casimiro de Brito, Fernando Moreira
Ferreira, Hernâni de Lencastre
Capa: Baptista
Edição dos Coordenadores, Faro, Fevereiro de 1960

Ruínas

Um sopro passará sobre a cidade
e ela será relevo de destroços
sob os ossos sem cor desmedulados
das gerações que nunca nascerão

As raízes queimaram-se na terra
ruíram pelas ruas casas feridas
e os homens vão nascendo para a morte

Há na cidade um ritmo de ruínas
em todos nós um ritmo de ruínas

há partos glaciais dentro da morte

Poema de Gastão Cruz

terça-feira, 4 de junho de 2019

RELACIONADOS


Dos Cadernos do Meio-Dia saíram, entre Abril de 1958 e Fevereiro de 1960. cinco números. 
Numa ida ao Porto, talvez Abril de 1960, arranjei um tempinho, fora das tarefas que à cidade me levaram, e dei um salto à Livraria Divulgação, então na Rua de Ceuta nº 88.
Consegui encontrar 4 volumes dos Cadernos do Meio-Dia. Falta-me o nº 4 porque se esgotara.
Cada caderno custou 7$50.
Esta é a contra capa do nº 3 dos Cadernos onde se podem ler os nomes  dos colaboradores que, para este número, enviaram poesias, textos e críticas.
António Ramos Rosa faz crítica ao livro O Amor em Visita de Herberto Helder, publicado pelas Edições Contraponto do nosso muito conhecido Luiz Pacheco.
A crítica termina assim:
«Estamos em frente dum poeta autêntico que se pode situar entre os melhores da mais nova geração. Este livro, para o qual havíamos sugerido um título mais adequado, «Canto Nupcial», é, na verdade, um magnífico hino à Mulher e o poema processa-se com um ritual de amor. Com Herberto Helder, não tememos dizê-lo, surge uma nova dimensão poética, profundamente pagã e patética, uma violência genuína e não provocada, com fundas raízes no instinto, que só a sua maravilhosa música sabe flectir como esse «torso dobrado pela música».

OLHAR AS CAPAS


Cadernos do Meio-Dia
Nº 3

Coordenação de António Ramos Rosa, Casimiro de Brito, Fernando Moreira
 Ferreira, Hernâni de Lencastre
Edição dos Coordenadores, Faro, Outubro de 1958

Canção de Vistoriar

Vou aqui por este lado
a vistoriar o historiado.

Vou por aqui e vou bem.
Já o dizia a tua mãe.

Pobre morta, é verdade.
Mas é assim a eternidade.

Vou depressa antes que anoiteça
e o campo, de facto, desapareça.

E canto esta canção irregular
que é como canta quem anda a vistoriar.

Mário Cesariny de Vasconcelos

domingo, 7 de abril de 2019

SE A MINHA VIDA NÃO FOSSE UMA DIFICULDADE...


Carta, datada de 18 de Janeiro de 1959, de Jorge de Sena para António Ramos Rosa.

Sena informa que envia um poema para ser publicado nos Cadernos do Meio-Dia, publicação não periódica dirigida por António Ramos Rosa, Casimiro de Brito, Fernando Moreira Ferreira e Hernâni de Lencastre.

«Dos meus livros, só está esgotado Perseguição, embora os outros tenham levado mais ou menos sumiço, e eu não possua controlo da situação em que eles se encontram. Coroa da Terra foi editado por Lello & Irmão e ainda há alguns exemplares, que eu saiba. Juntamente lhe envio o exemplar da minha mulher para V. copiar dele o que quiser e mo devolver. Se a a minha vida não fosse uma dificuldade, teria o maior prazer em comprara um para lho oferecer
Quanto  à revista em que me fala, pela mesma razão não posso assiná-la. E colaborar regularmente também não posso prometer, esmagado como ando de encargos e compromissos.
Aqui lhe mando copiado o poema que me pede e é dos que não tiveram lugar em Fidelidade. Se possível gostaria de ver uma prova dele.
Abração com muita e grata estima o seu camarada

JORGE DE SENA

P.S. – O exemplar da Coroa, além do valor estimativo, é o único que possuo. Peço-lhe o maior cuidado no uso e na devolução dele.»

É este o poema publicado no nº 4 dos Cadernos do Meio-Dia, Fevereiro de 1959, poema incluído no Post-Scriptum de Poesia I (1961), com novo título:


 «Reconciliação».

DEPOIS DA ESPERANÇA, QUALQUER PAZ

Reconciliamo-nos sempre.
No fundo, e às vezes nem muito ao fundo,
a reconciliação nos espreita,
na mira da primeira fraqueza, da primeira humidade
de lágrima ou de sexo. Às vezes,
nem sequer disso: a poalha dispersa
que o sol define em branda agitação,
ou mesmo a própria luz num reflexo
(quanto mais breve e modesto melhor emociona)
lhe bastam.
Espreita-nos para que aceitemos, para que
pensemos noutra coisa ou nesse refúgio das pequenas coisas
que é, diz-se, não pensar em nada.
reconciliamo-nos pois. E amamos logo tudo,
ou, mais subtilmente, fingimos que do tudo
apenas uns sinais, algo de nobre
e muito humilde. Assim
como se a solidão se acompanhasse
de muitas outras reconciliações humanas, simultâneas,
paralelas, mas não connosco, de outrem.
Quase mais que a nossa própria nos espreita
a reconciliação, suposta apenas, de outros.

1958


Legenda: a capa de Coroa da Terra foi encontrada em gabrielagouveialivrosantigos.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

OLHAR AS CAPAS



Cadernos do Meio Dia
Nº 2

Coordenação de António Ramos Rosa, Casimiro de Brito, Fernando Moreira
 Ferreira, Hernâni de Lencastre
Edição dos Coordenadores, Faro, Julho de 1958


Nesse Tempo

Nesse tempo
eu faltava às aulas.

A música do jazz
vibrava no Café.

À noite,
o velho « High-Life»
era o tempo magnífico
onde Chaplin,
como o Deus da Sistina,
erguia o braço
condenando e perdoando…
(Desengonçado
o piano
acompanhava com notas de Beethoven
«O Peregrino», «A Quimera»…)

E numa tarde
em Paris
ajoelhei, em plena rua,
diante dum quadro de Pascin…

Nesse tempo
eu faltava às aulas.

Saúl Dias

sexta-feira, 6 de abril de 2018

OLHAR AS CAPAS


Cadernos do Meio-Dia
Nº 1

Coordenação de António Ramos Rosa, Casimiro de Brito, Fernando Moreira
 Ferreira, Hernâni de Lencastre
Edição dos Coordenadores, Faro, Abril de 1958

Aqui escrevo sobre a pedra um nome
que ressoa por dentro como bronze,
aqui a alma incido, na espessura
da pedra, que limpo com o meu bafo.

Aqui espremo o sangue, todo o sangue
e o amor e todo o amor inscrevo
nesta pedra hirta e opaca e só,
aqui esmago a minha fronte, esmago

a haste, a flor, por aqui só
quero a passagem para o reino oculto,
o inteiro resplendor, a água virgem,

o amoroso sono sobre o tempo,
a morte intacta e serena
coincidindo com a luz e o dia.

(Poema de José Terra)