Mostrar mensagens com a etiqueta Canções de Entardeceres. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Canções de Entardeceres. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

CANÇÕES DE ENTARDECERES


O pôr-do-sol em qualquer época do ano, o pôr do sol em qualquer canto do mundo.

É esse Sol poente que tomamos por uma aurora ou o que sobra da luz quando as tardes terminam tal como se lê na Nossa Senhora de Paris de Victor Hugo ou neste lindíssimo poema de Ruy Belo:

O pôr-do-sol em espinho não é o pôr-do-sol
nem mesmo o pôr-do-sol é bem o pôr-do-sol
É não morrermos mais é irmos de mãos dadas
com alguém ou com nós mesmos anos antes
é lermos leibniz conviver com os medici
onze quilómetros ao sul de florença
sobre restos de inquietação visível em bilhetes de eléctrico
Há quanto tempo se põe o sol em espinho?
Terão visto este sol os liberais no mar
ou antero de junto da ermida?
O sol que aqui se põe onde nasce? A quem
passamos este sol? Quem se levanta onde nos deitamos?
O pôr-do-sol em espinho é termos sido felizes
é sentir como nosso o braço esquerdo
Ou melhor: é não haver mais nada mais ninguém
mulheres recortadas nas vidraças
oliveiras à chuva homens a trabalhar
coisas todas as coisas deixadas a si mesmas
Não mais restos de vozes solidão dos vidros
não mais os homens coisas que pensam coisas sozinhas
não mais o pôr-do-sol apenas pôr-do-sol 

A canção escolhida é Sunset de Kate Bush.




domingo, 29 de outubro de 2017

CANÇÕES DE ENTARDECERES


A hora mudou esta madrugada.
Este é o primeiro pôr-de-sol dos novos dias, em que o Verão entrou pelo Outono dentro e parece não querer sair.
Uma citação de Horace McCoy, tirada do seu livro Os Cavalos Também se Abatem – um pôr-do-sol é mais importante que o peixe.
«A cor do Sol havia-se derramado em algumas nuvens delgadas, avermelhando-as. Lá longe, onde o Sol desaparecia, o oceano estava calmo, não parecendo de maneira nenhuma um oceano. Estava maravilhoso, maravilhoso, maravilhoso, maravilhoso, maravilhoso, maravilhoso. Algumas pessoas pescavam no cais, não prestando a mínima atenção ao pôr do Sol. Eram loucos. «Vocês precisam mais do pôr do Sol do que de peixe» disse-lhes em pensamento.»

Quanto a canções, bom, escolheu-se «Everybody Hurts» na grande versão dos R.E.M e uma interessante versão dos The Corrs.



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

CANÇÕES DE ENTARDECERES



O Sol hoje pôs-se às 19,32 horas e deu-se o último pôr-de-sol do Verão.
Já estamos no Outono.
Peguemos nas páginas de O Principezinho de Antoine Saimt-Exupéry:

 Ah, principezinho, assim fui conhecendo, aos poucos, a tua vida melancólica. Durante muito tempo, apenas a doçura dos poentes te serviria de distracção. Tomei conhecimento deste novo pormenor no quarto dia, de manhã, quando me disseste:
- Gosto muito do pôr-do-sol. Vamos ver um pôr-do-sol...
- Mas é preciso esperar...
- Esperar o quê?
- Esperar que o Sol se ponha.
A princípio ficaste muito surpreendido e depois, riste-te de ti próprio. E disseste-me:
- Julgo sempre que estou no meu sítio...
Com efeito. Quando é meio-dia nos Estados-Unidos, o Sol , toda a gente o sabe, põe-se em França. Bastava ira França num minuto para assistir ao pôr-do-sol. Infelizmente, a França fica muito longe. Mas no teu planeta tão  pequenino, bastava-te afastar a cadeira dois ou três passos e contemplavas o crepúsculos sempre que desejasses…
- Um dia vi o pôr-do-sol quarenta e quatro vezes!
E algum tempo depois, acrescentavas:
- Sabes... quando se está muito, muito triste, gosta-se do pôr-do-sol...
- Então no dia das quarenta e três vezes estavas assim tão triste?
Mas o principezinho não respondeu.

A canção escolhida recaiu em I Believe I’m gonna love you.
Há mais de uma versão desta canção, mas apenas uma vale a pena registar: a que se ouve na voz de Frank Sinatra.


domingo, 13 de agosto de 2017

CANÇÕES DE ENTARDECERES


São diferentes os entardeceres dos domingos?
Digo que sim.
O poeta António Reis, dizia que «é o único dia que não repetimos e que dura menos.»
É este enlanguescer da natureza, este vago sofrer do fim do dia. Cores fabulosas, um fulgor que não conseguimos definir, que andam pelo cor-de-rosa, violeta, cor-de-laranja, cor de fogo. Um deslumbramento.
Um canção incontornável dos Simon and Garfunkel: Bridge Over Troubled Water.
A versão original e mais duas interpretações de arrebatar: Aretha Franklin e Roberta Flack.




terça-feira, 25 de julho de 2017

CANÇÕES DE ENTARDECERES


O Sol hoje pôs-se às 20,52 horas.
A fotografia foi tirada às 21,35 horas.
O regresso aos entardeceres.
Mário-Henrique Leiria nos seus Contos do Gin-Tonic:
«… encostou-se no parapeito da janela aberta e ficou a olhar o entardecer discreto e melancólico.»
Também o regresso das canções.
A escolha foi cair em Nature Boy, e percorrendo as dezenas e dezenas de versões, a escolheu recaiu nas interpretações de Ella Fitzgerald, Full Flava and Hagel Fernandez e Ney Matogrosso.



sexta-feira, 23 de setembro de 2016

CANÇÕES DE ENTARDECERES


A chegada do Outono assinala o regresso às Canções de Entardeceres.
O crepúsculo deslizando lentamente, o barulho de uma rolha que salta de uma garrafa.
Nunca sabemos o mistério que nos pode trazer um pôr-do-sol.

You've got a Friend é a canção escolhida.
 As interpretações de Stacey Kent e, inevitavelmente, James Taylor.


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

CANÇÕES DE ENTARDECERES



Hoje, primeiro dia de Inverno, o dia mais pequeno do ano, esteve gélido, mesmo tempo de Natal.
Receei, dado o tempo nebuloso que fez, que não conseguisse fazer o primeiro pôr-do-sol do Inverno, agora que estamos quase a tocar o Natal.
O pôr-do-sol acontecia pelas 17,20 horas e eis que, no último suspiro do dia, o Sol rompeu as nuvens e apresentou-se.
Fica guardado.
A Aida tem andado a apresentar as suas Canções de Natal e seria repetitivo trazer mais.
Assim, escolhi Over the Rainbow que, não sendo uma Canção de Natal, quadra bem com a época.
Interpretações de Judy Garland de O Feiticeiro de Oz e a do muito estimado Tony Bennett.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

CANÇÕES DE ENTARDECERES


Entardecer outonal, momento levemente melancólico e propício a divagações.
O calendário mostra-nos que vivemos o Outono.
Mas tradição ou não, temos assistido a um verdadeiro Verão de São Martinho.
Houve que voltar a ir buscar roupas mais leves, que já estavavam guardadas à espera dos dias quentes.
A última vez que por aqui estivemos, foi precisamente no começo do Outono.
Smile, é a canção escolhida para este suave entardecer.
As versões de Chris Botti e de Jimmy Scott.


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

CANÇÕES DE ENTARDECERES


Primeiro entardecer do Outono.
Uma cor laranja, derramando uma luz amigável, muito serena.
A visibilidade dos afectos.
Albert Camus que nos diz que o Outono é outra Primavera, cada folha uma flor.
Chega-se a este ponto e voltamos a reaprender o Outono.
Os pássaros voltarão em Março.
A canção escolhida para este entardecer é La Vie En Rose.
As interpretações de Diana Krall e Louis Armstrong.



sábado, 19 de setembro de 2015

CANÇÔES DE ENTARDECERES


Hoje, o sol pôs-se às 19,40 Horas.
Não se sabe nunca que mistérios nos pode trazer um por de sol.
O pintor que foi a Marvão para pintar.
Num lento entardecer, entrevê a beleza única, as comportas abertas para o sonho e a vida.
Não hesitou: compra uma casa e arruma os pincéis e não mais lhes toca.
Os romanos diziam que em Marvão se estava acima do voo dos milhafres.
Ou como José Saramago escreveu na sua Viagem a Portugal:
«Compreende-se que, neste lugar do alto da torre de menagem do castelo, o viajante murmure respeitosamente:
«Que grande é o mundo».

Para este findar de tarde escolhemos a A Kiss To Build a Dream.
Interpretações de Sheila Cooper e Louis Armstrong.




sexta-feira, 4 de setembro de 2015

CANÇÕES DE ENTARDECERES


Fósforo apagado não volta a acender-se.
Não é isso que se passa com o Sol.
Amanhã acordará às 07,07 horas e hoje pôs-se às 20,03 horas.
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos de todos os filósofos e de todos os poetas, tal como disse o Sr. Fernando Pessoa disfarçado de Alberto Caeiro.
Entretanto olhamos a matéria indefinível dos sonhos.


A canção escolhida para o entardecer de hoje é When You Say Nothing at All que aparece na banda sonora desse amável filme que é Notting Hill, em que Julia Roberts consegue pôr o canastrão do Hugh Grant a representar qualquer coisinha de jeito.

No filme a canção é interpretada por Ronan Keating, mas uma outra versão, a de Alison Kraus, é a cereja no topo do bolo. 



terça-feira, 1 de setembro de 2015

CANÇÕES DE ENTARDECERES



O sol hojepôs-se às 20,08 horas.
Estão complicados os por-de-sol deste quase findar de Verão.
Agosto foi um mês imprestável e Setembro segue-lhe os passos.
Mas também existem entardeceres com nuvens.
E há inda um risco branco que é tão só um avião a cruzar o céu.

A música escolhida é Broken Bicycles da autoria de Tom Waits e que faz parte da banda sonora desse lindíssimo filme de Coppola Do Fundo do Coração.
Interpretações de Anne Sophie von Otter e Elvis Costello e, como não poderia deixar de ser, de Tom Waits. 



sexta-feira, 21 de agosto de 2015

CANÇÕES DE ENTARDECERES


Vergílio Ferreira no seu Conta-Corrente
Entardece devagar. Uma melancolia vaga pois lenta nas coisas, procura incerta a razão de ser triste. Todo o presente e futuro se esfumam em passado. A sagração do silêncio.
O sol hoje pôs-se às 20,35 horas.

A canção escolhida para hoje foi Nature Boy.
As vozes de George Benson, Nat King Cole e Ney Matogrosso numa espantosa interpretação.






terça-feira, 11 de agosto de 2015

CANÇÕES DE ENTARDECERES


E contudo, ela move-se.
Em redor do Sol.
Sol que, em cada dia, oferece espectáculos esplendorosos.
No amanhecer, no anoitecer.
Qual deles o mais deslumbrante.
Para saber das razões que tanta gente o prefere quando se despede de mais um dia.
Talvez pela solidão dos crepúsculos, como se lê em O Diabo Sobre as Colinas do Pavese.
Ou naquele Crepúsculo, poema de Gedeão:

Cai a tarde, dentro e fora.
E agora, ao caír da tarde,
frio, caminho, por fora,
face estranha à tarde que arde
na hora que cai agora.
Adeus, tarde. Vou-me embora
antes que seja mais tarde.
Não quero ser leão covarde:
quando tem dentes, devora,
quando os não tem, geme e chora,
anjo falso que se inflora
à hora em que cai a tarde.
Oh não quero! Vou-me embora
antes que seja mais tarde.
Para quê sentir agora
se agora é a hora da tarde?
Não há nada que nos guarde,
nem defenda nem resguarde
do que na hora é outrora.
Chora, chora, chora, chora.
Não chores mais. Vai-te embora
antes que seja mais tarde.


O sol, hoje, pôs-se às 20,36 horas, mas às 20,30 deixei de o ver, apenas o clarão, escondido que ficou escondeu-se por detrás de um dos mamarrachos que, estupidamente-verdadeiro-crime de lesa-pátria, deixaram construir nos terrenos do Técnico.
A escolha musical recaiu em Tennessee Waltz, interpretações de Simone Kopmajer e da incontornável Patti Page.



segunda-feira, 3 de agosto de 2015

CANÇÕES DE ENTARDECERES


A tarde inclina-se.
Os dias lentamente, muito lentamente, vão sendo mais curtos.
Não tardará que o nosso espanto se situe no ponto de verificarmos que o Verão está a chegar ao fim.
Já houve o primeiro de Agosto que os velhos dizem que é o primeiro de Inverno.
Algures em Mão Direita do Diabo, Dennis McShade, aproxima-se da janela para ficar a ver o espectáculo do dia a nascer, como uma criança que foi pela primeira vez ao circo.
O mesmo sentimento ao olhar o sol a desaparecer para lá do fio do horizonte,
O sol hoje pôs-se às 20,46 horas. 

A canção para o entardecer de hoje é Every Breath You Take.
Escolheram-se as interpretações de Karen Souza e dos The Police. 





terça-feira, 21 de julho de 2015

CANÇÕES DE ENTARDECERES



Em Os Pescadores, Raul Brandão confidencia que se fosse pintor passava toda a vida a pintar o pôr do Sol à beira-mar.

Um espectáculo extraordinário.

Fernando Pessoa, na pele de Alberto Caeiro, tem sobre os entardeceres uma visão feliz:

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...
 


O sol hoje pôs-se às 20,58 horas.

A canção escolhida para hoje é I Can See Clearly Now.

As versões são do Holly Cole Trio e de Jimmy Cliff




quinta-feira, 16 de julho de 2015

CANÇÕES DE ENTARDECERES


Estou na paisagem onde a linha do horizonte é sempre a fronteira da nostalgia
e a solução um penacho de fumo
o meu coração fumegando na linha do horizonte

Alexandre O' Neill em Poemas Com Endereço

O sol hoje pôs-se às 21,01 horas.
Comes Love é a canção deste findar de dia.
Interpretações  de Robin McKelle e Billie Holiday.




segunda-feira, 6 de julho de 2015

CANÇÕES DE ENTERDECERES


Ver o sol desaparecer.
Todos os dias.
Variam as horas.
Variam as cores, consoante as estações.
Laranjas afogueados, os rosas vermelhuscos, azuis, aquele lilás que fica sem podermos dar-lhe um nome.
Todos os dias.
O meu pai dizia que o pôr-do-sol é o único acontecimento natural realmente importante num dia.
Quando vinha jantar, chegava amiúde no tempo de o sol desaparecer para lá do horizonte que desta janela se atinge.
Hoje, o sol pôs-se às 21,05.
Minutos antes já deixara de o ver, mergulhando para lá da Serra de Sintra.
Mas lá estavam os laranjas afogueados, os rosas vermelhuscos, azuis, aquele lilás que fica sem podermos dar-lhe um nome.
Como se houvesse algo a procurar… ou mais um dia que passou.





A fazer-nos companhia no entardecer de hoje, fica  a canção Boulevard of Broken Dreams, trazida por Diana Krall e Nat King Cole.