Mostrar mensagens com a etiqueta Canções para o Meu Pai. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Canções para o Meu Pai. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

CANÇÕES PARA O MEU PAI


Em casa do meu pai havia um 78 rpm de Luiz Gonzaga a cantar «Asa Branca.»

Aliás, havia uma série de discos de música brasileira e lembro-me da Dircinha Baptista a cantar «O Sanfoneiro só tocava isso.»


Músicas que faziam o sucesso dos bailes de carnaval lá de casa.
Um dia, já lá vão para cima de 20 anos, encontrei naquela discoteca que havia no Apolo 70, um duplo LP com canções brasileiras e nele aparecia o Caetano Veloso a cantar Asa Branca.
O meu pai adorou a interpretação e, mais tarde, coloquei-a numa das cassettes que lhe fui gravando.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

CANÇÔES PARA O MEU PAI


O meu pai gostava das canções do Simon and Garfunkel.

Quando íamos ao cinema, tínhamos preferência pelo Apolo 70, pela projecção, o som, a comodidade da sala e dava para petiscar no «snack», e sempre com um salto à livraria e à discoteca.

Numa dessas idas, tinha acabado de sair um «Best do Art Garfunkel» e o meu pai não hesitou: comprou-o de imediato.

Acabou por se apaixonar por «Bright Eyes» que não conhecia.


Logicamente «Bright Eyes» teria de entrar numa das cassettes que lhe fui gravando.


Por «Bright Eyes», há uma passagem deliciosa no «Alta Fidelidade» de Nick Hornby:

 - Não és mesmo capaz de ver a diferença entre «Bright Eyes» e «Got To Get You Off My Mind»?
- Claro que sou. Uma é acerca de coelhos e a outra tem uma banda de metais a tocá-la.
- Qual banda de metais. É uma secção de instrumentos de sopro. Porra!
- Seja lá o que for. Eu percebo porque preferes o Solomon ao Art. Eu compreendo, a sério. E se me pedissem para dizer qualquer era o melhor dos dois escolhia o Solomon sem hesitar. É genuíno, e negro, e lendário, e essas coisas todas. Mas gosto de «Brighr Eyes». Acho que tem uma melodia bonita, e além disso, estou.me nas tintas. Há tantas outras coisas para nos preocuparmos. Bem sei que pareço a tua mãe a falar, mas isto são apenas discos de música pop, e quem é que se importa realmente que um seja melhor do que o outro, tirando tu e o Barry e o Dick? Para mim, é como discutir a diferença entre o McDonalds e o Burger King. Tenho a certeza que há-de haver uma diferença, mas quem é que vai ralar-se a descobrir qual é?

A canção do Solomon Burke não entrou em nenhuma cassette para o meu pai, fugia um tanto ou quanto aos seus padrões de gosto musical.

Mas é mesmo uma grande canção.

Fica aqui, por mera curiosidade.


sexta-feira, 30 de setembro de 2016

CANÇÕES PARA O MEU PAI


Naturalmente, nas cassettes que, a seu pedido, gravei para o meu pai, havia canções de Leonard Cohen.

No que a Cohen diz respeito, entendo que as suas canções só por ele podem ser interpretadas.

Há, no entanto, Jennifer Waves. uma jovem que, como suporte coral, se passeia pelos discos e concertos de Cohen.

O Mestre foi ao ponto de dizer que a versão de First We Take Manhattan, cantada por Jennifer Waves, é melhor que o original.

Mas sabemos como Cohen é com as mulheres.

Diz a lenda que se inscreveu no Partido Comunista do Canadá apenas porque estava interessado numa camarada.

Hallelujah é uma das canções de Leonard Cohen que já conheceu as mais pifias versões.
Esta versão, cantada por por Kurt Nilsen, Espen Lind, Askil Holm e Alejandro Fuentes é interessante e dela faz-se registo.

Mas o original não poderia faltar.

Leonard Cohen fez no dia 21 deste mês fez 82 anos e por meados de Outubro será publicado o seu último álbum - You Want It Darker.



quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

CANÇÕES PARA O MEU PAI


Se ainda andasse por cá, o meu pai faria hoje 103 anos.


A canção de hoje é Yolanda, da autoria de Pablo Milanês.

Curiosamente, não foi na versão de Pablo Milanês que conheci Yolanda, mas na versão de Robert Wyatt.

Como não podia deixar de ser, através daqueles vinis que, durante tempos, o Miguel fez estacionar na Mestre António Martins.

Numa daquelas historietas sobre Caríssimas Canções que o Sérgio Godinho andou a publicar no Expresso, que depois deram livro, espectáculos ao vivo, CD/DVD, umas das canções de que o Sérgio Godinho falava era Sea Song do Robert Wyatt.

Para relembrar o personagem, vale a pena trazer o recorte da crónica do Sérgio:


No 1º aniversário da destruição das torres gémeas de Nova Iorque, perguntaram-lhe o que ele pensava da tragédia.

Não hesitou:

 Essa data tornou-se famosa, como todos sabem, por ser o dia em que os americanos puseram no poder o general Pinochet, nos anos 70, e também o dia em que Salvador Allende foi assassinado pelo exército fascista a soldo dos Estados Unidos.

Aqui, têm ago mais sobre o cantor.

Já não há disto!

Tempo de irmos à canção.

Esto no puede ser no mas que una cancion
Quisiera fuera una declaracion de amor
Romantica sin reparar en formas tales
Que ponga freno a lo que siento ahora a raudales
Te amo
Te amo
Eternamente te amo
Si me faltaras no voy a morirme
Si he de morir quiero que sea contigo
Mi soledad se siente acompañada
Por eso a veces se que necesito
Tu mano
Tu mano
Eternamente tu mano
Cuando te vi sabia que era cierto
Este temor de hallarme descubierto
Tu me desnudas con siete razones
Me abres el pecho siempre que me colmas
De amores
De amores
Eternamente de amores
Si alguna vez me siento derrotado
Renuncio a ver el sol cada mañana
Rezando el credo que me has enseñado
Miro tu cara y digo en la ventana
Yolanda
Yolanda
Eternamente Yolanda
Yolanda
Eternamente Yolanda
Eternamente Yolanda

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

CANÇÕES PARA O MEU PAI


Tendo começado com El Condor Pasa, faço hoje alinhamento para Where Have All The Flowers Gone?

Os créditos desta lindíssima canção são concedidos a Pete Seeger.

A luta contra a Guerra do Vietname, levada a cabo pelos americanos, também por outros os povos do mundo – estamos todos em guerra contra os Estados Unidos da América do Norte! - fez desta canção como de  We Shall Overcome, tantas mais, hinos de mote obrigatório em manifestações e concertos., contrariando os que diziam que cantar não era suficiente. Provavelmente, mas o silêncio é que nunca.


A música a corporizar o protesto, a ajudar à luta.

Nunca se pensou que a música podia não só parar uma guerra como começar a mudar o mundo. 

Cantar  nunca foi suficiente, mas ajuda mais do que todos os silêncios.

Ronald Reagan sobre o Vietnam: não foi uma má experiência, o que foi mau foi termos perdido a guerra.

Números do horror de uma guerra em nome da liberdade versão United States:  3 milhões de vietnamitas morreram, 2 milhões eram civis, 60 mil americanos perderam a vida, uma guerra que terá custado 220 mil milhões de dólares em que os dos Unidos gastaram 675 mil dólares para exterminarem um só guerrilheiro vietcong e continuam, por explodir milhares de toneladas de minas, bombas e obuses lançadas pelos americanos continuam por explodir.

Lyndon Johson, sentado na sala Oval da Casa Branca completamente perplexo por um bando de pigmeus armados de canivetes tivessem conseguido derrotar os Estados Unidos.

Nomes como o Kingston Trio, Joan Baez, Peter Paul and Mary, muitos mais, interpretaram. Where Have All The Flowers Gone?

A versão escolhida para a cassette do meu pai foi a de Peter Paul and Mary, LP da colecção de vinis  do Luís Miguel Mira.
 
Anos mais tarde conheci, numa das muitas antologias que vão sendo gravadas com as canções de Marlene Dietrich, a estupenda versão  que a Diva fez desta canção.

No tempo dessa descoberta, o meu pai já cá não estava para a conhecer, mas teria adorado, ele que tinha um especialíssimo béguin por Marlene Dietrich, pelo seu inenarrável fascínio.

Melhor dito: o fascínio pelas pernas de Marlene Dietrich.

Estas e outras pernas com que sempre sonhou, pernas que ele não tinha qualquer dúvida do que Marlene conseguia fazer com elas.

Marlene também não tinha.

Basta ver o Anjo Azul.

Foram estas as razões por agora, na cassette do meu pai, substituir a versão de Peter Paul & Mary então utilizada.

Para onde foram as flores, sim para onde foram.

Também os sonhos.


Legenda. f otografia de  Huynh Cong Ut da agência Associated Press que recebeu o Prêmio Pulitzer de 1973, correu mundo  e que retrata crianças – Crianças? Sim também os mortos são crianças - fugindo do rebentamento de bombas napalm sobre a aldeia.onde viviam.

domingo, 6 de outubro de 2013

CANÇÕES PARA O MEU PAI



O meu pai, essencialmente, tinha gosto pela música clássica, daí que a esmagadora maioria da sua discoteca tivessem esse toque.

Gostava de outras músicas, tinha algumas dessas músicas, mas eram uma mera excepção.

Gostava de algumas canções que, tanto eu como o Luís Miguel Mira, volta e meia, lhe dávamos a ouvir.

Um dia pediu-me se lhe gravava umas cassettes com essas músicas.

Assim aconteceu.

O tempo adulterou todo esse material gravado, hoje completamente inaudível, aontecendo também que algumas dessas cassettes perderam-se.

Há dias lembrei-me que seria gratificante voltar a buscar essas canções e colocá-las por aqui.

Será uma escolha aleatória, baseada nos apontamentos que deixei na contra capa das cassettes, também na hoje curta memória das canções que gravei para o meu pai.

Começarei por aquela canção que acabou por dar origem ao pedido: El Condor Pasa ,que pertence ao folclore peruano e para a qual Paul Simon escreveu um poema.

Prefiro ser um pardal do que um caracol, prefiro ser um martelo do que um prego, se eu apenas pudesse certamente o faria.

Um pequeno apontamento histórico sobre El Condor Pasa pode ser lido na Wikipédia, 

El Condor Pasa faz parte do excelente álbum, de Simon and Garfunkel, Bridge Over Troubled Water, publicado em 1970.