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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

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No Prólogo que escreveu para Mulher de Porto Pim,Tabucchi explica o Post Scritum, uma baleia vê os homens, com que finaliza o livro e que colocámos como citação em Olhar as Capas:

«… o texto intitulado Uma baleia vê os homens, além do meu velho vício de espiar as coisas do outro lado, inspira-se sem dissimulação num poema de Carlos Drummond de Andrade, que, primeiro e melhor do que eu, soube ver os homens através dos olhos dolorosos de um lento animal. E a Drummond de Andrade é humildemente dedicado esse texto, também como recordação de uma tarde em Ipanema em que, em casa de Plínio Doyle, ele me falou da sua influência e do comete de Halley.»

O escritor catalão Enrique Vila-Matas disse sobre este interessantíssimo livro de Tabucchi:

«Toda a vida escrevi sobre a Mulher de Porto Pim, livro de cabeceira e artefacto literário que contemplo como se fosse um Moby Dick em miniatura. As suas menos de cem páginas são um bom exemplo de «livro de fronteira», um mecanismo feito de contos breves, fragmentos de memórias, diários de viagens metafísicas, notas pessoais, biografia e suicídio de Antero de Quental, fragmentos de uma história ouvida na coberta de um barco, mapas, bibliografia, bizarros textos jurídicos, canções de amor: elementos que à primeira vista não têm nada a ver entre si, sobretudo com a literatura, mas que Antonio Tabucchi transformou em ficção pura. Um livro memorável.»

Legenda: Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

POSTAIS SEM SELO


O sentido da vida é procurar qualquer sentido.

Carlos Drummond de Andrade

Legenda: fotografia de Gérard Castello-Lopes

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

POSTAIS SEM SELO


O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

Carlos Drummond de Andrade
Legenda: pintura de Salvador Dali 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O NOME DE UM PAI



[Do observador no velório de CDA]

 A tempo de descrever
a fabricação do luto:
o punhado de letras
apanhadas ao acaso
para formar o nome preciso.
Uma a uma com o seu espeto
prontas para serem pregadas
com zelo de profissional
no quadro preto de lã
sem desconsolo e lágrima
sem se sentir sozinho
diante daquelas sílabas
soletradas pelo mover
mudo dos lábios, no silêncio
(como se fosse uma prece)
da capela vazia, antes
da chegada do corpo:
um erro na composição
do nome foi corrigido
mas a morte incorrigível
já tinha chegado, há tempo.


Armando Freitas Filho

Nota do editor: No dia em que Carlos Drummond de Andrade morreu o seu amigo e poeta Armando Freitas Filho, deslocou-se à casa mortuária. Dos primeiros a chegar, verificou que estavam a escrever, num painel, Drummond com um m a menos. Corrigiu e o episódio deu lugar a este poema.
O poema como a história são retirados de um trabalho de Alexandra Lucas Coelho, publicado no Público de 17 de Agosto de 2012.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

EI-LO QUE CHEGA!...

Na África do Sul, começa hoje o Mundial de Futebol
.
Sejam bem-vindos ao tempo em que todos os dias são domingo.

Entre 11 de Junho e 11 de Julho não se falará de mais nada. Aliás, já há muitas semanas, que não se fala de outra coisa. As televisões encharcam-nos as horas, com todas as incidências por que passa a selecção nacional em Joanesburgo.

Uma verdadeira náusea, um espectáculo absolutamente patético.

É óbvio que o futebol não tem culpa de ser um belo espectáculo.

Hoje, como ontem, sempre foi mais fácil um miúdo encontrar uma bola do que um livro.

Mas nos dias que correm, não há pai que não sonhe que o filho venha a ser: não um médico, um canalizador, um advogado, um carpinteiro, mas sim um Cristiano Ronaldo ou, indo um pouco mais longe, um José Mourinho.

Carlos Drummond de Andrade dizia:

“Bem aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranquilidade.”

Ele sabia bem do que falava!

Legenda: “Socorro! Estou a sufocar!”, cartoon de Luís Afonso, publicado no “Público”, durante o Euro 2004.