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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

O CARNAVAL VEM AÍ!


O Carnaval está a bater à porta.
Um olhar sereno pelos meus velhos bailes.
Alguém que me guarde a última dança.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

TALVEZ A TRISTEZA CAUSE FEBRE


Ricardo Reis aborreceu-se depressa com a farrapagem do corso, mas assistiu a pé firme, qualquer coisa que tivesse para fazer não era mais importante do que estar aqui, por duas vezes chuviscou, outra vez caiu forte a chuva, e ainda há quem cante louvores ao clima português, não digo que não, mas para carnavais não serve. No fim do dia, já terminado o desfile, o céu limpou, tarde foi, os carros e carruagens seguiram para o seu destino, lá ficarão a enxugar até terça-feira, retocam-lhes as pinturas deslavadas, põem-se os festões a secar, mas os mascarados, mesmo pingando das melenas e cadilhos, vão continuar a festa por essas ruas e praças, becos e travessas, em vãos de escada para o que não se possa confessar ou cometer às claras, assim se praticando por maior rapidez e barateza, a carne é fraca, o vinho ajuda, o dia das cinzas e do esquecimento será só na quarta-feira. Ricardo Reis sente-se um pouco febril, talvez tenha apanhado um resfriamento a ver passar o corso, talvez a tristeza cause febre, a repugnância delírio, até aí ainda não chegou. Um xexé veio meter-se com ele, armado com o seu facalhão de pau e o bastão, batendo um contra o outro, com grande estrépito, bêbado, a pedir equivocamente, Dá cá uma pançadinha, e arremetia ao poeta, de barriga esticada para a frente, avolumada por um postiço, almofada ou rolo de trapos, uma risota, aquele papo-seco de chapéu e gabardina a esquivar-se ao velho do entrudo, trajado de bicórnio, casaca de seda, calção e meia, Dá cá uma pancadinha, o que ele queria era dinheiro para vinho. Ricardo Reis deu-lhe umas moedas, o outro fez uns passos de dança grotescos, batendo com a faca e o pau, e seguiu, levando atrás de si um cortejo de garotos, mais os acólitos da expedição. Num carrinho, como de bebé, era levado, com as pernas de fora, um marmanjão de cara pintada, touca na cabeça, babeiro ao pescoço, fingindo chorar, se é que não chorava mesmo, até que o mostrunço que fazia de ama lhe chegava à boca um biberão de vinho tinto em que ele mamava sofregamente, com grande gáudio do público reunido, donde, de repente, saía a correr um rapazola que, rápido como o raio, ia apalpar o vasto seio fingido da ama e deitava logo a fugir, enquanto o outro berrava com voz rouca, de não duvidoso homem, Anda cá ó filho dum cabrão não fujas, anda cá apalpar-me aqui, e juntava o gesto à palavra com ostensividade suficiente para que as senhoras e mulheres desviassem os olhos depois de terem visto, o quê, ora, nada de importância, a ama tem um vestido que lhe desce até meio da perna, foi só o volume da anatomia, agarrada com as duas mãos, uma inocência. É o carnaval português. Passa um homem de sobretudo, transporta, sem dar por isso, um cartaz fixado nas costas, um rabo-leva pendurado por um alfinete curvo, Vende-se este animal, até agora ninguém quis saber o preço, mesmo havendo quem diga, ao passar-lhe à frente, Tal é a besta que não sente a carga, o homem ri-se dos divertimentos que vai encontrando, riem-se os outros dele, enfim desconfiou, levou a mão atrás, arrancou o papel, rasgou-o furioso, todos os anos é assim, fazem-nos estas partidas e de cada vez comportamo-nos como se fosse a primeira. Ricardo Reis vai descansado, sabe que é difícil fixar um alfinete numa gabardina, mas as ameaças surgem de todos os lados, agora desceu velozmente de um primeiro andar um basculho preso por uma guita, atirou-lhe o chapéu ao chão, lá em cima riem esganiçadas as duas meninas da casa, No carnaval nada parece mal, clamam elas em coro, e a evidência do axioma é tão esmagadora e convincente que Ricardo Reis se limita a apanhar do chão o chapéu sujo de lama. segue calado o seu caminha, já reviu e reconheceu o carnaval de Lisboa, são horas de voltar ao hotel.


Legenda: fotografia tirada do blogue Restos de Colecção

domingo, 11 de fevereiro de 2018

QUOTIDIANOS


Tempo de Carnaval.

Vergílio Ferreira:

Que ideia a de que no Carnaval as pessoas se mascaram. No Carnaval desmascaram-se.

Há uma cena genial em A Família Addams quando perguntam à Wednsday se não vai mascarada ao baile e ela responde que já está mascarada:

Estou mascarada de psicopata. Os psicopatas parecem pessoas normais.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

VELHOS DISCOS


Em tempo de Carnaval, não sei bem porquê, lembro-me sempre da Banda de Chico Buarque.
Este disco da Nara Leão é um velho disco da casa.
Bom Carnaval!

Divirtam-se, porque tudo acabará na quarta-feira!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

OLHARES



Lisboa,
Jardim dos Anjos.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

PARA TUDO SE ACABAR NA QUARTA-FEIRA


Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais
Brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas
Foi o que restou

Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando
Cantigas de amor

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida
Feliz a cantar

Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza
Dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando
Seu canto de paz
Seu canto de paz

Poema de Vinicius de Moraes.
Música de carlos Lyra.
Gosto muito desta interpretação da Nara Leão.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

POSTAIS SEM SELO


Que ideia a de que no Carnaval as pessoas se mascaram. No Carnaval desmascaram-se.
Vergilio Ferreira

XLVI


                                          (Finjo que não vejo as mulheres que passam,
                                           mas  vejo)

De súbito, o diabinho que me dançava nos olhos,
mal viu a menina atravessar a rua,
saltou num ímpeto de besouro
e despiu-a toda...

E a Que-Sempre-Tanto-Se-Recata
ficou nua,
sonâmbulamente nua,
com um seio de ouro
e outro de prata.

José Gomes Ferreira em Poesia III

Legenda: pintura de Pablo Picasso

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

SONETO


A carnal tentação desenfreada
Que ao sangue quente alta justiça pede,
Fez com que eu, embrulhando-me na rede
Subisse de uma puta a infame escada.

Ligeiras pulgas saltam de emboscada
Fartando em mim de sangue humano a sede;
Arde a vela pregada na parede,
Já de antigos morrões afogueada.

Saiu da alcova a desgrenhada fúria
Respirando venal sensualidade,
Vil desalinho, sórdida penúria:

Muito pode a pobreza e a porquidade;
Abati as bandeiras à luxúria
Jurei no altar de Vénus castidade. 

Nicolau Tolentino em Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, Edição de Fernando Ribeiro de Mello, Lisboa s/d

Legenda; ilustração de Cruzeiro Seixas.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

EM LOUVOR E SIMPLIFICAÇÃO DE MÁRIO CESARINY DE VASCONCELOS


Por quê Mário?
Por quê Cesariny?
Por quê — ó meu Deus de Vasconcelos?
Não sabes que um polícia de costumes é o agente interino
da moral dos vitelos?

Alarga Mário a larga pássara do canto
e verás que à ilharga da imagem
o deus da vadiagem
fará de ti um santo.

Meu santo minha santa
Filomena tirada dos altares
quando a alma dos outros é pequena
melhor é ir a ares.

Areja Mário a pluma que sobeja
ao teu surrealismo
antes o ar de Londres que o de Beja
antes a bruma do que o sinapismo

Fornica meu poeta
sem a arnica
dos padrecas da terra.
Antes em Telavive que o tal estar
aqui
de cu pró ar
a ver quem nos enterra.

A fundo     Mário se quiseres
baratinar os chuis.
Nem vinho     já sabemos     nem mulheres
mas os colhões de teres
os três olhos azuis.

José Carlos Ary dos Santos em Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, Edição de Fernando Ribeiro de Mello, Lisboa s/d

Legenda: Marinheiro, pintura de Mário Cesariny de Vasconcelos

PORQUE HOJE É DOMINGO


Corria o ano de 1976.
Baile de Carnaval na Sociedade Guilherme Cossoul.
Este Bilu Tetéia fez um sucesso de todo o tamanho.
Um baile com damas ao bufete.
E que bem que se comia e bebia na Guilhas.
Bom domingo.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O CU DE MARUXA


Um cu que se desvela em Agosto em Ourense
redondo para olhar um cu magnificente
um cu como um bisonte
o teu cu Maruxa adivinhado num restaurante

eu rimo tanto cu que trago na memória
o teu fará por certo mais história
é um cu para a glória é nena impante

rodando na cadeira el’ deixa-nos suspensos
quase presos Maruxa pelos beiços

lembra-me nédio raxo assim forte de febra
lêveda e alva nas Burgas cozinhando
se de soslaio agora se requebra

é como canta Maruxa! igual que um pássaro
ao qual neste mesón péssoro vénia
teu ouriflâmio cu me faz insónia

Fernando Assis Pacheco em Variações em Sousa

Legenda: ilustração de Stuart Carvalhais

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

HISTÓRIA CLÍNICA


As mamas da dona Ana eram um
sítio maravilhoso. Maduras (qual
par de mangas) de entre elas saíam
coisas extraordinárias
(notas de 5 para os netos
lenços bordados no Minho) uma ou
outra medalha do mau-génio
do marido. Dessa vez veio à cidade e
o doutor ficou com uma –
ela deixou de poder encravar no meio delas
tudo aquilo e os santinhos
(deste lado uma colina alta e generosa desse
um prado dividido). Num ano
levou-lhe a outra e outra levou-lhe
o marido (ainda há mulheres com sorte:)
está
enfim livre de perigo.

João Luís Barreto Guimarães

Poema colocado por Nicolau Santos na sua coluna de Economia no Expresso, 15 de Março de 2014.

quarta-feira, 5 de março de 2014

QUARTA-FEIRA DE CINZAS


Carnaval.
E tal como diz a canção tudo se acaba nesta quarta-feira.
Começamos a caminhar para a Páscoa.
E a velocidade com que o tempo vai correndo, como tudo acontece.

terça-feira, 4 de março de 2014

TEMPOS DE ILUSÕES



Tivesse eu a lucidez, a genuína meticulosidade de José-Augusto França, que em centenas e centenas de agendas deixou registados os dias da sua vida, saberia agora quantas semanas de Carnaval já existiram sem que o mau tempo tenha andado aos trambolhões a dar cabo da folia das gentes.

Este ano as autarquias voltaram investir milhares de euros nas festividades carnavalescas, tradição que remete para o Carnaval de Torres Vedras, de Ovar, de Loulé, da Nazaré, Funchal, para apenas falar dos de melhor recorte, mas, mais uma vez, o frio e a chuva andam por aí à solta. A meteorologia destaca avisos laranja em 10 distritos do país.

As autarquias olham os prejuízos, os foliões queixam-se de que já não lhes bastam as patadas da troika e ainda por cima lhes lixam o Carnaval.

Nunca me disse nada o Carnaval e apenas tenho recordação de, em miúdo, ter ido com o meu avô assistir ao Corso do Estoril, mas apenas olhar as bancadas vazias porque a chuva cancelou o desfile.

Como tanta outra gente transporto a ideia de que mascarados andamos todo o ano,

Algures, num dos seus volumes da Conta-Corrente, Vergílio Ferreira chega a escrever:
que ideia a de que no Carnaval as pessoas se mascaram. No Carnaval desmascaram-se.

Miguel Torga, no XI volume do seu Diário, 3 de Março de 1973, é mais sorumbático:

Carnaval. Nunca o festejei, nem o apreciei festejado pelos outros. Se o que ele significa no plano histórico: a luta ancestral da carne revoltada contra o formalismo das instituições, o esforço que desde Roma até ao Rio de Janeiro o civilizado jamais deixou de fazer quebrar os compromissos da disciplina colectiva. Simplesmente, a minha natureza, não é foliona. Nem me é dado iludir, ao abrigo de uma bula do deus Momo, o rigor impiedoso das calendas, nem sou capaz de viver a vida a rir-me dela. Sabe-me bem no ouvido o timbre de uma gargalhada sã, mas arranham-me a alma as casquinadas histriónicas. Bem sei que há quem arremede o Entrudo, e entre no jogo com o conhecimento de causa e em jeito de brincadeira. São burlões enganados. Dão rédea solta a metade de si, fiados no critério da outra metade, mal suspeitando que quem se fantasia mente, e, pior, mente sem dar conta. Muito embora compreensivo diante do equívoco de uma felicidade tão sofismada que não dá pela distãncia que vai do artifício ao lúdico, nem assim deixo de me arredar discretamente quando se aproxima a onda trapalhona de falsas ciganas, falsos mandarins, falsas minhotas e falsos campinos. Triste, porém. Triste a perguntar a mim mesmo de esta incapacidade de fingimento, esta singularidade hirta e sem remédio, não será como que um espinho a criar no corpo da saúde gregária. Se o meu próprio rosto não passará de uma máscara também, afinal, me escondo disfarçado. A máscara vincada e hostil da solidão.

Mas não quero fazer as despedidas literárias do Carnaval, sem passar por António Lobo Antunes, no seu 1º livro de Crónicas, numa a que chamou Sandokan e a minhota  e em que perpassas uma melancolia que é quase um toque de anúncio de quarta-feira de cinzas:

No Carnaval vestiam-me de minhota e ficava três dias sozinha na varanda, a lançar para as árvores do Jardim Constantino serpentinas que baloiçavam nos ramos até a chuva da Páscoa as desbotar. Eu era gorda nesse tempo quando aos dezasseis anos entrei de aprendiza no senhor Armando, deixei de ser gorda e tornei-me forte. O meu padrinho, que almoçava connosco aos domingos para ouvir na telefonia o relato do Atlético derivado ao aparelho dele passar a vida no prego, e que gostava de se mascarar de mulher com lenço e rouge, explicava, a mostrar os enchumaços do peito, que as senhoras deviam ser espaçosas, embora o médico de família afiance, depois de me pesar, que noventa quilos, Dona Aurora, aos cinquenta e um anos, não a quero ofender, mas talvez seja espaço a mais. E contudo, quando eu era nova, os homens preferiam que a gente não fosse uns esqueletos quaisqueres, e acho que foi por eu ser forte que o Sandokan se apaixonou por mim.
Claro que não se chamava Sandokan: chamava-se Feliciano, e na época em que me vestiam de minhota vestiam-no a ele de príncipe malaio, de turbante com esmeraldas de vidro e bigodes de rolha, e trotava-me debaixo da varanda, com os pais, para o Carnaval do Éden, onde no fim dos palhaços desprendiam dúzias de balões do tecto e piratas de perna de pau enfiavam papelinhos desalmados no pescoço das fadas de cabelo loiro de estopa e varinha de condão de tabopã, sufocadas de lágrimas de humilhação.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

VELHOS DISCOS


Apetece-me dizer: fogo no pandeiro.
Este é um velho disco mas não consigo lembrar em que ano o comprei.
Um grande disco de música para o Carnaval.
Está por aqui a Clara Nunes, o Paulinho da Viola, a Elza Soares, Beth Carvalho.
O disco está riscadinho, quase inaudível..
Nada que dê para grande espantação!...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

EM TEMPO DE CARNAVAL


Não tenho o recorte à mão, mas penso que terá sido o pintor Cruzeiro Seixas quem um dia reflectiu sobre
o como seria importante ter uma cuoteca.

O corpo humano sempre foi inspiração de artistas, mas partes existem que se tornam motivo de culto.
No ano de 2007, a Fundação Canal de Madrid mostrou ao público uma exposição – chamaram-lhe Ocultus - em que as múltiplas possibilidades artísticas que, como diria o Eça, de Queiroz, aquela parte do corpo em que as costas mudam de nome, têm um lado verdaeiramente artístico.
Estiveram expostos 70 retratos de sessenta e sete fotógrafos de vinte países, com realce para Cartier-Bresson,e Man Ray,

O fotógrafo José Maria Diaz-Maroto, organizador da exposição, disse, na altura, que quem vê rabos vê corações  e foi mais longe:

O Rabo é uma parte nobre do corpo humano mas que a cultura e a educação que recebemos sempre desprestigiou. Nessa parte do corpo pode haver beleza, curvas estupendas, desejo, mas sempre nos disseram que devia ser escondida pois é objecto de pecado.

Não é impunemente que o povo sempre disse que quem tem cu tem medo.

Em Março de 2005, Kylie Minogue foi votada, pelos leitores do tabloide britânico The Sun, como sendo proprietária do melhor cu do mundo.

Haja Deus!

Em finais de Setembro do ano passado concorrentes de todos os vinte e sete estados e distritos federais do Brasil, apresentarm-se no Miss Bumbum Brazil, um concurso que pretende escolher os melhores exemplos de bundas e que que a organização destacou como paixão nacional.


Maria Teresa Horta, em tempo que não era de Carnaval, dizia que para a minha sede nenhuma água chega, Graça Morai lamentava-se que não conseguia encontrar o fio da meada o novelo era grande, mágico e não era bruxa, mas o velho Fernando Assis Pacheco, por um Agosto desvelava-se por alguém igual a um pássaro.

É aqui que eu saio

Divirtam-se hoje porque que as cinzas não tardam nada.

O cu de Maruxa

Um cu que se desvela em Agosto em Ourense
redondo para olhar um cu magnificente
um cu como um bisonte
o teu cu Maruxa adivinhado num restaurante

eu rimo tanto cu que trago na memória
o teu fará por certo mais história
é um cu para a glória ó nena impante

rodando na cadeira el' deixa-nos suspensos
quase presos Maruxa pelos beiços

lembra-me nédio raxo assim forte de febra
lêveda e alva nas Burgas cozinhando
se de soslaio agora se requebra

é como canta Maruxa! igual que um pássaro
ao qual neste mesón péssoro vénia

teu ouriflâmio cu me faz insónia.


Em Variações em Sousa,Hiena Editora, Lisboa Maio de 1967

Nota do editor: a frase de Sofia Vergara é tirada do Expresso de 18 de Agosto de 2012.

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

UM JULGAMENTO INTERESSANTE


Notícia do Diário de Lisboa de 14 de Fevereiro de 1923.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Este é um cartaz que encontrei na contra capa da Revista Cultural, relativa ao mês de Fevereiro, e editado pela Câmara Municipal de Lisboa.

Lisboa, como Torres Vedras, Ovar, Loulé, Sesimbra, Funchal como grande parte das cidades portugueses que têm uma tradição carnavalesca, de há muito, programaram os seus corsos de Carnaval.

Nunca fui de Carnavais, há muito, mesmo muito tempo, sonhei que gostaria de ir a um Carnaval a New Orleans, mas isso é uma outra história.

Pedro Passos Coelho, anunciou na sexta-feira que o Governo não dará tolerância de ponto aos funcionários públicos no Carnaval, argumentando que ninguém perceberia que tal acontecesse numa altura em que o Executivo se propõe acabar com feriados.

Esta decisão é um perfeito disparate, uma aberrante falta de bom senso.

Em tempos idos, o então primeiro-ministro Cavaco Silva, foi seriamente penalizado, quando tomou idêntica decisão.

Esta gente não aprende nada!

É mais que óbvio que os portugueses vivem, hoje em dia sérias dificuldades.

Gente normal diria aos portugueses que, face aos tempos de crise que se vivem, este seria o último em que o governo daria tolerância de ponto aos funcionários públicos.


Mas não, alteraram a s regras a meio do campeonato, entenderam disparatar, e enfrentam, agora, uma onda de indignação popular.

Merdalhem-se uns aos outros, como diria o Fernando Assis Pacheco.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

JANELA DO DIA


Por norma os fins-de-semana são dias parcos em notícias, os políticos os fala-barato, vão arejar e, apenas ficam as outras notícias, normalmente mortes outras tragédias, por vezes, um acontecimento feliz.
É um tempo propício para colocar à janela o que, nos últimos dias fui lendo pela concorrência.

1.

Finalmente Passos Coelho inspira-se no cavaquismo governamental. Também ele mostra o nervo anunciando que não haverá tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval! Mas copiar não vale...

José Medeiros Ferreira no Córtex Frontal

2

Ouvi recentemente numa reunião com o director comercial da LeYa que um livro tem uma esperança de vida média de sete semanas. Sete semanas durante as quais, com ou sem ajuda, terá de se vender e sair da livraria, pois, de contrário, sairá também, mas devolvido e para os armazéns da editora – e é quase garantido que não voltará a pôr lá os pés (na livraria, entenda-se). Tratando-se de um livro de um estreante, português ou estrangeiro, é preciso, pois, torná-lo minimamente conhecido ou «badalado» antes da saída, ou tentar que as críticas cheguem em cima da publicação para que alguma atenção recaia sobre ele durante essas míseras sete semanas. O problema é que há muito pouco espaço para falar de livros na nossa comunicação social – menos ainda para livros de desconhecidos, sobretudo se a saída destes coincide com a de outros títulos mais sonantes com direito natural a uma ou mais páginas. Então, não é raro que os mais necessitados se vejam confinados a uma colunazita de nada que, por bem intencionada que seja, não ajuda muito; ou, o que é pior, a um espaço efectivamente mais amplo mas, sim, sete semanas depois do que era preciso... Ou mais. Já vi críticas que saíram um ano depois da publicação dos livros a que diziam respeito. Não serviram a quem as escreveu nem a quem publicou o livro. Talvez sejam iguais ao silêncio, enfim.

Maria Rosário Pedreita no Horas Extraordinárias

3.

Podia ser um plano dos irmãos Lumière. Nove menos pouco da manhã, a porta de entrada de um banco na rua Sá da Bandeira; saem três mulheres pela esquerda, é o fim do turno das limpezas. Trazem sacos nas mãos, sapatilhas ou botas de cano alto, roupas garridas não muito quentes mas sobrepostas.
Uns segundos depois, entram, pela direita, três mulheres do departamento administrativo com casacos compridos em tons de castanho e cinzento, carteiras a tiracolo, saltos altos e cabelos arranjados.

Lido no Malone Meurt


Legenda: Quadro de Miró