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quinta-feira, 11 de julho de 2019

QUOTIDIANOS


As cerejas estão a acabar.
Parece que o Verão chegou a Portugal.
A corrupção alastra nas autarquias.
Não há meio de sabermos o que se passou realmente no roubo de armamento em Tancos.
Vítor Constãncio recebe de reforma do Banco Central Europeu 17 mil euros e 17 mil de Portugal. O que fez na estranja não é público, o que (não) fez em Portugal vai-se sabendo aos poucos, mas perdeu a memória e Joe Berardo continua a rir-se.
Soube-se agora que a campanha de Cavaco Silva á presidência da República beneficiou de dez cheques de 25.000 euros provenientes do saco azul gerido por Ricardo salgado no BES.
Soube-se hoje que somos menos, que estamos mais envelhecidos e que a taxa de pobreza diminuiu um pouco mas continua elevada e que afecta os jovens até aos 18 anos e os adultos com mais de 65 anos.
As televisões, diariamente, ocupam horas e horas e horas e horas de futebol.
Hélia Correia, uma escritora portuguesa, venceu o com o seu livro Um Bailarino na Batalha venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores. Talvez alguma televisão tenha gasto 3 segundos com a notícia.
Dizem que a chuva talvez volte amanhã.
A certeza é que quando as cerejas acabarem, só as voltaremos a ver lá para o Natal, vindas do Chile, a preços astronómicos.
No dia 20 de Julho, um sábado, às 21H30 irei rever, na Cinemateca, Belarmino, esse belo filme de Fernando Lopes.
No meio disto tudo, lembrar que Mário de Carvalho começa assim o seu livro Fantasia para Dois Coronéis e uma Piscina:

«Assola o país uma pulsão coloquial que põe toda a gente em estado frenético de tagarelice, numa multiplicação ansiosa de duos, trios, “ensembles”, coros. Desde os píncaros de Castro Laboreiro ao Ilhéu de Monchique fervem rumorejos, conversas, vozeios, brados que abafam e escamoteiam a paciência de alguns, os vagares de muitos e o bom senso de todos. O falatório é causa de inúmeros despautérios, frouxas produtividades e más-criações.
Fala-se, fala-se, fala-se, em todos os sotaques, em todos os tons e decibéis, em todos os azimutes. O país fala, fala, desunha-se a falar, e pouco do que diz tem o menor interesse. O país não tem nada a dizer, a ensinar, a comunicar. O país quer é aturdir-se. E a tagarelice é o meio de aturdimento mais à mão.»

quarta-feira, 8 de maio de 2019

ETECETERA

 

Recortes do jornal Público de 27 de Abril.

1.

O sucedâneo de acontecimentos que envolveram a questão dos professores, mormente a ameaça de demissão do governo se a lei fosse aprovada na Assembleia da República, forneceu a surpresa de Marcelo Rebelo de Sousa não ter proferido qualquer palavra pública.

Marcelo nunca esteve tanto tempo calado. Nem quando foi operado.

2.

Os banqueiros querem pôr-nos a pagar pela utilização do Multibanco.
Assim se pronunciaram os presidentes executivos do BPI, Caixa Geral de Depósitos, BCP e Novo Banco.

3.

Um rapaz de 13 anos não tem telemóvel porque a sua mãe não quer.

A mãe do rapaz chama-se Madonna e numa entrevista à Vogue britânica explica o porquê.

João Lopes no seu blogue Sound and Vision conta a história:

«Vou manter essa decisão por tanto tempo quanto possível, porque cometi um erro quando dei telemóveis aos meus filhos mais velhos aos 13 anos de idade. Na verdade, isso pôs fim à minha relação com eles. Não completamente, mas tornou-se uma parte muito, muito importante das suas vidas. Ficaram alagados em imagens e começaram a comparar-se com outras pessoas, o que é muito mau para a descoberta da própria identidade.»

4.

Quase um terço dos deputados da Assembleia da República nasceu depois do  25 de Abril de 1974.

5.

Há 28 freguesias, a maioria no interior do país e nos Açores, onde não nascem bebés há pelo menos cinco anos. O aumento da natalidade em 2018 ficou sobretudo a dever-se ao maior número de filhos nascidos de mães estrangeiras.

6.

 Opinião de Isabel do Carmo sobre Cavaco Silva, retirada de um artigo de opinião no Público:

«Trata-se de uma pessoa rancorosa, em que o ódio é que mexe os lábios e a língua, sem estatura intelectual e pessoal. Devem ser analisadas as suas acções e desígnios e avaliar e criticar uma personalidade que se considerou sempre intocável. Muitas vezes é gozado em termos que podem ser classistas. A questão não deve ser a dos tiques de classe. É de política que se trata e é como político que deve ser analisado e julgado.»

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

SARAMAGUEANDO


«Em Lisboa, para votar. Encontro alguns amigos preocupados com o resultado das eleições de amanhã. Tudo aponta para uma vitória folgada de Jorge Sampaio, mas eles duvidam, parece-lhes ser bom de mais para poder ser verdade. Apresento um argumento para o qual não há resposta. «É impossível que este país tenha como presidente da República um homem chamado Aníbal Cavaco Silva. Não porque não  fizesse sentido, mas porque o faria de mais…»

José Saramago em Cadernos de Lanzarote IV Volume

O 4º Volume dos Cadernos de Lanzarote cobre o ano de 1996.

A 1 de Abril regista a morte de Mário Viegas:

«Mário Viegas morreu. Era um cómico que levava dentro de si uma tragédia. Não me refiro à implacável doença que o matou, mas um sentimento dramático da existência que só os distraídos e superficiais não eram capazes de perceber, embora ele o deixasse subir à tona da expressão às vezes angustiada do olhar e ao ricto sempre sardónico e amargão da boca. Fazia rir, mas não ria. Pouca gente em Portugal tem valido tanto.»

A 17 de Junho a «morte anunciada» de David Mourão-Ferreira:

«…não era só literariamente que tínhamos ficado mais pobres, que também ficávamos reduzidos espiritualmente. Ainda que a alguns possa parecer o mesmo, não o é.»

A 27 de Setembro dá notícia de que pediu a «Rui Godinho, vereador da Câmara Municipal de Lisboa, velho amigo e camarada», se conseguia descobrir a data do falecimento do seu irmão Francisco de Sousa dado não constar o averbamento do óbito no registo de nascimento e explica: «o que me leva a pedir a tua ajuda tem que ver com O Livro das Tentações, onde inevitavelmente falar desse Francisco de Sousa de quem não me lembro tal como estão as coisas agora, é como se eu tivesse um irmão imortal…»

Este Livro das Tentações será publicado no ano de Outubro de 2006 mas com o título de Pequenas Memórias.

A página final é para nos dizer que o ano entrou em Lanzarote com o acompanhamento de «uma trovoada gigantesca que parecia querer deitar abaixo o céu e afogar a terra num dilúvio.» e para nos fazer ver que «se entra na velhice quando se tem a impressão de ocupar cada vez menos lugar no mundo. Durante a infância e a adolescência cremos que ele é nosso e que para ser nosso existe, na idade madura começamos a suspeitar que afinal não é tanto assim e lutamos por que o pareça, começa-se a ser velho quando percebemos que a nossa existência é indiferente ao mundo. Claro que sempre o tinha sido, mas nós não o sabíamos.»

Legenda: capa de Cadernos de Lanzarote, Volume IV publicado pela Porto Editora. A caligrafia da capa é da autoria da escritora Nélida Piñon. 

sábado, 29 de setembro de 2018

ETECETERA


Os portugueses apostam 14 milhões de euros por dia.

Os primeiros seis meses deste ano mostram que nunca se apostou tanto em Portugal.
Totobola, Euromilhões, Totoloto estão a perder terreno nas escolhas.

As Raspadinhas e Placard são os jogos mais escolhidos.

Um dos prémios mais altos que alguma vez ficaram por reclamar foi um prémio de Joker, de sete milhões. A Santa Casa chegou a publicar anúncios, mas o vencedor nunca apareceu.

Os prémios não reclamados revertem a favor do Fundo Rainha Dona Leonor de reabilitação das Misericórdias.

PGR

A direita em Portugal tomou como dores muito suas a permanência de Joana Marques Vidal na Procuradoria-Geral da República.

A histeria foi muita e as razões soavam pífias.

No princípio do ano a Ministra da Justiça adiantou um passo ao dizer que o governo entendia que o mandato de PGR deveria ser de apenas um mandato.

Por proposta do Governo e promulgação pelo Presidente da República, a escolha para Procurados Geral da República recaiu em Lucília Gago.
           
Choveram provocações e insultos, chegaram a falar de perseguição e saneamento.

Até Cavaco Silva deixou o recato do lar, o estilo múmia, para nos vir dizer:
«Sou levado a pensar que esta decisão política de não recondução de Joana Marques Vidal é talvez a mais estranha tomada no mandato do governo que geralmente é reconhecido como geringonça.»

Marcelo Rebelo de Sousa não deixou cair a observação de Cavaco:

«Todos sabemos que quem nomeia as procuradoras-gerais da República são os Presidentes, não são os governos. Portanto, a nomeação da procuradora-geral da República foi minha e de mais ninguém.»

Os jornalistas insistiram e voltaram a lembrar o que disse Cavaco Silva.

Ainda Marcelo:

«O que me está a dizer é que o presidente Cavaco Silva, no fundo, disse que era a mais estranha decisão do meu mandato. Perante isso, tenho sempre o mesmo comportamento: entendo que, desde que exerço estas funções, não devo comentar nem ex-Presidentes, nem amanhã quando o deixar de o ser, futuros presidentes, por uma questão de cortesia e de sentido de Estado, e não me vou afastar dessa orientação.»


TAP



O título pertence à 1ª página do Público de 23 de Setembro.

Em determinado tempo, os nossos governantes «concluíram» que em Portugal não havia ninguém que percebesse de aviões e foram buscar ao Brasil a excelência de um tal Fernando Pinto.

Esteve no cargo de presidente da TAP vários anos com ordenados e mordomias de excepção.

Tanto quanto agora foi tornado público, o homem permitiu que fossem gastos 500 milhões de euros num estranho negócio com a Vem-Varig Engenharia e Manutenção e, tanto quanto se diz pelos corredores, foi fazendo caminho para que a TAP fosse vendida ao seu amigo Efromovich.

Ficamos a aguardar as cenas dos próximos capítulos.

ASSIM COMO A GUERRA DO SOLNADO

Vasco Lourenço desde o início afirmou que o roubo das armas em Tancos, ocorrido em Julho do ano passado, era uma história muito mal contada.

Chegou a falar-se que a pátria estava em perigo, que a NATO nos iria retirar confiança política e militar.

Soube-se agora, que as armas, depois de roubadas, ficaram numa propriedade da avó do principal autor do roubo. Tentou vendê-las mas não apareceram compradores. Entalado que começou a estar, congeminou, com «colaboração» de «gnrs» e outras tropas, a manobra de diversão em que, por artes mágicas, as armas apareceram numa quinta na Chamusca.

Ninguém sai bem desta história rocambolesca: militares, polícias e assim como assim, o próprio governo.

Já há detidos e segue-se agora o tempo da Justiça.

Lento, muito lento, como sabemos que esse tempo é.

Muita água continuará a passar por debaixo das pontes.

ASSIM VAI O PSD

Marques Mendes, o catequista dominical da SIC, aconselhou Rui Rio:

«Tem, de ser mais humilde, menos convencido, menos arrogante.»

Entretanto Santana Lopes continua por aí à espera que o Tribunal Constitucional dê luz verde à sua Aliança.

A FECHAR

Os portugueses são os europeus que mais pagam pela energia eléctrica.

Investigue-se!

terça-feira, 29 de maio de 2018

SE NÃO PODES AJUDAR-ME A VIVER, AJUDA-ME A MORRER


A discussão sobre a eutanásia é uma discussão dificílima, um emaranhado de melindres, cada cabeça sua sentença…ou se está a favor… ou se está contra…

O resto é pano de fundo onde se torna difícil navegar… mas navegar é preciso!

Eutanásia significa morte tranquila, ajudar as pessoas em agonia a sair deste mundo com serenidade, não é a escolha entre a vida e a morte.

É uma escolha entre duas maneiras de morrer.

Com ou sem dignidade.

O médico e escritor Fernando Namora morreu em Janeiro de 1989.

Até morrer, sofreu horrivelmente.

O Dr. José Luciano de Carvalho que, durante anos e anos, assistiu a nossa família, quando num dia longínquo lhe perguntei a sua opinião sobre a eutanásia, não se mostrou favorável e contou-me que, durante a doença, ao visitar o seu amigo e colega Fernando Namora, e este lhe pedira, encarecidamente, que o ajudasse a morrer.

- Fernando, sabes tão bem como eu, que não te posso ajudar: fizemos um juramento…


Acresce a este juramento profissional, a posição da Igreja.

Tenho um vasto dossier, li livros, vi filmes sobre o tema, sei-o fracturante, a crispação que o tema provoca, por tudo isto, também por instinto, sou a favor da eutanásia.

Hoje, o tema da morte assistida, quatro coprojectos do PS, Bloco de Esquerda, Partido Ecologista Os Verdes e PAN, será discutido na Assembleia da República.

O PCP e o CDS votarão contra, os restantes partidos deram liberdade de voto aos seus deputados.

O desfecho desta votação aponta para um «não» como resultado. Contas feitas pelos jornalistas, mostram que 116 deputados deverão chumbar a legalização da eutanásia contra 114 deputados que votarão a favor, mas estes números não são um dado adquirido.

Li a Posição política do Partido Comunista sobre a provocação da morte assistida, inclino-me a perceber o que nela se pretende, mas não concordo com os argumentos expostos.

Acresce que essa múmia política que dá pelo nome de Cavaco Silva, há longo tempo remetido ao silêncio, disse à Rádio Renascença que é contra a legalização da eutanásia:

 «Estando em causa a defesa do primado da vida humana, entendi que devia fazer uso das duas armas que me restam como cidadão: a minha voz, não ficando calado, e o meu direito de voto na escolha dos deputados nas próximas eleições legislativas.»

No mesmo sentido se pronunciou o ex-primeiro ministro Pedro Passos Coelho e, segundo o Expresso, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que não tem posição tomada em relação aos diplomas sobre a eutanásia que estão em discussão, mas deverá vetar a lei.

Seguem-se declarações de diversas personalidades, relembro uma história do quotidiano contada por José Cardoso Pires, incursões sobre os Diários de Miguel Torga e Vergílio Ferreira e mais à frente, em Relacionados, coloco três «velhos» recortes:

«Tenho idade e já sofri o suficiente para saber que a vida, sendo embora um bem finito, só vale a pena ser vivida em plenitude ou com dose razoável de humanidade. No ano em que se deixou morrer, Teixeira de Pascoaes disse à família uma coisa luminosa: “Não me tirem a dignidade de viver”. Tinha 75 anos, extinguia-se rapidamente e tinha consciência de que entrara na fase terminal da vida. É por isso, porque a decadência irreversível antecipada por uma cabeça é o mais horrível dos sofrimentos, que defendo o direito de cada um de nós dispor daquilo que pode ser considerado uma “dignidade de viver”.»

António Mega Ferreira, escritor.

«O Expresso pergunta-me por que defendo a eutanásia. E eu respondo, de forma simples e clara: porque quero continuar, como até agora, a poder decidir sobre todos os minutos da minha vida, mesmo quando ela se aproxime do fim e a única expectativa que posso alimentar é sofrer até ao último suspiro ou continuar vivo mas sem vida, estar mais morto que vivo.
Aprovada a morte assistida cada um poderá decidir como entender sobre a reta final da vida, ninguém fica obrigado a ela recorrer mas também ninguém estará impedido de o fazer
Defendo a morte assistida (eutanásia e suicídio medicamente assistido) porque defendo a minha liberdade e a de todos. Aprovada a morte assistida cada um poderá decidir como entender sobre a reta final da vida, ninguém fica obrigado a ela recorrer mas também ninguém estará impedido de o fazer.
Sim, há uma questão ética nesta discussão. A escolha é entre uma ética da liberdade – uma ética da tolerância - e uma ética da imposição. Eu não quero impor a eutanásia seja a quem for, mas não aceito que me imponham opções que não são as minhas. Muito menos quando a consequência dessa imposição é sofrer mais ou reduzir-me a um estado vegetativo.»

João Semedo, médico e ex-deputado do Bloco de Esquerda

«A Igreja que quero forte é a maioritária no meu país: a Igreja Católica Apostólica Romana. Sou ateu, não acredito na existência de um Deus (ou vários), acredito na autonomia do homem, na natureza, no conhecimento científico e que o que sobra quando morremos é pó e a memória que os outros guardarão de nós. Mas, mesmo sabendo que Deus não existe, sei também outra coisa: a Igreja existe. E, mesmo assente naquilo que eu simpaticamente posso admitir como um grande equívoco, é melhor que continue a existir - e forte. Forte para os nus e para os esfaimados do mundo, para os excluídos e para os que não têm outro remédio. Mal ou bem, para estes. Caridadezinha ou humanismo grande - que salve pessoas, é o que interessa.
Vêm aí decisões sobre a despenalização da eutanásia, no Parlamento. Afirmo-me desde já favorável. Admito o direito de alguém em dor e sofrimento, lúcida e plenamente informado, por decisão rigorosamente própria, perante uma doença clinicamente incurável, ter direito a que alguém de forma voluntária e medicamente competente lhe ponha fim à vida. Acontece que não tenho certezas sobre isto - e duvido que alguém verdadeiramente possa ter. Há nas circunstâncias de alguém que pede morte assistida mil e uma razões que me podem levar a ter dúvidas. E nenhuma lei as poderá prever todas, para lá de qualquer dúvida.»

João Pedro Henriques, jornalista

«No dia em que a minha vida for exclusivamente uma visão de caixas de comprimidos, sem trabalho, sem capacidade de leitura, de apreciar música, de sair à rua, pois não quero cá estar. Podemos concordar que discordamos, mas a minha morte é um assunto meu.»

Patrícia Reis, escritora

«Nós ouvimos falar de eutanásia e não nos podemos esquecer que a palavra vem do grego, significa "boa morte". Defendo que a vida compreende inevitavelmente a morte. Assim sendo, todos nós temos o direito de dispor da forma como queremos terminá-la. E devemos ter esse direito.
Penso que a sociedade já interiorizou que as pessoas não devem ter uma má morte. Quantas vezes nós ouvimos dizer, mesmo de quem tem um ponto de vista religioso: "Deus o leve." Isto quer dizer o quê? Ponham termo a este sofrimento. Com toda a franqueza, penso que esse sentimento já está interiorizado socialmente. As pessoas não gostam de ver sofrer familiares, nem terceiros.»

Paula Teixeira da Cruz, deputada, ex-ministra da Justiça.

«Sou a favor da eutanásia e subscrevi o recente manifesto Direito a Morrer com Dignidade. Não o fiz propriamente por achar que há um direito a morrer ou por qualquer razão jurídica. Não o fiz por considerar que a morte sem recurso à eutanásia e após grande sofrimento não possa ser digna. Claro que pode. E claro que se pode defender que a disposição da nossa Constituição que determina que “a vida humana é inviolável” não permite a legalização da eutanásia. Como, de resto, se afirmou relativamente à legalização da interrupção voluntária da gravidez. Mas são meras construções jurídicas e a questão de fundo não me parece ser jurídica.
É uma questão de concreta humanidade e amor ao próximo. Aceitar a legalização da eutanásia exige-nos a capacidade de aceitar que o “outro em sofrimento” não queira viver um pesadelo existencial sem outra saída que não seja a morte e possa evitar esse pesadelo e pôr termo à vida de uma forma não clandestina e angustiada mas antes, tanto quanto possível, tranquila e em paz. É também a possibilidade de alguém a quem amamos não ter de sofrer absurdamente.»

Francisco Teixeira da Mota, advogado

«Dois velhos a viverem há cinquenta anos numas águas furtadas da Avenida Marginal, frente ao Tejo: ele reformado da construção naval, sentado à cabeceira da mulher que esperava a morte que não vinha, e a olhar os navios que entravam e saíam da barra; a estudar os voos das gaivotas; a confirmar hora após hora os comboios que passavam entre ele o rio por essas praias além; a pensar mundos perdidos para lá dos nevoeiros. E vencido, impotente, porque a mulher há tantos anos, minada por metástases até aos ossos gritava, dormia e respirava dores, implorando a Deus que a levasse, depressa, Senhor, depressa para a sua santíssima presença.
Uma manhã, ao despertar, o velho viu-a por instantes bela e serena como nos seus tempos de amor. E chorou de mansinho e também ele desejou morrer.
Depois sentiu as dores a aproximarem-se de novo, e a escorrer lágrimas de desespero, de cansaço, de saudade, abraçou-se à mulher amada, envolveu-se nela e no seu sofrimento e cobriu-lhe o corpo de facadas.
Suicidou-se atropelado por um comboio, mesmo em frente da janela onde costumava ver passar os navios.»

José Cardoso Pires

«O pior na doença, mais do que o sofrimento, é a desgraça de ter todos os momentos na consciência a humilhação das fraquezas do corpo. É sentir cada órgão a recusar a função, cumprir de má vontade o acto de viver. É suportar a tirania dos sentidos e nada poder contra a degradação e o empobrecimento de ser seu escravo. Viver é estar inocente de si próprio. Como na santidade, que tem de se ignorar, também nenhuma parte de nós deve saber que existe.
(…)
Não sei como hei-de resistir.
- A resistir… - responde-me uma teimosa voz interior.
E deixo-me ficar estoicamente no meu sofrimento, fiel à íntima certeza em que sempre vivi de que a suprema fortuna é saber corajosamente merecer a vida, e a suprema desgraça é coverdemente não a saber perder.»

Miguel Torga, Diãrio Vol. XVI

«Mas a certa altura fala-me da nossa irmã. O espírito apaga-se-lhe precipitadamente e tudo aquilo que a ligava ao mundo se lhe confunde num caos. A filha, marido, todas as pessoas de família lhe são figuras estranhas como toda a perspectiva do tempo se lhe perdeu. Tento situar-me em face da minha irmã e não sei. Quando voltar a vê-la decerto me mão conhece. Todo o passado da nossa infância comum vem ter comigo e de súbito ele está morto nela a uma distância de vertigem. Que significa ela estar viva e real na realidade que é a sua? É morta minha irmã. No fundo de mim o sei.»

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

ETECETERA


Numa entrevista ao Diário de Notícias, a propósito do lançamento do seu próximo álbum, Camané disse:

«Os passarinhos é que cantam bem, nós temos imensos limites e é com os nossos limites que conseguimos fazer música.»

«Camané Canta Marceneiro» chama-se o novo disco.

Camané só viu uma vez Alfredo Marceneiro, tinha apenas 10 anos.

Foi assistindo a actuações nas casas de fado, ouvindo os discos, foi aprendendo:

 «Eu ouvia fados às escondidas. Ouvia fado mais baixinho do que o rock, para os meus amigos não perceberem o que eu estava a ouvir. Ainda hoje, quando vou no carro a ouvir rádio, se for rock oiço em altos berros, se for fado ponho baixinho. Foi uma coisa que não consegui ultrapassar. Muito novo, percebi que podia cantar aquelas músicas e adquiri aquela característica de canto. A partir daí foi uma paixão, mas uma coisa escondida. Às vezes vinha de comboio para Lisboa, já cantava nas casas de fado, e se aparecia um tipo com uma guitarra portuguesa, escondia-me para os amigos não me verem com ele.»

NOBEL DA LITERATURA

Kazuo Ishiguro é o novo Prémio Nobel da Literatura e sucede a Bob Dylan cuja distinção tanta polémica suscitou.

Para a Academia Sueca justifica-se o Nobel da Literatura devido a ter «nos seus romances uma força emocional muito grande, e ter revelado o abismo entre o sentido do ilusório e a sua ligação ao mundo, é um autor de grande integridade e absolutamente brilhante, com um universo estético muito próprio.»

Antes de se dedicar à escrita, queria ser músico.

Britânico de origem japonesa, tem uma longa conexão com os sons, sendo famosa a sua especial apetência para a guitarra. Em tempos tentou a sua sorte numa carreira musical, mas não conseguiu seduzir nenhuma editora discográfica. A nega fez com que pusesse a música em segundo plano, mas a ligação que mantinha com este universo manteve-se, de tal modo que o próprio Kazuo admite ter sido influenciado pela música «Ruby’s Arms», de Tom Waits, quando escrevia o final de «Os Despojos do Dia», que foi adaptado ao cinema, em 1993, pelo realizador James Ivory, com argumento do próprio escritor e de Ruth Prawyer Jhabvala, com Anthony Hopkins e Emma Thompson, por protagonistas.

O escritor português António Lobo Antunes surgia em 10º lugar na lista dos preferidos para o Prémio Nobel da Literatura 2017 no popular site de apostas virtuais Nicer Odds. As probabilidades de Lobo Antunes receber o Prémio eram de 21 para 1. Em primeiro lugar na lista encontrava-se o escritor queniano Ngugi wa Thiong’o seguido do japonês Haruki. Na terceira posição surgia a canadiana Margaret Atwood. O moçambicano Mia Couto marcava presença na lista, em 68º lugar. Outros favoritos para o Prémio da Literatura, indicados na lista de favoritos ao Nobel no site Nicer Odds encontravam-se ainda o israelita Amos Oz, o chinês Yan Lianke, o poeta sírio Adunis, o norte-americano Don DeLillo e o espanhol Javier Marías.

CAVACO

Um eterno envinagrado, um tipo execrável.

«Ao contrário de outros, nunca interferi na vida do meu partido. Cabe aos militantes decidirem o que é melhor para o partido e para o país», acrescentou sobre a decisão de Passos Coelho.

Cavaco Silva recusou-se a comentar o resultado das últimas eleições.

«Acontece, até, que eu não votei, porque estava num casamento de um familiar muito próximo, na Escócia, no próprio dia, e por isso só acompanhei já na segunda-feira o que tinha ocorrido.»

As declarações de Cavaco Silva são ainda mais surpreendentes não apenas pelos cargos públicos que ocupou como pelas declarações que fez, no passado, sobre a importância do voto.

Marcelo Rebelo de Sousa, no sábado:

«Não votar pode representar uma omissão incompreensível ou um descuido imperdoável.»

RICARDO SALGADO

O Tribunal Central de Instrução Criminal deu ordem para que seja arrestada a pensão de cerca de 39 mil euros do ex-presidente do BES, no âmbito do processo Espírito Santo.

Até agora ninguém sabe como Ricardo Salgado poderá sobreviver com uma pensão de 39 mil euros!

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


Miguel Sousa Tavares no Expresso, 2 de Setembro de 2017.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO



A múmia cavacal bolsou na Universidade de Verão do PSD umas coisinhas sobre a «verborreia frenética» do muitos dos políticos.

Marcelo Rebelo de Sousa não quis comentar essas declarações mas não deixou de  deixar recado de luva branca:

«Por uma questão de cortesia, bom senso, obviamente de educação, mas sobretudo por uma questão de respeito pela função presidencial, pelo prestígio da democracia não comento as declarações de Cavaco Silva. Porque se os sucessivos Presidentes da República não têm um respeito naquilo que dizem uns dos outros, em termos de forma e de conteúdo, acabam por não se fazer respeitar pelo povo.»

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


Cheguei a pensar que o homem nunca mais deixaria a Travessa do Possolo, à Lapa, ou a casa da Coelha nos algarves.

Enganei-me.

Apareceu, hoje, a dar uma aula a jovens na «Universidade de Verão do PSD».

A prestação mais não versava do que mandar directas e indirectas ao Primeiro-Ministro e ao Presidente da República.

Mimos de sua excelência cavacal:

«A realidade acaba sempre por derrotar a ideologia»., não deixando de bolsar de que a Portugal mais não resta que não seja a submissão à União Europeia e às suas imposições.

«Aqueles que no Governo têm a retórica da revolução socialista acabam por perder o pio ou fingem apenas que piam.»

Passado o tempo que passou, o filho do Sr. Teodoro da bomba de gasolina, ainda não conseguiu debelar a azia que o atingiu quando olhou a formação do Governo do PS com os apoios do PCP, do BE, do PEV.

O Partido Socialista já veio lamentar a intervenção, lembrando que enquanto esteve em Belém não tivesse «piado mais», contra a «troika» e o governo de direita de Passos e Portas, na defesa do povo e dos trabalhadores.

Ele nunca se engana e quando se engana não o reconhece.

Cavaco é um fulano que me irrita, que me coloca no limiar do vómito.

terça-feira, 30 de maio de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


Numa crónica publicada no Expresso de 4 de Junho de 1988, João Carreira Bom chamava a Oliveira e Costa «O Inimigo Público».

Oliveira e Costa era então Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do X Governo Constitucional chefiado por Aníbal Cavaco Silva.

Foi esta semana condenado a 14 anos de prisão por prática de burla qualificada enquanto esteve à frente desse cancro que dá pelo nome de BPN.

A crónica de João Carreira Bom, ver imagem acima, terminava assim:

Os portugueses continuarão a ser os maiores pagadores europeus, embora continuem a ter os piores transportes, as piores estradas, as piores escolas, os piores subsídios de desemprego. Assim, se pagam, não é porque grande vantagem pública no seu sacrifício individual: é porque têm medo, é porque a isso são obrigados, como obrigados são a esvaziara os bolsos, em lugar ermo, face à pistola de um malfeitor.

Das voltas e reviravoltas da nossa justiça, e após conhecimento da condenação de Oliveira e Costa, Carlos Rodrigues Lima escreveu, no Diário de Notícias, um imperdível texto de opinião:


sexta-feira, 7 de abril de 2017

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


Cada vez há menos pessoas a ficarem sentadas até ao fim do genérico.

Há também uma frase de Federico Fellini:

Sou muito pessimista porque creio que o público já não tem simpatia pelo grande ecrã. Mas não quero continuar a repetir as razões que seriam a causa da desafeição do público: a televisão, o medo de sair à noite, as repugnantes condições do cinema em Itália. O público perdeu o hábito de ir ver um filme porque o cinema perdeu o seu fascínio, o carisma hipnótico, a autoridade que outrora teve. A autoridade que outrora teve para todos nós — a de um sonho que sonhámos de olhos abertos — desapareceu. Será ainda possível que 1000 pessoas possam reunir-se às escuras e fazer a experiência do sonho dirigido por um único indivíduo?

E há um filme – tantos e tantos e tantos -mas a memória, no imediato, trouxe este: Era Uma vez na América.

Na vez primeira vi o filme no Berna que não era um primor de sala de cinema, depois passos a ser estúdio da TV da Igreja, uma benesse de Cavaco Silva enquanto primeiro-ministro, que redundou na TVI de hoje

Um filme intenso. 

Ler a última linha do crédito e, apesar da longa duração do filme, o desejo de não sair do lugar e voltar ao princípio do filme, aquele telefone a tocar…

Um filme alucinante desse extraordinário Sergio Leone, uma maravilhosa banda sonora assinada por Ennio Morricone que só, 500 bandas sonoras depois, a Academia se dignou celebrar.


segunda-feira, 20 de março de 2017

POSTAIS SEM SELO


Como Soares, à esquerda, também Cavaco não faz o pleno, à direita. Alguém que pense pela sua cabeça não pode ser nem cavaquista nem soarista o tempo todo.

Pedro Baldaia, Diário de Notícias

Legenda: fotografia de Rui Ochôa, publicada no Expresso.

sexta-feira, 3 de março de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


Salazar quis que o destino dos portugueses teria de ser pobre, humilde e melancólico.

Entendia que o luxo da cultura era uma afronta à mediocridade e à claustrofobia.

Nada é mais perigoso que um país sem memória.

O enorme buracão que é o BES, toda a banca portuguesa, é algo que, com toda a certeza, não será desvendado nos próximos cem anos.

Verdade ou mentira, já nem quero saber: veio nos jornais que o Grupo Espírito Santo terá distribuído mais de 90 milhões de euros por políticos e gestores de empresas. Mais de metade desse dinheiro terá ido para Zeinal Bava e Henrique Granadeiro. O Ministério Público acredita que os antigos gestores da PT receberam, no total, 48 milhões de euros por alegado favorecimento do GES em vários negócios.

De Ricardo Salgado dizia-se que era o dono disto tudo, dos outros dois dizia-se que eram os maiores gestores do planeta e arredores.

Há ainda a novela Caixa Geral de Depósitos, há agora o caso dos Offshores.

Há um ex-presidente da República que, por mera vingança, desata a divulgar as conversas que um ex-primeiro teve com ele  nas quintas-feiras de Belém.

Há ainda tanta coisa de uma gravidade de que não se consegue apurar o mínimo sinal.

A nossa política é uma pegada aldrabice, um vómito.

Relembro o que José Pacheco Pereira escreveu há dias:

… é uma afronta para os portugueses tomá-los por parvos!

Ou José Rodrigues Miguéis em Outubro de 1979:

«Nações pobres» são em geral as que se deixam governar e explorar por quadrilhas minoritárias de tiranos supostamente escudados numa qualquer doutrina ou ideologia, cuja finalidade real é sobretudo o «venha-a-nós-o-vosso vintém».

Que fazer?

Só me lembro do Manuel Bandeira:

Vou-me embora pra Pasárgada onde a existência e uma aventura.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

quarta-feira, 4 de maio de 2016

SIM, A CULTURA




Podemos não concordar com muitos dos pensamentos, opções ideias de Marcelo Rebelo de Sousa.

Mas é gratificante saber que temos um presidente que se preocupa com a cultura do país.

Alguma vez a múmia de Boliqueime se preocupou com o Acordo Ortográfico?

Nunca!

Apenas números.

E mesmo assim, mal!

quarta-feira, 9 de março de 2016

ATÉ NUNCA MAIS!


Cavaco já se foi.
Para a Travessa do Possolo, para a Casa da Coelha, para o raio que o parta!
Como cantava o Sérgio Godinho: 
Pode alguém ser quem não é!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

SARAMAGUEANDO

                                                                                               
Em fim de mandato, os presidentes da república desatam a galardoar uma série de gente, irrelevante gente, que pode ir do cabeleiro da mulher ao fornecedor de suspensórios.

Na semana passada, Cavaco Silva, cumpriu essa tradição.

Acontece que entre os condecorados estava António Costa de Albuquerque de Sousa Lara, com a Ordem do Infante D. Henrique, destinada a quem houver prestado serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro.

Ora, Sousa Lara ficou para a história por ter tomado, como subsecretário da cultura, a iniciativa de vetar o Evangelho Segundo Jesus Cristo de José Saramago, da lista de candidatos ao Prémio Literário Europeu do ano de 1992.

Fiama Hasse Pais Brandão e Pedro Tamén, também estavam nessa lista, mas em solidariedade para com Saramago, pediram para ser excluídos da candidatura.

Ao tempo, Sousa Lara, um idiota vaidoso, argumentou que a obra não representava Portugal, e a sua moral pífia, de mera rata-de-sacristia, levou-o a bolsar que o livro ataca princípios que têm a ver com o património religioso dos cristãos e, portanto, donde em vez de unir os portugueses, desunia-os.

Era Santana Lopes o secretário de estado da cultura e Aníbal Cavaco Silva o primeiro-ministro, o tal que nunca se engana e raramente tem dúvidas.

Nem Santana, nem Lara foram demitidos e Cavaco Silva sempre concordou com a decisão. Lara referiu mais de uma vez que a sua decisão teve o apoio do primeiro-ministro.

Houve mesmo um jantar de homenagem a Lara no Muxaxo, no Guincho.
    
Entre os duzentos convivas, estavam ministros do governo, representando o espirito de Cavaco, que acabou por enviar  um telegrama de solidariedade e D. Duarte Pio, em discurso, afirmou, com elegância monárquica e cristã que o livro era uma merda.

Interrogada pelo Público em relação à atitude de Sousa Lara, Agustina Bessa-Luís respondeu: Foi um acto impolítico. Deviam-me ter perguntado, eu explicava tudo, ninguém percebia nada, mas ficavam todos contentes.

Por efeito do triste e lamentável acto censório de que foi vítima, José Saramago passou a viver em Lanzarote.

Quando o senhor Sousa Lara já nem a si mesmo se representar, eu ainda representarei este país, disse, então, Saramago ao Expresso.

Hoje, não existem dúvidas que o estúpido, o abjecto acto de censura que o governo de Cavaco Silva exarou sobre O Evangelho Segundo Jesus Cristo, desencadeou uma repercussão internacional, que fez voltar as atenções para a pessoa e o escritor José Saramago.

Do lamentável incidente governativo ao Nobel, foram apenas alguns passos.

Cavaco Silva, que não gosta de livros nem de comunistas, arrasta consigo o pesadelo de ter feito com que José Saramago entrasse na engrenagem da Academia sueca para atribuição do Nobel.

Cavaco Silva nunca leu José Saramago.

Certa vez, titubeou que tentara mas achou-o maçador, não sabe se por falta dos pontos finais, das vírgulas, dos pontos e vírgulas.

Sousa Lara foi o idiota vaidoso a quem deram uma cadeira de poder.

Apenas agarrado ao poder por mera vaidade e não pelo dinheiro.

Segundo Francisco Sousa Tavares, num artigo no Publico desse ano de 1992, Lara é milionário por dois lados: o lado Alnodovar da sua mãe – das maiores fortunas em posse de terras do Alentejo – e a herança dos Sousa Lara que, na exploração do café e dos negros, trouxeram de Angola uma enorme riqueza.

José Saramago dirigiu sempre as suas críticas para a pessoa do primeiro-ministro Cavaco Silva, ele sim o grande culpado pelo lamentável incidente, não só por ter escolhido atrasados mentais para o seu governo, como nunca se ter desmarcado do acontecimento.

Não cabe nas minhas forças evitar a existência dos «dráculas», mas nada poderá obrigar-me a apertar-lhes as mãos, escreveu no 3º volume dos Cadernos de Lanzarote.

Pilar del Rio, viúva de Saramago, qualifica a condecoração de Cavaco a Lara de triste fim.

Acrescentando: Coitados, um e o outro.

Com esta condecoração ao Lara Cavaco Silva mostra aquilo que sempre foi: um rancoroso, um insensível, um vingativo, um inculto, um medíocre, um cínico.

Enfim:  um ser DESPREZÍVEL!

Legenda: na fotografia, o Lara idiota é o segundo a contar da esquerda.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

NOTÍCIAS DO CIRCO


Cavaco em queda livre na sondagem do Expresso.

À VOLTA DOS EDITORES


Podemos não concordar com as ideias políticas, e outras, de Marcelo Rebelo de Sousa, mas sabemos que é um homem culto, um académico que gosta de livros, que gosta de futebol.

Bem ao contrário da múmia que ainda se passeia por Belém.

O editor José Antunes Ribeiro, dono da Ulmeiro, a histórica livraria da Avenida do Uruguai em Benfica, atravessa momentos difíceis e, ontem, o futuro Presidente da República foi dar um abraço de solidariedade ao José Antunes Ribeiro.

A Ulmeiro, em tempos de ditadura, também depois do 25 de Abril, sempre cumpriu uma missão fundamental: publicar livros que outros editores, por medo-fosse-do-que-fosse, recusaram colocar nas mãos dos leitores.

Assim de repente, lembro-me de As Armas Estão Em Boas Mãos do Capitão Fernandes.

Como a situação financeira da livraria há muito se arrasta, o aumento da renda criou maiores dificuldades, o António Ribeiro, através do facebook, tem vindo a fazer leilão de livros, dos cerca de 200.000 que estão pelas prateleiras, pacientemente organizados por Lúcia, sua mulher.

Pela livraria também se passeia o gato Salvador, terna companhia do Zé Ribeiro e da mulher.

À agência Lusa, contou:

Sou de origem camponesa, não tenho muito esse feitio de estender a mão. Não gosto, não está no meu caráter. Há pessoal que me tem dito ‘fazemos isto e aquilo’. Eu jamais aceitaria qualquer coisa do estilo de esmola. A única coisa que estamos disponíveis é para vender barato. Isso não me importo, para ajudar a resolver o problema”, contou.
Um puto que nasceu numa aldeia onde não se lia, como era o meu caso, numa casa onde não havia livros, com pais analfabetos, que descobriu as bibliotecas itinerantes da Fundação Gulbenkian e uma professora primária, que teve uma influência enorme, optando por vir para Lisboa para ser livreiro-editor.

Às quintas-feiras almoçava com o António Lobo Antunes, tal como conta o escritor, no 3º volume das suas Crónicas, um pedacinho de história que há muito anda para ser Postal ou Quotidianos:

E às quintas-feiras almoço nos Moinhos da Funcheira com o Zé Ribeiro, o Zé Francisco, o Vitorino. Os Moinhos da Funcheira são o subúrbio do subúrbio, depois da Venda Nova, da Brandoa, da Pontinha: toda a gente acha feia e eu acho lindo.

Numa visita à Ulmeiro, perguntei como iam os almoços.

Já quase não se realizam. O António está um chato levado do diabo.

A Ulmeiro fica no nº 13-A da Avenida do Uruguai, ex-libris do bairro de Benfica.

Estão por lá livros importantíssimos, que já não se encontram em parte alguma, a preços que são quase um escândalo de baixo custo.

Merece uma visita.

Passar por lá para ajudar a manter aquele espaço aberto.

É sempre tarde quando se chora.

Quando as livrarias fecham, os cinemas fecham, saltam as lágrimas de crocodilo.

E é sempre tarde, quando se chora.

Legenda: fotografia da Câmara Municipal de Lisboa

domingo, 24 de janeiro de 2016

NOTÍCIAS DO CIRCO


Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito Presidente da República.

Emídio Rangel disse um dia que uma estação de televisão que tem 50% de share vende tudo, até o Presidente da República! Vende aos bocados: um bocado de Presidente da República para aqui, outro bocado para acoli, outro bocado para acolá, vende tudo! Até sabonetes!

Com a eleição do novo presidente da República deixamos de aturar a múmia cavaco-silva-mais-a-sua-maria:

Saio no dia 9 de Março e já tenho direito a descanso.

Mas, lembrando Woody Allen, a propósito da eleição de Gerge W. Bush, o novo inquilino de Belém é bem o tipo de palhaço de que não precisamos.