Mostrar mensagens com a etiqueta Cerejas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cerejas. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

OLHAR AS CAPAS


O Retorno

Dulce Maria Cardoso
Tinta-da-China, Lisboa,  Março de 2012

Mas na metrópole há cereja. Cerejas grandes e luzidias que as raparigas põem nas orelhas a fazer de brincos. Raparigas bonitas como só as da metrópole podem ser. As raparigas daqui não sabem como são as cerejas, dizem que são como as pitangas. Ainda que sejam, nunca as vi com brincos de pitangas a rirem-se umas das outras como as raparigas da metrópole fazem nas fotografias.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

QUOTIDIANOS


As cerejas estão a acabar.
Parece que o Verão chegou a Portugal.
A corrupção alastra nas autarquias.
Não há meio de sabermos o que se passou realmente no roubo de armamento em Tancos.
Vítor Constãncio recebe de reforma do Banco Central Europeu 17 mil euros e 17 mil de Portugal. O que fez na estranja não é público, o que (não) fez em Portugal vai-se sabendo aos poucos, mas perdeu a memória e Joe Berardo continua a rir-se.
Soube-se agora que a campanha de Cavaco Silva á presidência da República beneficiou de dez cheques de 25.000 euros provenientes do saco azul gerido por Ricardo salgado no BES.
Soube-se hoje que somos menos, que estamos mais envelhecidos e que a taxa de pobreza diminuiu um pouco mas continua elevada e que afecta os jovens até aos 18 anos e os adultos com mais de 65 anos.
As televisões, diariamente, ocupam horas e horas e horas e horas de futebol.
Hélia Correia, uma escritora portuguesa, venceu o com o seu livro Um Bailarino na Batalha venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores. Talvez alguma televisão tenha gasto 3 segundos com a notícia.
Dizem que a chuva talvez volte amanhã.
A certeza é que quando as cerejas acabarem, só as voltaremos a ver lá para o Natal, vindas do Chile, a preços astronómicos.
No dia 20 de Julho, um sábado, às 21H30 irei rever, na Cinemateca, Belarmino, esse belo filme de Fernando Lopes.
No meio disto tudo, lembrar que Mário de Carvalho começa assim o seu livro Fantasia para Dois Coronéis e uma Piscina:

«Assola o país uma pulsão coloquial que põe toda a gente em estado frenético de tagarelice, numa multiplicação ansiosa de duos, trios, “ensembles”, coros. Desde os píncaros de Castro Laboreiro ao Ilhéu de Monchique fervem rumorejos, conversas, vozeios, brados que abafam e escamoteiam a paciência de alguns, os vagares de muitos e o bom senso de todos. O falatório é causa de inúmeros despautérios, frouxas produtividades e más-criações.
Fala-se, fala-se, fala-se, em todos os sotaques, em todos os tons e decibéis, em todos os azimutes. O país fala, fala, desunha-se a falar, e pouco do que diz tem o menor interesse. O país não tem nada a dizer, a ensinar, a comunicar. O país quer é aturdir-se. E a tagarelice é o meio de aturdimento mais à mão.»

quinta-feira, 6 de junho de 2019

A MEDIDA DE WALL STREET


Temos as melhores cerejas do mundo.
As melhores das melhores são exportadas para que os «mon cherie» que se comem pelo mundo, tenham aquele toque tão especial.
Sobre cerejas, Agustina tem uma tirada interessante. Conto a história:
Artur Portela Filho perguntou à escritora se a cultura portuguesa é, Portugal, e só, em que medida é Europa, em que medida é Mundo. Respondeu-lhe a escritora:

«Evidentemente que Portugal é Europa. Mas uma Europa de refugiados, um lugar mantido em independência para servir de exílio a vencidos e enganados. Uma Suiça doutro, onde nada se agita e tudo se murmura. Portugal foi mundo de mercadores, pátria para imigrados, delícia dos tímidos e calamidade para santos e perversos. Para o meio termo é boa casa, e não digo em sentido pejorativo, muito pelo contrário. E Alijó, no tempo das cerejas, tem a medida de Wall Street.»

sexta-feira, 23 de março de 2018

OUVE VOU DIZER-TE


ouve vou dizer-te
abre com os dedos uma cereja
daquelas de fazer brinco quando a brisa é boa
tira-lhe o caroço
verás como isso é arrancar o coração do tempo
o carmesim do suco
é o choro e o riso
dos que se amam impacientes e belos

Abel Neves em Resumo: a poesia em 2012

segunda-feira, 4 de julho de 2016

O TEMPO DAS CEREJAS


As cerejas portuguesas apresentaram-se atrasadas.

O clima foi terrível para as cerejas: não fez frio quando dele precisavam e a constante chuva fez a sua aparição quando o que elas necessitavam era de sol.

As cerejas que vão aparecendo não prestem e são caras.

As grandes superfícies vendem cerejas espanholas.

São bonitas, mas não são doces.

Sabe-se de há muito: não há cerejas como as portuguesas.

Assim o tempo tivesse ajudado.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

OLHAR AS CAPAS


O Complexo de Van Gogh

Álvaro Manuel Machado
Colecção Campo da Literatura nº 59
Campo das Letras, Porto, Maio de 2001

Cheguei em princípios de Junho. E, desde logo, senti a falta dum gosto profundo que vinha da infância nessa época do ano: o da cereja, a minha fruta preferida. Preferida por fora e por dentro, porque redonda e dum vermelho eroticamente harmoniosos, sem excessos. Havia, é claro, outras frutas, as variadas frutas exóticas, que porventura seriam mais sensuais, nessas paragens onde até o ar se torna fruto, se torna comestível. Mas a sensualidade está, de facto, condicionada pela civilização de cada um. Nada a fazer.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

POSTAIS SEM SELO


Mas na metrópole há cerejas. Cerejas grandes e luzidias que as raparigas põem nas orelhas a fazer de brincos. Raparigas bonitas como só as da metrópole podem ser. As raparigas daqui não sabem como são as cerejas, dizem que são como as pitangas. Ainda que sejam, nunca as vi com brincos de pitangas a rirem-se umas com as outras como as raparigas da metrópole fazem nas fotografias.

Dulce Maria Cardoso

Legenda: Brincos de Cereja, pintura de Frederick Morgan

domingo, 8 de setembro de 2013

A CEREJA


Lisboa.
Martim Moniz.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

POSTAIS SEM SELO


E havia uma rua. Havia uma casa.
Havia um cesto de cerejas sobre a mesa.
Havia um puro cheiro a pão. Uma varanda
e roupa branca  a secar.
Havia um a pátria.

Manuel Alegre em O Canto e as Armas, Edição de Autor, Novembro 1967.

Legenda: óleo de Bernard Londinsky.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O TEMPO DAS CEREJAS


Uma conversa antiga ouvida a um produtor de cerejas:

A produção das cerejas custa-me três euros o quilo, mas as centrais de compra não me oferecem mais de um euro. Uma semana depois, no supermercado,vejo as minhas cerejas à venda a 6 e 7 euros o quilo

quinta-feira, 12 de maio de 2011

POSTAIS SEM SELO


Quero fazer contigo
o que a primavera faz com as cerejeiras.

Pablo Neruda

Legenda: imagem tirada daqui

OLHAR AS CAPAS


Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada

Pablo Neruda
Tradução: Fernando Assis Pacheco
Desenhos: Cipriano Dourado
Capa: Fernando Felgueiras
Publicações Dom Quixote, Lisboa, Fevereiro 1974

Brincas todos os dias com a luz do universo.
Subtil visitadora, chegas na flor e na água.
És mais do que a pequena cabeça branca que aperto
como um cacho entre as mãos todos os dias.

Com ninguém te pareces desde que eu te amo.
Deixa-me estender-te entre grinaldas amarelas.
Quem escreve o teu nome com letras de fumo entre as estrelas do sul?
Ah, deixa-me lembrar como eras então, quando ainda não existias.

Subitamente o vento uiva e bate à minha janela fechada.
O céu é uma rede coalhada de peixes sombrios.
Aqui vêm soprar todos os ventos, todos.
Aqui despe-se a chuva.

Passam fugindo os pássaros.
O vento. O vento.
Eu só posso lutar contra a força dos homens.
O temporal amontoa folhas escuras
e solta todos os barcos que esta noite amarraram ao céu.

Tu estás aqui. Ah tu não foges.
Tu responder-me-ás até ao último grito.
Enrola-te a meu lado como se tivesses medo.
Porém mais que uma vez correu uma sombra estranha pelos teus olhos.

Agora, agora também pequena, trazes-me madressilva,
e tens até os seios perfumados.
Enquanto o vento triste galopa matando borboletas
eu amo-te, e a minha alegria morde a tua boca de ameixa.

O que te haverá doído acostumares-te a mim,
à minha alma selvagem e só, ao meu nome que todos escorraçam.
Vimos arder tantas vezes a estrela d’alva beijando-nos os olhos
e sobre as nossas cabeças destorcerem-se os  crepúsculos em leques rodopiantes.
As minhas palavras choveram sobre ti acariciando-te.
Amei desde há que tempo o teu corpo de nácar moreno.
Creio-te mesmo dona do universo.
Vou trazer-te das montanhas flores alegres, “copihues”,
avelãs escuras, e cestos silvestres de beijos.
Quero fazer contigo
o que a primavera faz com as cerejeiras.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

VOZ


Vindo do oeste, ao fim da tarde,
era quase branco o pássaro que pousava
naquele jardim,
na árvore do pai.
E então, como quem esquece as razões de uma
profunda mágoa,
eu podia adormecer serenamente,
ouvindo a sua voz nos ramos da cerejeira,
chamando devagar.

José Agostinho Baptista

Legenda: “Natureza morta com prato de cerejas”, pintura de Paul Cézanne

terça-feira, 5 de abril de 2011

O TEMPO DAS CEREJAS


Dizem-me: as cerejeiras começam a florescer.

Claro que não vale a pena lamuriar o já não esperarmos a fruta da época porque as frutas se estendem por todo o ano, vindas daqui, dali, dacolá.

No Natal, vindas do Chile, é possível comprar cerejas.

O ciclo, o ritmo das estações, já não é aquele que aprendemos na instrução primária, juntamente com as serras e os rios, os seus afluentes, as linhas férreas de Moçambique e Angola.

Mas é acariciante saber que para os lados da Gardunha, nos quintais por aí, as cerejeiras começam a estar em flor.

O LADRÃO DE CEREJAS

“Uma manhãzinha, muito antes do cantar do galo,
Fui acordado por um assobio e fui à janela.
Na minha Cerdeira – o crepúsculo enchia o jardim –
Estava sentado um moço de calças remendadas
A colher muito animado as minhas cerejas. Ao ver-me
Acenou-me co’a cabeça, e com ambas as mãos
Colhia as cerejas dos ramos para os bolsos.
Durante muito tempo, já outra vez na cama,
Ainda o ouvi assobiara a sua canção alegre.”

Bertolt Brecht em “Poemas e Canções”, tradução  de Paulo Quintela, Livraria Almedina, Coimbra, 1975.

Legenda: “O Tempo das Cerejas”, aguarela de Bruschetti

quinta-feira, 18 de março de 2010

O TEMPO DAS CEREJAS


Hoje é o dia da Comuna de Paris.

Hoje é o tempo das cerejas.

O Google diz-nos que A Comuna de Paris é a Primeira experiência de ditadura do proletariado na história, governo revolucionário da classe operária criada pela revolução proletária em Paris. Durou 72 dias: de 18 de Março a 28 de Maio de 1871.A Comuna de Paris foi resultado da luta da classe operária francesa e internacional contra a dominação política da burguesia. A causa directa do surgimento da Comuna de Paris consistiu no agravamento das contradições de classe entre o proletariado e a burguesia decorrente da dura derrota sofrida pela França na guerra contra a Prússia (1870-1871). O empenho do governo reaccionário de Thiers de fazer recair o fardo dos gastos da guerra perdida sobre os amplos sectores da população originou um poderoso movimento das forças democráticas.

O Tempo da Cerejas" é uma canção, também, o blogue de Vítor Dias, (http://www.tempodascerejas.blogspot.com/) e nele pode ler-se:

"Esta canção de Jean Baptist Clément (letra) e Antoine Renard (música) foi escrita em 1866 sendo portanto anterior à Comuna de Paris (que durou de 26 de Março a 28 de Maio de 1871) e não é um canto revolucionário, mas uma cançoneta de amor. Algumas informações apontam porém para que a última estrofe, posteriormente dedicada, segundo o testemunho de Louise Michel, a uma enfermeira morta em defesa da Comuna, foi escrita sob a influência da «semana sangrenta» em que dezenas de milhar de combatentes da Comuna foram cruelmente massacrados. Foi pois neste contexto histórico que esta canção se tornou um símbolo das imensas esperanças que a Comuna de Paris tinha gerado".

Transcrevo o poema de “O Tempo das Cerejas”. A tradução é de Rui Almeida:





“Quando cantarmos no tempo das cerejas,

E o feliz rouxinol mais o melro gozão
Andarem em festa.
As formosas terão tolice na testa
E os namorados sol no coração...
Quando cantarmos no tempo das cerejas,
Assobiará melhor o melro gozão
Mas passa depressa, o tempo das cerejas,
Quando os namorados colhem, a sonhar,
Brincos de princesa!
Cerejas de amor de igual beleza,
Caem sobre as folhas, qual sangue a pingar.
Mas passa depressa, o tempo das cerejas,
Brincos de coral colhidos a sonhar!
Quando vos chegar o tempo das cerejas,
Se tiverdes medo das coitas d'amor,
Evitai formosas.
Mas eu que não temo penas dolorosas,
Não hei de perder um só dia de dor...
Quando vos chegar o tempo das cerejas,
Haveis de ter também vossas coitas d'amor.
Sempre adorarei o tempo das cerejas:
Guardo desse tempo no meu coração
Uma chaga aberta.
E mesmo a Fortuna, posta como oferta,
Jamais poderá tirar-me esta aflição...
Sempre adorarei o tempo das cerejas
E esta memória no meu coração.”