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terça-feira, 13 de junho de 2017

LISBOA E DESFADOS


Construir a cidade e dá-la a toda gente.
Lisboa é uma cidade que vê com os pés. «andando pensa-se melhor do que sentado», diz o João Botelho
«O que há em Lisboa?» pergunta Bogart na tela da sala escura.
Lisboa de Cesário Verde, «nas nossas ruas, ao anoitecer, há tal soturnidade, há tal melancolia», Lisboa de José Gomes Ferreira, Lisboa do Armindo «decerto esta é a mais bela cidade de todas as cidades do mundo, e hoje toda a cidade me fala de ti», Lisboa de Eugénio de Andrade «alguém diz com lentidão: Lisboa, sabes…». Lisboa de António de Sousa «de mal te conhecer é que eu sofria, cidade clara em tuas sete colinas!», Lisboa «cidade branca» de Tanner. Ou Fernando Assis Pacheco: «se fosse Deus parava o sol sobre Lisboa», Lisboa que «cheira aos cafés do Rossio, cheira a castanha assada se faz frio. A fruta madura quando é Verão». Lisboa de José  Cardoso Pires, «logo a abrir, pareces-me pousada sobre o Tejo como uma cidade de navegar», Lisboa de José Saramago, Lisboa de José Rodrigues Miguéis, Lisboa de Alexandre O’Neill «se uma gaivota viesse trazer-me o céu de Lisboa»,  a «Lisboa menina e moça de Ary dos Santos», Lisboa de tanta e tanta gente, «chamar-te a ti Lisboa camarada e depois eu sei lá enlouquecer», para citar Joaquim Pessoa, lembrar Desfado da Ana Moura e, hoje, por aqui ficar.

domingo, 25 de outubro de 2015

OLHAR AS CAPAS


Como Não Quer a Coisa

Eduardo Guerra Carneiro
Prefácio: Vitor Silva Tavares
Capa e «hors-texte» de Carlos Ferreiro
Edições &etc. Lisboa, Agosto de 1978

PREFÁCIO A UMA HOMENAGEM A CESÁRIO VERDE

As clarabóias deste lado da cidade acendem-se mais cedo.
sinal que alguém projecta o fogo sobre o bairro
incendiando casas, talvez certas pessoas, as ruas
mais estreitas junto ao Tejo. Em manhãs como esta o sol
entra na mesa e pára junto às teclas. Parece um sorriso;
diria mesmo uma ternura. Poucos são os Palácios, mas imenso
é o espaço. E as águas, no rio e junto às teclas, acendem-se
com o fogo de outras clarabóias.

Depois são as luzes, as indústrias, o último petroleiro.
Descansam moradores em casas altas
enquanto se ergue a cidade nocturna de bares e liamba
e cresce um ou outro clandestino. É tempo de sair
por entre a névoa; rondar as esquinas; sorrir à puta;
apertar o copo; sentir o suor da cidade, corpo a tremer
de frio e febre neste tempo de amoníaco e éter
com ambulâncias lentas a caminho da morgue.

Antes ainda das luzes, quando, à maneira de Cesário,
o fumo se eleva no espaço, o recorte das fachadas
é mais nítido, o vermelho de Lisboa é mais intenso,
podemos imaginar escadas cansadas da madeira,
fogões acesos nas cozinhas,
crianças já com sono,
etc, etc...

terça-feira, 25 de março de 2014

OLHARES



Tenho a vaga ideia de que foi num dos programas dominicais do João Villaret na televisão a preto-branco, que ouvi a história:

Cesário Verde desce o Chiado. Alguém do outro lado da rua  grita:

- Adeus oh Cesário Azul!

O poeta respondeu:

- Adeus oh troca-tintas!

Em Lisboa, a estátua de Cesário Verde encontra-se no Jardim com o seu nome, na Praça Ilha do Faial, junto à Rua de  Dona Estefânia.

 Ao entardecer, debruçado pela janela,
 E sabendo de soslaio que há campos em frente,
 Leio até me arderem os olhos
 O livro de Cesário Verde.

Alberto Caeiro