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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

POSTAIS SEM SELO


«Foi Jean-Luc que teve a culpa. Eu já amava desarvoradamente as canções de Charles Aznavour. Calções de 12 anos, ainda dar a mão a uma miúda me deixava em estado de temor e tremor, e já as canções dele me faziam estremecer de uma escondida emoção, por recear que pudesse ser um bocadinho mariquinhas.»

Manuel S. Fonseca no blogue A Página Negra

Legenda: capa do Libération

terça-feira, 2 de outubro de 2018

CHARLES AZNAVOUR (1924-2018)


Charles Aznavour, arménio, francês, cidadão do mundo, deixou-nos no domingo.

Conta a lenda que Charles Aznavour teve uma paixoneta por Amália Rodrigues, ou como dizem os franceses, uma «amitié amoureuse» e escreveu-lhe  uma canção: «Ay, mourir pour toi.»

Aznavour sempre falou do «savoir se retirer», assim como quem diz que devemos sair quando é tempo, deixar saudades e não cansaço.

Nunca seguiu à risca os conselhos que dava, fez muito bem. 

Com as suas canções marcou a vida de muita gente.

O meu pai, sempre que ouvia «La Mamma», chorava.


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

RELACIONADOS

Paris é sempre Paris.
Paris é uma festa, escreveu Hemingway.
Bogart e Bergman, no Casablanca, diziam-se que teriam sempre Paris.
Madame Maigret gostava de Paris no mês de Março.
Charles Aznavour não se faz rogado e canta-nos que em Maio e Outubro é que é.
Charles Trenet traz-nos o Abril de Paris.
E um rapaz do meu tempo, Paul Anka, arrisca tudo em sob os céus de Paris, um hino para amar as pessoas.




quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Por feitio, os publicitários são uns exagerados.
Mas não neste cartaz que anuncia o concerto de Charles Aznavour, no próximo sábado, em Lisboa, chamando-lhe Uma Lenda Viva.
O cantor tem 92 anos e prossegue a sua volta ao mundo mostrando as suas canções: novas e velhas.
É obra.
No dia dos seus 89 anos disse:
Terei ainda durante muito tempo força para me aguentar em palco?
A resposta tem vindo a ser dada com os seus sucessivos concertos.

domingo, 9 de novembro de 2014

PORQUE HOJE É DOMINGO


O olhar dominical passa hoje pelo filme Notting Hill.
                                                                                       
Ann Scott (Julia Roberts) e Wiliiam Tcaker (Hugh Grant) passeiam à noite, num jardim de Londres.

 Olham um banco de jardim onde se pode ler:

Para a June que amava este jardim. De Joseph que sempre se sentava a seu lado.

Ann comenta para William:

Ainda há pessoas que passam toda uma vida juntas.

Fiquem, agora, com She, canção que aparece no filme nas versões de Charles Aznavour e Elvis Costello.

Ficam as duas.

Bom domingo.

Ela é o rosto que não consigo esquecer
um rosto de prazer ou pesar
o meu tesouro ou o preço que terei de pagar
Ela é o espelho do meu sonho
um sorriso reflectido num riacho
Pode ser o esfriar que o Outono traz
pode ser centenas de coisas
No mesmo dia ela pode ser a bela ou o monstro
pode ser a imagem do meu sonho
reflectido num riacho
Ela não pode ser o que aparenta
fechada na sua concha
Ela parecendo sempre tão feliz entra a multidão
cujo olhar é tão misteriosos e tão altivo
que não permite a ninguém vê-la chorar
Ela é o amor que não posso esperar que perdure
Pode surgir-me das sombras do passado
que não esquecerei até ao dia da minha morte
Ela é a razão da minha existência
o motivo pelo qual existo
Aquela que hei-de amar
Nos anos bons e difíceis
Eu sorvo o seu riso
e as suas lágrimas
E faço delas as minhas recordações
Pois onde ela estiver eu terei de estar
O sentido da minha vida
É ela.

(A tradução é a que aparece no filme.)


quinta-feira, 22 de maio de 2014

VELHOS DISCOS


Charles Aznavour faz hoje 90 anos.
Achei por bem voltar aos velhos discos que comprei na Grande Feira do Disco.
É impossível escolher uma canção de Charles Aznavour porque gosto de tudo, pelo menos as que conheço.
Este disco comprei-o em Março de 1969 e, para a altura, registava o melhor de Aznavour.
Mas a escolha de uma destas canções tem um valor sentimental: La Mamma.
O Freitas, meu sogro, gostava imenso desta canção.


Por ele, e pelo Aznavour, recordo-a aqui.

BON ANNIVERSAIRE


Tem andado por tudo o que é mundo, já esteve várias as vezes em Portugal.

Em Agosto de 1968 foi convidado cinco estrelas do Festival da Costa Verde.

Em trânsito para o Porto, passou por Lisboa e foi dizendo ao repórter do Diário Popular  que começou a cantar porque era isso o que gostava de fazer. Da música portuguesa apenas conhece Amália Rodrigues e Alfredo Marceneiro. Acima de tudo gosta de viver, gosta do trabalho, do amor, da amizade e detesta coisas inertes, negativas, O repórter lembra-lhe que os seus «cachets» são sempre exorbitantes. Simplesmente responde com uma verdade indesmentível:

É preciso ser bem pago para se trabalhar bem.


Em 1988, a CNN elegeu Charles Aznavour artista do século pela simples simples razão de que não se considera uma estrela e mostra-se sempre como um trabalhador incansável da canção, talvez o último «crooner».

Em 2001 anunciou a retirada, mobilizando um mar de gente para aqueles que seriam os seus derradeiros espectáculos, mas chegou à conclusão que ainda não estava preparado
.
Anda em tournée de despedida desde o Outono de 2006, passou por Lisboa em 23 de Fevereiro de 2007 dando um espectáculo no Pavilhão Atlântico.

Continua a viajar, a eterna tournée de despedida.

Logo à noite dará um espectáculo de gala em Berlim e há dias anunciou que já marcou  o seu último espectáculo: 22 de Maio de 2024, o dia em que fará 100 anos.

Ninguém acredita.

Este francês de origem arménia, que já compôs milhares de canções, participou em dezenas e dezenas de filmes, faz hoje 90 anos.

É um velho companheiro da vida de muita gente espalhada pelo mundo.

Parabéns sr. ShahnourVaghinagh Aznavourian e, pelo manos, até 2024.


Legenda: o recorte do Diário Popular é de 18 de Agosto de 1968.



sábado, 17 de dezembro de 2011

SODADE


Quando no dia 24 de Setembro, numa entrevista ao Le Monde, Cesária Évora afirmou que, por conselho médico, teria de terminar a carreira e regressava a S. Vicente, sua terra natal, sabia ela, ficámos a saber nós, que o fim não estaria longe.

Há dias, puxei para aqui uma conversa em que a Cise revelava que nunca teve cuidados com a voz, e fumar cigarro e tomar uns copos era uma óptima receita, experiências de uma vida difícil para o sustento diário, andar de navio em navio, de bar em bar, até que José da Silva a levou para França.

Gostava de ter sido reconhecida primeiro em Portugal, mas foram os franceses que a colocaram nos palcos do mundo e guardou sempre essa mágoa que, juntamente com outras, agora, aos 70 anos, partiram com ela.

Viajava sem sapatos na mala e justificava o insólito dizendo quem cantava era Cesária e não os sapatos.

Gostava de Bilie Holiday, Charles Aznavour, Edith Piaf, Nat King Cole, Amália.

Por esse caminho longe, partiu para outras cantorias, tomando um groguinho de Santo Antão, sorrirá ao ouvir o amigo Tito Paris dizer que o artista e o poeta praticamente não morrem. Desaparecem mas não morrem e nós vamos ouvir Cesária até ao fim da nossa vida, ela vai existir com as suas mornas e coladeras até ao último dia das nossas vidas.

Em jeito de lembrança fica aqui uma crónica de Eduardo Pardo Coelho, publicada no Público, quando Cesária Évora foi agraciada com o Grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito.

domingo, 14 de março de 2010

OS CLÁSSICOS DO MEU PAI



O meu pai gostava dos trompetistas Harry James (“O Voo do Moscardo”) e Eddie Calvert (“Oh Mein Papa!” e “Zambezi”), da “Malaguena” cantada pelo Luis Alberto del Paraná e o seu trio “Los Paraguayos, da “Picolissima Serenata” pelo Renato Carosone, da “Granada” cantada pelo Mário Lanza, também havia uma versão do Luiz Piçarra, do "Piove" cantada pelo Domenico Modugno, "La Mamma" do Charles Aznavour.Lembro-me quando chegou a casa com o “Rock Around The Clock” do Bill Haley e os seus “Cometas”. As vezes que, nesse dia, o disco tocou.

Tudo discos de 78 rotações por minuto que, ao longo dos anos, se foram partindo.

Mas gostava, particularmente, do “Que Sera Será”, cantado pela Doris Day.

Para quem não saiba, esta era a canção que em “O Homem Que Sabia Demais” do Hitchcock, Doris Day, no papel de Jo Mckenna, costumava cantar ao filho, e que será a chave que há-de permitir que o filho seja libertado das mãos dos raptores.

Por sinal, uma canção que, também impressionou Ezra Pound, sabe-se lá bem porquê.

“Que Sera, Sera,
Whatever will be, will be
The future's not ours, to see
Que Sera, Sera will be, will be.”

Ray Evans, o compositor de “Que Sera, Sera” que, com 92 anos, morreu em Fevereiro de 2007, dizia aos amigos que uma das coisas que o encantava era o facto de as suas melodias terem sobrevivido ao longo de tantas décadas.

Já agora, também da autoria de Ray Evns, é o Tema Musical da celebérrima série “Bonanza”.

O meu pai, em determinada altura, comprou uns LPs da "Philips” da série “Popular Favourites”, que reuniam êxitos da música norte-americana. Por lá andavam, entre outros, o Louis Armstrong a interpretar “Mack The Knife”, Rosemary Clooney a cantar “This Old House”, o Frankie Laine a cantar “Jezebel”, o Johnnie Ray a cantar “Hernand’s Hideway”.O descaminho que alguns destes discos levaram , é um mistério.

Também gostava de canções napolitanas e tinha um LP, que não mais lhe pus os olhos.

Lembro-me perfeitamente da capa, em tons de azul, com o mítico Vesúvio, esse monstro adormecido, em fundo.

“Ver Nápoles e depois morrer”.

Terá algum dia dito?

Mas, acima de tudo, do que o meu pai gostava era de música clássica.

Ouvir música clássica, a televisão ainda não tinha entrado porta dentro, era um ritual da casa. Volta e meia ouvia-se o no corredor: “Vamos embora que vou pôr a 9ª Sinfionia”.

Não era um convite, era quase uma ordem, e eu e o meu avô avançávamos para o escritório e ali ficávamos, em profundo silêncio, a ouvir Beethoven.

É uma imagem gratificante que guardo: os três sentados, rodeados de livros, a ouvir música clássica.

Os discos de música clássica foram os únicos que não levaram descaminho.

Aos poucos irão aparecendo por aqui.

Começo com a 9ª Sinfonia de Anton Dvorak, a “Novo Mundo”.

Não foi o primeiro disco de música clássica que o meu pai comprou. Simplesmente, anos mais tarde, por motivos que contarei em “Memórias”, esta sinfonia, no correr dos anos, ficou a marcar alguns dos meus dias.

Para sempre.

A gravação é da Deutsche Gramophon, e a Orquestra Filarmónica de Berlin é dirigida por Ferenc Fricsay.Edição alemã, Agosto de 1956.