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sábado, 2 de junho de 2018

PRAZERES


- Com a breca! – exclamou de súbito Jean Charles.
- Que aconteceu?
- Esqueci-me na mala de uma coisa que trazia para ti… algumas caixas de «Boyards».
- Como? – inquiriu Gilles.
- Sim, meu caro, os teus queridos «Boyards», da manufactura do Estado. Vendem-se em Marrocos.
- Palavra?
Gilles sentiu invadi-lo um grande contentamento. Tivera sempre saudades desses cigarros, que tinham sido os seus preferidos durante vinte e cinco ano,
- Fumei o último em Agosto de 1940 – murmurou. – Supunha que nunca mais tornaria a fumar disso.
- Tê-los-á amanhã. Trouxe duas caixas para ti.
- Não imaginas o prazer que me dás.

Jaques Decrest em Fumo Sem Fogo

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

POSTAIS SEM SELO


- Não devias fumar. O tabaco pode-te dar cancro no pulmão.
- Mas porque preferir o cancro noutro sítio?

Vergílio Ferreira em Conta-Corrente 4º Volume

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

QUOTIDIANOS


Pedro Neves pôs o candeeiro de petróleo em cima duma cadeira poeirenta. Emagrecer, o rosto parecia alongar-se na sombra projectada na parede branca. Reprimiu um gesto, talvez uma palavra.
- Comprendo. Exponha-se o menos possível, peço-lhe. Se ninguém vem aqui…
- Não, ninguém. Só eu.
- … o esconderijo parece seguro. Mas são só dois dias, o máximo três.
Apertaram as mãos com muita força. Antes de fechar a porta, Judite voltou-se para ele.
- Que cigarros fuma?
-  Unic.
- Tem graça, são os do meu pai, Trago-os amanhã.
E sorriu.

Álvaro Guerra em Café República

O meu pai também fumava cigarros Unic, tabaco negro. Três maços por dia, cigarros que o ajudaram a viver e acabaram por o matar.

Legenda: imagem tirada de Tododcoleccion

segunda-feira, 24 de julho de 2017

DE FAZER CORAR O MAIS LIBERAL DOS FUNDAMENTALISTAS



O meu sobrinho Luís contou-me este Verão uma história deliciosa, daquelas de fazer corar o mais liberal fundamentalista. Um amigo dele (vinte anos e picos) deu cabo de alguns ossos num desastrado salto à vara. Levado para o hospital, o médico que lhe viu os primeiros raios X fez cara de poucos amigos. Mandou preparar o bloco operatório e murmurou entre dentes qualquer coisa como: «Só a mim é que me calham destas», sendo que o pronome demonstrava claramente uma fractura arrevesada.
Depois virou-se para o lesionado e perguntou-lhe sibilino: «Não fuma, pois não?» «Nunca fumei um cigarro na vida, Senhor Dr., respondeu, em auto-estima, o jovem atleta. «Já calculava», grunhiu o médico, enquanto a maca atravessava a enfermaria no seu inexorável caminho para o teatro de operações. «Também não bebe, pois não?», tornou o clínico, com um tom de voz crescentemente áspero. «É muito raro», disse o jovem, «algumas festas, alguns dias de anos». «Pois, pois. Do que gosta mesmo é de desporto, ar livre e musculação, não é?», interrogou o médico agora quase ríspido. Aflito com dores, mas controlando-se bem, o padecente sorriu com enlevo e confirmou a nobre paixão pelo desporto a que se consagrava todos os fins-de-semana.
Foi aí que o clínico explodiu. Apontando-lhe as camas cheias de corpos envolvidos em ligaduras, com braços e pernas suspensos de arames, disse-lhe mal dominando a voz: «Não fuma, não bebe e faz desporto. Corpo são em mente sã, não é? Pois olhe bem esses que estão todos aí. Também não fumavam nem bebiam e só praticavam desporto todos os santos fins-de-semana. Olhe bem para eles e continue. Saltos aparatosos, nada de cigarros, nada de álcool!...». 
À entrada da sala de operações, ainda foi mais explícito: «Fumem, bebam, mas não me caiam para aí todos os dias com essa maldita mania do desporto, que enche mil vezes mais os hospitais do que o tabaco ou os copos!»

João Bénard da Costa em Crónicas: Imagens Proféticas e Outras, 2º volume.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

POSTAIS SEM SELO


Comecei a fumar por snobismo e ainda hoje não gosto de fumar. Perdão, gosto de fumar por snobismo.

Augusto Abelaira em Quatro Paredes Nuas

Legenda: Natália Correia

terça-feira, 29 de março de 2016

OLHAR AS CAPAS


O Lugar das Fitas

Dinis Machado
Edição: Marta Navarro
Capa e vinhetas: Rui Rodrigues
Quetzal, Lisboa, Fevereiro de 2016

Dirá o leitor que o diálogo acciona uma certa linguagem motora exagerada. Mas não andamos longe da nevralgia, se me permite alguma caricatura. Esta questão do tabaco sempre me deu que pensar, incluindo a radical filosofia do Neco Primavera, que ostentava no seu curriculum (além do facto de ter ganhado a aposta de beber a água de dez igrejas de Lisboa num só dia, percorrendo a cidade de púcaro na mão) a habilidade e o método de fumar seis maços de cigarros em cada vinte e quatro horas, batendo o recorde olímpico que ia do Largo de São Roque à Rua dos Correeiros. Quando lhe perguntei porque fumava tanto, o Neco fez olhos espantados:
- Fazes o favor, dizes-me o que é que eu faço às mãos e à boca, quando não estou a mexer na Conceição, a comer bacalhau com batatas ou a chupar rebuçados do Dr. Centazzi? Fazes favor, dizes-me?

quinta-feira, 24 de março de 2016

POSTAIS SEM SELO


O futebol deu-me tudo. Os cigarros tiraram-me quase tudo.

Johan Cruijff

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

TÉNIS & CIGARROS


Uma fotografia que só poderia ser de outro século.
Duas tenistas inglesas, antes ou depois, de uma partida de ténis, tratam de fumar a sua ganza.

sábado, 5 de dezembro de 2015

terça-feira, 22 de setembro de 2015

POSTAIS SEM SELO


Vitor Silva Tavares morreu hoje vítima de uma infeção generalizada.
Estava há cerca de uma semana e meia internado no Hospital de Santa Maria devido a uma infeção que se generalizou e que os médicos não conseguiram controlar. 

                            Dos jornais

… fumo maço e meio de SG Filtro por dia.
                                                                
                            Vitor Silva Tavares em entrevista ao Público.

... e sei não houvera de saber que há um caixão desconhecido que espera por mim...

                            Vitor Silva Tavares em Para Já Para Já

Atirou fumaças para o tecto. Era bom alimentar alguns vícios. Quando fora bom viver na vida sem tentações? Ceder a algumas era até um sinal de valentia; só o covarde é que não se deixava tentar, ou estarei enganado?

                            Alexandre Pinheiro Torres em O Adeus às Virgens.

domingo, 30 de agosto de 2015

POSTAIS SEM SELO


Tudo piorou quando deixou o tabaco e passou a fazer acupunctura: «Não se podia dizer nada.» Ana corrobora: «Era mais alegre quando fumava, quando deixou de fumar ficou mais sisudo e irritável, porque não sabia às vezes o que fazer.»

Nuno Costa Santos em Trabalhos e Paixões de Fernando Assis Pacheco.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

POSTAIS SEM SELO


- Não fumes – disse Pieretto.
- Também tu? – mas pousou o cigarro sem o acender. – São os pequenos pecados que fazem um dia. Jogar a própria vida num pequeno vício, numa coisa de nada. É todo um mundo a descobrir.
- O mundo é grande – disse Pieretto, e esvaziou o seu copo.

Cesare Pavese em O Diabo Sobre as Colinas.


Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

domingo, 30 de novembro de 2014

OLHAR AS CAPAS


À Beira do Abismo

Raymond Chandler
Tradução: Fernanda Pinto Rodrigues
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 213
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Levantei-me, despi o casaco e tirei um lenço para enxugar o rosto, o pescoço e os pulsos St. Louis, em Agosto, não era pior! Sentei-me e, maquinalmente, procurei os cigarros.
- Pode fumar – informou-me o velho, com um sorriso pálido, ao notar o meu gesto- - Gosto do cheiro do tabaco.
Acendi um cigarro e expeli uma grande baforada, que aspirou como um terrier a farejar um ninho de ratos. O sorriso acentou-se-lhe e arrepanhou-lhe as comissuras dos lábios.
- Mal vão as coisas quando um homem tem de satisfazer os seus vícios por procuração!

quarta-feira, 18 de junho de 2014

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Criada por Decreto-Lei em 1937, a licença de porte de isqueiros ou acendedores era obrigatória não a penas para a posse do isqueiro mas também para a sua simples utilização e era nominal e de renovação anual. A infracção implicava o pagamento de uma multa de 250 escudos (uma soma considerável à época) que revertiam em 70% para o Estado e em 30 para o agente autuante. No caso de haver um denunciante, este teria direito a metade da verba do agente. Esteve em vigor até 1970.

Texto e imagem da Agenda Cultural, Abril 2014 da Câmara Municipal de Lisboa.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O HOMEM DO MALBORO


Soube-se hoje que Eric Lawson, um dos muitos rostos da publicidade para os cigarros Marlboro, morreu, com 72 anos, no passado dia 10.

Fumava desde os 14 anos e torna-se no terceiro homem da Marlboro a morrer de cancro.

Fumar mata, sabe-se, mas alguns continuam a fumar.

A mulher de Eric Lawson disse aos media norte-americanos que ele sabia que os cigarros o estavam a matar, mas não conseguia parar.

Escolhas.

Uma coisa é certa: a vida lança-nos, quando muito bem quer, para os braços da morte. 

Só não sabemos nem o dia nem a hora.


O escritor Manuel da Fonseca, amiúde, dizia: Isto de estar vivo ainda um dia acaba mal.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

OLHARES



Quando percorri as ruas de Lisboa para fotografar as iluminações de Natal, na Avenida João XXI, encontrei um cabeleiro que à entrada tem espaço reservado para a clientela fumar a sua cigarrada..

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

POSTAIS SEM SELO


Se o álcool é a rainha, o tabaco é o seu consorte. É um companheiro dedicado para todas as ocasiões um amigo fiel nos bons e nos maus momentos. As pessoas fumam para celebrar um momento feliz ou para esconder uma dor amarga. Esteja sozinho ou com amigos, é uma alegria para todos os sentidos. Que visão mais encantadora existe do que a daquela dupla fila de cigarros brancos, alinhados como soldados em parada e envolvidos em papel de prata.

Luís Buñuel

segunda-feira, 18 de março de 2013

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Um anúncio impensável nos dias de hoje.
Encontrei-o na Vida Mundial de 31 de Julho de 1970.
Um cigarro que dá kilómetros de prazer
Robert Louis Stevenson, o conhecido autor de, entre outros livros, A Ilha do Tesouro, era de opinião que nenhuma mulher deveria casar com um homem que não fumasse.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

SAÚDE "MANU MILITAR"


Crónica de Manuel António Pina no Jornal de Notícias de hoje:

Quatro anos depois, o dr. Francisco George, eterno director-geral de Saúde, está a convocar as tropas higieno-fascistas para a 2ª Cruzada Antitabagista, desta vez mobilizando também as brigadas anti-álcool (as próximas cruzadas já contarão com as brigadas anti-sal, anti-açúcar, anti-gorduras polinsaturadas, anticafeína, etc.), tudo sob o comando de um até aqui anónimo secretário de Estado da Saúde.

Parece que um estudo encomendado pela Direcção-Geral terá concluído que um em cada quatro portugueses morre prematuramente, "em parte devido ao tabaco" (a parte de mortes devidas à miséria, ao desemprego ou à fome não vem nas estatísticas do dr. George). Era do que secretário de Estado e director-geral precisavam para se sentirem no direito de se intrometer nas decisões pessoais, na vida, na casa, e até nos automóveis alheios.

Restaurantes e bares dirão adeus aos investimentos feitos e deixarão de poder ter espaços reservados a fumadores; até à porta será proibido fumar (e quem for a passar?, terá que mudar de rua?); serão proibidas máquinas de venda automática de tabaco (não há máquinas de venda de "cavalo" ou de "branca" e nem por isso é difícil obtê-los...); proibir-se-á fumar dentro de carros com crianças (haverá um inspector da ASAE dentro de cada carro?); quanto ao álcool, nem uma "mini" poderá ser vendida em bombas de gasolina ou após a meia-noite.

A estrela amarela ao peito ficará para mais tarde.