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segunda-feira, 1 de julho de 2019

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Este é um bilhete da União Rodoviária do Caima, Lda, sede em Oliveira de Azeméis.
Encontrei-o, a servir de marcador numa citação de Educação Cívica de António Sérgio.
A minha avó materna tinha uma pequena casa, a casa onde nasceu, na aldeia do Fontão, pertencente à freguesia de Angeja, Concelho de Albergaria-a-Velha.
Nos períodos escolares, servia de escola primária para os miúdos da aldeia e de outras aldeias em redor.
Em Agosto, inícios dos anos 60, passávamos uns dias na casa do Fontão.
Este bilhete assinala uma viagem de Angeja a Aveiro, ou vice-versa.
Custo da viagem: 4$10, quatro escudos e dez centavos e ocupei o lugar 29.
O tempo tornou ilegível a data em que a viagem se realizou mas, provavelmente, terá sido Agosto de 1962, tempo em que li este livro do António Sérgio.
Já não existe a União Rodoviária do Caima, com as nacionalizações de 1975 terá sido englobada na Rodoviária Nacional.
Já não há miúdos nas escolas das aldeias do interior do país.
Já ninguém lê António Sérgio e uma larguíssima maioria o desconhece por completo.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


A Pastelaria Suiça já não existe.

De portas abertas desde 1922 foi vendida a um fundo de Investimento em que o tenista espanhol Rafael Nadal é participante.

Nunca foi uma loja histórica da cidade.

Concorreu para o ser, mas acabaram por desistir.

A Suiça era a sua esplanada, voltada para o Rossio, com turistas a beber cervejas ou galões.

O dono estava cansado e depois das últimas obras que fizeram, há uns anos, perdeu qualidades:

Ricardo Martins Pereira:


A 31 de Agosto do passado ano, dia em que fechou portas, o presidente Marcelo foi lá jantar:

«Durante décadas, almocei e jantei aqui, desde miúdo, com a minha família. Quando passava de ano vinha aqui almoçar ou jantar. Quando vinha a um espetáculo vinha aqui cear. Ficávamos nestas mesas. Ou aqui ou ali», afirmou Marcelo, às reportagens televisivas.

«Nesta mesa morreu o meu pai, neste mesmo lugar onde eu estou a comer, há 16 anos, portanto ficámos muito ligados e vim aqui despedir-me».

O Carlos Alberto, amigo de infância que já não vejo há largos e largos anos, num daqueles Primeiros de Maio que a ditadura proibia, a fugir à Polícia de Choque e aos seus carros de tinta azul, refugiou-se dentro da Suiça.

Tinha um carinho especial pela Suiça e, volta e meia convidava os amigos para um café e para contar, pela enésima vez, as peripécias daquele findar de tarde de  primeiro de Maio.

sábado, 22 de dezembro de 2018

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...



É um clássico natalício: fazer algumas das compras para as jantas no Supermercado do El Corte Inglês. É caro, mas Natal é sempre Natal.
Depois aproveitar a boleia e comprar o CD de Natal da Smooth FM.
Mas para espanto meu não tinham o disco e avisaram que vão deixar de vender CDs.
Lembro os natais em que, nas lojas, se encontravam escaparates com discos de Natal. Foi assim que fui constituindo a já longa colecção de discos de Natal.
Algo em vias de extinção.
É assim que vamos morrendo!...

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

PRAZERES



No dia 28 de Julho de 2010 recordámos, aqui, esse saudoso objecto que era um dos acessórios que, em tempos antigos, nos acompanhava no prazer da leitura, sem nunca esquecer o indispensável lápis para sublinhados.

E passámos os olhos por um velho texto de Jorge Listopad

«Ontem, quando aqui contei que abri o livro Os Poemas Possíveis de José Saramago, com uma faca própria para abrir livros, que também servia para abrir as cartas, quando havia cartas, quando as pessoas, por escrito, se correspondiam, lembrei-me de um velho texto de Jorge Listopad publicado na sua coluna «Secos &Molhados» que, durante anos, manteve na última página do «Diário de Notícias.»

Essas notas, essas fichas, foram, mais tarde, reunidas em livro, que Listopad também titulou como Secos Molhados.

É dele que transcrevo O Caso da Faca de Papel:

De repente senti saudade da velha ferramenta do jovem leitor que fui. A faca de papel.
Hoje em dia são raros os livros que precisam de faca para abrirem as páginas; os livros vendem-se já com as páginas cortadas. Sem dúvida, a leitura é mais cómoda. Ganhe-se em tempo o que se perde por outro lado: em “controle” de que o livro “foi” aberto e não é apenas uma prenda platónica ou um ornamento de biblioteca; em higiene e, sobretudo, no sentimento de sermos nós os primeiros a abrir as páginas do mistério do novo mundo que cada livro representa, fechado. Sem esquecer que esse tempo de trabalho manual, habitualmente acompanhado de umas primeiras paragens de leitura supragiagonal, mas quão impressiva, representa um contacto físico e quase amoroso com o papel impresso que é mais do que isso.
A ferramenta fora de uso morre. A faca de papel, belo objecto, está a desaparecer. E com ele talvez certa leitura.»

sábado, 30 de junho de 2018

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Esta é a 1ª página do Diário de Notícias de hoje.

A partir de amanhã, a edição em papel só sairá aos domingos.

Nos restantes dias terá uma edição digital.

Dizem que é um passo em direcção ao futuro, um futuro mais firme.

Na quinta-feira, na «Quadratura do Círculo» , José Pacheco Pereira disse: o Diário de Notícias acabou!

Ferreira Fernandes não está nada de acordo e, hoje, num texto bem esgalhado, explica a Pacheco Pereira o tal futuro mais firme.

Não serei tão taxativo como Pacheco Pereira, mas, face a esta mudança,  também tenho as minhas dúvidas.

O meu avô paterno, republicano histórico, odiava o Diário de Notícias, como então se dizia, o jornal das sopeiras e só lia O Século.

Segui-lhe as pisadas e, também,  muito raramente passei as mãos pelas suas páginas.

O Diário de Notícias apenas foi o meu jornal enquanto os nomes de Luís Barros e José Saramago estiveram no cabeçalho do jornal.

De Abril a Novembro de 1975: os dias dos dias.

Como escreveu José Saramago no prefácio a Os Apontamentos:

«É esse o tempo em que os trabalhadores do Diário de Notícias, na sua grande maioria activa e participante, avançam para a realização de um objectivo que naquela casa, até aí, havria de ter parecido impossível, mesmo em horas de fantasia louca: pôr o jornal ao serviço das classes trabalhadoras, ao serviço do proletariado industrial e agrícola, ao serviço do socialismo, para tudo dizer em uma palavra»

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Desde longo tempo que ouço falar na tradição de, em Carcavelos, se entrar o novo ano, tomando banho de mar. À meia-noite comem as 12 passas, formulam os respectivos desejos e, pela manhã, descem até ao Tejo.
As minhas lembranças remetem para muita gente a tomar banho. Mas muitos dos primeiros e entusiastas banhistas de novo ano já partiram para outras paragens e a passagem para gente nova não colheu grandes frutos.
Este velho recorte do Diário de Notícias, que deverá ter uns 20 anos, já fala das falhas à tradição.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Em conversa com um livreiro, fiquei a saber que a colecção Resumo: a poesia em…, edição conjunta da FNAC e Assírio e Alvim, acabou em 2014 com a antologia de poemas referente ao ano de 2013.

Acabou quando a Assírio & Alvim foi comprada pela Porto Editora.

No 1º volume referente ao ano de 2009, e publicado em 2010, podia ler-se, numa breve nota, assinada pelos antologiadores: José Alberto Oliveira, José Tolentino Mendonça, Luís Miguel Queirós, Manuel de Freitas:

«O presente volume, a que desejavelmente se dará seguimento nos próximos anos, pretende ser uma antologia dos melhores poemas publicados em Portugal ao longo de 2009.»

Publicaram-se 5 volumes.

Alguém na Porto Editora acabou por concluir que iniciativas destas não dão para fazer tilintar as caixas registadoras, que também já foram extintas, são aqui mencionadas para que perceba a ideia.

O mais estranho é que um dos responsáveis editoriais da Porto Editora é Manuel Alberto Valente que nos anos 70, juntamente com Egito Gonçalves, organizou e publicou Poesia70 que só conheceu dois volumes, referentes aos anos de 1970 e 1971.

No que à FNAC diz respeito, nem sei bem como alinhou nesta iniciativa, está mais interessada em outras áreas de negócio do que de livros.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Este ano, volta a não a acontecer o Concerto «Natais do Mundo» com o coro e Orquestra Gulbenkian.
Tínhamos lugar sempre marcado com os netos.
Era uma festa bonita, um gosto de difícil explicação por palavras.
Não sei os motivos do findar deste estimulante concerto.
Custa a entender que seja por motivos de… mera economia gulbenkiana!... 
Será mesmo!?... 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

segunda-feira, 17 de abril de 2017

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...



Há um pequeno texto de Jorge Listopad, provavelmente publicado no JL, não encontro a data, muito bonito e em louvor das máquinas de escrever. Acredito que muito boa agente desconheça do que se trata:

Tinha um vizinho desconhecido. Mas ouvia-o a escrever à máquina às mais variadas horas nocturnas. Agora reina o silêncio. Pergunto: morreu? Foi raptado? Mudou-se? Comprou um computador?
Seja como for, celebro a memória daquela máquina de escrever, desconhecida.

Sabe-se que Fernando Assis Pacheco, uma das muitas suas imagens de marca, martelava o teclado da sua máquina de escrever HCESAR, apenas com o dedo indicador da mão direita e que se perguntava a Augusto Abelaira por que é que ele demorava tanto tempo a publicar um livro:

É que eu escrevo à mão e depois passo à máquina. Só que depois de uma primeira passagem à máquina vêm as modificações. Então é preciso passar tudo de novo à máquina.

Um dia hei-de falar da minha máquina de escrever, também uma HCESAR.

Está ali, naquele canto, a olhar…

sábado, 19 de novembro de 2016

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


O Diário de Notícias continua a publicar-se, mas abandona o lindíssimo edifício no cimo da Avenida da Liberdade, traço de Pardal Monteiro.

O jornal muda-se para uma das Torres de Lisboa, junto à 2ª Circular.

O edifício será destinado a habitação e serviços e manterá a fachada.


Este edifício é uma imagem que guardo desde miúdo quando com o meu avô íamos, nos domingos-sem-Benfica, passear para o Parque Eduardo VII.

As vezes que fui à loja do rés-do-chão, comprar números atrasados, por causa de algum artigo publicado no suplemento literário.

O meu avô, republicano histórico, benfiquista e anti-clerical, nunca leu o Diário de Notícias, o jornal das sopeiras, como então, por causa dos anúncios de oferta e procura de emprego, se dizia.

Lia O Século e o República.

Segui passos idênticos e, por uma só vez, o Diário de Notícias foi o meu jornal: de 9  de Abril a 25 de Novembro de 1975,  sub-directoria de José Saramago:

A história do Diário de Notícias é uma das histórias mais mal contadas deste país. E eu vou conta-la, tentendo que, finalmente, passe a ser bem contada. Mas sem grande esperança disso. Estamos em 75, sou director adjunto, Luís de barros está de férias, sou eu quem conduz o jornal. (Há que dizer que até essa altura alguns jornalistas tinham sido despedidos. Curiosamente sem nunca o director-adjunto ter tido qualquer intervenção nesse aspecto.) Uma tarde entram-me pelo gabinete três ou quatro jornalistas (não me lembro quem)). Traziam um papel assinado por trinta jornalistas (e não só jornalistas), no qual se discordava da orientação do jornal. Para denúncia e protesto, exigia-se a publicação desse papel na edição do dia seguinte. Li, disse que não estava de acordo, nem me parecia que tivessem razão (“vivemos no tempo que vivemos, o jornal tem esta linha, está ao lado da Revolução”). Acrescentei: “Não vou dizer que isso não se publica, lembro-vos só de que nesta casa há uma entidade que está acima da direcção e de certo modo também acima da administração e que se chama Conselho Geral de Trabalhadores (era o tempo em que estas coisas existiam). Vou, portanto chamar os responsáveis do CGT para que o Conselho reúna hoje e se acharem que isto deve ser publicado, será publicado”. Foram-se embora, chamei os responsáveis do CGT, contei-lhes o que se passava e pedi-lhes que convocassem toda a gente para a meia-noite. A essa hora chamam-me, lá a cima, já estava toda a gente, eu vou, levo o papel, lei-o, dou a minha opinião (o que era normal), e desço para o meu gabinete à espera das conclusões do debate. Em que não participei. Quando aquilo terminou, os mesmos responsáveis do CGT vêm-me comunicar que se tinha decidido suspender os não já trinta (porque tinham passado a ser 23) e recomendado à administração que lhes instaurasse processos disciplinares. Este foi o crime praticado pelo director-adjunto do Diário de Notícias, José Saramago.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Chove em Lisboa.

Mircea Eliade que, entre 1941/44, foi adido cultural da Embaixada da Roménia em Lisboa, dá uma imagem única dos amoladores de Lisboa:

Nunca em nenhum país ouvi apelo mais melancólico, mais dilacerante que o de o amolador de lisboa. Anuncia a sua passagem tirando de um flauta de pã alguns sons de uma tristeza perturbadora, longos, incertos, e subitamente abafados num apelo agudo como uma canção ferida. O amolador assobia o seu desespero, sobretudo nas tardes calmosas quando o sol adormece as grandes árvores e uma brisa vítrea acaricia as calçadas. Dir-se-ia o último homem vivo acompanhado da sua mágoa numa cidade abandonada. E volto a ouvi-lo ao crepúsculo quando o ar retoma a sua transparência e começam a fumegar as árvores cheirosas. É, sem dúvida, a expressão mais acabada da saudade.

Este som do amolador acompanha-me desde a infância.

A minha avó quando ouvia esse som, dizia que a chuva estava a chegar.

O amolador é uma figura, quase, desaparecida das ruas de Lisboa
.
Deixaram-se de colocar varetas nos chapéus-de-chuva.

Qualquer guarda-chuva, comprado nas lojas de chineses, fica mais barato do que o custo do trabalho do amolador.

Também já ninguém manda afiar facas e tesouras.

Legenda: a fotografia foi tirada, há 5 anos, na Rua Passos Manuel em Lisboa.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Certo que os Bolos de Arroz ainda se encontram à venda um pouco por todo o lado.

Mas já não tem o sabor dos Bolos de Arroz da minha infância.

Ainda há dias o crítico gastronómico Fortunato da Câmara, revelava no Expresso que encontrara, no restaurante Rice Me, os velhos Bolos de Arroz:

… o clássico «Bolo  de Arroz», (1,20 euros), sedoso e compacto, feito, pasme-se, com farinha de arroz, trazendo de volta um sabor que há muito se havia desvanecido devido à nossa falta de exigência que agora nos coloca na posição de arguido. A indústria de panificação conseguiu a triste proeza de fazer e vender bolos de arroz que não levam farinha de arroz. Afinal, é possível fazer omeletes sem ovos…

terça-feira, 20 de setembro de 2016

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Falei da minha ida ao estaminé do Potes na Feira da Ladra, onde comprei LPs do Elvis ao preço da uva mijona, falei de que para além disso ele me ofereceu uns exemplares da Colecção Cinema dos tempos da minha adolescência, mas não coloquei esses exemplares.

Estão aqui:

Balada Sangrenta, filme de Michael Curtiz, com o Elvis e Sangue Toureiro, filme de Augusto Fraga, com Amália Rodrigues e o toureiro Diamantino Viseu

Através destes livrecos, que custavam 1$50, e saíam às quintas-feiras, eu «vi» todos os filmes que não podia ver nas salas de cinema.

Mas quinze tostões já era uma exorbitância, e então alugava-os, por dois tostões, a velhote que, num vão de escada da Almirante Reis, com estes e outros alugueres, para além da venda de livros em 2ª mão, completava a reforma de miséria.

Levava de casa uma marmita com o almoço e ali passou o resto dos dias da sua vida.

Uma simpatia de velhote, levava de casa marmita com o almoço, e ali passou o resto dos dias da sua pouco feliz vida.

 Lamentavelmente, não consigo lembrar o nome.

A novelização de Balada Sangrenta foi feita por Vasco Santos e termina assim:

A vida seguiu o seu curso. Danny Fisher voltou a entusiasmar os frequentadores do «King Creole» - entre os quais teve a satisfação de ver o reconciliado progenitor… Tornou também a ver a doce Nellie. A essa pediu-lhe para esperar… Ela compreensiva, anuiu. Esperaria o tempo que fosse preciso para cicatrizar a ferida que a trágica morte de Ronnie deixara na alma sensível do seu namorado…
E quem escutava aquele rapaz, que parecia transpirar ritmo por todos os poros – ora dolente ou vibrante, profundo ou superficial, cómico ou sentimental – não podia adivinhar que ele interpretava o ritmo da própria vida, e que, por isso, havia baladas sangrentas no seu reportório…

quinta-feira, 7 de abril de 2016

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...




 Em 1970, plena ditadura marcelista, a Editorial Verbo, de parceria com a RTP, começou a publicar a «Biblioteca Básica Verbo – Livros RTP».

Durante dois anos, ao preço de quinze escudos, publicaram-se 100 volumes.

A novela Maria Moisés de Camilo Castelo Branco, foi o primeiro volume, sendo o  último Os Lusíadas.

Ao todo, calcula a Verbo que mais de 15 milhões de livros entraram nas casas dos portugueses.

Capa da responsabilidade de Sebastião Rodrigues.

A colecção constituiu um êxito da edição portuguesa.

Não restam dúvidas que, graças a estes livros, muitos portugueses, ganharam o gosto pela leitura. Outros terão aproveitado para completar a decoração da sala.


Para o efeito, cada volume trazia o prospecto que se pode ver acima.



Ao tempo, não foram escassos os que se manifestaram pela louvável iniciativa que permitia a muita gente o contacto com livros e autores.

Uma trintena, mais ou menos, dos livros da RTP, completou a Biblioteca da Casa.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Os CTT, como muitos portugueses conheceram, já não existem.

O nome é o mesmo mas não tem nada a ver com os velhos CTT.

Este é um anúncio que incentivava as crianças das escolas a escrever cartas, ir à estação, comprar um selo e colocá-las no marco do correio.

Sim, porque uma carta começa pelo envelope e pelo selo.

Quase deixamos de conseguir escrever à mão.

Lembro-me das Cartas ao Director do Diário Popular.

Alguns jornais ainda mantêm a secção, mas as cartas são enviados por mail.

Um número que tenho por aqui:

No Natal de 2005 os portugueses trocaram 320 milhões de SMS com votos de Boas Festas.

Números completamente desactualizados, mas não tenho outros.

Hoje serão muitos e muitos mais.

É brutal o número de pessoas que se tornaram adeptos das Boas Festas digitais.

As cartas que ainda circulam, propaganda, contas para pagar, a esmagadora maioria não trazem selo, apenas uma vinheta, ou a frase: porte pago.

De cada emissão de selos os CTT produzem 250 mil selos mas apenas 50 mil são para consumo, o resto vão para os coleccionadores.

Hoje já ninguém escreve cartas.

Espero que esta minha carta te vá encontrar…

Lembram-se do Carteiro do Conjunto António Mafra?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Encontrei este anúncio dentro do Alta Fidelidade do Nick Hornby.
As coisas que um gajo vai guardando.
Não faço a mínima ideia do que seja Soupirs d'Amour.
Nunca vi nenhuma.
Mas tem uma certa piada venderem-se cassettes para ouvir em reuniões de amigos e para dar cabo de noites solitárias.
O que se inventa!
O recorte é do Jornal Novo de 24 de Novembro de 1975, véspera do tal dia que matou os sonhos a muita gente - houve alguém que se enganou tal como canta o Zé Mário Branco


COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Já não há cassettes.

Pior: já não há, à venda, leitores de cassettes.

O meu leitor de há muito que pifou e não há disponibilidade de borrachas para o por a rodar.

Fiquei com uma montanha de cassettes sem saber o que delas fazer.

Arrepio-me cada vez que penso que tenho de as colocar n o ecoponto.

Selecções de músicas colocadas ao pormenor, muitas delas gravadas com dois gira-discos e recorrendo a um misturador.

Arrepio-me cada vez que penso que tenho de as despejar no ecoponto.

Há um livro de Nick Hornby, Alta Fidelidade de que Stephen Frears com John Cusak, Tim Robbins, Catherine Zeta-Jones, realizou uma honesta adaptação, onde ressalta toda a ambiência do pensar e gravar uma cassette.

Não desgostando do filme, prefiro o livro. 

Há um espírito e uma graça difíceis de passar ao celulóide.

Atentem nestas citações:

Passei horas a alinhar a cassete. Para mim, gravar uma cassete é como escrever uma carta – tenho de apagar muito, repensar e começar outra vez de início, e eu queria que a cassete ficasse boa, porque… para falar verdade, porque nunca tinha conhecido nenhuma mulher tão promissora como a Laura desde que tinha começado a pôr música, e conhecer mulheres promissoras era parte da profissão.

É difícil fazer uma boa cassete de compilação, tal como é difícil acabar uma relação. É preciso abrir com uma música surpreendente, para captar a atenção (comecei com “Got To Get You Off My Mind”, mas a seguir percebi que ela podia não passar da primeira faixa do lado A se eu desse logo tudo, por isso encaixei-a a meio do lado B), e depois sem se pôr uma mais enérgica ou mais calma, e não se pode misturar música branca com música negra, a menos que a música branca seja parecida com música negra, e não se pode pôr duas faixas do mesmo artista ao lado uma da outra, a menos que se tenha posto todas aos pares, e… oh, há imensas regras.

Seja como for, fartei-me de trabalhar, e ainda tenho meia dúzia de “demos” antigas espalhadas pela casa, cassetes-protótipo em relação às quais fui mudando de ideias. E na sexta-feira à noite, tirei-a do bolso do blusão quando ela veio ter comigo, e seguimos caminho a partir dai. Foi um bom início.

Antes de lançar as cassettes ao ecoponto, ainda passarei pela Feira da Ladra a ver se consigo qualquer coisa que faça com que aquelas cassettes voltem a brilhar