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sábado, 23 de junho de 2012

QUOTIDIANOS


O primeiro-ministro afirmou hoje que o Governo está a analisar com muita atenção em que medida a quebra de receitas fiscais pode pôr em causa o objetivo do défice, mas que é cedo para falar em novas medidas de austeridade.

Mesmo não percebendo nada, mas mesmo nada, de economia e finanças, os portugueses viram logo que o objectivo do défice muito dificilmente, mas mesmo muito, seria alcançado.

Quando o governo diz que está a estudar a situação, não poderemos esquecer que, há dias, o brilhante Miguel Cadilhe, lançou a bisca que o governo deveria lançar um imposto extraordinário sobre 4% da receita líquida dos cidadãos.

Desconhecem-se pormenores sobre como será este novo imposto, mas todos os nossos receios são legítimos mas, necessariamente, atingirá os suspeitos do costume.

O tasqueiro onde, por vezes, como umas bifanas e uns carapaus de escabeche, quando soube do novo imposto do IVA sobre a restauração, disse logo:

- Estão-me a convidar para a evasão fiscal. O que eles querem que eu faça é que diga aos clientes que, se não quiserem pagar mais, terão que prescindir da facturazinha.

Clarinho como água, excepto para a os senhores do governo que se deixaram (?) embalar pelas tretas dos troikianos...

sexta-feira, 22 de junho de 2012

BOLAS PR'O PINHAL!


Não poderíamos contratar o Ronaldo para dar uma cabeçada assim na austeridade ?

Vitor Dias em O Tempo das Cerejas 2

QUANDO OS PORTUGUESES SE AGIGANTAM E SUPERAM OS GRANDES DESAFIOS


O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, diz que o apuramento da Seleção Nacional para as meias finais do Euro-2012 é um motivo de regozijo e orgulho para Portugal e os Portugueses.

Demonstrando desportivismo, determinação e vontade de vencer, os elementos da nossa seleção voltaram a provar que, nos momentos mais difíceis, os Portugueses se agigantam e superam os grandes desafios que lhes são colocados, escreveu o Presidente da República, numa mensagem enviada à Federação Portuguesa de Futebol.

No texto, divulgado na página da Presidência da República, Cavaco Silva manifesta o desejo da continuação, na próxima fase do Euro2012, dos sucessos já alcançados até aqui, que dignificam o futebol português e contribuem para a projeção internacional do país.


Citação de A Bola.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

OVOS E ESTATISTICAS


A crónica de Manuel António Pina, hoje, no Jornal de Notícias:

Em países como Portugal, onde o fosso entre ricos e pobres é cada vez maior, as estatísticas trazem sempre boas notícias. Assim, os portugueses ficaram ontem a saber pelo INE que vivem num país onde o rendimento médio líquido (líquido!) das famílias é de 1984 euros por mês.

Muitos hão-de estar a matutar sobre quem lhes ficou com o que falta aos 1984 euros líquidos mensais que a sua família terá recebido entre Março de 2010 e Março de 2011, e esse é o lado bom das estatísticas: dão que pensar. É conhecido o dito segundo o qual, se alguém comeu dois ovos e outrem não comeu nenhum, para as estatísticas comeram ambos um. Infelizmente, a maioria dos portugueses apenas tem hoje para comer os ovos estatísticos de que se alimentam os discursos políticos, que passam quase sempre ao largo do facto de, por cada família a auferir, por exemplo, 19 840 euros mensais (já nem falo das que auferem 198 400), ter que haver dez outras a sobreviver com 198,4.

Os números do INE dão também uma ideia do que é a evasão fiscal entre nós: em 2009, enquanto os trabalhadores por conta de outrem ganharam em média 11 378 euros anuais, os profissionais liberais ganharam... 1593 (isto é, 132 miseráveis euros por mês). O meu coração sangra de comiseração: como é que os médicos, advogados, economistas, engenheiros, etc., que trabalham por conta própria conseguem pagar as rendas dos consultórios?

segunda-feira, 18 de junho de 2012

BOLAS PR'O PINHAL!



Sou sensível ao argumento de que os portugueses precisam de uma alegria, mas temo que um bom desempenho possa “alienar” ainda mais os “tugas dos problemas do paóis e das trapalhadas e omissões do Governo. E se há alguém que seguramente não merece que Portugal vá longe, é Miguel Relvas.

João d’Espiney, de uma crónica no Público.

QUOTIDIANOS


Depois de ter sido vaiado pelo povo da Póvoa do Varzim, Sua Excelência, chegado a casa, em seu nome e em nome dos Portugueses, felicitou a selecção de futebol pela sua passagem aos quartos do Euro, e dando os parabéns aos jogadores, disse querer felicitá-los, acima de tudo,  por terem acreditado que era possível estar à altura das expetativas dos Portugueses.

Os portugueses esperavam que Sua Excelência estivesse virado para outras expectativas dos portugueses, aquelas que realmente importam.

Mas Sua Excelência nunca gostou de estar virado para esse lado e, hoje, com o país ainda em festa, promulgou as alterações ao Código do Trabalho, exortando a que, a partir de agora, se assegure a estabilidade legislativa com vista à recuperação do investimento, criação de emprego e relançamento sustentado da economia.

Sua Excelência, à mesa com os rapazes da sua casa civil diz que não foram identificados indícios claros de inconstitucionalidade que justificassem a intervenção do Tribunal Constitucional, chamando a atenção para o facto ter tido presente os compromissos assumidos por Portugal junto das instituições internacionais e lembrando que o diploma foi aprovado na Assembleia da República com os votos favoráveis da maioria de Governo, do PSD e do CDS, com a abstenção do PS, tendo votado contra apenas 15% dos deputados.

Manuel Carvalho da Silva no Jornal de Notícias:

Mais uma vez, de forma ignóbil, o direito do trabalho está no banco dos réus. A proposta de lei relativa à revisão das leis laborais, que se encontra no presidente da República para promulgação, vem de novo, com total ausência de provas e com falaciosos argumentos, responsabilizar o direito do trabalho e os conteúdos concretos dos já parcos direitos dos trabalhadores pelos problemas com que se depara a economia e o país.

É injusto e indigno colocar os trabalhadores, o conjunto dos que prestam trabalho subordinado nas mais diversas formas, os reformados e aqueles a quem é roubado o direito ao trabalho, como responsáveis da crise e a serem grandes pagadores das faturas. É isso que faz o Governo PSD/CDS em várias áreas em particular com a revisão da legislação laboral. Essa revisão visa também matar a esperança de salários dignos e estabilidade laboral para os mais jovens.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

BOLAS PR'O PINHAL!


Entre outras medidas, umas públicas, outras privadas, o governo prepara-se para novas baixas de salários.

Por uma destas manhãs acordaremos estupefactos: mais pobres, mais explorados, com maiores dificuldades para enfrentarmos a amarga sobrevivência.

Acordaremos…

Mas estamos quase no Verão, e o importante é saber se, no domingo, mesmo uma vitória sobre a Holanda, nos poderá deixar fora da próxima ronda do Euro.

Nada disto teria uma grande importância se não estivesse em causa o destino do país e, por conseguinte, de todos nós.

Este povo, que Eça, nos seus livros rotulou de servil, humilde, bajulador, curvo, espinha de lacaio, assobia para o lado, desfaz-se da vida, preocupa-se com a vidinha.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

QUOTIDIANOS


Segundo números disponibilizados pelo Público, os portugueses gastaram mais de 5,5% nas compras de bens alimentares só nos três primeiros meses do ano, em resultado das alterações registadas na tabela do IVA e dos aumentos dos preços.
Segundo  o mesmo estudo, a factura do supermercado cresceu em média 5,8% em relação a igual período do ano passado e o volume de compras diminuiu 0,4%.
 Constata-se também que os portugueses estão a substituir alguns produtos por outros que apresentem preços mais em conta. Os consumidores deixaram de ter um perfil sofisticado e passaram a fazer escolhas racionais, simples e mais baseadas no mesmo.
Ao mesmo tempo, nos seus carrinhos de compras têm escolhido mais artigos de marcas da distribuição. Feitas as contas, só nos três primeiros meses do ano, os produtos de marca branca já atingiram uma quota de mercado de 38,6%, ou seja, o valor mais elevado de sempre.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

BOLAS PR'O PINHAL!


Lá para o fim da tarde se saberá se Portugal conseguiu vencer a Dinamarca e reúne condições para passar à fase seguinte do Euro.

Não importa que uma pseudo-intelectual, assim a atirar para o marado, de seu nome Filomena Mónica, diga que Sócrates, às vezes acerta em qualquer coisinha, foi um delinquente político ,o pior exemplo que jamais, na História de Portugal, foi dado ao país: ir para Paris tirar um curso de “sciences po”, depois daquela malograda licenciatura – à qual não dou a menor importância, pois há muitos excelentes políticos que não são licenciados. O engenheiro Sócrates foi o pior que a política pode produzir. Depois de tantos processos em que mentiu, aldrabou, não depôs, ninguém percebeu o que se passou com o Freeport, os portugueses perguntam-se onde foi ele buscar dinheiro para estar em Paris. Quem é que lhe paga as despesas e o curso?, que a OCDE recomende que a idade de reforma vá para lá dos 67 anos e que se incentivem as pensões privadas, mesmo com carácter obrigatório,  que a mesma OCDE estime que em 2013 – não será antes? -  chegaremos aos 16% de desempregados .

Não importa nada.

O que importa saber é se o mister vai pôr o Nelson Oliveira a jogar de início em lugar dos dois toscos que tem para aquele lugar, ou um outro qualquer passe de mágica que possibilite um milagre.

A nação está suspensa, os corações palpitam:

Vamos Portugal!

Samuel,  o cantigueiro vai mais longe:

Por estes dias, poucas coisas há que consigam sobressaltar o rebanho.

Pouco ou nada interessa (ao rebanho) que o desemprego continue a subir, empresas a falir, serviços públicos a fechar.

Pouco ou nada interessa (ao rebanho) que Rui Rio, o protofascista disfarçado de populista de tasca e presidente da Câmara do Porto, proponha que nas autarquias endividadas deixe de haver eleições, passando o poder local para uma comissão não sei das quantas, nomeada por não se sabe bem quem.

De pouco ou nada interessa (ao rebanho) que muitos milhares de portugueses gritem alto e bom som que não querem pactuar com o crime continuado de que o país está a ser vítima.
O rebanho não se deixa impressionar. O rebanho está absolutamente concentrado no “essencial”: a bola. Bola e mais bola e ainda... bola.

O rebanho é preguiçoso. Não gosta de pensar... e o verde dos relvados dos estádios é o que tem de mais parecido com o pasto que já lhe vai faltando. Os media fazem (e alimentam) a vontade do rebanho, abrindo, fechando e preenchendo serviços noticiosos de rádios, televisões e jornais, com bola. Bola e mais bola.

Ou como, desesperadamente, disse o escritor Mário de Carvalho:

Conformo-me. O pagode gosta de bola, quer bola? Pois dêem-lhe bola!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

SÔ TORA: NÃO FUI EU, FOI AQUELE MENINO!


O ex-secretário de Estado das Obras Públicas no Governo Sócrates, Paulo Campos, afirma que ainda não foi contactado por ninguém, ao abrigo do inquérito que o Ministério Público diz ter aberto às parcerias público-privadas. Além disso, frisa que a responsabilidade dos contratos não era dele, mas sim do ministro das Obras Públicas e do das Finanças. "Temos vindo a assistir a uma campanha de desinformação sobre esta matéria", vinca o homem que tem estado no centro do furacão político.

Citação do Público.

BOLAS PR'O PINHAL!



O campeonato da Europa começa hoje na Polónia.

Amanhã, Portugal inicia a sua participação, jogando com a Alemanha.

Será um mês de futebolada.

As televisões não nos largam um minuto, revelando o mínimo peidinho que se solte no seio da selecção.

As janelas, estão engalanadas com bandeiras e frases de incentivo:

A rua, qualquer nome, está com a selecção.

Os governos, como têm sido os nossos, adoram que os povos se dediquem a estas paixões, para que não pensem naquilo que é importante, e bule com o seu futuro.

Como repetidas vezes tenho citado:

Há venenos próprios para o povo ter alegria!

Bom será, que um jogo de futebol não nos faça esquecer o outro campeonato, esse sim, aquele que não podemos perder, o campeonato contra a troika, contra os que nos conduziram ao ponto em que estamos:

Recuou o nível de emprego.

O desemprego todos os dias bate o seu record.

Os jovens buscam, em vão, um primeiro emprego.

A produção não é protegida nem acompanhada.

As empresas, de todos os sectores, diariamente fecham portas

Direitos adquiridos, no trabalho, na educação, na saúde, são já uma miragem.

A pobreza, para a maioria do povo, é o pão nosso de cada dia.

É este o jogo, o campeonato que não podemos perder.

Que um mero jogo de futebol, não nos distraia dessa luta.

terça-feira, 5 de junho de 2012

JANELA DO DIA


1.

A Alexandra Alpha, citada por José Cardoso Pires, tinha razão: isto não é um país é um sítio mal frequentado.

António Borges, o ministro mistério, que também acumula com um lugarzinho no conselho de administração da Jerónimo Martins, disse, há dias, que a diminuição de salários não é uma política, é uma urgência, uma emergência.

Afirmou também que os salários dos portugueses aumentaram de uma forma brutal e irresponsável.

Quando saíu do Goldman Sachs, invocou as habituais razões pessoais.

Marc Roche, um jornalista económico, diz que ele saíu por incompetência.

Este jornalista veio a Lisboa apresentar o seu livro O Banco - como o Goldman Sachs dirige o mundo, e espantou-se com o ordenado que António Borges presentemente aufere.

O FMI disse-me que se livraram de António Borges porque não estava à altura do trabalho e agora chego a Lisboa e descubro que está à frente do processo de privatizações. Há perguntas que têm de ser feitas.

De uma crónica de Ana Sá Lopes no I-online:

O caso de António Borges assume foros de escândalo e mina a credibilidade do governo para o qual foi contratado como uma espécie de ministro em outsourcing. Equiparado a funcionário do FMI, Borges ganhou em 2011 – segundo revelou ontem o Correio da Manhã – 225 mil euros livres de impostos. Passos Coelho chamou-o para tratar da pasta das privatizações, uma tarefa que deveria caber a um ministro. Escapando a esse estatuto, António Borges pode continuar a gozar das regalias das acumulações de funções privadas, lançando um anátema de suspeita sobre um processo já de si polémico o suficiente para precisar de mais minas no campo.
Na semana passada, António Borges insultou todos os portugueses que, ao contrário dele próprio, pagam impostos em Portugal, sustentam os funcionários que o governo decide contratar, e vêem os seus salários reduzidos pelo cumprimento acrítico de um programa da troika que está a promover de forma galopante o desemprego para alegada surpresa do grande técnico Vítor Gaspar.
Ao dizer, em entrevista à Económico TV, que “baixar salários não é uma política, mas uma urgência”, António Borges assumiu uma política em todo o seu esplendor – a política da destruição a curto prazo da economia que o governo diz não querer, embora faça tudo o que está ao seu alcance para a prosseguir. Afinal, se Pedro Passos Coelho não partilhasse a visão de António Borges já o teria demitido de funções. E se temesse os riscos da promiscuidade entre Estado e interesses privados, nunca o teria nomeado em regime de outsourcing.

2.

Mais uma novela sem fim à vista.

Três semanas depois da polémica com o ministro Relvas, a jornalista Maria José Oliveira despediu-se do jornal Público.

A forma como o processo foi gerido fez-me perder toda a confiança na direcção e achei que não tinha condições nem vontade para continuar no jornal.

A direcção do Publico inda não comentou a saída da jornalista.

Há dias demitira-se o Conselho de Redacção do jornal.

Adelino Cunha, assessor de Miguel Relvas, também pediu a demissão.

O professor Marcelo disse que Relvas terá que sair pelo seu próprio pé.

Como a vergonha desta gente não tem limites, não se esta a ver muito bem  como isso vai acontecer.

3.

O ministro das Finanças revelou que a troika considerou, na sua quarta avaliação trimestral, que Portugal está a cumprir o seu programa de ajustamento.

Portugal cumpriu todos os critérios quantitativos e objectivos estruturais do quarto exame..

O país recebe assim a quinta parcela do empréstimo da troika, no montante de 4,1 mil milhões de euros.

Acreditamos que estamos no bom caminho para cumprir a meta dos 4,5 %  do défice.

4.

Não restam dúvidas de que a nacionalização do Banco Português de Negócios será paga pelos contribuintes.

O valor total  da factura  ainda  se desconhece, mas as previsões apontam  para qualquer coisa como  2700 milhões de euros.

Feitas as contas, a nacionalização do BPN vai custar, no mínimo, cerca de 250 euros a cada português.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

JANELA DO DIA



O guião estava escrito e não sofreu alterações.

Cristiano Reinaldo ofereceu a camisola com o nome do presidente nas costas e convidou-o a assistir, no estádio, a um dos jogos da selecção.

Pedido no guichet errado:

Cavaco não gosta de futebol, como não gosta de livros, como não gosta de vinhos, como não gosta de nada.

Paulo Bento afiançou o valor da selecção que treina, assumindo que quer ir até onde nos deixarem… e as canetas puderem.

O presidente da Federação Portuguesa de Futebol teve uma solenidade provinciana e congratulou-se por estar ali, em Belém de onde os descobridores partiram para encontrar novos rumos.

Sua Excelência destacou a responsabilidade daqueles 23 rapazes, aconselhando-os a terem trabalho coragem e dignidade.

É nos grandes momentos que o Povo português se agiganta.

E pronto!

O circo deixou a cidade e as televisões já instalaram, por tudo o que é sítio, camaras e repórteres.

Não vamos perder o mínimo dos pormenores da epopeia.
Já vimos, em directo, a chegada do avião ao aeroporto, a chegada do autocarro ao Hotel Remes Sport , em Opalenica.

Segundo fontes credíveis, a Federação irá dispender 145 euros por quarto.

Como a comitiva é composta por 53 pessoas, gastar-se-ão, por noite, 8.120 euros.

Não estão incluídas as possíveis derrapagens.

Mas o que é isto para um país onde o Sr. António Borges, como empregado do Governo, no ano passado, ganhou 225 mil euros livres de impostos?

Futeboliscamente falando, até sábado que vem!

sábado, 2 de junho de 2012

JANELA DO DIA


1.

Correu mal o ensaio geral para o Euro 2008 que, dentro de dias, começa na Polónia e na Ucrânia.

Esta noite Portugal perdeu com os turcos por 3 bolas a 1.

Da euforia passamos à depressão.

Um filme já visto milhares de vezes.

Na próxima segunda-feira, antes da partida, a comitiva portuguesa será rcebida, em Belém, por Cavaco Silva.
Oferecerão a Sua Excelência a camisola nº12 que não deixará de pedir a técnicos e jogadores que honrem a raça.

Mas é outro o campeonato que não podemos perder e será bom que não nos façam distrair dessa luta.

2.

O recorte pertence ao Diário de Notícias de hoje:

João Rendeiro, fundador do Banco Privado Português, criou offshores para manipular resultados e pagar aos seus colegas administradores. É acusado de 12 contra-ordenações.

Estas offshores serviram para enganar o o Banco de Portugal e maquilhar resultados financeiros da instituição. Quando os investimentos que promovia geravam prejuízos consideráveis para o BPP, o buraco era escondido nas contas dos clientes, segundo o Correio da Manhã.

Manuel Carvalho da Silva, hoje, no Jornal de Notícias:

O povo português, como outros povos europeus, vive submetido a processos de agiotagem cada vez mais refinados e, em Portugal, o conto do vigário tornou-se prática da governação económica e política. Os portugueses foram convidados a fazerem de conta que eram ricos e embalados em falsas festas de modernidade, autênticas cortinas de fumo que escondiam negociatas e fraudes monumentais. Depois, passaram a ser acusados de irresponsáveis e de terem andado a viver acima das suas possibilidades.

O autor do livro O Banco -- Como o Goldman Sachs dirige o mundo. Marc Roche disse à Lusa que as causas da crise deviam ser julgadas em tribunal porque a opinião pública está revoltada com as imoralidades cometidas pelas instituições financeiras.

A opinião pública sente-se enganada e pressionada pela austeridade imposta, em parte, para pagar os erros da banca e ainda nenhum banqueiro pagou pelos erros. Quando ponho a questão aos banqueiros eles respondem que a imoralidade e a falta de ética não são crime. Por isso, às vezes, calcam o risco amarelo da imoralidade mas não ultrapassam a linha vermelha da legalidade. Temos de começar a pensar em julgar a imoralidade,

3.

O  ex-presidente  do Egipto Hosni Mubarak foi condenado, a prisão perpétua pela morte de 850 manifestantes nos protestos que o derrubaram no ano passado, anunciou o juiz do tribunal que está a julgá-lo desde agosto.

Ao chegar à prisão, Mubarak sofreu um ataque cardíaco.

Em Maio passado, realizaram-se as primeiras eleições livres da história do Egipto.

Em meados de Junho, os egipcios, numa segunda volta das eleições, terão que escolher entre um fanático religiosos e um general na reserva.

Pior cenário não poderia acontecer.

As primaveras nem sempre são luminosas e, por vezes, são tardias.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

JANELA DO DIA


1.

O provedor do ouvinte da RDP, Mário Figueiredo, disse hoje à Lusa que tomou conhecimento de que não iria ser reconduzido no cargo pela administração da RTP por carta registada e lamentou a forma como o anúncio foi feito.

Questionado se a posição que assumiu durante o processo do fim da rubrica “Este Tempo”, na Antena 1, em que participava o cronista Pedro Rosa Mendes, poderá ter influenciado a decisão da RTP Mário Figueiredo afirmou:

Claro que sim.

Durante a sua audição na comissão parlamentar para a Ética, Cidadania e Comunicação sobre aquele processo, em Fevereiro, Mário Figueiredo classificou o fim do programa como um acto ilícito, prepotente e arrogante.
O responsável deu também o exemplo do caso do fim das emissões em onda curta, também numa audição parlamentar, onde “desmantelou as declarações do presidente da RTP e do ministro Relvas, que tem a tutela da comunicação social.

O provedor não é cómodo para o conselho de administração, salientou.

Também para o ministro da tutela, digo eu.

2.

O ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, acredita que o seu lugar no Governo não estará em perigo, ao contrário do que vaticinam comentadores políticos como Marcelo Rebelo de Sousa que o vê como "meio morto" no Executivo
O ministro Relvas disse ao jornal
Vou sair mais forte!.

Entretanto lá longe, Cavaco Silva diz que está a acompanhar o caso Relvas, e espera que tudo se resolva com muita transparência.

E A GRÉCIA AQUI TÃO PERTO



Crónica de Manuel António Pina no Jornal de Notícias de hoje:

As chocantes declarações da directora-geral do FMI ao "Guardian" revelam bem que género de gente preside hoje aos nossos destinos e a quem governos como o português ou o grego subservientemente se vergam. Por momentos, Lagarde deixou cair o idioleto técnico com que ela, Durão Barroso e a "fürehrin" Merkel, mais os seus feitores locais, justificam o empobrecimento forçado dos povos e mostrou o rosto selvagem do neoliberalismo dominante, assente no direito do mais forte à liberdade.

Perguntada se não lhe custava impor ao povo grego, sobretudo aos mais pobres, medidas de austeridade que cortam em serviços fundamentais como a saúde, a assistência social ou o apoio a idosos, a directora-geral não podia ser mais clara (nem mais cínica): "Penso mais nas crianças que andam na escola, numa pequena aldeia do Níger, que apenas têm duas horas de aulas por dia e partilham uma cadeira por três...".
E que tem Lagarde a dizer àqueles que, na Grécia, todos os dias lutam hoje pela sobrevivência, sem emprego e sem serviços públicos? Que se ajudem a si próprios "pagando os seus impostos". Mas as crianças, senhora? "Bem, os pais são responsáveis, não? Por isso os pais que paguem os seus impostos".

Maria Antonieta não o teria dito melhor. Só que os "sans cullotes" de hoje persistem em crer que ainda vivem em democracia (se calhar até em democracia económica).
Aos 140 anos de idade, o grande cipreste do jardim do Príncipe Real, em Lisboa, luta por se manter vivo. Às mazelas próprias da idade juntam-se as malfeitorias dos vândalos, que já chegaram a incendiar o interior do tronco, e os ataques cíclicos de piolhos.

domingo, 27 de maio de 2012

QUOTIDIANOS


Uma espécie de raiva e pela minha incapacidade para aceitar que não esteja toda a gente na rua a protestar contra o que lhe está acontecer.

Laurie Anderson, a propósito do seu novo álbum Dirtday, citada por João Lisboa.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

JANELA DO DIA


1.

Há notícias que deixam sem pinga de palavra, quem as lê.

Segundo o Diário de Notícias de hoje, os Centros de Orientação de Doentes Urgentes do INEM receberam no ano passado mais de 21 mil chamadas falsas.

Estas chamadas terão originado a saída desnecessária de 7634 ambulâncias, ou seja: uma média de 21 ambulâncias que são enviadas para situações de emergência que são falsas.

Saber da existência de um bando de idiotas, de irresponsáveis, que se entretém a brincar a vida das pessoas, que colocam em risco a assistência que possa ser dada a quem dela necessita, é qualquer coisa a que não sabemos dar nome.

Ou até sabemos?!!!


2.

Parece definitivo: o Relvas não pede a demissão, nem é demitido.

Hoje esteve na, Entidade Reguladora da Comunicação Social, a ser ouvido sobre a trapalhada telefónica com a editora de política e a directora do Público.

O ministro reconheceu que telefonou à editora de política do jornal:

Liguei e disse: continuando a haver comportamento como este, tenho o direito de apresentar uma queixa na ERC, nos tribunais e de eu, pessoalmente, deixar de falar com o Público.

Questionado sobre se está disponível para ir à Assembleia da República esclarecer os deputados, tal como fez no caso das "secretas", Relvas respondeu que um membro do Governo está sempre disponível para ir ao Parlamento, mas esquivou-se a responder se considera que, depois de ter sido citado já por três vezes em casos de alegada pressão sobre a comunicação social – além deste, os episódios da crónica de Pedro Rosa Mendes na Antena 1 e do telefonema para o presidente da RTP sobre a contratação de Paulo Futre -, mantém condições para continuar no Governo.

3.

Está tudo a postos para que amanhã, em Lisboa, abram as portas da 5ª edição do Festival Rock in Rio que, segundo os organizadores, reúne a maior aposta que o evento até hoje teve: 25 milhões de euros.

Crise? Mas qual crise?

terça-feira, 22 de maio de 2012

JANELA DO DIA


1.

Um homem, de 37 anos, foi detido pela PSP em Famalicão por ter furtado do supermercado Pingo Doce duas embalagens de bacalhau, no valor de 13,98 euros.

Isaltino continua, charutando, a passear-se por aí.

2.

O Governo português vai ter de adoptar novas medidas de austeridade para cumprir as suas metas orçamentais e a recessão vai continuar até meados de 2013, prevê a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.

Os números apresentados são bastante mais pessimistas que as previsões do governo.


3.

O número de famílias com dificuldades em pagar os seus empréstimos continua a aumentar.

Em março, os valores de malparado voltaram a atingir novos recordes e só no primeiro trimestre deste ano 27.800 portugueses entraram em situação de incumprimento, ou seja, por dia há mais de 300 portugueses que deixam de pagar os seus empréstimos.

4.

Manuel António Pina, na sua crónica, de hoje, no Jornal de Notícias, e referindo a ameaça de que foi vítima a jornalista Maria José Oliveira, apresenta uma modesta proposta à Comissão da Carteira Profissional:

 Que seja vedado aos jornalistas, de modo a blindar a sua independência de ataques suicidas como o do Público, ter vida privada.

5.

O Relvas ainda não se demitiu, nem foi demitido.



Legenda: o título do Público pertence à edição do dia 25 de Janeiro e 2012.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

JANELA DO DIA


1.

Final da Taça de Portugal, omtem no Jamor.
A Académica venceu o Sporting por 1 a 0.
Ainda deu para um cheirinho a 1969… mas apenas um cheirinho…

2.

Relvas terá dito que, se o Público publicasse uma notícia sobre as secretas, enviaria uma queixa à ERC, promoveria um blackout de todos os ministros em relação ao jornal e divulgaria, na internet, dados da vida privada da jornalista Maria José Oliveira.

Do comunicado do Conselho de Redacção do Público:

Os membros do Conselho de Redacção do Público  consideram que existia relevância noticiosa no texto de Maria José Oliveira, que fez o que qualquer jornalista deve fazer: não deixou cair a história e trabalhou para aprofundá-la, procurando esclarecimentos junto do ministro.

O CR é da opinião que, mesmo que os telefonemas do ministro não tenham tido aqui qualquer influência, a não publicação da notícia passará a imagem para fora, quando o assunto vier a tornar-se público, como é expectável, de que foi justamente isto o que aconteceu: que o PÚBLICO vergou-se perante ameaças do “número 2” do Governo. Independentemente da mais-valia de se aguardar por um follow-up mais aprofundado, a publicação da notícia, juntamente com a divulgação pública das pressões do ministro, teria certamente evitado este possível dano na imagem.

Lido na Visão-online:

O Público noticiou na sexta-feira que o ministro Miguel Relvas pediu, nesse dia, desculpa ao jornal, depois de a direção ter protestado contra "uma pressão" do governante sobre uma jornalista que acompanha o caso das Secretas.

O pedido de desculpas, noticiado pelo jornal, ocorreu no mesmo dia em que o gabinete de Miguel Relvas refutou a denúncia do Conselho de Redação do Público sobre ameaças do titular da pasta da comunicação social ao jornal e a uma jornalista, por causa de uma notícia relacionada com o caso das Secretas, e que acabou por não ser publicada.

Quanto tempo levará o Relvas a pedir a demissão do governo, ou a ser demitido pelo primeiro-ministro?

Aceitam-se apostas.

3.

Todos temos de trabalhar em conjunto, sindicatos, patrões e partidos, para conseguirmos ultrapassar este coiso.

Álvaro Santos Pereira, ministro.

E não há ninguém que lhe dê com um coiso pela cabeça abaixo?