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sábado, 30 de setembro de 2017

DANIEL BACELAR (1943-2017)


Era assim o Daniel Bacelar quando o ouvia, pelos meus 15 anos, na rádio, o mesmo tempo dos dois Conchas-oh-carol! que eram meus vizinhos de rua.
Há 10 anos, conheci-o pessoalmente nos almoços que o Luís Pinheiro de Almeida organizava no blogue Ié-Ié e fiquei encantada com a simpatia, a sempre disponibilidade em gravar-me em Cd músicas antigas que lhe pedia.
Não me esqueço da noite em Belém, no Concerto da Rita Redshoes, em que deu um banho de rockalhada.
A última vez que estivemos juntos, foi na Gala dos Anos 60 no Cartaxo, e já não o encontrei com aquela jovialidade que o caracterizava.
Morreu ontem aos 74 anos.
Desses almoços Ié-Ié, quando chegavam as cantorias, cantava tudo menos A Marcianita. Penso que sempre guardou para ele que estávamos a gozar.
Não estávamos.
Das versões que conheço da canção, e são algumas, a do Daniel é a melhor.
Obrigado, Daniel.

domingo, 21 de maio de 2017

MAIS OLHARES


A última música foi «Come Together» dos Beatles e o José António Portela convidou todos os artistas, que tocaram e cantaram na Gala, e quem quisesse, para subirem ao palco e cantarem, em coro, o «Come Together».
Estes são alguns dos artistas e faltam mais mas, quando estava todo o povo e me aprestava para fazer o boneco, a máquina exigiu que mudasse de bateria e bateria não existia.
Acidentes de percurso.
Entre o Paulo e o Duarte está o Daniel Bacelar que não quis deixar de marcar presença. 
Ainda gritaram pela «Marcianita» mas, mais uma vez, saiu para bingo. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

VELHOS DISCOS


Teria os meus 15 anos quando a canção «Camino del Sahara» de Los Tamara teve um enorme sucesso.
Passados aqueles tempos, outras canções vieram e eu nunca mais ouvi o «Caminho de Sahara.»
Há uns 8 anos, num dos Almoços-Ié-Ié, em conversa com o Daniel Bacelar, mais coisa menos coisa, somos da mesma idade, falei-lhe nos Tamara e ele de imediato disse: «eh pá! Eu tenho isso lá em casa, posso-te fazer uma cópia.»
Isto a um sábado e, ao bater do correio na manhã de terça-feira, eu tinha a colectânea de Los Tamara, com todo aquele cuidado que a Fernanda Bacelar coloca nas cópias que faz de Cds.
Desculpem qualquer coisinha, mas ainda hoje me arrepio quando a ouço:

«Y la luna parece un turbante de plata perdido de Alá.»

sexta-feira, 19 de junho de 2015

DA MINHA GALERIA


Há discos únicos.

Acima de tudo porque saem do gosto de partilhar.

Há coisas que vale a pena receber de mãos estendidas e guardá-las.

Um dia, em conversa de guedelhudos-ié-ié, disse que a minha canção da vida era  «Unchained Melody».

João Rato ouviu, registou, e um dia surpreendeu-me com a oferta de um duplo CD contendo  49 versões de «Unchained Melody».

Diz o Google que há mais de 500 versões nos mais diversos idiomas.

Um apuradíssimo gosto musical, uma enorme paciência e gozo, permitiram este extraordinário disco, que tem lugar primeiro na minha discoteca.

O caso extraordinário de como uma só canção permite um disco que vos garanto, apesar de ser suspeita na matéria, é genial.

Só ouvindo.

Não tenho mais palavras.

Apenas o lamentar que «Rato Records» tenha interrompido o seu trabalho.

Ficaram mais pobres os dias.

É este o alinhamento das versões de «Unchained Melody» escolhidas pelo meu amigo Rato:

Alex North – Andy Williams – Barry Marilow – Bert Kaempfert, Air Supply, Inner Circle – The Lettermen – Chet Atkins – Cliff Richard – Jimmy Young – The Drifters – The Ventures – Gene Vincent – Julie Rogers – Robson S. Jerome – Ray Conniff – Pete Drake – Ricky Nelson – Celly campelo – Daniel bacelar – Acter Bilk – Harry Belafonte – Il Divo – Les Baxter – The Righteous Brothers – Jean Carson – John Barry – Rockapella – The Browns – Leam Rimes – Duanne Eddy – Roy Orbinson – Los Cativos – Johnny Naestro – Mar G. Quintilha – Roger Whitaker – The Supremes – Manhattan Transfer – Fausto Papetti – Al Hibber – The Teddy Bears – Ray Hamilton – Paul Mauriat – The Fleetwoods – Pat Boone – Neil Diamond – Amici Forever – Elvis Presley.

A versão  dos Righteous Brothers é um caso à parte.

Por mera opção sentimental, gosto muito da versão do Elvis, do Cliff, do Neil Diamond, do Daniel Bacelar, das Supremes.

Por dificuldade na escolha destes favoritos, servi-me de uns papelinhos com os respecticos nomes. Saíu as Supremes.

Pois que fiquem as Supremes.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

GUNFIGHT AT GASTOWN


Aqui se conta a história de como eu, John Wayne e um bêbado que encontrara a dormir  no balcão de um “saloon” demos cabo do perigoso bando de Steps Rabbit e Paul Doors.

A coisa durava já há demasiado tempo…

Qual Robin dos Bosques às avessas, descaradamente e com total impunidade, o bando roubava aos pobres para entregar aos ricos...

O “Sheriff” Cave Silver, quando chamado a pronunciar-se, balbuciava três ou quatro frases incompreensíveis e assobiava para o lado, como se não fosse nada com ele…

A gentalha lamentava-se às escondidas, mas ninguém mexia uma palha para mudar fosse o que fosse.

Alguns,  como eu,  pensavam que a brincadeira já tinha chegado longe demais e interrogavam-se se  a única alternativa não seria corrê-los a tiro da cidade.  Mas a verdade é que ninguém avançava…

Decidi então chamar a mim essa responsabilidade. Mas precisava de ajuda, e puxei pela cabeça…

John Wayne, complicado como sempre, duvidava dos pressupostos ideológicos da empreitada e dizia-me que era bom era com uma espingarda Winchester 1892 na mão, e não com um par de pistolas... Para conseguir  a sua colaboração tive de lhe garantir que ficaria com a Angie Dickinson no final, e que  lhe faria um plano daqueles que só Hawks e Ford lhe souberam fazer, em que ficava assim como suspenso no tempo, os braços e a espingarda ao longo do corpo, a balouçar para lá e para cá como se estivesse a ser batido pelo vento.

Quanto ao bêbado, esse ansiava por uma boa garrafa de vinho e por justiça social, se possível exactamente por esta ordem. E  nem pestanejou quando lhe pus em frente um frasco de whisky, garantindo-me que, na altura da verdade, as suas mãos não lhe iriam tremer, como estava a suceder naquele preciso momento…

A cidade estava deserta e embora se vissem às janelas alguns vultos a espreitar  envergonhadamente por detrás dos cortinados, ninguém ousara, uma vez mais, sair à rua.

O silêncio era total, interrompido, aqui e além, pelo barulho dos cavalos que relinchavam nos estábulos e pelo ladrar dos cães do Velho que, como sempre, andavam engalfinhados uns com os outros.

Aproximava-se o meio-dia, e desde O Comboio Apitou Três Vezes que toda a gente sabe que meio-dia é a hora a que os bandidos descem à cidade



Teria sabido bem,  enquanto esperávamos, uma musiquinha tipo My Riffle, My Poney And Me, mas a verdade é que nenhum de nós sabia cantar. Ainda me lembrei de contratar Daniel Bacelar, um  Ricky Nelson português que me sairia mais barato, mas já era muito tarde para fazê-lo embarcar de Lisboa…




Das primeiras sombras vislumbradas no horizonte até à entrada na cidade decorreu uma  eternidade e o silêncio tornara-se cada vez mais insuportável.

Doors e Rabbit não vinham sós. Traziam com eles  o ajudante Charlie Coins, que vinha dar um último passeio pela cidade antes de rumar a outras paragens.

Vinham descontraídos,  alegres e bem dispostos, a contarem uns aos outros anedotas de subidas de salários mínimos, novos impostos e cortes de pensões, rebolando-se a rir à gargalhada em cima das suas selas.

Nunca pensaram que alguém os pudesse enfrentar face a face, e quando deram por nós já era tarde demais.

John Wayne e o bêbado cumpriram a sua tarefa com uma desenvoltura e uma rapidez que já está, como diria Molero.  Rabbit e Coins caíram como tordos para não mais se levantarem…

Havia pedido aos meus parceiros que deixassem para mim o tipo do nariz comprido, por pensar que talvez fosse ele o menos hábil a manejar uma pistola, mas a verdade é que não consegui matar à primeira Paul Doors.

Ficou caído no chão a espernear, a borrar-se  todo e a gritar pela sua mãezinha.

Com as poucas forças que ainda lhe restavam arrastou-se pelo chão e agarrou-se às minhas pernas, prometendo-me lugares de administração em tudo o que fossem ranchos nos arredores se lhe poupasse a vida.

Pareceu-me vê-lo sorrir quando lhe disse que era irreversível, e ainda mais me sorriu quando lhe meti pela garganta abaixo o cano da pistola, imediatamente antes de um esgar de pânico tomar conta do seu rosto ao perceber, pelo meu olhar, que desta vez o irreversível seria mesmo irreversível…

Fechei os olhos e disparei.

O que teria visto se os tivesse aberto não seria nada que já não tivesse encontrado muitas vezes  nos filmes do Tarantino e do Robert Rodriguez...

Mas mantive-os fechados durante tanto tempo que me pareceu uma eternidade. E ainda estava de olhos fechados quando o borburinho começou a tomar conta da cidade,  e os medrosos de há pouco assumiam agora, sem qualquer risco, a sua alegria e a sua coragem. 

Os restantes capangas do bando, esses haviam entregue de imediato as suas armas sem pestanejar

O “Sheriff” Cave Silver, chamado ao local,  abriu alas por entre a multidão, olhou para os três corpos estendidos no chão, balbuciou duas ou três frases incompreensíveis e seguiu o seu caminho, como se não fosse nada com ele. E foi o mais acertado que poderia ter feito,  porque um passo em falso ou uma frase fora do contexto e teria ido, também ele, desta para melhor…

Teria sido bonito  sair da cidade tipo justiceiro solitário, como nos filmes do Clint Eastwood, muito direito na minha sela, chapéu enfiado na cabeça até aos olhos e o cavalo em passo lento,  enquanto novelos de cotão atravessavam o plano levados pelo vento.

Mas a verdade é que não me apetecia estar sozinho.

Não naquele dia em que, pela primeira vez, havia ceifado a vida a um Ser Humano. E a sangue frio, ainda por cima…

Mas a verdade é que não havia nada a fazer.

John Wayne havia pregado dois beijos e uma palmada no rabo da Angie Dickinson e zarpara de imediato para Hollywood, onde o esperava mais um filme de “marines”.

O Velho mal se arrastava nas suas pernas  e jamais seria capaz de abandonar os seus cães e a cidade onde desde há muito se habituara a viver.

O bêbado, esse tudo quanto ainda esperava da vida estava naquele balcão daquele “saloon”, no fundo daquela garrafa.

Despedi-me de todos, sabendo que saudades, verdadeiras saudades, só iria sentir do Velho. Das canções antigas  que me cantava enquanto bebíamos um copo de vinho e fumávamos um charuto rasca,  de pernas esticadas no alpendre…  Das suas  gargalhadas, dos nomes que me chamava...

Sabia que o mais certo seria nunca mais encontrar nenhum deles, excepto os políticos e os oportunistas porque a esses, como dizia Chandler dos polícias, ainda ninguém inventou maneira de lhes dizer adeus.

Não tinha, por isso, grandes ilusões em relação ao futuro. Sabia que bando morto bando posto, e aqueles abutres que havia visto alegremente aos pulos pelas ruas da cidade não auguravam nada de bom…

Enquanto me preparava para virar costas à cidade, não me sentia muito bem  comigo próprio… A minha costela humanista não parava de me gritar que, salvo  raríssimas excepções, felicidade nenhuma  poderá ser conquistada sob a perda de um Ser Humano. Mas procurava consolar-me  dizendo-me que talvez esta tivesse sido  uma dessas excepções e, quem sabe, talvez que muita gente me viesse ainda a agradecer no futuro…  

Absorto nos meus pensamentos, só muito tarde me apercebi da algazarra que se passava atrás de mim.

Virei-me e deparei com o Velho que, acompanhado pelo mais fiel dos seus cães,  ensaiava uns passos de dança enquanto cantarolava uma das músicas que sabia que eu mais gostava.

Parou quanto o olhei nos olhos, receoso que o recambiasse de volta para a cidade.

De certeza que a sua miopia não o deixaria ver as minhas lágrimas, mas e verdade é que,  de repente, soltou uma sonora gargalhada, chamou-me um nome muito feio e perguntou-me, pela enésima vez, se alguma vez tinha sido mordido por uma abelha morta…  



Luís Miguel Mira

segunda-feira, 26 de maio de 2014

FOI BONITA A FESTA, PÁ!






Esta malta é como o vinho do Porto: quanto mais velho melhor.
É algo de comovente ver rapazes que encheram as nossas tardes e noites de bailes cantarem, mesmo com o toquezinho da idade, com tanta alegria e emoção.
Surpresa das surpresas foi ver o nosso Paulinho a tocar nos Discovers.
E, mais uma vez, o Daniel Bacelar não cantou a Marcianita.
A festa de lançamento da Biografia do Ié-Ié, na tarde de sábado, foi bonita, o Luís bem a mereceu.
O livro é um trabalho competente e quem quiser saber quem foram os personagens daqueles tempos loucos, têm lá tudo.
Pena que por causa da final dos Campeões Europeus o tempo fosse tão curto.

domingo, 17 de novembro de 2013

PORQUE HOJE É DOMINGO



Chegar à janela é ver uma cadeira no passeio.
Que faz ali a cadeira?
Certamente não é como aquelas cadeiras da esplanada do Marques na Trafaria. Essas eram de ferro.
Já por aqui falei dessa juke box, já falei também do Moliendo Café que por lá se ouvia.
Há muitas mais. A Marcianita, por exemplo, e nem sequer me lembro quem a cantava, como também não sei quantas vezes dancei ao som dessa canção.
Tentei colocar aqui a versão do meu amigo Daniel Bacelar mas não consegui.
Nabice minha, certamente.
Mas apanhei a da Gal Costa.
Bom domingo.

Esperada, marcianita,
Asseguram os homens de ciência
Que em dez anos mais, tu e eu
Estaremos bem juntinhos,
E nos cantos escuros do céu falaremos de amor .
Tenho tanto te esperado,
Mas serei o primeiro varão
A chegar até onde estás
Pois na terra sou logrado,
E em matéria de amor
Eu sou sempre passado pra trás.
Sou logrado
E em matéria de amor
Eu sou sempre passado pra trás
Eu quero uma mina de Marte que seja sincera
Que não se pinte, nem fume
Nem saiba sequer o que é ié ié ié.
Marcianita, branca ou negra,
Gorduchinha, magrinha, baixinha ou gigante,
Serás, meu amor
A distância nos separa,
Mas no ano 70 felizes seremos os dois.
A distância nos separa,
Mas no ano 70 felizes seremos os dois.


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

BAILES DA VIDA



Ficava muito mal no retrato se não trouxesse para estes bailes o meu amigo Daniel Bacelar.
Ontem passaram cinquenta anos sobre a edição do primeiro disco do “ié-ié português, onde juntamente com “Os Conchas”, aparece o Daniel Bacelar.
Uma canção do Daniel rodava nos Bailes da Vida: “Marcianita”.
Em almoços de amigos, quando de pede ao Daniel para cantar “Marcianita” ele. fica pele de galinha.
A voz do Daniel é como o Vinho do Porto: ganhou com a idade, e é uma pena que ele ainda não se tenha abalançado a um concerto no “Maxime”, como tantas vezes os amigos lhe têm pedido.
Pode ser que seja um dia.
Fui buscar a letra da “Marcianita” porque, nos almoços do “Ié-Ié, quando nos pomos a cantar em coro desafinado, ninguém sabe a letra completa. A começar por mim. Imperdoável!

"Esperada, marcianita,
Asseguram os homens de ciência
Que em dez anos mais, tu e eu
Estaremos bem juntinhos,
E nos cantos escuros do céu falaremos de amor .
Tenho tanto te esperado,
Mas serei o primeiro varão
A chegar até onde estás
Pois na terra sou logrado,
Em matéria de amor
Eu sou sempre passado pra trás.
Eu quero um broto de Marte que seja sincero
Que não se pinte, nem fume
Nem saiba sequer o que é rock and roll.
Marcianita, branca ou negra,
Gorduchinha, magrinha, baixinha ou gigante,
Serás, meu amor
A distância nos separa,
Mas no ano 70 felizes seremos os dois."