Mostrar mensagens com a etiqueta Dicionário de Morais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Dicionário de Morais. Mostrar todas as mensagens

sábado, 27 de outubro de 2018

VEJA-ME ESSE PROBLEMA NO SEU MORAIS


Encontrei ontem o Carlos que reescreveu Os Pequenos Burgueses em dois meses e meio.
- Ficou um livro realmente diferente… E tão diferente que penso em mudar-lhe o título. Qualquer coisa deste género: Os Pequenos Burgueses e Outras Personagens.
Aqui levantou-se-lhe o eterno problema. Personagem é masculino ou feminino? Como toda a gente sabe os puristas afirmam que é feminino. «O personagem» é um horrendo galicismo.
- Mas a mim soa-me muito mal «outras personagens»!
Você é capaz de me ver esse problema no seu Morais?
À noite telefonei-lhe e li-lhe duas abonações clássicas constantes do maorai (uma de Manuel Bernardes e outra de Francisco Manuel e Melo) que justificam o emprego de personagem no masculino.
O Carlos respirou feliz ao telefone,

José Gomes Ferreira em Dias Comuns Volume IX

Legenda: pormenor da página do Dicionário de Morais para a entrada «personagem», problema que Carlos de Oliveira pediu a José Gomes Ferreira para lhe resolver.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


A Palavra do Ano é «GERINGONÇA.»

Arrecadou 35% dos cerca de 28.000 votos expressos, anunciou  a Porto Editora, promotora do evento.

No segundo lugar, com 29%, ficou o vocábulo "campeão" e, em terceiro, com 08%, «Brexit.»

Segundo o Morais, Dicionário cá da casa, «Geringonça» é coisa mal engendrada e que ameaça ruína.

Chamar «geringonça» foi uma diatribe de Paulo Portas para designar a maioria parlamentar que sustém o governo do Partido Socialista.

Francisco Teixeira da Mota, cronista do Público, escreveu:

E 2017, cá pelo burgo, como vai ser? A “geringonça”, qual Passarola de Bartolomeu de Gusmão, irá continuar a voar, para gáudio de muitos e a incredulidade de outros.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

À VOLTA DOS EDITORES


Volto aos editores.

Mais concretamente a Rogério Mendes de Moura.

Quando morreu no dia 23 de Novembro de 2008, Rogério Mendes de Moura era o decano dos editores portugueses.

Em 1953, sem qualquer experiência no ramo, funda a editora Livros Horizonte que dirige durante mais de meio século.

Era um editor que fazia questão de ler de fio a pavio tudo o que editava.

Tendo feiro parte da Universidade Popular de Bento Jesus Caraça, do MUD Juvenil, da candidatura de Humberto Delgado, teve problemas com a Censura e a PIDE.

Mas nunca se deixou intimidar pelas visitas que a PIDE fazia às instalações da editora, tão pouco se inibia com a actuação da censura, publicando sempre os livros que julgava interessantes.
 Mas muitos projectos esbarraram nos serviços da censura.

Tendo publicado um livro sobre o parto sem dor, recebeu notificação da censura dizendo que ele estava errado porque a mulher foi feita para ter dor no parto.

E não permitiram uma segunda edição do livro.

Mas medo foi palavra fora do contexto de vida de Rogério Moura.

Em 1962 funda, com Viriato Camilo, a Editora Prelo que terá uma importante projecção cultural, publicando novos autores que se manifestavam contra o regime de Salazar e que outras editoras, com medo de represálias, se recusavam a publicar.

Em 1964 foi eleito, juntamente com António Alçada Baptista e Augusto Petrony, para a Direcção do Grémio dos Editores.

A direcção não foi homologada pelo Ministro das Corporações com o fundamento de os eleitos serem adversários do regime político, desde católicos progressistas a membros do Partido Comunista.

Outra das suas paixões foi o cinema, tendo sido um empenhado entusiasta do cine-clubismo e é de sua responsabilidade a edição de A História do Cinema de Georges Sadoul.

Em 1969 adquire a Editorial Confluência, fundada em 1945 e edita os maiores dicionários da Língua Portuguesa – o "Morais", o "Etimológico", o "Onomástico".

Voltarei um destes dias, para contar uma história sobre o Dicionário de Morais, que faz parte da biblioteca cá da casa.

Em 2003, foi condecorado pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio.

Em 2006, a União dos Editores Portugueses atribuiu-lhe o Prémio Carreira - Fahrenheit 451.  

Na brochura que assinalou os 50 anos de actividade da Livros Horizonte, o seu irmão, Mário Moura, também editor, escreveu:

Rogério Moura é um editor-artífice, talvez o único entre nós. Trabalha o livro como o ourives o ouro e o lapidador o diamante. Por outro lado, o tilintar ou não da caixa registadora não o comove.

sábado, 6 de julho de 2013

ATEMPADAMENTE... IRREVOGÁVEL...


Como as notícias com os políticos da nova geração governamental, mudam de minuto a minuto, neste momento o que se diz, não o que se sabe, e apenas neste breve momento, é que Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque, a nova ministra das Finanças contestada pelo líder do CDS, ficam no Governo.

Portas dissera, em carta com pompa de sentido de estado,  que a sua saída do governo era irrevogável.

Ninguém, muito menos um ministro-barata-tonta, deve dizer nunca.

É o primeiro conselho inútil que se dá aos governantes com tendência para o irresponsável.

Não só volta ao governo, como terá por companhia a Maria Luís.



Citação do Dicionário cá da casa, o velho Morais define irrevogável:




Paulo Portas que se sente acima de tudo e de todos, não entende que um país não é um recreio. Que o país não é a redacção do Independente onde brincava com Miguel Esteves Cardoso e mais um alargado grupo de  meninos.

O Paulo não cresceu.

A culpa não é tanto dele.

É mais de quem o colocou a presidir a um partido, que lhe permitiu, com habilidade e cinismo, chegar ao governo da nação.

O Paulo não oferece qualquer ponta de confiança mas agora parece que se espetou mesmo… ao comprido.

Nem a Nossa Senhora de Fátima, de quem é profundamente seguidor, o salvará…

Já ao cair do dia de ontem soube-se de mais uma brincadeira do Paulo.

A decisão de impedir a aterragem em Lisboa do avião oficial do Presidente boliviano, Evo Morales, foi tomada pelo ministro demissionário Paulo Portas, em plena crise governamental. O Presidente boliviano regressava a La Paz após visita a Moscovo, na passada terça-feira. Por suspeitas de que poderia transportar consigo Edward Snowden, vários países europeus - Portugal, Espanha, França e Itália - não permitiram a aterragem do seu avião. Morales acabou por fazer escala em Viena e reagiu com violência à situação. Outros países da América Latina acompanham-no num coro de protestos que poderá ter reflexos económicos, dia 12, na reunião de países do Mercosul, Mercado Comum do Sul.

Até a Venezuela, país com o qual Portugal tem um conjunto de acordos de investimento em curso, está a reagir com violência, o que faz recear no Ministério dos Negócios Estrangeiros consequências desastrosas para a diplomacia económica nacional.

 Para quem se diz apetrechado para as coisas da economia… muito mais há a esperar em tempos futuros.

Valham-nos os deuses todos do Olimpo!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

RUA DO OURO


A maior parte das Agências de Navegação localizavam-se no Cais do Sodré.

Como ao Metro ainda faltavam alguns anos para o terminal no Cais do Sodré, apanhava-o na Praça do Chile, saía Rossio, descia a pé a Rua do Ouro, não antes sem fazer paragem obrigatória para, encostado ao balcão da Casa Chineza, tomar o café da manhã, olhar os rostos que circundavam, quase sempre, àquela hora, os do costume.

A Casa Chineza, ao tempo, tinha um dos melhores cafés de saco da cidade.

Por lá, todas as manhã, à mesma hora, o Professor José Pedro Machado, que colaborou no Grande Dicionário de Morais, com os volumes do Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, o saco das compras da dia na mão, e que,  tomado o pequeno almoço, arrancava para a habitual cavaqueira na Livraria Portugal.

Ao longo dos tempos, a Casa Chineza tem vindo a perder o anterior glamour.

Para que não restem dúvidas que os tempos mudaram naquela casa, na grande montra, ostenta em grandes letras que fabricam Folar de Chaves.



A luta pela defesa dos velhos cafés das cidades é uma luta inglória.

Ressalta, então, uma tristeza que por mós perpassa, uma melancolia acomodada.


A uma pequeníssima crónica, publicada no velho Diário de Lisboa, Mário Castrim chamou: Rua do Ouro.


A pastelaria de que se fala talvez pudesse ser a Casa Chineza.


Na pastelaria

por cima do balcão
o homem disse:
«Por favor, aquele de chantilly e um galão».
Comeu com invejável apetite
sorveu o galão
ruidosamente.
Depois abriu o porta-moedas
e pagou
e  parou um instante à porta
a ver uma jovem de calças
fortemente cingidas às ancas.
Alguém saberá que outrora
apagou cigarros
nas costas dos presos.
Cinco horas da tarde.
Estamos na Rua do Ouro.
Os rostos confundem-se
e afinal talvez não passasse tudo
De fadiga, de nervos,
da imaginação um pouco doente.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

SEM RIVAL


Esta é a Ginjinha Sem Rival de J. Manuel L. Lima, situada na rua das Portas de Santo Antão, que ainda conheci como Rua Eugénio dos Santos.
O número de porta é o 7 e está quase ao lado desse must da cidade que dá pelo nome de Gambrinus.
Noutros tempos, a malta da rua descia à baixa, e paragem obrigatória era na Sem Rival.
Num acto de perfeita javardice, bebíamos o liquido à entrada da porta o copo e iniciava-se o campeonato para ver quem mandava o caroço da ginja mais longe.
 Quem perdia pagava a rodada.
A fotografia é recente e, como podem ver, no lado esquerdo, está um caixote para que aí sejam colocados os horrorosos copinhos de plástico em que  a mixórdia, nos dias de hoje, é vendida.
Já que estamos em maré de ginjas, e como isto anda tudo desligado, cabe referir que no seu excelente livro À Mesa com a História, Manuel Guimarães, conta que a D. Maria, a célebre governanta do ditador de Santa Coma, fazia uma saborosíssima ginja caseira. Os frutos eram comprados no auge da sua gostosura e as garrafas pousavam obrigatoriamente dois anos.
Manuel Guimarães conta que Salazar, embora não apreciasse a bebida por aí além, provava-a em homenagem à sua excelsa governanta.
Conta ainda Manuel Guimarães que, embora não gostasse de ginja, Salazar tirava o chapéu ao Vinho do Porto. Assim se pode ler:
O padre Carneiro Mesquita era proprietário na zona do Douro e produtor de Vinho do Porto de muito boa qualidade. Foi ele quem iniciou Salazar nas subtilezas do preciosos néctar que se gabava, muito justamente, aliás, de dominar na perfeição.
Salazar mantinha uma curiosa relação com o Vinho do Porto que muito apreciava. Usava-o em lugar de água, durante os discursos, para molhar a palavra. A garrafa do preciosos líquido era confiada ao Chauffeur do presidente, que a fazia chegar à mesa da conferência, recolhendo-a no final, a rogo de D. Maria, que no regresso a S. Bento a reclamava de imediato, sem nada querer saber dos sucessos da palavra do amo e senhor que gostosa e fielmente serviu, durante toda a sua vida.