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sábado, 19 de dezembro de 2015

NADA A LAMENTAR


Há 100 anos nascia Edith Piaf.

A andorinha negra de Pigalle.

Quando, num triste dia de Outubro, Piaf morreu, as lágrimas correram por muitas rostos ao redor do mundo, mas principalmente foi em Paris que foram mais sentidas.

No mesmo dia, esse 11 de Outubro de 1963, morria outro grande nome da cultura francesa JeanCocteau.

A vida de Piaf é uma mescla dolente de dor e solidão, amor e paixão.

Nunca mais houve outra Piaf.

Ainda pretenderam nomear Mireille Mathieu como a sua sucessora, mas não havia voz para andar, apesar de algumas semelhanças.

Tanto tempo passado, sabemos que a tarefa era difícil, impossível mesmo.

No dia 15 de Julho de 1990, Miguel Torga via na televisão um programa sobre Piaf.

Escreveu no seu Diário;

E revi-me, consolado, na fúria daquela fragilidade invencível.

Padam, Padam, foi a primeira canção que ouvi de Edith Piaf.

                                         


sexta-feira, 26 de julho de 2013

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Se não sabem, ficam a saber que o Diário de Notícias, na sua colecção Divas, disponibiliza, hoje, um CD de Marilyn Monroe, integrado numa colecção por onde já passaram Maria Callas, Ella Fitgerald, Amália, Edith Piaf, Aretha Franklin, Billie Holiday, Judy Garland e, ainda passarão, Marlene Dietrich e Carmen Miranda,

A selecção musical e notas, são da responsabilidade de Rui Vieira Nery, enquanto Patricia Reis assina um texto ficcional sobre Marilyn, que termina assim:

A saúde de Marilyn está cada vez pior. Sofre de fobias. Chega sistematicamente atrasada às filmagens. Começa a fazer terapia com um psiquiatra e aceita ser internada na mesma instituição onde a mãe esteve. O facto de não ter conseguido ter filhos, apesar de ter engravidado duas vezes não ajudou. Queria muito ser mãe. E isso eu compreendo muito bem. Foi uma bênção ter conseguido adoptar os meus filhos. Marilyn foi operada para corrigir uma obstrução nas trompas de falópio. A seguir teve uma crise de vesícula e voltou a ser operada. Nos anos sessenta estava já um fio e era tão nova. Se pensarmos, morreu com 62 anos. Parece que a última pessoa a falar com ela ao telefone terá sido o presidente Kennedy, mas quem o pode garantir? Elton está convencido de que a mandaram matar. Era inconveniente, como misturava bebida com comprimidos, não tinha filtro. Era uma diva e uma menina perdida ao mesmo tempo. Como tantas outras divas. Parece que DiMaggio colocou rosas na sepultura da ex-mulher até morrer. Eme morreu em 1999. A isso eu chamo amor. Elton diz que posso estar enganado. Mas que sei eu? Casei com Elton John, a minha vida é uma montanha russa. E admito, existem dias em que Elton é Marilyn. Não me perguntem mais.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A PIAF


Esta voz que sabia fazer-se canalha e rouca,
ou docemente lírica e sentimental,
ou tumultuosamente gritada para as fúrias santas do “Ça ira”,
ou apenas recitar meditativa, entoada, dos sonhos perdidos,
dos amores de uma noite que deixam uma memória gloriosa,
e dos que só deixam, anos seguidos, amargura e um vazio ao lado
nas noites desesperadas da carne saudosa que se não conforma
de não ter tido plenamente a carne que a traiu,
esta voz persiste graciosa e sinistra, depois da morte,
como exactamente a vida que os outros continuam vivendo
ante os olhos que se fazem garganta e palavras
para dizerem não do que sempre viram mas do que adivinham
nesta sombra que se estende luminosa por dentro
das multidões solitárias que teimam em resistir
como melodias valsando suburbanas
nas vielas do amor
e do mundo.

Quem tinha assim a morte na sua voz
e na vida. Quem como ela perdeu
toda a alegria e toda a esperança
é que pode cantar com esta ciência
do desespero de ser-se um ser humano
entre os humanos que o são tão pouco.


Jorge de Sena de Arte de Música (1968) em Poemas Escolhidos , Círculo de Leitores, Lisboa  Março de 1989.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

GEORGES MOUSTAKI (1934-2013)


Ontem, com 79 anos, Georges Moustaki deixou-mos.

Há muito debilitado, regressou, estrangeiro como sempre, às suas ilhas gregas
.
Fumei muito. Fiz tudo para que não progredisse, mas é uma doença perniciosa. É um matador silencioso que não faz barulho. Só nos apercebemos dos seus efeitos. Já não fumo há vinte anos. Não há justiça.

Quando em 1952, Georges Brassens lhe deu a mão, poderia ter-se tornado cantor de intervenção, mas a sua sensibilidade levou-o a aproximar-se dos desprotegidos mas não das ideologias. Ficou-se pela utopia, pelo romantismo, ficou como quis e o mundo o passou a conhecer.

Uma vida apaixonante, como sempre desejou até ao dia em que o último acto chegasse.

As mulheres puseram-no a olhar para o longe, sem destino, fizeram-no sonhar. Não viveu com todas as mulheres com que se cruzou, mas andou lá bem perto.

Viveu com Edith Piaf e compôs para o pardalito, MIlord, um dos seus muitos grandes êxitos: sou apenas uma rapariguinha do cais, uma mera sombra da rua, sente-se à minha mesa, lá fora está frio.

Perdeu-se de amores por Brigitte Bardot mas a actriz, porque Deus criou a mulher, preferiu Vadim, olhou Carla Bruni que lhe disse que passava as noites com ele, mas apenas porque passava as suas canções num programa de rádio que produzia.

A todas as mulheres que lhe preencheram e embelezaram a vida, o velho sedutor deixou Chnason pour elle: ela não faz amor, ela ama, ela não anda, dança, ela não fala, canta, ela não se dá, oferece-se.

Ah! e pelo nosso Abril, à boleia de Chico Buarque, deixou um aceno de esperança  para os que não acreditando que os seus ideias possam  não ser cumpridos: existe um cravo vermelho em Portugal.

Na hora da sua morte, os que receberam, com alegria, o abraço metequiano, sabem que não é suficiente florirem cravos vermelhos.

Outras histórias...

sábado, 17 de dezembro de 2011

SODADE


Quando no dia 24 de Setembro, numa entrevista ao Le Monde, Cesária Évora afirmou que, por conselho médico, teria de terminar a carreira e regressava a S. Vicente, sua terra natal, sabia ela, ficámos a saber nós, que o fim não estaria longe.

Há dias, puxei para aqui uma conversa em que a Cise revelava que nunca teve cuidados com a voz, e fumar cigarro e tomar uns copos era uma óptima receita, experiências de uma vida difícil para o sustento diário, andar de navio em navio, de bar em bar, até que José da Silva a levou para França.

Gostava de ter sido reconhecida primeiro em Portugal, mas foram os franceses que a colocaram nos palcos do mundo e guardou sempre essa mágoa que, juntamente com outras, agora, aos 70 anos, partiram com ela.

Viajava sem sapatos na mala e justificava o insólito dizendo quem cantava era Cesária e não os sapatos.

Gostava de Bilie Holiday, Charles Aznavour, Edith Piaf, Nat King Cole, Amália.

Por esse caminho longe, partiu para outras cantorias, tomando um groguinho de Santo Antão, sorrirá ao ouvir o amigo Tito Paris dizer que o artista e o poeta praticamente não morrem. Desaparecem mas não morrem e nós vamos ouvir Cesária até ao fim da nossa vida, ela vai existir com as suas mornas e coladeras até ao último dia das nossas vidas.

Em jeito de lembrança fica aqui uma crónica de Eduardo Pardo Coelho, publicada no Público, quando Cesária Évora foi agraciada com o Grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

OS CLÁSSICOS DO MEU PAI


Quando iniciei “Os Clássicos do Meu Pai”, fui dizendo que, para além da Música Clássica, as canções napolitanas, música francesa, música da América Latina, estavam dentro das suas músicas favoritos.

Gostava imenso de Edith Piaf.

Lembro-me que o primeiro disco que comprou da Diva, era um EP que tinha “Padam, Padam”. O disco perdeu-se num qualquer lapso de tempo.

Era três anos mais novo que o “pardal” e admirava-lhe, para além das canções, a boémia, o gosto e a luta pelos simples, os falhados, os humildes, a resistência, no fundo, os conceitos, as ideias da Revolução Francesa.

Neste disco estão as canções da Edith PIaf de que mais gostava. Faltam “Padam, Padam" e “Non, Je Ne Regrette Rien”, para existir a cereja no topo do bolo.

Ambos tiveram uma infância difícil e seguiu-lhe os passos, as canções, os amores e desamores. Nunca perdoou o que Yves Montand fez à Piaf, ele que também gostava de Montand.

Lembro-me o quanto a morte de Edith Piaf o entristeceu. 

Considerava-a uma lutadora, e por si terá pensado que gente desta nunca morre – “La mort, ça n’existe pas”.

Nessa noite a garrafa de “Johnny Walker”, rótulo vermelho, ficou vazia, ele que nunca terminava as garrafas.