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terça-feira, 7 de agosto de 2018

OLHAR AS CAPAS


Tina M. Provas de Contacto

Eduarda Dionísio
Capa: Bárbara Assis Pacheco
& etc, Lisboa Outubro de 2001

OP
Eu quero ficar
e preciso de saber a quem devo dizer a minha identidade
se é preciso uma guia
quem é que a passa
É uma questão prática
Quero saber onde posso ser mais útil
em que terra
em que brigada
Neste momento
não quero saber quem fez o quê nem quando nem como nem com quem fez
o que fez
É uma questão prática, repito
Asseguro-te
Que não perguntarei em voz alta por  Andreu Nin
Enquanto a vitória não for nossa
tua e minha.
TM
És daqueles que nunca hão-de entender coisas simples como estas
Só o Partido junta os fragmentos dispersos da vida de cada um.
É pelo partido que tudo adquire sentido neste mundo.
O Partido dá uma utilidade a tudo, até àquilo que se foi perdendo
Pelos anos fora.
O Parido é uma forte bengala de castão de prata.
O Partido é uma protecção para as almas condenadas

sábado, 22 de julho de 2017

OLHAR AS CAPAS


Relâmpago

Nº 11
Número dedicado a Carlos de Oliveira
Colaborações:
José Ricardo Nunes, Manuel Gusmão, Pedro Eiras, Rosa Maria Martelo, Armando Silva carvalho, Augusto Abelaira, Eduarda Dionísio, Eduardo Prado Coelho, Fernando Lopes, Fernando Pinto do Amaral, Gastão Cruz, José Manuel Mendes, Margarida Gil, Nuno Júdice, Urbano Tavares Rodrigues
Capa: Nuno Marques Mendes
Assírio Alvim, Lisboa, Outubro de 2002

De súbito, o Carlos de Oliveira pediu-me:
- Você por acaso tem aí um lápis?
Aquele “por acaso” impressionou-me, era indicativo de que, para ele, só por acidente um escritor usaria lápis (então eu ainda não publicara nenhum livro). E fui perguntando:
- Você esqueceu-se?
Para meu espanto, revelou-me que nunca, por nunca ser, trazia um lápis (ou caneta) na algibeira. O seu lápis era a memória, construía as poesias “na cabeça”. Alinhava e desalinhava as palavras na memória durante o dia, durante as horas do dia, e quando chegava a casa, era somente escrevê-las. Somente? Escrevê-las, reescrevê-las, quem conhece o Carlos sabe como é.
Então, com o lápis, para depois a Ângela as passar à máquina. Quantas vezes?

(Do texto de Augusto Abelaira)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

POSTAIS SEM SELO



A infância nunca começa ou nunca acaba. Como será sonhar? Os dias correm como rios clássicos. Os mares são mediterrânicos, as costas bretãs.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


João Bénard da Costa, abria assim uma das suas crónicas:

Nos nossos cinemas, ou no que resta dos nossos cinemas, se me quiser fazer entender.

Os velhos cinemas estão quase todos liquidados, ou em vias de…

Uma sala de cinema era um local de liturgia.

Hoje, já não se vai ao cinema como um acto relevante do nosso quotidiano, mesmo uma festa.

Eduarda Dionísio escreve no seu Retrato Dum Amigo EnquantoFalo:

Ir ao cinema tinha deixado de ser há muito tempo o filme – nunca se lembrariam de ver o mesmo filme na televisão, em casa de alguém.
Ir ao cinema era a compra do bilhete, a entrada, as conversas do foyer porque encontravam sempre gente conhecida, era o escuro da sala e sobretudo as primeiras imagens depois da cortina abrir ou subir até aparecerem nomes conhecidos por cima, a encarnado por exemplo, abarcando a amplidão toda duma rua ou duma cidade e finalmente vendo-se as primeiras pessoas, ouvindo-se as primeiras frases.
Aí ficavam no escuro muito fresco esperando o fim, começando a construir paralelamente ao filme que viam numa grande solidão aglomerada as primeiras teorias sobre a obra, a estrutura, o ritmo as imagens, o som, esperando, a partir de certo momento o intervalo, voltando a entrar na fila já no escuro, pedindo licença, e cada um tendo a certeza que aquele filme lhe pertencia e ninguém podia entendê-lo, nem melhor, nem mais profundamente. Não queres ir amanhã ao cinema?

Hoje, os jovens vão ao cinema com todos os intuitos, menos o de ver cinema.
Compram baldes de pipocas e, durante a exibição do filme, dirigem, uns aos outros, em alta gritaria, graçolas e ordinarices, gargalham estupidamente.

Há uns anos, um pacato cidadão, mandou calar uns jovens, recebeu como resposta:

Queres que eu esteja calado? Oh man! queres ver um filme nas calmas, aluga um no clube de video e fica em casa, não venhas ao cinema, isto é para curtir, meu!.

O cinema dado e arrumado como produto descartavel.

Nos nossos cinemas, ou no que resta dos nossos cinemas, se me quiser fazer entender.


Legenda: um dos foyers do Cinema Império. Fotografia tirada do blogue Restos de Colecção.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

RECADOS


Desta geração, em sentido literário, mais que vital, poucas expressões me parecem tão significativas como a que ficou consagrada em Retrato de Um Amigo Enquanto Espero, de Eduarda Dionísio.

Eduardo Lourenço

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

OLHAR AS CAPAS


Histórias, Memórias, Imagens e Mitos Duma Geração Curiosa

Eduarda Dionísio
Círculo de Leitores, Lisboa, Novembro de 1981

Um homem não nasce, nem para ser espezinhado, nem para matar. Um homem não nasce para ser castigado sem razão. Um homem é um homem. Um homem nasce para amar e para lutar, pela justiça, por todos os homens. Um homem vice com outros homens. Um homem que luta, ama. Um homem que luta, ama, ama a lutar. Ir para a guerra colonial não tem nada que ver com a luta nem com o amor, nem sequer com ódio. Carlos assustou-se com o que dizia. A quem dizia? O quê?
Foi chamado à reitoria: - Padre, tenho muita consideração pelo seu valor intelectual, pelas suas qualidades pedagógicas. Penso que os seus serviços aqui deixaram-nos de ser úteis, Padre. Chegou-me aos ouvidos que o Padre apelava à deserção. Aconselho-o a pedir ao Patriarcado mudança de liceu. Se não o fizer, eu faço-o. Penso que seria pior para si, É um conselho de amigo, Padre. Nunca pensei que chegássemos a esta situação.
Em 1966, Carlos partia para França.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

V.S.T. & ETC


Vitor Silva Tavares foi um dos mais entusiásticos fundadores da Casa da Achada-Centro Mário Dionísio. Pertenceu vários anos à Direcção. Deu ideias, participou em sessões, trabalhou em edições, apresentou filmes e teve a seu cargo o boletim informativo desta associação, chamado «Ficha», que saiu duas vezes por ano entre Setembro de 2010 e Abril de 2014.
Foi com grande mágoa que soubemos da sua morte. É com grande mágoa que comunicamos esta tão grande perda para todos nós.

A Direcção da Casa da Achada-Centro Mário Dionísio

Comunicado da Casa da Achada sobre a morte de Vitor Silva Tavares e o comentário deixado por Regina Guimarães;

Quantas vezes tenho pensado que devia deitar a vergonha às urtigas
e perguntar ao Vítor S T se achava que eu podia fazer mais um livro com ele.
Coisa que ficarei por lhe dizer.
Mas o que custa muito é imaginar que não mais o ouvirei contar, com todas as pontuações do espírito a cravarem-se na voz que se encontra e se procura. Etc.
Aqui, neste lugar que é da Achada que ele ajudou a fazer, fica um texto feito de coisas que me roem…

A IMPLORAÇÃO
Não vês que me escorrem
pelas pernas abaixo
os filhos que de mim não nasceram
entre lábios e sorrisos incompletos?
Não vês as palavras que me escorrem
tão agudas e argutas
pelas faces abaixo
rasgando rugas em lugar de frases?
Não vês que eu olhei as estrelas
demasiado tempo
e julguei ver
na sua combustão nervosa
na sua intermitência cintilante
um chamamento, uma ordem, um rumo
um caminho para a casa desabitada
mas desde sempre habitada pela luz?
Não vês que se me olhares assim
eu terei de procurar os meus olhos debaixo da mesa
de rolar até à rampa onde a vista se perde de vista
talvez roubando esse grão
que é moinho da voz
para não morrer?
Para não cantar todas as ruas
a sós.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

V.S.T. & ETC


Passo da entrevista de Alexandra Lucas Coelho a Vitor Silva Tavares em que se fala da colaboração do Vitor com essa extraordinária difusora cultural e política que é Eduarda Dionísio, filha do pintor e poeta Mário Dionísio:

Eduarda Dionísio (com quem trabalhou na associação Abril em Maio e recentemente no jornal PREC) diz que não há coisa de que o Vítor Silva Tavares goste mais do que a tipografia, e o Alberto Pimenta (um dos autores mais da casa, na & etc) crê que a fusão inseparável da estética e da ética é o que melhor o define. Tudo o que disse sobre a artesania do livro se relaciona bem com essa fusão.
Agora preside à Abril em Maio, que está num limbo. O que o fez querer pertencer a este colectivo? Como resistência – não sei se a palavra é a boa?

É essa. É a única.

Um dia a Abril em Maio pediu para aqui uns livritos, disse onde era, à Graça, fui lá a um debate, um rés-do-chão de uma casa antiga, fiquei encantadíssimo por ver aquele espaço e reencontrar finalmente a Eduarda Dionísio, que conhecia de nome. Sabia-a filha de quem era, mas nunca tinha tido relacionamento próximo.

E ao saber que aquela coisa tão encantadora que ali estava, onde um disco daqueles que não aparecem em lado nenhum – sei lá, o García Lorca a tocar piano – está ao lado de uma garrafa de azeite, de um boneco de barro, de um livro; ao ver o tipo de pe, ssoas, a miudagem; ao ver que também ali não havia nenhum propósito lucrativo, era uma associação cultural propriamente dita, e que também ela não dependia de nenhuma espécie de subsídios, nem disto nem daquilo, ou não estivesse lá a Eduarda Dionísio: havendo afinidades que não se podem circunscrever ao ideológico, que têm a ver com a maneira de estar e de fazer cultura, alheia ao “mainstream”; eu, que jamais tinha pertencido a qualquer clube resolvi ser sócio daquele.

Estava longe de imaginar que iria filiar-me numa associação que tinha a sua morte anunciada. Ser sócio não é só pagar a quota. Não posso abandonar o etc, onde faço de tudo, sou eu que varro também o chão, essas coisas, a minha disponibilidade está repartida, sempre. De qualquer modo tive trabalhos, iniciativas, ideias na Abril em Maio, daquela pulga eléctrica que é a Eduarda Dionísio. Tenho uma grande ternura por ela, uma grande admiração por aquela capacidade de mobilizar e de fazer, também pela sua capacidade de organização, eu que sou desorganizado. Muitas afinidades. De tal modo que não me interessa assim tanto a Abril em Maio. Quando gosto de uma pessoa, sou de uma fidelidade total. Só estou lá porque lá está a Eduarda, cultivando com ela o mesmo tipo de fidelidade. É um mau feitio que me quadra muito bem. Quem me dera ter dez por cento daquele mau feitio. É sempre recto.


Sempre falou no trabalho como uma fruição, parte da vida, dos amigos. É raro as pessoas estarem numa coisa porque gostam muito de alguém. Têm objectivos, têm projectos, podem ganhar isto, aquilo.

Eu e a Eduarda gostamos de fazer coisas. Com as mãos, com os pés, com a língua. Não vamos teorizar muito sobre as coisas. Temos afinidades, é escusado estar a gastar saliva. Entendemo-nos muito bem. Podemos passar logo para a acção e mobilizar outros para esse trabalho.

A ideia do PREC?

Nasceu aqui. O título foi meu. Quem tiver ideias sobre o nome a dar a esta folha, que é para ler e não para ver, portanto vamos inundar a mancha com letras, uma letra vale mais que mil imagens...

Isso hoje é um verdadeiro PREC.

Exacto. Então, quem tiver ideias ponha no papel. E eu tenho aqui uma que é uma dupla provocação: desta porta para fora, quando sair, e desta porta para dentro, para as cabecinhas de todos nós que aqui estamos. A minha proposta é chamar-lhe PREC.
Ponto dois, toda a gente vai associar PREC ao processo revolucionário em curso. Só que nós vamos utilizar cada número para aquilo que nos der na bolha, e assim subvertermos a própria ideia feita do PREC, porque no interior das letrinhas vamos sempre meter coisas distintas, o que foi praticado com algum humor.

PREC porquê? Porque é PREC, sim senhor, contra-corrente, o próprio formato, outra vez o papel manteigueiro, e, à semelhança dos velhos jornais, encher aquela página literalmente com um corpo tão pequenino que vale pela mancha. É, em sim mesmo, uma afirmação estética, tipográfica. Depois, se as pessoas quiserem ler, com esforço, claro, até têm lá coisas para ler.

E de um trabalho tão duro, por vezes até às duas, três da manhã, conseguirmos um momento lúdico de trabalho, sempre a rir, e sem expectativas.

Fazemos as coisas porque temos de as fazer, porque está na nossa condição. Depois já não é connosco, já está para fora de nós. E a mim tanto me faz que haja só uma pessoa que tenha lido, criticado aquilo, como dez mil, uma que fosse. Aí não tenho espírito de missão, nem aqui dentro. Isto não é nenhuma igreja, não há aqui nenhuma crença, faz-se porque se tem de fazer, está na nossa condição fazer, fazer assim, saber porque fazemos assim. Perseguimos, sim, uma ideia de harmonia, de beleza, de intervenção, e sabemos que é uma resistência. Resistência é a palavra, à falta de ar vigente, ao obscurantismo, à criação permanente de falsos mitos passageiros.

Legenda: pormenor do Subterrâneo 3 onde se encontra instalada a &etc.
Estantes com arquivos e os exemplares mão esgotados dos livros &etc. A secretária e a cadeira de recosto onde o Vitor se sentava à conversa com quem ia aparecendo. Falta, na secretária, a máquina de escrever. Sim, porque ali nunca houve compudadores.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

OLHAR AS CAPAS


As Histórias Não Têm Fim

Eduarda Dionísio
Capa: João Botelho
Edições Cotovia, Lisboa, Abril de 1997

Colóquio, daqueles que voltava a haver, voz exaltada do público anónimo, o neo-realismo não se esgotou, basta ver a pobreza, a miséria, que por aí anda, os escritores é que se demitiram. Um arrepio, passados tantos anos. Como explicar?, o quê?, para quê, a quem? Estratos de memória e de tempo i9mpossíveis de confundir e de desembaraçar. Está encerrada a sessão.

segunda-feira, 24 de março de 2014

OLHAR AS CAPAS


Retrato dum Amigo Enquanto Falo

Eduarda Dionísio
Capa: Cristina Reis
O Armazém das Letras, Lisboa, 1979

A pouco e pouco nas famílias da oposição começou também a crescer a impotência consciente, a força do destino adverso irresistível sobre nós, a impossibilidade de até ao fim combater a ditadura porque os anos passavam. Instalavam-se dentro da incomodidade e muitas vezes deixavam de ter a percepção da mudança e da diferença entre as coisas, as épocas, as pessoas, as datas, as palavras. Não era o medo, nem a falta de coragem, era uma incapacidade de análise, de invenção e de combate. Isto é uma coisa que marca. Não sei se te marcou profundamente, mas marca. E houve cada vez mais disputas: a quem pertencia a oposição, a que famílias e que ideias, a que escritos, a que organizações, a que siglas; e mais desconfiança para com todos os que de novo ascendiam às suas ideias ou conversas, regozijando-se ao mesmo tempo, ajudando-os com o entusiasmo e com cuidado, não permitindo excessos, fornecendo o que era seu, contabilizando, facturando por dentro não permitindo autonomias, nem emancipações, acarinhando, querendo sobretudo re-produzir-se.
Não entendendo algumas zonas de assuntos do que os mais novos diziam – a economia e as colónias; sabendo o que entre si diziam nos estaleiros, nas fábricas, nas igrejas, sendo os campos um cenário muito longínquo onde depositavam muita fé; não acreditando em movimentações subterrâneas, nem de estudantes nem de católicos – estás a perceber; fugiam ao destino devagar – as deserções, as fugas para o estrangeiro, o peso do serviço militar, a droga.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

POSTAIS SEM SELO


Vivia-se o medo e até as mesas dos cafés tinham ouvidos.

Eduarda Dionísio em Retrato Dum Amigo Enquanto Falo, Editora O Armazém das Letras, Lda, Lisboa 1979.

Legenda: imagem de Paul Robert Turner.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

FILMES DAS NOSSAS VIDAS

13 personalidades escolheram 13 filmes, vão apresentá-los e debaterem-nos com os espectadores .

Segundas-feiras de Julho, Agosto e Setembro

21h30, na Rua da Achada (Lisboa)

Esta é a programação para o mês de Setembro:

Segunda-feira, 5 de Setembro, 21h30
Bullitt
de Peter Yates (1968, 114 min.)
escolha de João Rodrigues

Segunda-feira, 12 de Setembro, 21h30
Gente ao domingo
de Robert Siodmak (1930, 74 min.)
escolha de Miguel Castro Caldas

Segunda-feira, 19 de Setembro, 21h30
Outro país
de Sérgio Tréfaut (2000, 52 min.)
escolha de António Loja Neves

Segunda-feira, 26 de Setembro, 21h30
Um homem sem passado
de Aki Kaurismäki (2002, 97 min.)
escolha de Manuel Mozos


Mais informação em Casa da Achada/Mário Dionísio

sábado, 30 de julho de 2011

FILMES DAS NOSSAS VIDAS



13 intelectiais escolheram 13 filmes, vão apresentá-los e debaterem-nos com os espectadores .

Segundas-feiras de Julho, Agosto e Setembro

21h30, na Rua da Achada (Lisboa)

Esta é a programação para o mês de Agosto:

Segunda-feira, 1 de Agosto, 21h30
Uma Noite na óÓpera
de Sam Wood (1935, 96 min.)
escolha de Regina Guimarães

Segunda-feira, 8 de Agosto, 21h30
Um Dia em Nova Iorque
de Gene Kelly e Stanley Donen (1949, 93 min.)
escolha de Jorge Silva Melo

Segunda-feira, 15 de Agosto, 21h30
Casa deCchá do Luar de Agosto
de Daniel Mann (1956, 123 min.)
escolha de Filomena Marona Beja

Segunda-feira, 22 de Agosto, 21h30
Jonas Que Terá 25 Anos no Ano 2000
de Alain Tanner (1976, 116 min.)
escolha de Eduarda Dionísio

Segunda-feira, 29 de Agosto, 21h30
A Regra do Jogo
de Jean Renoir (1939, 110 min.)
escolha de João Pedro Bénard

Mais informação em Casa da Achada/Mário Dionísio.

terça-feira, 5 de julho de 2011

FILMES DAS NOSSAS VIDAS


13 personalidades escolheram 13 filmes, vão apresentá-los e debaterem-nos com os espectadores .

Segundas-feiras de Julho, Agosto e Setembro

21h30, na Rua da Achada (Lisboa)

Esta é a programação para o mês de Julho.

Mais informação em Casa da Achada/Mário Dionísio.

Segunda-feira, 4 de Julho, 21h30
Casablanca

de Michael Curtiz (1942, 102 min.)
escolha de Sebastião Lima Rêgo

Segunda-feira, 11 de Julho, 21h30
Orfeu Negro

de Marcel Camus (1959, 100 min.)
escolha de Vítor Silva Tavares

Segunda-feira, 18 de Julho, 21h30
Quem tramou Roger Rabbitt?

de Robert Zemeckis (1988, 104 min.)
escolha de Pedro Rodrigues

Segunda-feira, 25 de Julho, 21h30
Mikis Theodorakis – A cor da liberdade (2ª parte)

de Yannis Katomeris (2010, 117 min.)
escolha de Luz Moita
Na sequência deste filme, haverá no dia 29 de Julho, às 18h, uma homenagem a Theodorakis, no dia do seu 90º aniversário, que inclui a projecção da 1ª parte do documentário Mikis Theodorakis – A cor da liberdade.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

OLHAR AS CAPAS


Fotobiografia de José Gomes Ferreira

Raúl Hestnes Ferreira, Alexandre Vargas Ferreira
Capa de Fernando Rodrigues com foto de Armindo Cardoso
Publicações Dom Quixote
Lisboa, Novembro de 2001

Lembro-me do Zé Gomes em Galamares. Lembro-me dele no Bocage. Lembro-me dele no Monte Carlo. Em Albarraque. Em casas várias que chegavam a parecer o mundo todo – em casa dele, do Carlos, do Cochofel, do Mário. Lembro-me muito dele. E prefiro relê-lo nas edições da Portugália. Cresci a ler poemas do Zé Gomes, em voz baixa e voz alta, a “copiá-los”, a “passá-los”, a “transferi-los”, a “reproduzi-los, e até a ensiná-los” /que coisa absurda!...).
Cresci a cantá-los, com a boca cheia do gosto das palavras censuradas e o entusiasmo das práticas proibidas: no céu e na canção, havia mesmo estrelas vermelhas, o vermelho era mesmo a cora das papoilas e da “nossa” bandeira o que as palavras impressas nas “Marchas, Danças e Canções” tinham tido que mascarar…
Cresci a passar a memória das “Vozes ao Alto” e a contrariar os lugares comuns que, com o tempo, se vão instalando: não é ao “som” desta canção, é ao “sol” desta canção.

(Do depoimento de Eduarda Dionísio).

terça-feira, 26 de outubro de 2010

QUOTIDIANOS



Colávamos cartazes a noite toda e inicialmente os gestos eram difíceis e estudados – a cola que escorria, os pincéis pouco largos, os cartazes finalmente que se enrodilhavam e que eram pequenos no meio das paredes dos quartéis e dos edifícios públicos, as esquinas dos prédios, passávamos a conhecer as várias luzes da noite ao longo das horas, os vários muros da cidade, os candeeiros, e na manhã seguinte olhávamos a cidade que tínhamos repovoado anonimamente com palavras, anúncios de concentrações, cores vermelhas ou amarelas, letras a preto – tínhamos derrotado por dentro mais um bocado do passado.

Eduarda Dionísio em “Retrato Dum Amigo Enquanto Falo”, Armazém das Leras, Lisboa 1979.

Legenda:  Colagens de Ana Hatherly feitas a partir de cartazes arrancados das paredes e muros de Lisboa, a seguir ao 25 de Abril.

sábado, 10 de julho de 2010

BOLAS PRÓ PINHAL!

No Mundial da Alemanha em 2006, a Selecção Nacional ficou classificada em 4º lugar.
Cada jogado, bem como os elementos da equipa técnica, receberam 50 mil euros pelo “feito”.
Essa aflitiva criatura que dá pelo nome de Gilberto Madail, há décadas plantado na presidência da Federação de Futebol, avançou com um pedido de isenção de IRS para estes prémios.

Invocava o senhor que “há leis que permitem que os jogadores que pratiquem feitos relevantes para o país tenham o benefício fiscal de não pagarem impostos sobre os prémios dos jogos”.
Já o Herculano dizia que “a terra é pequena, e agente que nela vive também não é grande.”
O Ministro das Finanças, pelo lugarzeco, deu os parabéns à selecção mas rejeitou qualquer hipótese de os prémios recebidos não serem tributados.

O fiscalista Medina Carreira inquirido sobre a matéria, recusou-se a comentar “coisas parvas” , mas adiantou: “poupar cinco mil euros ao Cristiano Ronaldo é ridículo quando ele ganha milhões”.

O propósito de Madail, a ter aceitação, constituiria um insulto para quem, com os sacrifícios que se sabe, pagam impostos e usufruem baixos salários.


Volto a pegar no “Euroxuto”, onde a escritora Eduarda Dionísio, deixou escrito:

Os jogadores não são bem heróis. A distância é de menos. Não é em segredo que são preparados como aves a quem se engrossa o fígado para paté, ou cães para concurso. Toda a gente sabe como é. Não é em segredo que são vendidos, como gado, como prédios. Toda a gente sabe. Não é em segredo que ganham o mesmo num mês que cada espectador em vários anos. Toda a gente sabe. Não é em segredo que têm vidas cortadas, como os espectadores aguentariam mal. São quase heróis – eles aguentam, eles têm força, eles terão o trágico fim das vedetas esquecidas, vítimas da maldade dos homens, eles terão o trágico fim das vedetas esquecidas, vítimas da maldade dos homens vulgares que somos nós, sentando-nos nas bancadas, simplesmente.

Legenda: Imagem tirada daqui.