Mostrar mensagens com a etiqueta Eduardo Lourenço. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Eduardo Lourenço. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 8 de junho de 2018

POSTAIS SEM SELO


Eternas são as pessoas que ficam na nossa memória, no nosso coração, depois de termos sofrido a prova suprema da sua falta, da sua ausência – e essa incurável.

Eduardo Lourenço

segunda-feira, 19 de março de 2018

RELACIONADOS


A pide era uma máquina objectiva e formal cujo primeiro dever consistia em dissimular a sua própria actividade e paradoxalmente impô-la como «normal». Quando «Corpo-Delito» a toma como tema, a normalização da sua incurável «anormalidade» é praticamente perfeita. A máquina tortura, a máquina prende, a máquina escuta num anonimato feliz, eficiente. Cardoso Pires apresenta-nos os seus agentes-personagens como siglas, absorvidos na e pela função, tendo perdido há muito qualquer reflexo humano em relação ao que a máquina «faz» ou «executa» e de que ele são, à letra, os executantes.

Eduardo Lourenço no prefácio a Corpo-Delito na Sala de Espelhos

Legenda: fachada da sede da PIDE na Rua António Maria Cardoso.

OLHAR AS CAPAS


Corpo-Delito Na Sala De Espelhos

José Cardoso Pires
Prefácio: Eduardo Lourenço
Moraes Editores, Lisboa, Maio de 1980

Eu disse-lhe que ninguém ficava  igual ao que era depois de ter entrado aqui. E, veja, você já recusa a sua imagem. A imagem que nós queremos que fosse? É isso? E depois? Faz parte de todas as polícias corromper o corpo. Despersonalizar, destruir a identidade e a imagem pela corrupção do corpo. E a polícia também tem o seu corpo, com todos os vícios, os orgulhos e com toda a imagem que a fazem vencer. Aprendemos, sabemos técnicas que já vêm de longe… que até têm uma tradição cristã. Pelo menos foi o que nós os dois aprendemos na Faculdade. Indagatio veritatis, o tal capítulo da História que as pessoas fazem por esquecer. Mas que está lá. Com a assinatura dos papas e tudo. Indigatio veritatis, questio per tormentis… era assim.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

OLHAR AS CAPAS


O Fascismo Nunca Existiu

Eduardo Lourenço
Capa: Fernando Felgueiras
Publicações Dom Quixote, Lisboa, Julho de 1976

A Democracia não é esse regime óbvio, fácil, pai de facilidades, que os seus ingénuos ou excessivamente sabidos defensores nos querem inculcar. Por definição, é o mais difícil e imperfeito dos regimes políticos uma vez que a perfeição para que tende não tem um fim assinalável. Regime de participação efectiva, e não apenas delegada, como a democracia parlamentarista o concebeu, implica uma presença activa e crítica da e na própria estrutura quotidiana. Por isso é, por essência, programa para novos adultos e não o paraíso de pacotilha visionado pelos seus demagogos. Para nós, portugueses, herdeiros de uma dupla tradição de intolerância e paternalismo – à qual os democratas não escapam -, a perspectiva democrática só pode constituir acesso a consciência política mais completa e exigente – embora mais honrosa – que a requerida pela repercussão (já bem complicada…) de um pensamento político ao abrigo da contestação. A Política em geral é uma realidade implacável e surda a slogans e bons propósitos.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

OLHAR AS CAPAS


Não Posso Adiar o Coração

António Ramos Rosa
Prefácio Eduardo Lourenço
Plátano Editora, Lisboa, Junho de 1974

Este homem que esperou
humilde em sua casa
que o sol lavasse a cara
ao seu desgosto
  
Este homem que esperou
à sombra de uma árvore
mudar a direcção
ao seu pobre destino
    
Este homem que pensou
com uma pedra na mão
transformá-la num pão
transformá-la num beijo
    
Este homem que parou
no meio da sua vida
e se sentiu mais leve

que a sua própria sombra

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012