é que não estou nada interessado
mas mesmo nada
em ser herói
os heróis vêm o heróis váo
quanto muito sobra deles uma estátua
w.c. para um cão
tenho muito mais interesse em estar vestido
na ganga colectiva dos sem nome
dos que lutam e calam
dos que lutando falam
com a avença de todos
contra o selo da fome
herói fica narciso sobre sépia
herói só tem cabeça de perfil
e eu não quero estar sozinho neste morse
sou o fácies de um corpo vezes mil
não
agradecido e obrigado
dispenso o medaçhão
prefiro estar aqui ali na multidão
do lado onde se sabe
que uma nação se faz da soma exacta
do povo que nela cabe
Eduardo Olímpio em Como Quem Leva ao Ombro a Vida Toda


Um livro ternurento de que o Mário Castrim disse ser uma armadilha de encantamento de que poucos livros conhecem o segredo”, e o Júlio Conrado: “ao que o Eduardo Olímpio chama mini-crónicas chamo eu pérolas da literatura portuguesa. E assumo a inteira responsabilidade daquilo que escrevo., ou o Jorge Listopad: Lê-se, e o português canta. Através das coisas, das falas, do tempo. Sem falso lirismo, sem literatice. É possível que passasse por entre os “grandes” despercebido? Que não tivesse encontrado os leitores que merecia e merece?.