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sexta-feira, 17 de agosto de 2018

O DR. CARLOS E OS POLÍTICOS


Uma mesa de café. Em volta, cabeças em surdina. A conspiração dos políticos, sempre às mesmas horas. Os bolsos cheios de naftalina. O Dr. Carlos, com uma dessas caras que servem de apresentação a um ideal político, entrava no café com ar de segredo já sabido por todos, e soprava a novidade suficientemente alto para ficar gravada no ouvido mais distante da sala. No final das reuniões concluíam todos cheios de sossego, que, felizmente, a revolução não era para já. O Dr. Carlos precisava de apodrecer na sua quinta dos arredores. Todos eles precisavam de apodrecer nos arredores ou ali, mas o que todos levavam era muito tempo…

Eduardo Valente da Fonseca em Os Criptogâmicos

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

RELACIONADOS


Durante os tempos da censura salazarista/marcelista, vários foram os esquemas utilizados pelos jornalistas para driblarem os coronéis-censores.

Um deles era «escrever nas entrelinhas» e, por vezes, a burrice/analfabetismo dos censores não entendiam a mensagem que navegava por essas entrelinhas.

Em 1973, Eduardo Valente da Fonseca, jornalista do República desde 1965, conseguiu convencer direcção e chefias do jornal a publicar uma brincadeira, com alguns riscos, é certo, no suplemento Fim de Semana, servindo-se dos signos astrológicos.


Tudo o que se publicava no jornal tinha de ir à censura, excepto as palavras cruzadas, os números da lotaria, o movimento das marés, os discursos anedóticos do presidente Tomás e os horóscopos.

Semanalmente, com  humor e inteligência o Eduardo Valente da Fonseca lançava directas e indirectas à situação política, e não só.

Quando os coronéis conseguiram descobrir as subtilezas do Eduardo, exigiram que o Horóscopo também passasse a ir à censura.

Mas foi sol de pouca dura.

Faltavam poucas semanas para que acontecesse o 25 de Abril.

Em Maio de 1998 a Campo das Letras editou esses Horóscopos de Delfos.

Alguns dos textos são de difícil entendimento porque datados, e apenas os que viveram aqueles conturbados tempos, se apercebe da subtileza do humor e da acutilância militante da escrita ímpar de Eduardo.

quinta-feira, 24 de março de 2016

AS VELADAS


As noites de velada. O morto, no primeiro andar, mais bem vestido que um noivo... Todos invejavam os fatos dos mortos porque eram novos e muito bem passados a ferro. No rés-do-chão a famí­lia, os amigos, os profissionais da morte, bebendo café com aguardente e falando em surdina. Uma grande vontade de rir sacudia por vezes as pessoas, e todos começavam a soluçar baixinho. Nem um grito. Respeito absoluto. Só na hora de sair o enterro é que os ais reprimidos começavam a enchar­car a cidade. Todos gritavam o mais que podiam. Já ninguém tinha medo de acordar o morto. Agora tinham a certeza que o caixão estava irremedia­velmente fechado.

Eduardo Valente da Fonseca em Os Criptogâmicos

sábado, 12 de março de 2016

POSTAIS SEM SELO


Não tenho interesse nenhum em ser rico.
Compreendo o vosso espanto,
Mas compreendo mesmo perfeitamente o vosso espanto.
Confesso que é até por causa dele
Que não tenho nenhum interesse em ser rico.

Eduardo Valente da Fonseca em Mitologia do Nosso Cotidiano

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

OS IDOS DE OUTUBRO DE 1975


21 de Outubro de 1975

O EMGFA lançou um ultimato: oito dias para os civis entregarem
As armas de guerra que possuam.
Quem não cumprir a ordem do EMGFA será preso.
Entretanto começaram as buscas.
Eduardo Valente da Fonseca, a propósito, escreve em O Século:



POR INICIATIVA do Presidente da República, PS e PCP reúnem-se no Palácio de Belém. Presentes Mário Soares e Manuel Alegre, Álvaro Cunhal e Octávio Pato, enquanto Costa Gomes se fez acompanhar Vasco Lourenço e Almada Contreiras

Fontes:
- Acervo pessoal;
Os Dias Loucos do PREC de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira.

domingo, 11 de outubro de 2015

POSTAIS SEM SELO


Nós somos todos bastante inteligentes,
mas que dizer da fome?

Eduardo Valente da Fonseca em Tempo dos Manequins

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

terça-feira, 9 de julho de 2013

PARA ENTRETER CAMELOS...


O jornal I tem vindo a habituar-nos a boas primeiras páginas.

A de hoje, é clarinha como água.

Acresce que domingo, nos Jerónimos, o novo Cardeal Patriarca já abençoou Cavaco, o Pedro, o Paulo, e o novo governo.

Ouviram-se palmas, houve beija.mão.

Entretanto, o venerando Cavaco, para mostrar que ainda está vivo, vai recebendo em Belém, partidos políticos, centrais sindicais, associações patronais, senadores…

Não sei se vem a propósito mas, como está muito calor, fica aqui um criptogâmico do Eduardo Valente da Fonseca

As noites de velada. O morto, no primeiro andar, mais bem vestido que um noivo... Todos invejavam os fatos dos mortos porque eram novos e muito bem passados a ferro. No rés-do-chão a famí­lia, os amigos, os profissionais da morte, bebendo café com aguardente e falando em surdina. Uma grande vontade de rir sacudia por vezes as pessoas, e todos começavam a soluçar baixinho. Nem um grito. Respeito absoluto. Só na hora de sair o enterro é que os ais reprimidos começavam a enchar­car a cidade. Todos gritavam o mais que podiam. Já ninguém tinha medo de acordar o morto. Agora tinham a certeza que o caixão estava irremediàvelmente fechado.

domingo, 22 de abril de 2012

QUOTIDIANOS


Ontem houve mais manobras militares em todo o mundo,
e o sol esteve quente nesta parte do globo.
Eu fui sentar-me num rochedo da praia,
perplexo do mar e lendo alguns poemas.
Acredito nos homens, mas duvido dos governos.
… E a culpa não é minha.

Eduardo Valente da Fonseca em Mitologia do Nosso Cotidiano

terça-feira, 6 de março de 2012

QUOTIDIANOS



Não tenho interesse nenhum em ser rico.
Compreendo o vosso espanto,
Mas compreendo mesmo perfeitamente o vosso espanto.
Confesso que é até por causa dele
Que não tenho nenhum interesse em ser rico.

Eduardo Valente da Fonseca em Mitologia do Nosso Cotidiano

Legenda. Cena de Tempos Modernos de Charles Chaplin, 1936

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

NÃO ENTREGO AS MINHAS ARMAS


Já vimos que, por Outubro, o país andou numa roda viva.

Golpes, golpinhos e golpadas, a questão de saber se as armas estavam, ou não, em boas mãos.

Rui Pimenta em “O Jornal” de 17 de Outubro de 1975: titula: “golpe a golpe enche a contra-revolução o papo.:

“A ideia de que um golpe de estado poderia ocorrer durante as próximas três semanas começou a ganhar força, nos últimos dias., em alguns círculos militares.”

A 18 de Outubro de 1975, o Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas manda localizar as armas desaparecidas e desarmar a população civil.

Nesse mesmo dia, César da Silva, escreve um artigo no “Diário Popular” com o título:

“A última palavra pertence a quem tem as armas…”

Eduardo Valente da Fonseca escreve em “O Século” de 21 de Outubro:

“O Chefe do Estado Maior General faz Forças Armadas avisou, num comunicado, que serão presos todos os “elementos portadores de material de guerra, intensificando-se, do mesmo modo, as pesquisas para localizar armas desaparecidas.”

Eu tenho um arsenal de armas mas não as entrego. Venha quem vier. O meu arsenal foi-me dado generosamente no dia 25 de Abril. Sem juros. Esse poderoso arsenal que não entrego, porque mesmo que quisesse não podia, chama-se PODER POPULAR. É um arsenal com armas de longo alcance, de tão longo alcance que dispensa todas as armas convencionais de guerra. É o querer de um Povo. É o sonho de um Povo argamassado na realidade, no dia-a-dia, na mesma cozinha, na rua, no café, na oficina, na tasquinha. É a força mais forte do Mundo: é o povo armado de Povo que é a maior e mais poderosa arma do Povo”.


Legenda: recorte do “Jornal do Comércio” do dia 18 de Outubro de 1975.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

PABLO NERUDA



Neste dia, no ano de 1973, com 69 anos, morria o poeta militante chileno Pablo Neruda.

Este ano, aliás, foi terrível para os grandes Pablos: a 8 de Abril morria Pablo Picasso, a 22 de Outubro, Pablo Casals.

Neruda debatia-se, há alguns anos, com um cancro na próstata, mas o golpe militar que derrubou, com o total apoio dos Estados, Unidos, o governo de Salvador Allende, apressou o fim.

Doze dias antes da sua morte, uma feroz ditadura militar, comandada por Augusto Pinochet, instalou o terror e a morte no Chile.

“Uma vitória é sempre um calafrio,
Porque se ganha o povo há uma corrente de ar
Na tonta do invejoso logo a entrar” (1)

Milhares e milhares de mortos e feridos, assassinados, massacrados, de desaparecidos, de refugiados,

Pinochet morreu em Dezembro de 2006, sem nunca ter sido julgado pelos hediondos crimes.

Em Julho de 2010, para comemorar o bicentenário da independência do Chile, a Conferência Episcopal chilena pediu, ao Presidente da República Sebastián Piñera, perdão para Augusto Pinochet e os militares condenados por crimes cometidos durante a ditadura.

Abençoada gente!...

Neruda era apelido do Chile.

Quando um chileno viajava por outros países e lhe era perguntado donde vinha, respondia: “Chile”, e acrescentava: “Neruda”.

“Iluminou através da sua poesia valores humanos caros ao humanismo marxista, enchendo de uma nova luz as coisas mais simples; recuperou para o universo poético cebolas, formas de amar, maneiras de lutar, aromas, gestos de povo; encheu a esperança de coisas e as coisas de esperança; deu forma humana ao Chile, converteu em novas, velhas frases, tornou o surreal real e o real e o real maravilhoso e ofereceu um grande e livre reino de palavras a todos os poetas. Morreu com o coração em forma de Povo em nome de um Povo que já o tinha a ele no coração.”
(2)




Em Outubro de 1971, a Academia Sueca atribui-lhe o Prémio Nobel da Literatura:

“O meu Prémio Nobel tem uma longa história. Durante muitos anos, o meu nome foi apontado como candidato sem o mínimo resultado.
Em 1963, a coisa foi mais séria. As emissoras disseram e repetiram várias vezes que o meu nome era firmemente discutido em Estocolmo e que era o mais provável vencedor entre os candidatos ao prémio. Matilde eu pusemos então em prática o plano nº 3 de defesa doméstica, Colocámos um cadeado grande no velho portão da Ilha Negra e abastecemo-nos de comida e vinho tinto. E escolhi alguns romances policiais na perspectiva do meu enclausuramento.
“A verdade é que qualquer escritor deste planeta chamado Terra deseja um dia alcançar o Prémio Nobel, incluindo aqueles que o não confessam e também aqueles que o negam.” (3)

Filho de ferroviário era um homem simples, de uma sensibilidade assombrosa que fugia das intelectualidades e apresentava-se, geralmente, com um boné aos quadrados e um casaco atirado para os ombros.

Numa carta que escreveu a John Edwards, pedia-lhe que fosse a Londres comprar-lhe um par de tambores que tinha visto numa loja, na sua passagem pela capital inglesa. A vida não se consegue viver sem um tambor. Nas manhãs da Ilha Negra tocava clarim e, com um gorro de marinheiro na cabeça, içava no mastro da praia a sua bandeira que era um peixe.

“A minha bandeira é azul e tem um peixe horizontal fechado ou enquadrado por dois círculos armilares. No inverno, com muito vento e sem ninguém por estes caminhos abandonados, agrada-me ouvir o agitar da bandeira e ver o peixe nadar pelos céus como se estivesse vivo.” (4).

Em 1970, pelo Partido Comunista Chileno, foi candidato ao cargo de Presidente da República. Durante a campanha eleitoral, percorreu o país de uma ponta à outra, inflamando multidões com discursos poéticos que falavam ao coração e ao sentir do seu povo, seguindo uma lição de vida que lhe apontava o caminho de que o segredo está no modo como olhamos as coisas e as pessoas.
O Partido, em benefício de uma candidatura mais abrangente, pediu-lhe que retirasse a candidatura para que fosse possível apoiar Salvador Allende.

Neruda não hesitou um segundo – o seu país, o povo chileno estavam à frente de tudo o mais.

Em Maio de 1971, Salvador Allende tornou-se o primeiro presidente da República marxista, democraticamente eleito, na América Latina.

“Não tenho cura: contra os inimigos do meu povo a minha canção ´«e ofensiva e dura como pedra araucana.

Pode ser esta uma função efémera, mas cumpro-a. E recorro às armas mais antigas da poesia, ao canto e aos panfletos usados por clássicos e românticos e destinados à destruição do inimigo.

Agora firmes, que vou disparar” (5).



(1)  e  (5) - "Incitamento ao Nixonnicídio e Louvor da Revolução Chilena, O Testamento poético de Pablo Neruda", Agência Portuguesa de Revistas, Lisboa, Dezembro de 1975

(2) - Eduardo Valente da Fonseca, Suplento Literário do "República", 27 de Setembro de 1975

(3) - "Confesso Que Vivi", Pablo Neruda, Publicações Europa-América, Lisboa Bril 1975

(4) - "Uma Casa na Paria", Pablo Neruda, Edições Contraponto, , Lisboa, Novembro 1996

sexta-feira, 29 de abril de 2011

OLHAR AS CAPAS



Grifo

Antologia de Inéditos Organizada e Editada pelos Autores:
António Barahona da Fonseca, António José Forte, Eduardo Valente da Fonseca, Ernesto Sampaio, João Rodrigues, Manuel de Castro, Maria Helena Barreiro, Pedro Oom, Ricarte-Dácio, Virgílio Martinho.
Realização Gráfica de Vitor Silva Tavares.
Lisboa, Abril 1970

Poesia não é uma medalha para por no peito dos tiranos mas uma imensa solidão feita de pedras, onde o despotismo pode encomendar o ataúde. Cada um de nós odeia o que ama. Por isso o poeta não ama a poesia que é só desespero e solidão mas acalenta ao peito as formigas da revolta e da rebeldia, que todos os déspotas querem submissas e procriadoras. Só os voluntários da miséria e da submissão patriarcal querem a poesia na arca da aliança com a tradição pacóvia e regionalista dos pretéritos dias, glórias patrioteiras, heroicidades frustres, pirataria ignara. Todo o verdadeiro poeta despreza o pequeno monte de esterco onde o dejectaram no planeta e a que os outros chamam pátria, e só ama os grandes continentes mares e oceanos da liberdade e do amor. Só nos vastos espaços incriados a poesia serve o seu destino – catapultar o homem nos abismos do desejo incontrolado onde o próprio assassinato é um acto de poesia e de amor. Este assassinato de que falo é o grande amplexo de homem para homem a solidariedade e a ternura, não a caridade hipócrita ou a cama de família, com todo o seu pequeno cortejo de horrores, onde a exploração do filho pelo pai dita a sua lei.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

VEMOS, OUVIMOS E LEMOS


ZIP-ZIP – 2004/L
Violas Fernando Alvim e Pedro Caldeira Cabral
Capa Jorge Torres Vilaça
Arranjos e Direcção Thilo Krasmann

Lado 1

Meu Povo Que Jaz - César Pratas/Francisco Fernandes
Corpo Renascido - Manuel Alegre/Pdro Lobo Antunes
Os Labirintos - Garcia Lorca/Pedro Lobo Antunes
Porque - Sophia Mello Breyner Andresen/Francisco Fernandes
Canto do Ceifeiro - Eduardo Valente da Fonseca/Francisco Fernandes
Cantata da Paz - Sophia Mello Breyner Andresen/Rui Paz

Lado 2

Poema - Ilido Rocha/Francisco Fanhais
A Saída do Correio - António Cabral/Francisco Fanahis
As Pobres Solteiras - António Rebordão Navarro/Francisco Fanhais
Quadras do Poeta Aleixo - António Aleixo/Francisco Fanhais
Canção da Cidade Nova - Fernando Melro/Francisco Fernandes

Depois do EP Cantilena, o Padre Fanahis edita este LP: Canções da Cidade Nova.

O disco contém Cantata da Paz, poema de Sophia Mello Breyner Andresen e música de Rui Paz.


No dia 31 de Dezembro de 1972, um grupo de católicos, sacerdotes e leigos, reuniu-se na Capela do Rato para, em tempo da guerra colonial, celebrarem a paz.

A vigília acabou por ser interrompida pela entrada da polícia que fez diversas detenções, inclusive o sacerdote que celebrara a missa. Junto ao altar e ainda paramentado foi intimado por agentes da polícia a acompanhá-los, sendo decretado o encerramento da Capela.

Os acontecimentos da Capela do Rato marcam um dos mais significativos episódios da luta contra a ditadura. O regime via-se confrontado com mais uma frente de protesto e luta, vinda donde menos esperaria: do seio da Igreja Católica, um pecado organizado, tal como diz Sophia.

Nunca a voz da Igreja se fizera ouvir para condenar a guerra colónia, as perseguições da PIDE, a tortura e a morte. Os acontecimentos da Capela do Rato determinaram que nada seria como antes: estes católicos e não católicos, acusados pelo governo, como traidores à Pátria, diziam ao país que viam ouviam e liam e não mais poderiam continuar a ignorar.

Palavras deixadas, como dedicatória, por José Afonso na contra capa do disco:

Tu que cantas
Defronte
De faces atentas
e seguras
Faz do teu canto
uma funda.
Nesse lugar
Entre outras mãos mais fortes
e mais duras
Te estenderei
A minha mão fraterna.
Canta amigo!


Este é o poema de Cantata da Paz:

Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Relatórios da fome
O caminho da injustiça
A linguagem do terror
A bomba de Hiroshima
Vergonha de nós todos
Reduziu a cinzas
A carne das crianças
D’África e Vietname
Sobe a lamentação
Dos povos destruídos
Dos povos destroçados
Nada pode apagar
O concerto dos gritos
O nosso tempo é
Pecado organizado.