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quarta-feira, 6 de março de 2019

OLHAR AS CAPAS


Vivenda Calamidade

Ellery Queen
Tradução: Lino Vallandro
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 8
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Rodeado de bagagem até aos joelhos, na plataforma da estação de Wrightsville, Ellery Queen pensou: «Isto faz de mim um almirante. O almirante Colombo.
A estação ear um edifício acachapado, de tijolo vermelho escuro. Numa vagoneta ferrugenta, debaixo do beiral, dois rapazinhos de macacões rotos de cor azul balançavam as pernas sujas e mascavam goma cadenciadamente, fitando nele os olhos inexpressivos.
Em torno da estação, o saibro estava mosqueado de dejecções de cavalos. Casas de madeira de dois andares e pequenas lojas apoucadas, que lembravam barris de bolachas, aglomeravam-se a um dos lados dos trilhos – o lado da cidade, pois estendendo o olhar por uma rua íngreme, calçada com paralelepípedos, Mr. Queen podia divisar, além construções mais elevadas e a traseira larga de um ónibus que se afastava.
Do outro lado da estação, não se via mais do que uma garagem, uma velha carruagem com o letreiro Refeitório Phil, e uma forja com tabuleta a gás neónio. O resto era vegetação e encanto.
«O campo é atraente, caramba, murmura Mr. Queen, entusiasmado. Verde e amarelo. Cores de palha. E céu azul, e nuvens brancas – do azul mais azul e do branco mais branco que ele se lembrava de ter visto.
Cidade-campo; e é aqui que se encontram; é aqui que a estação de Wrightsville atira o século XX à face atónita da terra.
É isso, meu rapaz. Achaste!
- Carregador!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

OLHAR AS CAPAS



O Mistério da Laranja Chinesa

Ellery Queen
Tradução: James Amado
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 32
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- Então isso não tinha importância alguma? Eu estava a contar com algo de engenhoso…
- Nada significava, excepto que o homenzinho sentia fome – continuou Ellery, lentamente. – Nem sequer pude deduzir qualquer coisa do facto de ter escolhido uma tangerina em vez de uma pera, uma maçã ou qualquer das outras peças de fruta que estavam na bandeja. Eu também gosto de tangerinas e, no entanto, Chicago é o lugar mais próximo da China onde eu já estive… Mas, há uma coisa acerca da tangerina que é… bem, que é interessante.
- O que é? – perguntou Kirk, interessado.
- Ela ilustra – disse Ellery rindo – os caprichos e a ironia do destino. Porque, como vêem, embora a laranja da China que a vítima comeu nada tivesse a ver com o crime, o «Laranja da China» que ele trouxe estava intimamente ligado ao caso, pois foi o móbil do crime.
- O laranjo que ele trouxe? Murmurou Miss Temple, intrigada.
- Com um L maiúsculo – disse Ellery. Refiro-me ao selo. Na verdade é uma coincidência tão interessante que, se eu algum dia escrever um livro sobre o notável caso do pobre Osborne, não resistirei á tentação de o intitular: O Mistério da Laranja Chinesa.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

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- Há quanto tempo tem estes livros, sr. Priam? – perguntou Ellery.
- Há… Há quanto tempo os comprei eu, Delia?
- Foi pouco depois do nosso casamento.
- Para enfeitar uma biblioteca são precisos livros, não é verdade? Chamei um tipo. A quem mandei medir o comprimento total das prateleiras e trazer-me depois os volumes necessários para as encher. «Quero o melhor em tudo», disse eu ao homenzinho. Quando ele voltou com o carregamento de cartapácios, atirei-lho à cara. «O melhor em tudo», foi o que lhe encomendei! Disse-lhe eu. Leve essa pacotilha e mande-a encadernar com tudo quanto haja de melhor no mercado – peles e o resto. Quero pagar, mas ficar bem servido. Senão, de mim não leva um chavo!»
- A sua ordem foi cumprida na perfeição – comentou Ellery. – Todos estes belos livros estão absolutamente intactos… Dir-se-ia mesmo que nunca foram abertos.
- Abertos! Para estragar as capas! Eu mandei avaliar a minha colecção. Vale uma fortuna! Proíbo, seja quem for, de folhear os meus livros!
- Nunca teve curiosidade de saber o que contavam alguns destes autores?
- Não tornei a ler um livro desde que saí da escola.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Mistério do Ataúde Grego

Ellery Queen
Tradução. Lino Vallandro
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 39
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Logo desde o início, o caso Khalkis feriu uma nota lúgubre. Começou com a morte de um ancião mas escusado será dizer que quando Georg Khalkis faleceu, vitimado por uma síncope cardíaca, ninguém – e Ellery Queen menos que qualquer outro  -suspeitou de que essa morte fosse o acorde inicial de uma sinfonia de crime. É mesmo de crer que Ellery Queen só tivesse tido conhecimento da morte de Georg Khalkis quando para o caso lhe chamaram a atenção, isto é, três dias depois dos restos mortais do velho cego haverem sido transportados para o que de início se supôs viria a ser a sua última morada.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

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A Tragédia de X

Ellery Queen
Tradução. Mário Quintana
Capa: Câmdido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 54
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- E Longstreet amava Mrs. DeWitt? Porque se fez noivo de Miss Brownw?
- Mr. Longstreet só se amava a si próprio. Mas tinha um aporçõa de casos ao mesmo tempo, e suponho que Mrs. DeWitt era apenas um deles. Creio que Mrs. DeWitt pensava. Como todas as mulheres, que ele estava louco por ela, e por mais ninguém… E, a propósito, acho que o senhor teria interesse em saber que uma vez nesta mesma sala. Mr. Longstreet tentou abusar de Jeanne DeWitt. Houve um barulho dos diabos. Pois Mr. Lord chegou, viu o que estava a passar-se e deu uma bofetada em Mr. Longstreet. Nisto, Mr. DeWitt apareceu correndo. E mandaram-no embora. Não sei o que aconteceu depois, mas parece que a coisa foi abafada. Isto já foi há alguns meses.
- Bem, Miss Platt. Acha acaso que Longstreet dispunha de alguma coisa com que pudesse dominar DeWitt?
- Não tenho a certeza. Mas sei que, cada vez que Mr. Longstreet pedia grandes somas a Mr. DeWitt, «empréstimos pessoais», como ele dizia, era sempre atendido. Por sinal, há uma semana pediu vinte e cinco mil dólares…
-Caramba!

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

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A Porta do Meio

Ellery Queen
Tradução Wilson Velloso
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 44
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Quando Karen Leith recebeu o maior prémio literário dos Estados Unidos, o seu editor, agradecido, surpreendeu a todos, inclusive a si próprio, conseguindo induzir a sua «prima donna» a aparecer em público.
Ainda mais surpreendente foi o facto de Miss Leith permitir a realização da festa no seu próprio jardim japonês, nos fundos da residência de Washington Square.
Compareceram muitas pessoas importantes. Estavam todos contentes, e não menos o editor de Miss Leith, que nunca pensara que Miss Leith consentisse em se exibir – e ainda mais no seu próprio jardim!
No entanto, o prémio recebido parecia haver influenciado um pouco aquela mulher pequena, tímida e ainda bonita, que chegara do Japão em 1927 e se encerrara entre as paredes opacas da casa de Wasington Square – santuário de onde enviava ao Mundo romances incrivelmente belos; os poucos que a haviam conhecido antes juravam nunca a ter visto tão animada e cordial.
Porém, a maioria dos presentes jamais vira Karen Leith, e assim a sua recepção foi mais um «début» social do que um triunfo literário.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

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O Diabo Que Resolva

Ellery Queen
Tradução: Cecília Whately
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 21
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Hollywood, como o país de Oz, possui um sabor esquisito e mágico: é o lugar onde as árvores de natal de estanho brotam de repente nas ruas, em dezembro, em volta dos postes, sob um sol de 40 graus; onde os restaurantes tomam o formato de faróis e chapéus; onde senhoras, aos sábados à noite, passeiam pelas avenidas de calças compridas e casacos de marta, levando pela trela minúsculos leopardos; onde os jornais da manhã custam cinco centavos e os da noite dois e onde pessoas fazem bicha durante horas intermináveis e fim de verem outras pessoas celebrizadas pelo cinema.
Um acontecimento vulgar e Hollywood é, por motivo, muitíssimo menos vulgar do que seria esse mesmo acontecimento em Cincinnati ou Jersey City e um acontecimento importante incalculavelmente mais importante.
Por isso, quando a Ohippi Bubble faliu, mesmo os que não eram accionistas devoravam as notícias de Los Angeles e, do dia para a noite, Ohippi tornou-se um termo familiar.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

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O Enigma do Sapato Holandês

Ellery Queen
Tradução: Lino Vallandro
Capa: Cândido Costa Pinto 
Colecção Vampiro nº 14
Livros do Brasil, Lisboa, 1948

O alter ego do Inspector Richard Queen, que apresentava surpreendentemente contraste com a sua disposição costumeira, lépida e prática, frequentemente o levava a emitir observações didácticas sobre a criminologia em geral. Essas reflexões professorais eram habitualmente dirigidas a seu filho e sócio nas investigações criminais, Ellery Queen, nas ocasiões em que ambos se encontravam tomando qualquer alimento diante da lareira da sala de estar, e sós, sem contar com a sombra fugidia de Djuna, o espectral garoto cigano que lhes tendia às necessidades domésticas.
- Os primeiros cinco minutos são os mais importantes – dizia severamente o velho; - lembra-te disso. – era o seu teme predilecto. – Os primeiros cinco minutos podem poupar-nos uma porção de incómodos.
E Ellery, criado desde a meninice num regime de conselhos detectivescos, resmungava, chupava o cachimbo e cravava os olhos no fogo, imaginando quantas vezes um investigador teria a fortuna de encontrar-se no local dum crime dentro de trezentos segundos após a sua perpetração.
Expressava, então, as suas dúvidas, e o velho assentia tristemente com a cabeça – sim, não era muito frequente deparar-se tamanha sorte. No momento em que o investigador chegava ao local, já o rasto estava frio, muito frio. De modo que se fazia o possível para compensar a maliciosa lentidão do destino, - Jjuna, dá cá o meu rapé.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Mistério da Arca de Noé

Ellery Queen
Tradução: Elisa Lopes Ribeiro
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 80
Livros do brasil, Lisboa s/d

Enterrado numa poltrona de couro, diante da janela, com os pés calçando huarachos, as alpercatas mexicanas, cruzados em cima da máquina de escrever, e um grande copo de rum gelado na mão, Ellery matutava no cadáver. Para ele, era como se ela estivesse viva, estendida a seus pés. Examinava os sintomas da vida, entre dois goles, e não encontrava a chave do enigma. Oh! Estavam ainda no princípio de uma investigação, que prometia sair do vulgar, e o rum ajudava.
Caso curiosos! A morta ainda estremecia. Já em Nova Iorque, Ellery fora prevenido dessa ilusão criada pelos reflexos resultantes de uma morte violenta. «Parece impossível, tinham acrescentado, mas o corpo já entrou em decomposição, e qualquer pessoa capaz de distinguir uma camélia de um cardo, pode verificar o facto.» A vítima, que Ellery conhecera na flor da idade, era uma criatura formosa e saudável, cobiça de todo os homens, objecto folgazão de desejos e maldições… Como aceitar a ideia de que semelhante vitalidade for bruscamente abatida?
Sim, no local do crime – por coma, exactamente, porque o pavilhão que ele alugara parecia um ninho alcandorado na árvore mais alta das colinas próximas – Ellery duvidava ainda. A bela moça jazia ali, sob uma fina camada de bruma; estremecia ligeiramente e diziam que estava morta.
Hollywood, terra de ilusões,
Assassinada, concluía o relatório da autópsia, transmitido pela televisão.
Sob um céu levemente azulado pelos grandes calores, a colina verdejante e florida descia até à cidade que resplandecia ao sol. Que dia radioso! Muito à vontade no seu trajo de Adão no Paraísos terrestre, Ellery saboreava o rum e contemplava o panorama.

domingo, 3 de dezembro de 2017

OLHAR AS CAPAS


O Mistério dos Fósforos Queimados

Ellery Queen
Tradução Wilson Velloso
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 2
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- Ellery Queen, seu furão!
Espantado, levantou o olhar, dando com um rapaz tão magro e tão alto como ele; o recém-chegado ria-se, estendendo-lhe a mão.
- Olá, Bill Angel – disse Ellery, demonstrando satisfação.
- Oxalá estes meus olhos cansados não me preguem uma partida, Bill! Sente-se. De onde demónio me surgiu você? Rapaz, outra cerveja! Afinal de…
- Uma de cada vez – respondeu o jovem, rindo-se e deixando-se cair numa cadeira. –Sempre rápido no gatilho, hem? É o que vejo. Meti a cabeça aqui para descobrir uma pessoa a quem procuro e levei mais de um minuto a reconhecê-lo a si, sua marmota! Por onde tem andado?
- De um lado para o outro… Pensei que você morasse em Filadélfia.
- Moro, sim, Estou aqui em negócios particulares.
- A raposa muda de pele – citou Ellery – mas não muda de hábitos. Prefere que eu diga isso em latim? Você geralmente irritava-se com as minhas citações de clássicos.
-  Sempre o velho Ellery. Que faz em Trenton?
- De passagem. Fui até Baltimore, ver um caso. E então Bill Angell? Quanto tempo, hem? 
- Quase onze anos. Nisso a raposa não mudou muito.

sábado, 8 de abril de 2017

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O Crime da Raposa

Ellery Queen
Tradução: Herbert Caro
Capa; Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 61
Livros do Brasil, Lisboa s/d

-Realmente – disse ele – é para mim um grande prazer tornar a ver a gente de Wrightsville. Tornei-me um grande amigo da sua cidade. - Dirigiu-se a Davy: - Pois é assim, capitão. O senhor está aqui sentado, lamentando bastante a sua situação. Não é verdade? – Davy estava prestes a falar, mas Ellery continuou: - Devo dizer-lhe, antes de continuarmos, que em geral não desperdiço o meu tempo e as minhas simpatias com maridos que procuram estrangular as suas esposas. Que tem o senhor a alegar em sua defesa?
Davy ficara rubro.
- O senhor não compreendeu, sr. Queen – interveio Linda, olhando nervosamente para o marido. – Davy não tem culpa; realmente, não tem. Há em tudo isto algo mais poderoso do que ele, a tal ponto… que qualquer outro também…
- Eu preferia D. linda, que o seu marido falasse em sua defesa – observou Ellery, examinando Davy com os seus olhos cinzentos como prata. – E então, capitão, por que motivo procurou o senhor matara a sua mulher?
Davy lançou-lhe um olhar sombrio. Mas em seguida baixou os olhos. Agarrou no copo e bebeu um trago.
- Porque – disse com a mais desalentada das vozes – o meu pai matou a dele.