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quarta-feira, 3 de junho de 2020
terça-feira, 2 de junho de 2020
TUPELO, MISSISSIPI - BIRTHPLACE OF ELVIS PRESLEY
Acelerei o mais
possível por aquela Estrada 45 fora, esperando que, como era Sábado, a Casa
fechasse mais tarde e não às estúpidas 17h00, como era habitual.
O dia já ia bem cheio
porque tinha passado pela “Dockery Plantation”, local onde muitos garantem ter nascido
o “Blues” do Delta da Mississippi, e depois tinha estado em Rowan Oak, numa
povoação chamada Oxford, que é a casa onde William Faulkner viveu com a sua Família
durante mais de 30 anos, aí tendo escrito a maior parte da sua Obra.
E foi em Rowan Oak
que perdi mais tempo, não só porque visitei a casa de ponta a ponta com todo o vagar,
como à saída me apeteceu também vaguear pelo jardim e depois descansar uns
minutos, no mesmo banco onde Faulkner também gostava de se sentar. E de seguida
fui passear pelo Centro de Oxford e visitar as suas belas livrarias, ricas como
não vi outras iguais nesta viagem pelo Sul dos Estados Unidos.
Não admira... É uma
cidade universitária que nos dá a sensação de estarmos algures em França ou Inglaterra,
e não no Mississippi profundo.
Mas as minhas
melhores esperanças de condutor apressado não se iriam concretizar...
17h00 são 17h00, quer
seja Sábado ou dia de semana, e quando chegámos a Tupelo tanto a casa onde Elvis
Presley nasceu, como o museu que lhe é adjacente, já estavam a encerrar as suas
portas.
Este espaço de
homenagem a Elvis engloba, para além da casa, um pequeno museu, uma igreja e um
grande jardim, um pouco mais afastado.
É um lugar calmo e
aprazível, sentindo-se aqui um genuíno desejo de honrar, de uma forma digna e humilde,
a memória do herói local, e não de fazer um ataque desenfreado ao bolso do
visitante, como sucede em Graceland.
Embora tivesse levado
bastante tempo a concretizar, tudo isto terá sido imaginado muito cedo quando Elvis,
já a caminho do estrelato após o lançamento do primeiro álbum e das suas
primeiras aparições na televisão, atuou pela primeira vez na sua terra natal,
em 26 de Setembro de 1956, e doou a receita do concerto à edilidade local para
a construção de um parque em sua memória.
Hoje o “Elvis Presley
Park” impõe-se, imponente, lá no alto, com algumas estátuas de bronze a homenagear
o intérprete de “Love me Tender”.
A casa tinha-se
mantido desabitada e estava em muito mau estado de conservação, mas não tardou
que os fãs de Elvis tivessem conhecimento da sua existência e começassem a chegar
a Tupelo com desejo de a visitar. Quando, no início dos anos 70, foi decidido
recuperá-la e abri-la ao público, foi posto um anúncio num jornal local
solicitando à população a doação de loiças e mobiliário da época, e foi assim
que foi constituído o recheio atual casa...
Como já vos disse,
não pude visitar o museu, mas sei que, entre muitas outras coisas, tem no seu
interior fotografias da Família Presley nas quais um Elvis criança e adolescente
surge ao lado dos seus pais, alguns instrumentos musicais, roupa da época e uma
“maquette” de como era a casa e as imediações em meados dos anos 30 do século
passado.
Nas suas paredes
exteriores o museu está coberto de mensagens de quem privou de perto com o
Elvis desses tempos, desde vizinhos e colegas de escola ao pároco da igreja.
A igreja pertencia à
“First Assembly of God Church” da qual a mãe de Elvis, Gladys, fazia parte, e
estava um quarteirão mais afastada, tendo sido, posteriormente, transplantada
para este espaço. Foi nesta igreja que Elvis tomou contacto com a música
“Gospel” e ouviu os primeiros “hymns” que tanto o influenciaram e que tantas
vezes iria homenagear em gravações ao longo da sua carreira. E foi também aqui
que o jovem Elvis cantou em público pela primeira vez.
Quanto à origem da
modesta casa, a história conta-se em poucas palavras.
Sabendo que a sua
mulher iria dar à luz pela primeira vez e que necessitariam de melhores
condições de alojamento, o pai de Elvis, Vernon Presley, pediu 180 dólares
emprestados e construiu-a ele próprio em 1934.
A 8 de Janeiro do ano
seguinte nasceria Elvis, que teria melhor sorte do que o seu irmão gémeo Jesse,
nado-morto uns minutos antes.
Mas Vernon Presley
não conseguiu pagar o empréstimo dentro do prazo previsto e a Família teve de largar
a casa aos credores, tinha Elvis 3 anos.
Seguir-se-iam mais 10
anos de vida difícil em Tupelo, mudando de casa com frequência, até que em 1948,
tinha Elvis 13 anos, a Família se meteu à estrada num Plymouth de 1939 igual a
este que aqui veem, a caminho de Memphis.
Foi a sorte de Elvis.
O ambiente musical
com que iria deparar em Memphis motivou-o e deu-lhe outras oportunidades que, provavelmente,
nunca teria encontrado se tivesse permanecido em Tupelo.
Mas isso é outra
história, que contarei quando vos falar da “Sun Records”.
É, na verdade, um
bonito espaço este de Tupelo, e só lamento não ter tido tempo para nele me
passear com outra disponibilidade.
De saída da cidade
parei num daqueles grandes bares à beira da estrada onde nos podemos sentar ao balcão
e escolher uma de entre as trinta e seis variedades de cerveja de pressão que
temos à nossa frente.
Vendo-me a tirar
fotografias, alguém a meu lado meteu, gentilmente, conversa, e eu contei-lhe o
que me tinha trazido àquela terra, pensando para comigo que nem teria sido necessário
explicar, porque saloios como eu à procura de Elvis paparia ele, certamente,
todos os dias ao pequeno almoço...
Entre outras coisas,
disse-nos que perto do Centro da cidade havia um bonito mural em homenagem a Elvis
mas, na verdade, já era tarde e não tive tempo de por lá passar...
É que me esperava,
ainda, um festival de “Blues”, na noite de Clarskdale.
PS:
“Dockery Plantation”
e “Rowan Oak” terão direito, cada uma, a seu texto.
Texto e fotografias
de Luís Miguel Mira
quinta-feira, 28 de maio de 2020
COLETTA'S
Tínhamos andado a
abusar das excelentes carnes do Tennessee e, naquela noite, a Cristina
apetecia-lhe algo mais ligeiro para o jantar.
Na véspera tinha
jantado alarvemente um BBQ de “ribs”no “Charlie Vergo’s Rendezvous”, uma verdadeira
instituição da Gastronomia de Memphis desde 1948, e muito embora não me
importasse nada de continuar no mesmo ritmo, a pobre da Cristina, como é
habitual, começava a não conseguir acompanhar a minha pedalada...
Sugeri-lhe, então, um
restaurante italiano, porque tinha visto que haveria pelo menos um
recomendável, o “Coletta’s”.
Afinal não era apenas
um, mas dois com o mesmo nome, pertencentes à mesma Família. Um maior, hoje gerido
pelos filhos dos proprietários, e outro mais pequeno, agora gerido pelos seus
pais. E foi precisamente a este último que o GPS nos conduziu.
Tinha várias salas,
mas ficámos logo na de entrada, uma salinha simpática com mesas cobertas com
uma daquelas toalhas aos quadradinhos brancos e vermelhos, de que tanto gosto.
Desde o momento da
entrada que sentimos alguma deferência e simpatia à nossa volta, o que não estranhámos
visto sermos os únicos estrangeiros na sala.
Como é habitual, eu
estava sem aparelho no ouvido mas apercebi-me, a determinada altura, que o nome
de Elvis Presley estava a sair, frequentemente, da boca da jovem empregada que
nos servia.
Perguntei à Cristina
o que se passava e ela esclareceu-me que a empregada lhe tinha dito que aquele
era um dos restaurantes preferidos do Elvis, em Memphis, que por lá aparecia
com muita frequência.
Estranha conversa
essa, respondi-lhe eu, porque nos tínhamos limitado a sentar e a pedir a lista,
e nem uma palavra acerca do Elvis lhe tínhamos dito.
Daí a pouco, nova
investida de Elvis...
Eu escolhi como prato
principal uma pizza de BBQ, e ela felicitou-me pela escolha dizendo que era, também,
o prato favorito do Elvis...!
Sabendo que, nos seus
últimos anos de vida, o “King” se alimentava a grandes “paletes” de hamburgers com
mostarda e ketchup, não fiquei lá muito satisfeito com a comparação e com o
nível do meu gosto gastronómico, mas era evidente que a pequena nos queria
“vender” qualquer coisa que eu ainda não tinha percebido muito bem o que era,
não obstante já estar de aparelho no ouvido...
E ainda por ali andou
ela às voltas a perguntar-nos se a comida estava boa, sempre com Elvis para a direita
e Elvis para a esquerda, apontando para uma pequena sala lá ao fundo e dizendo
que era o “reservado” que ele e a sua “entourage” ocupavam quando por lá
passavam. Até que a determinada altura se aproximou da mesa o corpulento
patrão, certamente descontente com a ineficácia demonstrada pela sua empregada
em nos sacar a desejada informação, e então caí em mim e percebi tudo,
rapidamente...
Por mera
coincidência, era 10 de Agosto e no dia seguinte começava a “semana de Elvis”,
ou seja, os dias em que os mais fanáticos dos seus fãs se juntam para o
homenagear e assistir a uma cerimónia especial na qual se comemora o
aniversário do seu falecimento, no dia 16 de Agosto.
Sorte dos Távoras,
pensei eu para com os meus botões... Mais uns dias e a confusão em Memphis
seria muito maior e eu não teria andado tão à vontade em todos os lugares por
onde andei.
E o que o patrão
pretendia de nós era, agora, muito claro... Primeiro queria saber se já
pertencíamos à vaga de fãs da “semana do Elvis” e se estávamos ali por o
nome do restaurante
lhe ser associado...
Se lhe respondêssemos
que sim ficaria satisfeito, porque tal seria a garantia de mais clientes nos
dias seguintes...
Se lhe disséssemos
que éramos do grupo mas que nunca antes tínhamos ouvido falar do restaurante, certamente
que contaria connosco “to spread the message”...
Mas a resposta que
ouviu da nossa boca foi aquela que menos desejaria... Que não estávamos em Memphis
por causa do Elvis, que fôramos ao seu restaurante por mero acaso e que bem
cedo no dia seguinte partiríamos para o Sul...
Despediu-se, desolado,
desejando-nos boa viagem.
É claro que não
resisti à tentação de dar uma espreitadela ao “reservado do Elvis”.
É uma salinha pequena
rodeada de cartazes e fotografias em todas as paredes, mas onde nem sequer se encontra
nenhuma daquelas típicas fotos do “herói” rodeado pelos proprietários do
restaurante, todos sorridentes e de polegar virado para cima...!
O máximo que por lá
se consegue ver é uma foto de Elvis a jogar futebol americano com os amigos num
terreiro de Memphis, e outra do corpulento Elvis dos últimos anos a espreitar à
janela de uma viatura, com a mulher ao lado, e um talão de fatura do
restaurante, sem qualquer discriminação de despesa, autografado por ele.
Sim, é bem possível
que Elvis Presley tenha, uma bela noite, jantado no “Colleta’s”...
Texto e fotografias
de Luís Miguel Mira
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Elvis Presley,
Luís Miguel Mira
quarta-feira, 29 de abril de 2020
TO ELVIS, WITH LOVE
Os muros que ladeiam a casa de Elvis estão
apinhados de mensagens dos seus fãs.
Da maneira como as mais recentes se
sobrepõem, fiquei com a ideia de que todo o muro é lavado de tempos a tempos
para permitir novas levas de mensagens.
Aqui está uma respeitável Senhora apanhada em
pleno ato… Procurou, procurou e lá encontrou um pedacinho onde escrever.
Comovente...
Cada um é como é e longe de mim censurar…
Deus sabe como sou fã de Gram Parsons e
já andei a perseguir as suas memórias em todo o lado por onde caminhou,
mas nunca me passaria pela cabeça deixar-lhe um bilhetinho...
Texto e fotografias de Luís Miguel Mira
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Elvis Presley,
Luís Miguel Mira
terça-feira, 28 de abril de 2020
GRACELAND
“I’m going to Graceland
Memphis, Tennessee
I’m going to
Graceland
Poor boys and
pilgrims with families
And we are going to
Graceland
…………………………………….
…………………………………….
Ooh, ooh, ooh,
In Graceland, in
Graceland
For reasons I cannot
explain
There’s some part of
me wants to see
Graceland”
(Paul Simon – “Graceland”)
Paul Simon nasceu em 1941 e teria 13 anos
quando Elvis Presley fez as suas primeiras gravações no “Sun Records”, em
Memphis.
É natural, portanto, que sinta uma certa
nostalgia em relação a Graceland, mesmo que não nos saiba explicar
muito bem porquê.
Não é o meu caso.
Respeito a memória do Elvis e tudo o
que ele representou para o surgimento de um novo tipo de música de que, muitos
anos mais tarde, aprendi a gostar.
Também sei separar o trigo do joio, ou seja,
as qualidades de Elvis, o cantor, das muitas vezes grotescas trapalhadas em que
Elvis, o Homem, se viu envolvido ao longo da sua vida…
E se uma das primeiras músicas em língua
inglesa que me lembro de ter gostado, em criança de 7 ou 8 anos, foi “Wooden
Heart”, era preciso ter um coração de pedra para não ter ficado com
um pouquinho do Elvis dentro de mim.
Mas isso não teria sido suficiente para me
fazer voar para Memphis, Tennessee…
As memórias musicais que mais me aquecem o
coração não habitam por aqui…
Mas também ir a Memphis sem passar por
Graceland seria uma pura estupidez…
E assim aconteceu.
Cheguei lá e – sacrilégio…!!! - acabei por
não fazer a visita à Casa.
Naquele lugar os cifrões giram à volta da
nossa cabeça.
Não admira… É a Casa mais visitada em todos
os Estados Unidos da América…. Uma verdadeira máquina de fazer dinheiro!
Paga-se para ver o interior da casa, paga-se
para ir ao “Meditation Garden”, onde se encontra o túmulo de Elvis, paga-se
para ver a coleção de automóveis e de motas, paga-se para entrar nos dois
aviões privados, eu sei lá… Só falta mesmo pagar para se poder respirar no
interior…
Julgo que foi na “Estratégia da Aranha”, do
Bertolucci, que ouvi ou li algo que me parece ter sido uma citação de Brecht e
que dizia mais ou menos o seguinte: “Felizes dos Povos que não precisam dos
seus Heróis”.
Eu não tenho rigorosamente nada contra o
facto de toda esta gente vir aqui em peregrinação saudar a memória do seu
Herói.
Bem pelo contrário…
Mas confesso que me incomoda bastante o
cheiro a ganância que se sente no ar num lugar como este.
Fiz as contas por alto e uma curta
visita não me ficaria por menos de 120 €…
Não sou forreta nem fundamentalista….. Seria
uma vez na vida e em circunstâncias normais confesso que talvez me tentasse a
ir, embora a Cristina me tivesse logo avisado que não estava nada p’raí virada.
Mas a Casa encerrava às 17h00 e já
passava das 16H00 quando lá chegámos. Teria de comprar o bilhete e
apanhar um “bus” no outro lado da avenida, na zona onde estão os dois aviões
privativos de Elvis, pelo que me restaria muito pouco tempo útil para a
visita…
É claro que poderia lá ter ido
no dia seguinte, mas se em circunstâncias normais já não consegui cumprir o
programa que tinha estabelecido para dois dias em Memphis, se tivesse
regressado a Graceland estava frito… É que se diz que isto fica em Memphis mas,
na realidade, fica muitíssimo longe do centro da cidade.
Assim sendo, cheirei a
propriedade por fora, li algumas das inscrições nos muros que a rodeiam, vi ao
longe os dois aviões, o maior “Lisa Marie” e o mais pequeno “Hound Dog II”,
comprei um catálogo para mim e algumas recordações para os amigos, e zarpei.
Mas não me despedi do
Elvis para o resto da viagem porque, uma vez que iria andar lá por perto,
ainda tinha previsto passar por Tupelo, no Mississippi, ver a casa onde
ele nasceu, o que até se iria revelar bastante mais interessante, como na
altura própria vos contarei.
Em tempo:
Quem estiver interessado em dar
uma olhadela ao interior da Casa não terá de ir a Graceland. Bastará ir
ao YouTube….
Texto e fotografias de Luís Miguel Mira
Texto e fotografias de Luís Miguel Mira
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Elvis Presley,
Luís Miguel Mira
domingo, 22 de março de 2020
ANTOLOGIA DO CAIS
Para
assinalar os 10
anos do CAIS DO OLHAR, os fins-de-semana estão guardados para lembrar
alguns textos que por aqui foram publicados.
NUNCA CAMINHARÃO
SOZINHOS
Foram os
ingleses que inventaram o futebol, têm um enorme respeito por ele e chamam-lhe
«The Beautiful Game.»
Vivem o jogo
como ninguém.
Deslocam-se,
enchem os estádios.
Avós, pais,
filhos, netos, bisnetos: a família.
A festa.
Nem em tempo
de Natal o dispensam.
Bem pelo
contrário: exigem que haja jogos nesses dias.
Nos dias de
transmissão do futebol inglês, quando as câmaras focam as bancadas, vêem-se
espectadores das mais variadas idades. Por vezes, parece que toda uma família,
do mais novo ao mais velho, foram ao futebol.
Uma das
claques mais conhecidas, no Reino Unido, é a do Liverpool.
Tomaram como
hino You’ll
Necer Walk Alone, uma canção composta por Richard
Rodgers e Oscar Hammerstein II para o musical da Broadway Carousel, de 1945
e que, em 1956, foi adaptado ao cinema por Henry King.
Mas seria com
a versão de Gerry &The Pacemaker, conjunto oriundo da própria cidade, que a
canção se tornaria o hino do clube.
Hoje, outros
clubes, em outros países, o adoptaram como hino, mas nada como em Anfield Road.
Simplesmente
arrepiante.
Uma visita ao
You Tube permite ficarmos a saber dos grandes nomes da música norte-americana,
bem como outros, que gravaram You'll
Never Walk Alone.
Shirley Jones gravou-a para a banda sonora de Carousel, mas há
versões de Ella Fitzgerald, Ray Charles, Aretha Franklin, Mahalia Jackson, Nina
Simone, Louis Armstrong, Elvis Presley, Barbra Streisand, Andy Williams, Judy
Garland, Frank Sinatra, Johnny Cash, Roy Orbinson, The Rigteous Brothers, Tom
Jones.
Também é
possível encontrar uma versão dos Beatles.
Estas são as
minhas escolhas.
A versão da
Nina Simone é tocada ao piano.
Numa
entrevista ao Expresso (06.02.2016), por ocasião dos 50 anos
dos Cinco Minutos de Jazz, perguntaram-lhe por um episódio
destes longuíssimos minutos de jazz, o José Duarte respondeu:
Fui a uma rádio em Los Angeles, que
passa jazz 24 horas por dia. O edifício era lindo, alto, todo em vidro. Era o
início dos anos 70, o João ainda era vivo. Eu tinha levado comigo uma cassete
da Nina Simone a tocar piano. O apresentador fez-me perguntas, estranhou onde
era Portugal, expliquei-lhe que se nadasse sempre em frente chegaria a Lisboa.
E quando lhe contei que tinha um programa de cinco minutos fechou o microfone,
pensava que eu me tinha enganado no inglês! No fim, pôs a minha cassete da Nina
Simone e ia caindo da cadeira: nunca a tinha ouvido só a tocar o piano. Saí
daquela rádio orgulhoso.
Um orgulho
tão grande que, certamente, no regresso a Lisboa, obrigaram o José Duarte a
pagar excesso de bagagem.
Texto publicado em 24 de Maio de 2016
Texto publicado em 24 de Maio de 2016
domingo, 17 de novembro de 2019
VELHAS CANÇÕES
Domingo de chuva.
Arrumações tendo em vista o Natal que se aproxima.
E de repente, cai este velho disco da Eurovisão de 1967, quando as
canções da Eurovisão eram mesmo canções e não um folclore de macacadas e
efeitos especiais, excepção feita ao nosso Salvador Sobral em que se chegou a
pensar que o Festival poderia voltar aos velhos tempos… mas não… não voltou…
Devem lembrar-se que a Sandie Shaw apresentou-se a cantar Puppet on
s String, descalça.
Conversa puxa conversa e, de repente, saltou que também existe uma
canção do Elvis Presley que faz parte de um filme do Elvis que nunca vi. Também
se chama Puppet on a String e, escusado será dizer, que o Elvis é sempre
o Elvis e o que canta faz a sua diferença.
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Salvador Sobral,
Velhas Canções
sexta-feira, 31 de maio de 2019
DO BAÚ DOS POSTAIS
Continuação dos postais da Cristina e do Miguel.
«Finalmente na casa do Elvis! Mas chegámos muito tarde, os bilhetes são um roubo (120 euros...!) e optámos por não entrar e ver apenas de fora. Mas não nos esquecemos de umas lembrançazinhas para ti.»
domingo, 30 de dezembro de 2018
PEACE IN THE VALLEY
Já várias vezes o
tenho dito: não frequento a FNAC.
Motivos vários e
inultrapassáveis.
Hoje, por via de uma
troca de presente natalício, tive de lá ir.
Agoniado, muito
agoniado, mesmo.
Valeu ter encontrado
a uma esquina da sala de música clássica ter um escaparate com discos de vinil,
mais concretamente discos de Natal.
Valeu o sacrifício…
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Natal Canções de
quarta-feira, 12 de setembro de 2018
ELVIS SEMPRE!
Continuo a apresentar as recordações que a Cristina e o Miguel me trouxeram da América.
Esta é a Carta de Condução de Elvis Presley.
sábado, 2 de junho de 2018
BAILES
Regressar a este espaço com um baile-bossa-nova-mandado com o rei Elvis, o senhor Fred Astaire e a Rita Hayworth.
Junho é mês grande festas e bailes.
quarta-feira, 16 de agosto de 2017
40 ANOS
Quarenta anos
sem o Rei.
Lido hoje no Diário
de Notícias:
Desde 1977 até hoje, foram publicadas 94 compilações
discográficas de Presley. O que permite dizer que, 40 anos depois de falecer,
ele ainda figura entre os artistas musicais mais rentáveis do mundo.
domingo, 16 de abril de 2017
OS CROMOS DO BOTECO
Uma capa do Elvis em Domingo de Páscoa.
Elvis acompanhado pelos The Jordanaires.
Returno to Sender - I Don't Wanna Be Tied - Girls! Girls! Girls!- I Don't Want To
Tenham um Bom Domingo de Páscoa.
quinta-feira, 13 de abril de 2017
segunda-feira, 27 de março de 2017
ELVIS & FRIENDS
Realizou-se, ontem, o habitual almoço «Elvis &
Friends» e, como, habitualmente foi um sucesso.
O repasto foi no Restaurante «Os Severianos» em Torres
Vedras.
Pena não ter havido tempo nem espaço para um passinho
de rock.
sexta-feira, 24 de março de 2017
sábado, 21 de janeiro de 2017
«MEU, NÃO ACREDITO NISTO»
Orbison, na verdade, transcendia todos os géneros – folk, country, rock-and-roll,
e quase tudo o mais. As suas músicas misturavam todos os estilos e até alguns
que ainda não tinham sido inventados. Ele podia soar mal e desagradável num
verso e depois, no verso seguinte, cantar numa voz de falsete como a do Frankie
Valli. Com o Roy não se sabia se estávamos a ouvir mariachi ou ópera. Ficávamos
com pele de galinha. Tudo nele era oito ou oitenta. Soava como se estivéssemos no
cimo do monte Olimpo e soubesse o que andava a fazer. Uma das suas primeiras
canções, «Ooby Dooby» tinha sido bastante popular mas a sua nova canção não era
nada assim. «Ooby Dooby» era decepcionantemente simples, mas Roy tinha
progredido. Estava agora a cantar as suas composições em três ou quatro
oitavas, o que nos dava vontade de atirar com o carro por uma ravina abaixo.
Cantava como um criminosos profissional. Começava por um nível baixo, quase
inaudível, mantinha-se por lá e depois, surpreendentemente, lançava-se para
entoações exageradas. A sua voz podia enlouquecer um cadáver e fazia-nos resmungar
coisas do género «Meu, não acredito nisto». As canções dele tinham canções
dentro de canções. Alternavam de tonalidade maior para menor sem qualquer
lógica. Orbison não brincava em serviço – não era nem um amador nem um
principiante. Não havia nada como ele na rádio. Ficava na esperança de ouvir
outras canções boas mas comparado com Roy, o que passava na rádio era uma
chatice… sem coragem e sem energia. Tratavam-nos como se não tivéssemos
cérebro. À excepção do George Jones, não gostava da música country. Elvis
Presley. Já ninguém o ouvia. Há anos que ele tinha feito aquelas coisas com as
ancas e levado as canções a outros planetas. Ainda assim, eu continuava a ligar
o rádio, provavelmente mais por hábito do que por qualquer outra razão.
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terça-feira, 17 de janeiro de 2017
O HOMEM COM A GUITARRA
Nessa noite, quando acabou ao fim de poucos minutos,
quando o homem com a guitarra desapareceu envolto em gritos, eu fiquei ali
petrificado em frente à televisão, com a cabeça a mil. Tinha dois braços, duas
pernas, dois olhos, como ele; era horroroso, mas podia esquecer isso… então o
que é que faltava? A GUITARRA! Ele atacava-a, encostava-se a ela, dançava com
ela, gritava para ela, apertava-a, acariciava-a, abanava-a sobre as suas ancas
e, de vez em quando, até a dedilhava! A chave-mestra, a espada cravada na pedra,
o símbolo da retidão, o maior instrumento de sedução que os adolescentes alguma
vez tinham visto, a… a… «RESPOSTA» à minha solidão e tristeza. Era uma razão de
viver, uma forma de tentar comunicar com as outras almas infelizes presas à
mesma condição que a minha. E… estavam à venda no centro da cidade, na Western
Auto!
No dia seguinte, convenci a minha mãe a levar-me à Diehl’s Music, em South Street, Freehood. Como não tínhamos dinheiro, alugámos uma guitarra: Levei-a para casa. Abri o estojo. Senti o cheiro da madeira (que continua a ser um dos cheiros mais doces e promissores do mundo), senti a sua magia, apercebi-me do seu poder oculto. Segurei-a nos braços, passei os dedos por cima das cordas, prendi a palheta de tartaruga com os dentes, senti o seu sabor, tive lições de música durante umas semanas… e desisti. Era DIFÍCIL COMO A MERDA! O Mike Diehl, guitarrista e dono da Diehl’s Music, não fazia a menor ideia de como ensinar o que o Elvis andava a fazer a um jovem admirador que queria cantar blues de escola primária. Apesar do seu acesso incrível àquelas máquinas espantosas, não fazia a menor ideia do verdadeiro poder que elas tinham. Prosaico como todos os americanos da década de 50, só sabia os acordes principais, tratar de papelada e passar horas sem fim com uma técnica brutalmente entediante. Eu QUERIA…. PRECISAVA…. DE ROCK, JÁ! Ainda hoje não sei ler pautas e, nessa altura, os meus dedos de menino de 7 anos nem sequer davam a volta ao braço. Frustrado e envergonhado, disse à minha mãe, ao fim de pouco tempo, que era escusado. Não fazia sentido ele andar a desperdiçar o dinheiro que tanto lhe custava a ganhar.
No dia seguinte, convenci a minha mãe a levar-me à Diehl’s Music, em South Street, Freehood. Como não tínhamos dinheiro, alugámos uma guitarra: Levei-a para casa. Abri o estojo. Senti o cheiro da madeira (que continua a ser um dos cheiros mais doces e promissores do mundo), senti a sua magia, apercebi-me do seu poder oculto. Segurei-a nos braços, passei os dedos por cima das cordas, prendi a palheta de tartaruga com os dentes, senti o seu sabor, tive lições de música durante umas semanas… e desisti. Era DIFÍCIL COMO A MERDA! O Mike Diehl, guitarrista e dono da Diehl’s Music, não fazia a menor ideia de como ensinar o que o Elvis andava a fazer a um jovem admirador que queria cantar blues de escola primária. Apesar do seu acesso incrível àquelas máquinas espantosas, não fazia a menor ideia do verdadeiro poder que elas tinham. Prosaico como todos os americanos da década de 50, só sabia os acordes principais, tratar de papelada e passar horas sem fim com uma técnica brutalmente entediante. Eu QUERIA…. PRECISAVA…. DE ROCK, JÁ! Ainda hoje não sei ler pautas e, nessa altura, os meus dedos de menino de 7 anos nem sequer davam a volta ao braço. Frustrado e envergonhado, disse à minha mãe, ao fim de pouco tempo, que era escusado. Não fazia sentido ele andar a desperdiçar o dinheiro que tanto lhe custava a ganhar.
Brice Springsteen em Born to Run
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
QUANTOS DE NÓS PODEMOS DIZER O MESMO
Foi um «homem» que fez isto. Um «homem» à procura de
algo novo. Que conseguiu criar com a sua vontade. O grande gesto de amor de
Elvis abanou o país e foi um dos primeiros ecos do movimento pelos direitos
civis que viria a nascer. Foi o tipo de novo americano cujos «desejos»
transformaram os seus objectivos em algo de que foi possível desfrutar. Era um
cantor, um guitarrista que adorava a cultura musical negra, reconhecia a sua
beleza artística, a sua preponderância, o seu poder, e que ansiava conhecê-lo
profundamente. Serviu o seu país no exército. Fez alguns filmes maus e alguns
bons, desperdiçou o seu talento e tornou a reencontrá-lo, teve um regresso em
grande e, à boa maneira americana, teve uma morte precoce e estrondosa. Não foi
um «ativista», não foi um John Brown, nem um Martin Luther King Jr., nem um
Malcolm X. Era um artista, um imaginador de mundos, um sucesso incrível, um
falhanço embaraçoso e uma fonte de ações e ideias modernas. Ideias que, em
pouco tempo, alteraram a identidade e o futuro da nação. Ideias cujo tempo
tinha chegado, que nos desafiaram a decidirmos se queríamos assistir a um
funeral de destruição e declínio nacional ou dançar ao ritmo do nascimento de
um capítulo novo da história da América.
Não sei o que ele pensava sobre a raça. Não sei se ele
pensou nas implicações mais vastas dos seus atos. Sei que foi isto que ele fez;
viveu a vida que se sentiu impelido a viver e revelou a verdade que estava
dentro dele e as possibilidades que estavam dentro de nós. Quantos de nós
podemos dizer o mesmo? Depois de rejeitado, como uma anedota nacional,
acreditou no sonho do tipo de país que poderíamos ser, explosões, salvações,
preces, lutas, marchas, rezando, cantando, odiando e adorando o que íamos
desbravando.
Bruce Springsteen em Born to Run
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Bruce Springsteen,
Elvis Presley
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