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quinta-feira, 15 de agosto de 2019

AINDA O EM ÓRBITA


O mítico programa de rádio Em Órbita, teve a sua primeira emissão no dia 1 de Abril de 1965.

Passados 50 anos dessa data, A Antena 1 realizou uma emissão especial conduzida por António Macedo.

Foram convidados Pedro Albergaria, Pedro Castelo, Cândido Mota, José Cid e José Ribeiro.

Sempre me fez uma enorme confusão o facto de os responsáveis, como primeira canção portuguesa passada no programa, terem escolhido A Lenda de El-Rei D. Sebastião interpretada pelo Quarteto 1111, onde pontificava José Cid.

Dizem, Paul McCartney é um dos donos dessa afirmação, que os Beatles chegaram ao fim pela aparição da japonesa Ioko Ono na vida de John Lennon.

Jorge Gil nunca escondeu que o Em Órbita iniciou os seus passos finais a partir do dia em que essa canção do Quarteto 111 passou no programa.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

OLHAR AS CAPAS


Telefonia

Matos Maia
Prefácio: Adriano Duarte Rodrigues
Capa: A. Rochinha Diogo
Círculo de Leitores, Lisboa, Maio de 1995

Criar Gosto (como na qualidade que reúne todas as outras), e a procura de novas formas do Dizer Radiofónico, constituem as duas únicas linhas onde se inscreve o horizonte comum a toda a vida do Em Órbita. Se hoje em dia ele for somente entendido e classificado como um “programa de música erudita”, todo o trabalho investido ao longo de quase trinta anos terá sido mal compreendido, ou então teremos falhado no modo como procurámos atribuir-lhe uma identidade própria – que deveria afirmar-se como algo autónomo e independente da música que transmite.
Há contudo razões para acreditar que assim não sucede, já que existem provas seguras da existência de um público que se manteve fiel ao programa, a despeito das mudanças por ele experimentadas com o passar dos anos.
A permanência desse auditório, assim como a conquista de um outro que foi aderindo ao movimento da redescoberta do verdadeiro espírito da Música Antiga (oculto durante vários séculos), não pode decorrer apenas de um fenómeno de identificação mimética do gosto dos ouvintes com as opções que foram sendo assumidas pelos responsáveis do Em órbita.
Não foi só a qualidade da música transmitida que permitiu ao programa manter um público fiel.
O modo como ele questionou o Dizer Radiofónico, e as formas encontradas para levar à prática os resultados de semelhante indagação, estão igualmente na origem daquilo que atribuiu ao Em órbita a condição própria de um “objecto familiar”, à semelhança daqueles retratos antigos de família que não se podem perder – porque nos dizem sempre coisas novas.
Se o programa não tivesse despertado intimidades afectivas naquelas regiões da alma onde as coisas ganham a força do que é credível, nunca teria havido condições para a mudança radical que se operou no início de 1974, quando a chamada música erudita estava excluída de qualquer estação de rádio de vocação comercial.
E se foi possível levar por diante semelhante projecto, com naturais perdas de audiência nos primeiros anos, é porque já existia uma audiência cuja generosidade a tornava receptiva à semente de um gosto musical mais rico e profundo.»
Palavras de Jorge Gil que explicam opções, dão definições e caracterizam espaços e fronteiras para um dos grandes programas de rádio portuguesa e que marcou toda uma geração.
Fundamental para um completo entendimento do espantoso feed-back que o Em órbita provocou é o ter-se em conta que não foi só pela qualidade da música que o programa se consagrou. Foi também por um nível altíssimo de qualidade técnica que contrastava com o desleixo e o amadorismo generalizados na nossa rádio.Uma das mais brilhantes análises ao Em órbita, foi feita, no Expresso, por Rui Vieira Nery:
«Tudo começou com um grupo de jovens profissionais da rádio que em meados da década de 60, em pleno reino do nacional-cançonetismo, de Rafael e de Gianni Morandi, tocava regularmente o que de melhor e mais avançado se fazia na música popular anglo-americana, constituindo um espaço radiofónico alternativo que serviu de referência de qualidade a toda uma geração marcada pelo movimento associativo universitário, pela resistência antifascista, pelo trauma da guerra colonial, pela ruptura com os códigos morais pequeno-burgueses dos filmes cor-de-rosa de Doris Day e Marisol. Depois veio o 25 de Abril, a geração que se formara ao som do Em Órbita entrou de uma vez por todas na esfera do poder e o próprio grupo dos responsáveis pelo programa se dissolveu enquanto tal para gradualmente se ir convertendo – com diferentes graus de felicidade conforme os casos no novo núcleo dirigente da rádio portuguesa».
Mas a vocação alternativa do Em Órbita não se tinha esgotado, quando a consagração institucional do seu primeiro figurino ameaçava transferi-lo das convulsões do desafio para a rotina fácil do sucesso, o programa reconverteu-se radicalmente em termos que muitos consideram quase suicidas e dedicou-se exclusivamente à música erudita, com destaque para o repertório barroco. Os seus níveis de audiência desceram vertiginosamente e tudo indicava que a sua própria sobrevivência estaria em breve seriamente ameaçada.
A nova aposta do Em Órbita assenta sobretudo não só na promoção de um repertório pré-romântico quase desconhecido entre nós como na insistência na sua execução com instrumentos e práticas interpretativas originais, um movimento que em toda a Europa lutava ainda arduamente pela conquista de uma credibilidade que lhe era negada pelos herdeiros da tradição interpretativa oitocentista.
O combate de Jorge Gil, que ficara sozinho à frente do programa, começou pouco a pouco a surtir efeito. Os níveis de audiência começaram de novo a subir (no início da década de 80 eram já dos mais altos da rádio portuguesa) e a consequência mais evidente deste fenómeno que se foi verificando foi uma procura crescente de gravações de música antiga no mercado discográfico nacional.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

A MINHA AMIGA RÁDIO


Peça museu da casa, este é o Blaupunkt de olho verde em que ouvia o Em Órbita.

Não sei como se poderá dizer aos jovens de hoje, eu não sei, o que foi o Em Órbita e o que representou.

Aqueles rapazes criaram um gosto, uma cultura musical na esmagadora maioria dos que  viviam enrolados na música francesa, italiana, espanhola, portuguesa.

Passei a conhecer Simon and Garfunkel, Mamas and Papas, Bob Dylan, Bee-Gees, Peter Paul and Mary, Moody Blues, tanta, tanta, tanta gente.

Se disser que graças ao Em Órbita sou uma pessoa diferente, talvez não acreditem ou não entendam o que estou a dizer. As melhores histórias são as que vêm do nada e a história do Em Órbita é uma grande história.

Ficam aí com o indicativo musical do programa, o instrumental Revenge dos Kinks e uma canção divulgada, uma das muitas, no programa: O Crispian St. Peters  a cantar «The Pied Piper» e eu ainda estou a ouvir o Cândido Mota, a melhor voz, o mais competente dos que apresentaram o Em Órbita, «um programa feito por todos e dito por mim», as primeiras espiras a rodarem e ele a dizer: «sigam-me que eu sou o tocador da flauta mágica».

Em memória de Jorge Gil, relembro este texto de San Shepard de que gosto muito:

 «Conheci um guitarrista que dizia «a minha amiga rádio». Sentia um parentesco menos com a música do que com a voz da rádio. A sua qualidade sintética. A sua voz única, distinta das vozes que a atravessam. A sua capacidade de transmitir a ilusão de gente a grande distância. Dormia com a rádio. Falava para a rádio. Discordava da rádio. Acreditava numa Terra Longínqua da rádio da Rádio. Como achava que nunca encontraria esta terra, reconciliou-se consigo mesmo a ouvir a rádio. Acreditava que tinha sido banido da Terra da Rádio e condenado a errar eternamente pelas ondas sonoras, ansiando por um posto mágico que o devolvesse à sua herança há muito perdida».



domingo, 11 de agosto de 2019

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 Pelos idos de 67, o Em Órbita lançou um convite aos ouvintes para que, por escrito, enviassem ideias e que outras músicas entendiam deviam ser passadas no programa.

O prémio consistia numa visita aos estúdios da Sampaio e Pina para presenciar, in loco, a realização do programa feito por nós e dito por mim.

Por esses tempos, andava eu enredado na música brasileira, esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer, contestação para um lado, Chico Buarque para o outro, pelo meio Gilberto Gil, Nara Leão, Caetano.

Esgalhei um arrazoado sobre essas músicas.

 Os rapazes gostaram e, nessa semana, mandaram-me aparecer por lá.

Lamentavelmente, perdi esse texto, batido à máquina, na minha velhaErika, que ainda está por aqui, como peça de museu.

Foi um belo pedaço de fim de tarde e até calhei num dia em que o alinhamento não tinha sido feito, os LPs foram saindo do armário colocados à papo seco, mas tudo aquilo eram grandes canções e, enquanto os discos rodavam o Cândido Mota, com aquele seu ar bem disposto, profissional de mão cheia, ia colocando os discos e mostrava-me o último relógio de pulso que adquirira para a sua larga colecção.

Como convidado, alinhei na votação dos melhores discos da semana. Tinha que escolher cinco mas, hoje, apenas me recordo de Dedicated To One I Love dos The Mamas and The Papas e o White Rabit dos Jefferson Airplane.

Disseram-me que aparecesse quando quisesse e assim foi acontecendo.

Com o João Manuel Alexandre nasceram laços de estima e consideração.

Numa das conversas com o João, veio à baila a ideia que existia na equipa para apresentar canções de artistas portuguesas, mas as dificuldades eram muitas, a maior delas a obrigatoriedade de não fugir à qualidade do programa.

Falei-lhe, então, do Adriano Correia de Oliveira, que nesse sábado iria realizar  uma sessão de canto (ainda não) livre, na Baixa da Banheira, em que também participavam o Carlos Paredes e o José Carlos de Vasconcelos.

Acertámos em ir falar com o Adriano.

Assistimos ao concerto, alinhámos no convívio no bar da Sociedade, muita conversa, uns queijinhos frescos, jarros de vinho tinto e aguardar o tempo para uma conversa serena com o Adriano.

Só que o Adriano era a imprevisibilidade em pessoa e no meio de tudo aquilo apareceu o escritor António Borga a dizer à malta que oFernando Lopes Graça estava num fogo de campo na Costa da Caparica com o coro da Academia dos Amadores de Música e foi a debandada quase geral. O Adriano esqueceu a conversa.

Nada havia a fazer.

Eu, o João e a mulher regressámos a Lisboa no seu Carocha.

Não houve mais oportunidade de voltar ao assunto.
.
Poucas semanas depois dessa noite de sábado na Baixa da Banheira, assentei praça em Tavira.

Para ser preciso no dia 10 de Julho de 1967.

Em Órbita não chegava à caserna do CISMI.

No dia 29 de Julho de 1967 o Em Órbita passava A Lenda de El-Rei D. Sebastião do Quarteto 1111.

Cândido Mota dixit:

É o sebastianismo colectivo que na lenda se retrata, a ideologia negativista dos que se alimentam da crença irracional em coisas, em valores, em poderes que não existem, dos que se deixam enganar pelos falsos Messias do oportunismo e da mistificação.

Uma tentativa honesta e inédita de lançamento das bases de uma música popular portuguesa que todos nós, em boa consciência, queremos renovada por inteira.

Temos para nós que o trecho que vamos apresentar preenche os requisitos mínimos para a sua divulgação por este programa, com todas as implicações que a sua transmissão através de "Em Órbita" acarretam.

Tendo por título "A Lenda De El-Rei D. Sebastião", é escrito por um português tocado e cantado por portugueses.

Vamos apontar o que nela se nos afigura existir de importante e de novo, focando em especial os aspectos puramente interpretativos, instrumentais e vocais.

O que neste trecho impressiona mais, o que nele se inclui de mais nitidamente inédito é que, em cima de uma melodia de encantadora simplicidade, há uma história singela, popular, portuguesa, dita em versos directos, certeiros, desenfeitados.

Conta-se uma lenda. Como lenda que é, trazida até hoje pela herança popular, pertence ao folclore, ao património mais íntimo da comunidade e dos costumes do nosso país.

É um tema eterno, de criação nacional e de validade perene e universal.

Nunca soube de como se chegou ao Quarteto 1111.

Uma coisa é certa: até hoje, não consegui digerir a escolha.

Legenda: a capa do disco aparece aqui por cortesia de Mr. Ié-Ié.

JORGE GIL (1945-2019)


Morreu Jorge Gil.

domingo, 8 de junho de 2014

EM ÓRBITA


Texto de Luís Pinheiro de Almeida, publicado no Público de 1 de Abril de 2000, assinalando a data da primeira emissão do Em Órbita.
Memórias dos anos 60. Quem não viveu esses anos não sabe o que foi e explicações nada adiantam...

sábado, 7 de junho de 2014

PAPÉIS DATADOS


Acabou o Em Órbita.

Em termos de gosto musical e de uma maneira de fazer rádio, influenciaram milhares de portugueses que religiosamente os ouviam.

Falo por mim.

Numa qualquer história da Rádio portuguesa que um dia se escreverá, terá de haver um capítulo que determine: antes e depois do Em Órbita.

Não ficam muito claros os motivos que levaram ao fim do programa, mas um ouvinte atento podia ir reparando que as emissões estavam a perder élan, arrastavam-se sem se pressentir um qualquer sinal dos velhos tempos.

A morte de João Manuel Alexandre, alma e coração do programa, a saída de Cândido Mota, com a sua sobriedade, a sua elegância, ajudaram a que se tenha chegado a um tempo em que o fechar do microfone emorbitiano se tornou irremediável.

Aprendi a ter uma simpatia especial pela ideia de que se gosta mais dos que, apesar de tudo e contra tudo, conseguem sobreviver e nascer de novo.

Mas a história também se faz com os que morrem.

(7 de Junho de 1971).

O Em Órbita realizou a última edição no dia 31 de Maio de 1971.

O primeiro indicativo do Em Órbita foi o instrumental Revenge dos Kinks.

Mais tarde escolheram Also Sprach Zarathustra de Richard Strauss, tema que faz parte da banda sonora do filme de Stanley Kubrik  2001: Odisseia no Espaço.

Legenda: Cândido Mota, o mais brilhante dos apresentadores do Em Órbita – um programa feito por nós e dito por mim.
A fotografia de Cândido Mota é retirada de Telefonia de Matos Maia, Círculo de Leitores, Lisboa, Maio de 1995.

                                      

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A LENDA DE EL-REI SEBASTIÃO


Pelos idos de 67, o Em Órbita lançou um convite aos ouvintes para que, por escrito, enviassem ideias e que outras músicas entendiam deviam ser passadas no programa.

O prémio consistia numa visita aos estúdios da Sampaio e Pina para presenciar, in loco, a realização do programa feito por nós e dito por mim.

Por esses tempos, andava eu enredado na música brasileira, esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer, contestação para um lado, Chico Buarque para o outro, pelo meio Gilberto Gil, Nara Leão, Caetano.

Esgalhei um arrazoado sobre essas músicas.

 Os rapazes gostaram e, nessa semana, mandaram-me aparecer por lá.

Lamentavelmente, perdi esse texto, batido à máquina, na minha velha Erika, que ainda está por aqui, como peça de museu.

Foi um belo pedaço de fim de tarde e até calhei num dia em que o alinhamento não tinha sido feito, os LPs foram saindo do armário colocados à papo seco, mas tudo aquilo eram grandes canções e, enquanto os discos rodavam o Cândido Mota, com aquele seu ar bem disposto, profissional de mão cheia, ia colocando os discos e mostrava-me o último relógio de pulso que adquirira para a sua larga colecção.

Como convidado, alinhei na votação dos melhores discos da semana. Tinha que escolher cinco mas, hoje, apenas me recordo de Dedicated To One I Love dos The Mamas and The Papas e o White Rabit dos Jefferson Airplane.

Disseram-me que aparecesse quando quisesse e assim foi acontecendo.

Com o João Manuel Alexandre nasceram laços de estima e consideração.

Numa das conversas com o João, veio à baila a ideia que existia na equipa para apresentar canções de artistas portuguesas, mas as dificuldades eram muitas, a maior delas a obrigatoriedade de não fugir à qualidade do programa.

Falei-lhe, então, do Adriano Correia de Oliveira, que nesse sábado iria realizar  uma sessão de canto (ainda não) livre, na Baixa da Banheira, em que também participavam o Carlos Paredes e o José Carlos de Vasconcelos.

Acertámos em ir falar com o Adriano.

Assistimos ao concerto, alinhámos no convívio no bar da Sociedade, muita conversa, uns queijinhos frescos, jarros de vinho tinto e aguardar o tempo para uma conversa serena com o Adriano.

Só que o Adriano era a imprevisibilidade em pessoa e no meio de tudo aquilo apareceu o escritor António Borga a dizer à malta que o Fernando Lopes Graça estava num fogo de campo na Costa da Caparica com o coro da Academia dos Amadores de Música e foi a debandada quase geral. O Adriano esqueceu a conversa.

Nada havia a fazer.

Eu, o João e a mulher regressámos a Lisboa no seu Carocha.

Não houve mais oportunidade de voltar ao assunto.
.
Poucas semanas depois dessa noite de sábado na Baixa da Banheira, assentei praça em Tavira.

Para ser preciso no dia 10 de Julho de 1967.

O Em Órbita não chegava à caserna do CISMI.

No dia 29 de Julho de 1967 o Em Órbita passava A Lenda de El-Rei D. Sebastião do Quarteto 1111.

Cândido Mota dixit:

É o sebastianismo colectivo que na lenda se retrata, a ideologia negativista dos que se alimentam da crença irracional em coisas, em valores, em poderes que não existem, dos que se deixam enganar pelos falsos Messias do oportunismo e da mistificação.

Uma tentativa honesta e inédita de lançamento das bases de uma música popular portuguesa que todos nós, em boa consciência, queremos renovada por inteira.

Temos para nós que o trecho que vamos apresentar preenche os requisitos mínimos para a sua divulgação por este programa, com todas as implicações que a sua transmissão através de "Em Órbita" acarretam.

Tendo por título "A Lenda De El-Rei D. Sebastião", é escrito por um português tocado e cantado por portugueses.

Vamos apontar o que nela se nos afigura existir de importante e de novo, focando em especial os aspectos puramente interpretativos, instrumentais e vocais.

O que neste trecho impressiona mais, o que nele se inclui de mais nitidamente inédito é que, em cima de uma melodia de encantadora simplicidade, há uma história singela, popular, portuguesa, dita em versos directos, certeiros, desenfeitados.

Conta-se uma lenda. Como lenda que é, trazida até hoje pela herança popular, pertence ao folclore, ao património mais íntimo da comunidade e dos costumes do nosso país.

É um tema eterno, de criação nacional e de validade perene e universal.

Nunca soube de como se chegou ao Quarteto 1111.

Uma coisa é certa: até hoje, não consegui digerir a escolha.

Legenda: a capa do disco aparece aqui por cortesia de Mr. Ié-Ié.