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quarta-feira, 3 de abril de 2019

OLHAR AS CAPAS


O Caso da Viúva Assustada

Erle Stanley Gardner
Fernanda Pinto Rodrigues
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 270
Livros do Brasil. Lisboa s/d

Tem meia hora antes de atender o próximo cliente disse Della Street a Perry Mason. – Pode aproveitar o intervalo para receber uma tal Mrs. Selma Anson?
Perry Mason franziu a testa, levantou os olhos do processo  que estava a ler e perguntou à secretária:
- Que quer ela, Della?
- Têm-na andado a seguir e ela quer saber o que acontecerá se esbofetear o tal indivíduo, e com força.
- Idade?
- Cinquenta e poucos anos.
- Dinheiro?
- Usa sapatos de trinta dólares, mala de crocodilo e vestuário sóbrio, mas caro. Tem aspecto cuidado e…
- Corpulenta?
- Tem uma figura muito elegante e está bem conservada. Dá a impressão de ter passado uns maus bocados e aprendido muito.
- Recebê-la-ei o tempo suficiente para ouvir a sua história. Mas você sabe como essas coisas são, geralmente: as pessoas têm a impressão de que as seguem, consultam um advogado e, às duas por três, estamos metidos com um indivíduo neurótico, que não nos larga a porta do escritório.
- Para que julga que me paga o ordenado? – perguntou Della, indignada. Sei muito bem identificar essas pessoas!
- Está bem, está bem – redarguiu Mason, a rir. – Vamos receber essa senhora e ver se você acertou ou não. Mas disponho de poucos minutos, por causa do outro cliente.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

OLHAR AS CAPAS

O Caso do Terceiro Tiro

Erle Stanley Gardner
Tradução L. de Almeida Campos
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 109
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Della Street, a secretária confidencial de Perry Mason, anunciou:
- Está na sala de espera a srª Enright A. Harlan que parece ter quaisquer dificuldades domésticas.
Mason, com ar brincalhão, espetou o polegar na direcção da porta de saída.
- Bem sei – conveio Della Street. – Já lhe dei a informação de que o senhor não toma conta de casos de divórcio, mas ela respondeu que não se tratava de um caso de divórcio. Que era pura e simplesmente um caso de dificuldades domésticas.
- Não é um divórcio?
- Foi o que ela disse.
- E não é também uma acção de separação com pagamento de pensão?
- Ela diz que não.
- Nesse caso para que quer ela um advogado?
- Disse que tinha de explicar o caso com todos os pormenores. Diz que tem um plano sobre o qual desejava falar consigo.
- E é a respeito de qualquer dificuldade doméstica?
- Exactamente.
- Ela disse-lhe de que espécie de dificuldade doméstica se trata?
- Parece que o marido a atraiçoa.
- Verifico que há qualquer coisa de excepcional a respeito dessa mulher, Della, ou você não teria adoptado uma tal atitude?
- Que atitude?
- A de desejar que eu a receba.
Della Street acenou afirmativamente.
- Porquê?

- Talvez porque gostaria de saber qual é o plano que ela tem em mente. Pode ser que me venha a servir um dia. E posso dizer-lhe ainda mais outra coisa: ela é bastante fora do vulgar.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

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O Caso da Noiva Curiosa

Erle Stanley Gardner
Tradução: Marcello de Andrade
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 29
Livros do Brasil, Lisboa s/d

A mulher estava nervosa. Durante alguns momentos, os seus olhos sustentaram o olhar do advogado; depois desviaram-se desdenhosamente para as estantes de livros enfileirados contra a parede, como os olhos de um animal que contemplasse os barrotes de uma jaula.
- Sente-se – disse Perry Mason.
Ele estudou-a com a liberdade de exame que desenvolvera durante anos de exploração dos mais escusos recessos da mente humana – não somente da das testemunhas como também da dos seus clientes.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

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O Caso do Gato Envenenado

Erle Stanley Gardner
Tradução: José Correia Ribeiro
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 84
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Os olhos do gatinho oscilavam seguindo a bola de papel que Helen Kendal acenava por cima do braço da cadeira. O gatinho chamava-se Ambar por causa da cor amarela dos seus olhos.
Helen gostava de os observar. As suas pupilas negras estavam em constante mutação, ora estreitando-se em expressão diabólica, ora alargando-se em manchas opacas de ónix. Aqueles olhos negros amarelados tinham efeito quase hipnótico sobre Helen. Depois de os observar durante alguns instantes, os seus pensamentos pareciam esvair-se. Chegava ao ponto de se esquecer dos factos próximos, tais como a data em que estava, aquela sala e o gatinho… esquecia-se até de Jerry Templar e das manias excêntricas da tia Matilde e acordava a recordar-se subitamente de coisas distantes ou muito remotas.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

OLHAR AS CAPAS



O Caso da Tia Apaixonada

Erle Stanley Gardner
Tradução: Maria de Fátima Sardo
Capa: Lima de Freitas
Colecção vampiro nº 321
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Della Street, a secretária confidencial de Perry Mason. Disse:
- Um par de pombinhos entro desgarrado pelo escritório, sem entrevista marcada. Insistem em que o assunto é de vida ou de morte.
- É sempre assim! – exclamou Mason. – Se se começa com atese de que é necessário perpetuar a vida, tem de se aceitar o inevitável corolário da morte, mas presumo que essa gente não deve estar interessada nas minhas ideias filosóficas.
- Essa gente – anunciou Della Street – está interessada uma na outra, no cantar dos passarinhos, no azul do céu, no luar prateado a incidir nas águas e no som do vento que agita os ramos das árvores.
Mason riu.
- Isso é contagioso. Você está a ficar positivamente romântica, poética, e a demonstrar, com evidência, que esteve exposta a uma doença altamente infecciosa… Bem, que diabo quererão os dois pombinhos de um homem de leis especializado em casos de assassínio.
- Eu disse-lhes que supunha que os receberia, apesar de não terem avisado previamente.
- Por outras palavras – continuou o advogado -, com a sua própria curiosidade foi despertada, decidiu espicaçar a minha. Eles disseram-lhe por que razão pretendiam ver-me?
- Uma tia viúva – ironizou Della Street – e um
Barba Azul.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Caso da Sobrinha do Sonâmbulo

Erle Stanley Gardner
Tradução: Afrânio Zucoloto
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 46

Perry Mason passeava de um lado para o outro da sala, com os polegares na cava do colete, e atesta enrugada.
- Você disse às duas horas, Jackson? – perguntou ao seu adjunto.
. Sim senhor, e recomendei-lhe que estivesse preparada.
Mason consultou o relógio de pulso.
- Quinze minutos atrasada – exclamou irritado.
Della Street, a secretária, perguntou: - Por que não se recusa a recebê-la?
- Porque quero vê-la. Um advogado tem que tratar de uma série de crimes sem interesse para conseguir algo sensacional. Este caso é singular. Quero estudá-lo
- Poderá haver um crime desinteressante? – perguntou Jackson
- Depois de você ter conhecido tantos… - respondeu Mason. – Os mortos são sempre desinteressantes. São os vivos que interessam.
Observando Mason com solicitude, Della Street observou: - Este não é bem um crime… ainda.
- Mas é igualmente fascinante – ajuntou Mason. – Não gosto de ser chamado depois dos factos se cristalizarem. Gosto de tratar com os antecedentes e com os ódios. O crime é a culminação do ódio, da mesma forma que o casamento é a culminação do amor. E afinal de contas, o ódio é mais poderoso que o amor.
- mais interessante? – perguntou ela, observando-o zombeteiramente.
Sem responder, ele recomeçou o passeio pela sala.
- Naturalmente – observou no tom maquinal de quem pensa alto – o que se deve fazer é impedir o crime, quando ele está iminente. Mas, com o meu tirocínio profissional, não posso deixar de imaginar como seria pasmoso o caso de um sonâmbulo que realmente matasse um homem, ignorando tudo o que fez. Não haveria nem malícia, nem premeditação.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Caso do Cão Uivador

Erle Stalnley Gardner
Tradução: Sónia Guimarães
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 23
Livros do brasil, Lisboa s/d

- Que diabo! – exclamou Parry Mason fatigado. – Até agora eu estive fazendo quase todo o seu trabalho de detective. Não vou fazê-lo todo. E´´E você quem ganha um ordenado para isso e não eu.
- Pelo que soubemos – disse o sargento Holcomb, - você fuoi muito bem pago, por tudo o que tem feito no caso.
Perry Mason bocejou alto.
- Sargento – disse, - esta é uma das vantagens da minha profissão, que também tem as suas desvantagens.
- Tais como? – indagou curiosos o sargento Holcomb.
- Tais como o facto de se ganhar apenas pela habilidade que se tem – observou Mason. – A única razão pela qual recebo bom dinheiro pelo que faço, é porque demonstro habilidade ao fazê-lo. Se os contribuintes só lhe pagassem quando você apresentasse bons resultados, você teria de passar fome durante alguns meses, a não ser que mostrasse mais inteligência do que a que tem demosnstrando neste caso.

quarta-feira, 14 de março de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Caso da Milionária Perigosa

Erle Stanley Gardner
Tradução: José Correia Ribeiro
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 78
Livros do Brasil. Lisboa s/d

Perry Mason estudou, com aquele interesse que os novos clientes sempre lhe suscitavam, a senhora de cabelo branco, sentada à sua frente. Esta retribuiu o olhar do advogado com um lampejo vivo que se transformou gradualmente em ligeiro pestanejar.
- Não – disse – não matei ninguém… por ora. Mas, não julgue que sou uma velhota pacífica que costuma sentar-se à lareira a fazer malha, porque não sou. Sou o que se pode chamar uma velha de antes quebrara do que torcer…
O advogado riu. – Talvez essa jovem jogadora que a faz vir falar-me esteja secundada por uma…
- Uma milionária excêntrica – declarou ela em vista da hesitação do advogado. – Vá, diga… de uma perigosa milionária excêntrica. Vi-o no Tribunal quando foi julgado o «Caso do Cão Uivador», Mr. Mason. Gostei de si, porque apreciei enormemente  a sua combatividade. Também sou bastante combativa.
Della Street, percebendo um sinal de Mason, disse para a senhora: - Queira fazer o favor de me dar o seu nome. Idade e endereço para os arquivos do nosso escritório.
- O nome é Matilda Benson – declarou a milionária- - O endereço é 1090 Wedgewood Drive. Quanto à idade, não tem nada com isso!
- Há quanto tempo fuma charuto? – perguntou Mason, com curiosidade.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Caso do Gato do Porteiro

Erle Stankley Gardner
Tradução: Carlos Vidal de Oliveira
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 40
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- Já lhe disse uma vez – observou Mason – que nunca dou o golpe no lugar em que o meu adversário espera recebê-lo.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

OLHAR AS CAPAS


O Caso das Garras de Veludo

Erle Stanley Gardner
Tradução: Hamilcar de Garcia
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 3
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- Esse é um dos riscos que eu tenho de correr. Não posso esperar que os meus clientes sejam leais para comigo. Pagam-me. E é tudo.
Della fitava-o com um olhar especulativo onde havia uma ansiosa ternura.
- Mas você insiste em ser leal para com os seus clientes não importa o quanto eles sejam canalhas.
- Naturalmente – disse ele. – É o meu dever.
- Para com a profissão?

- Não, para comigo mesmo. Sou um gladiador pago. Luto pelos meus clientes. A maioria deles não põe todas as cartas na mesa. É por isso que são clientes. Meteram-se em complicações. A mim compete livrá-los delas. Tenho que jogar limpo com eles. E não posso esperar que eles façam sempre o mesmo comigo.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

OLHAR AS CAPAS


O Caso dos Dados Viciados

Erle Stanley Gardner
Tradução: Mascarenhas Barreto
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 115
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Meia-hora mais tarde, ela sentou-se perto dele, diante da pequena lareira. Falavam em voz baixa, esperando que o telefone tocasse.
Maquinalmente, Mason prendera na mão os dedos da jovem.
- Macacos me mordam se não estou a tornar-me romântico, com a idade – disse.
- Parece-me que este pequeno apartamento foi feito para nós os dois.
Com a mão livre, Della Street afagou os fortes dedos de Mason.
- Não falemos disso, Chefe – disse ela baixinho.
- O senhor é um lutador, um solitário; adora o risco e o combate. A casa só lhe agradaria nos primeiros quinze dias. Ao fim de quatro meses, julgar-se-ia numa prisão.
- Pois bem! – disse Mason.
- Estamos ainda nos primeiros quinze dias.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

OLHAR AS CAPAS


O Caso do Olho de Vidro

Erle Stanley Gardner
Tradução: Lino Vallandro
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 33
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- Os procuradores distritais têm o hábito de desejar obter condenações. É natural. A polícia reúne as provas e depõe-as no regaço do procurador do distrito. A ele compete obter a condenação. Na realidade, a fama dum procurador do distrito baseia-se na percentagem de condenações sobre o número de processos julgados.
- Continue – disse Mason.
-Quando assumi este cargo – disse Burger – quis ser consciencioso. Tenho horror a acusar uma pessoa inocente. A sua actuação impressionou-me. Você, provavelmente, não concordará com a conclusão a que cheguei a esse respeito.
- Qual é a conclusão – interrogou mason.
- Que você é melhor detective do que advogado, e isso não importa desdouro à sua capacidade jurídica. A sua técnica forense é hábil, mas inteiramente baseada numa solução correcta do caso, previamente alcançada. Quando você recorre a estratagemas pouco ortodoxos, como parte da sua tática forense, reprovo-os; mas quando os emprega para obter uma solução correcta para o mistério, aplaudo-os. Eu tenho as mãos atadas. Não posso recorrer a táticas arbitrárias, espectaculares. Às vezes desejaria fazê-lo, especialmente quando acho que uma testemunha está a mentir acerca da identidade de um criminoso.
Mason disse lentamente:
- Uma vez que você está a ser franco para comigo, coisa que nenhum outro procurador do distrito jamais fez, vou ser franco para consigo, coisa que, diga-se de passagem, eu nunca me dei ao trabalho de fazer com qualquer outro procurador do distrito. Não pergunto a um homem se ele é culpado ou inocente. Quando consinto em representá-lo, recebo-lhe o dinheiro e trato do seu caso. Culpado ou inocente, ele tem o direito de ser defendido; mas seu chegasse à conclusão de que um dos meus clientes era realmente culpado de homicídio e não estava moral ou legalmente justificado, faria esse cliente confessar o crime e confiar-se à clemência do tribunal.