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sexta-feira, 31 de maio de 2019

OLHAR AS CAPAS



Ernest Hemingway

Stewart Sanderson
Tradução: José Manuel Simões
Capa: A. Dias
Colecção Biografia de Bolso nº 4
Editorial Presença, Lisboa

Hemnigway tem sido sempre um artífice consciencioso. No início da sua carreira passou por uma aprendizagem rigorosa, que impôs a si próprio, e tem continuado a trabalhar cuidadosa e escrupulosamente desde então. A primeira versão de O Adeus às Armas foi completada em seis meses de trabalho árduo, mas ele gastou outros cinco na revisão, e continuou a trabalhar a última página mesmo quando já estava em provas, Diz-se que leu o manuscrito de O Velho e o mar duzentas vezes, antes de o entregar aos tipógrafos.

sábado, 22 de setembro de 2018

OLHAR AS CAPAS


Ilhas na Corrente

Ernest Hemingway
Tradução: Jorge Rosa
Capa: A. Pedro
Colecção Dois Mundos nº 127
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- Tom, meu inútil, que tens tu feito?
- Tenho trabalhado afincadamente.
- Já esperava isso de ti – disse ele, mordiscando de novo o pimentão. Era um pimentão muito enrugado e murcho, com cerca de 15 centímetros.
- Só a primeira é que dói – disse. É como o amor.
- Qual quê! Os pimentões fazem doer de ambos os lados.
- E o alor?
- Prò inferno com o amor – disse Thomas Hudson.
- Que sentimento! Que maneira de falar! No que te estás tu a transformar, afinal? Numa vítima do delírio pastoril nesta ilha?
- Aqui não há ovelhas, Johnny.
- Então dos pastores de caranguejos – disse Johnny. – Não queremos que algum dia sejas levado na rede ou coisa parecida. Experimenta um destes pimentões
- Já experimentei – disse Thomas Hudson.
- Oh, conheço o teu passado – disse ele – Não me venhas com o teu ilustre passado. Se calhar inventaste-os. Eu sei, Provavelmente foste tu quem os introduziu na Patagónia às costas de iaque. Mas eu represento os tempos modernos. Ouve, Tommy, tenho pimentões destes recheados com salmão, com bacalhau, com atum chileno, com peito de rola mexicana, com carne de perú e toupeira. Eles põem o recheio que lhes apetece e eu compro. Faz-me sentir assim uma espécie de potentado qualquer. Mas tudo isso é uma perversão. Nada há de melhor do que simplesmente este longo pimentão murcho, que não inspira nem está recheado e que nada promete, com molho castanho de chupango. Malandro – e tornou a bufar com a língua enrolada. – Daquela vez tive um fartote de ti.
E bebeu um trago impressionante de «Tom Collins».
- Deram-me um pretexto para beber – explicou. – Tenho de refrescar o diabo da boca. E tu, que tomas?
- Posso tomar mais um gin com água tónica.

domingo, 6 de agosto de 2017

OLHAR AS CAPAS


O Velho e o Mar

Ernest Hemingway
Tradução Jorge de Sena
Capa e Ilustrações: Bernardo Marques  
Edição Livros do Brasil, Lisboa Abril 2002

Sempre pensava no mar como la mar, que é o que o povo lhe chama em espanhol, quando o ama. Às vezes, aqueles que gostam do mar dizem mal dele, mas sempre o dizem como se ele fosse mulher. Alguns dos pescadores mais novos, os que usam bóias por flutuadores e têm barcos a motor, comprados quando os fígados de tubarão davam muito dinheiro, dizem el mar, que é masculino. Falavam dele como de um antagonista, um lugar, até um inimigo. Mas o velho sempre pensava no mar como feminino, como algo que entrega ou recusa favores supremos, e, se tresvariava ou fazia maldades era porque não podia deixar de as fazer. A lua influi no mar como as mulheres, pensava ele.

terça-feira, 14 de março de 2017

OLHAR AS CAPAS


Fiesta

Ernest Hemingway
Tradução: Jorge de Sena
Capa: José Antunes
Colecção Universal Unibolso nº 46
Editores Associados, Lisboa s/d

Pela manhã desci o boulevard até à Rue Soufflot para tomar café e um brioche. Estava uma manhã linda. Os castanheiros dos jardins do Luxemburgo estavam em flor. Sentia-se a agradável expectativa matinal de um dia quente. Com o café, li os jornais e depois fumei um cigarro. As floristas vinham do mercado, compondo o fornecimento quotidiano. Estudantes subiam a rua para a Faculdade de Direito ou desciam para a Sorbona, O boulevard estava cheio do movimento dos carros e de gente a caminho do trabalho. Meti-me num autocarro S e fui até à Madeleine, de pé na plataforma traseira. Da Madeleine, passeei-me pelo Boulevard des Capucines até à Ópera, e dirigi-me para o meu escritório. Cruzei-me com o homem das rãs saltadoras e o homem dos bonecos que jogam o boxe. Desviei-me para não passar por cima do fio com que a rapariga ajudante fazia mexer os pugilistas. Ele nem olhava, segurando o fio nas mãos fechadas. O homem incitava dois turistas a que comprassem. Três turistas mais tinham parado a ver. Segui atrás de um homem que empurrava um cilindro que imprimia a palavra «CINZANO» no passeio, em húmidas letras. Passava gente para o trabalho, constantemente. Sabia bem ir para o trabalho. Atravessei a avenida e virei para o meu escritório.

sexta-feira, 10 de março de 2017

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Paris É Uma Festa

Ernest Hemingway
Tradução: Virgínia Motta
Capa: Infante do Carmo
Colecção Dois Mundos nº 90
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Assim terminou a primeira parte da minha existência em Paris. Paris nunca mais voltou a ser a mesma cidade, embora continuasse a ser Paris. Nós mudáramos, tal como a cidade. Nunca mais voltámos ao Voralberg e o mesmo se verificou com a gente rica.
Paris é imortal e as recordações das pessoas que lá vivem diferem de umas para as outras. Acabamos sempre por voltar, sejamos nós quem formos, ou mude Paris no que mudar, ou sejam as dificuldades ou as facilidades que, ao regressarmos, se nos deparem. Paris vale sempre a pena, pois somos sempre compensados de tudo o que lhe tivermos dado. Mas Paris era assim nos velhos tempos em que nós éramos muito pobres e muito felizes.

quarta-feira, 16 de março de 2016

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O Jardim do Paraíso

Ernest Hemingway
Tradução: Guilherme de Castilho
Capa: José Teófilo Duarte
Círculo de Leitores, Lisboa, Março de 1998

Na estrada reluzente que subia entre os pinheiros, quando saiu do hotel, sentia o esticão nos braços e nos ombros e o impulso dos pés curvos contra os pedais quando subia sob o sol ardente com o cheiro dos pinheiros e a leve brisa que vinha do mar. Inclinou o corpo para a frente, apoiou-se levemente nas mãos e sentiu o ritmo desconcentrado no princípio da subida começar a suavizar quando passou o marco dos cem metros e depois o primeiro sinal vermelho dos quilómetros e depois o segundo. No promontório a estrada virava para seguir à beira-mar e ele travou e apeou-se e pôs a bicicleta ao ombro e desceu com ela pela vereda até à praia. Encostou-se a um pinheiro q exalava o cheiro a resina no dia quente e desceu para os rochedos e despiu-se e arrumou as sapatilhas com os calções, a camisa e o boné e mergulhou das rochas no mar fundo e frio e transparente.

sábado, 9 de janeiro de 2016

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As Verdes Colinas de África

Ernest Hemingway
Tradução Guilherme de Castilho
Capa: Infante do Carmo
Edição Livros do Brasil, Lisboa s/d

- E quem são os bons escritores?
- Os bons escritores são Henry James, Stephen Crane e Mark Twain. Esta não é a ordem do seu valor. Não há uma escala para os bons escritores.
- Mark Twain é um humorista. Os outros não conheço.
- Toda a literatura americana vem de um livro de Mark Twain chamado Huckleberry Finn. Se o ler deve parar onde o negro Jim é roubado aos rapazes. Aí é realmente o fim. O resto é uma fraude. Mas é o melhor que até à data tivemos. Todos os escritores americanos provêm daqui. Não há nada antes. Não houve nada tão bom depois disso.

sábado, 8 de agosto de 2015

OLHAR AS CAPAS



Contos de Nick Adams

Ernest Hemingway
Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues e Alexandre P. Torres
Livros do Brasil, Porto, Maio de 2015

- Morrer é difícil, paizinho?
- Não. Creio que é muito fácil, Nick. Mas depende.
Estavam sentados no barco, Nick à popa e o pai a remar. O Sol começava a espreitar por cima dos montes. Uma perca saltou e descreveu um círculo na superfície do lago. Nick meteu a mão na água e deixou-a arrastar. A água estava tépida no frio cortante da manhã.
Ao atravessar o lago de manhãzinha, sentado à popa do barco e com o pai a remar, teve a certeza de que nunca morreria.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

OLHAR AS CAPAS



O Adeus às Armas

Ernest Hemingway
Tradução e prefácio de Adolfo Casais Monteiro
Editora Ulisseia, Lisboa s/d

Para o fim do Verão daquele ano vivíamos numa aldeia que, para lá do rio e da planície, confrontava as montanhas. No leito do rio havia seixos e pedregulhos secos e brancos ao sol e a água clara corria suavemente pelos canais. Passavam tropas em frente da casa e desciam a estrada, e a poeirada que levantavam cobria as folhas das árvores. Os troncos das árvores estavam também cobertos de pó e as folhas caíram cedo naquele ano e víamos as tropas marchando pela estrada fora e o pó que se levantava e as folhas levantadas pela brisa caíam sobre os soldados em marcha e depois a estrada deserta e branca sem nada além das folhas.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

OLHAR AS CAPAS


Por Quem os Sinos Dobram

Ernest Hemingway
Tradução: Monteiro Lobato
Revisão: Alfredo Margarido
Capa: Bernardo Marques
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Há um ano que combato pelo que julgo certo. Se vencermos aqui, venceremos por toda a parte. O mundo é belo e merece que se lute por ele, e dói-me deixá-lo. E no entanto tu tiveste tanta sorte em ter uma vida tão boa. Sim, foi uma vida tão boa como a do teu avô, se bem que seja mais curta. Sim foi uma vida como as melhores, graças a estes últimos dias. Não te queixes já que tiveste tanta sorte. Mas gostaria que houvesse um meio de transmitir o pouco que aprendi.