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sábado, 2 de janeiro de 2016

OLHAR AS CAPAS



Vida Terrena

Félix Cucurull
Edição bilingue
Tradução: António de Macedo
Prefácio: Carlos de Oliveira
Capa: Espiga Pinto
Colecção Poesia e Ensaio nº 12
Editora Ulisseia, Lisboa, Abril de 1966

Era uma vez…

… é uma história sem feiticeiras,
sem  sapatinhos que se perdem e se encontram;
sem reis, sem princesas,
sem Ilhas Afortunadas.
Talvez toda, talvez em parte
se pareça com outras histórias que alguém sabe,
histórias repetidas em voz baixa
porque estamos na hora do medo,
na hora do silêncio…

Também eu tenho de calar-me;
há gente de mais a ouvir.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

CAPAS DA ULISSEIA


São muitos os livros da Ulisseia que fazem da parte da biblioteca da casa.
A maior parte a aguardar entrada na janela de Olhar as Capas.
Aqui ficam algumas das capas dos livros que Joaquim Figueiredo Magalhães fez publicar na Editora Ulisseia.
Muitos deles nunca traduzidos.
Tradução de Helder de Macedo, Prefácio sobre o autor de José Cardoso Pires, capa de Rocha de Sousa
No prefácio, Cardoso Pires, manifesta o seu fascínio pela escrita de Vailland e exalta a figura do libertino a que voltará em A Cartilha do Marialva também publicado pela Ulisseia.


Tradução de José Blanc de Portugal, Capa de António Garcia. 

                                                 


Tradução de Carlos Vieira, Capa de António Garcia


Tradução de Virgílio Martinho, Capa de Espiga Pinto


Tradução de Serafim Ferreira, Capa de Sebastião Rodrigues


Colecção Atlântida nº10, Capa de Vespeira

segunda-feira, 31 de março de 2014

OLHAR AS CAPAS



Poesia Portuguesa do Pós-Guerra 1945-1965

Antologia organizada por Afonso Cautela e Serafim Ferreira
Capa: Espiga Pinto
Colecção Poesia e Ensaio nº 8
Editora Ulisseia, Lisboa, Outubro de 1965

Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro

Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Do longo relatório irrecusável

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento

E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas

- Pedra    rio    vento    casa
Pranto    dia    canto    alento
Espaço    raiz    e    água
Ó minha pátria e meu centro

Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo


(Este poema, Pátria, de Sophia Mello Breyner Andresen, pertence ao Livro Sexto mas foi retirado desta Antologia)

terça-feira, 24 de setembro de 2013

OLHAR AS CAPAS



Estou Vivo e Escrevo Sol

António Ramos Rosa
Orientação gráfica: Espiga Pinto
Colecção Poesia e Ensaio nº 11
Editora Ulisseia, Lisboa Março de 1955

                                                              ao Ruy Belo

Eu escrevo versos ao meio-dia
e a morte ao sol é uma cabeleira
que passa em fios frescos sobre a minha cara de vivo
Estou vivo e escrevo sol 

Se as minhas lágrimas e os meus dentes cantam
no vazio fresco
é porque aboli todas as mentiras
e não sou mais que este momento puro
a coincidência perfeita
no acto de escrever e sol

A vertigem única da verdade em riste
a nulidade de todas as próximas paragens
navego para o cimo
tombo na claridade simples
e os objectos atiram suas faces
e na minha língua o sol trepida 

Melhor que beber vinho é mais claro
ser no olhar o próprio olhar
a maravilha é este espaço aberto
a rua
um grito
a grande toalha do silêncio verde 

sábado, 21 de abril de 2012

OLHAR AS CAPAS



Poesia portuguesa do Pós Guerra 1945-1965

Antologia organizada por Afonso Cautela e Serafim Ferreira
Orientação gráfica: Espiga Pinto
Editora Ulisseia, Lda, Lisboa Outubro 1965

Em Nambuangongo tu não viste nada
não viste nada nesse dia longo longo
a cabeça cortada
e a flor bombardeada
não tu não viste nada em Nambuangongo.

Falavas de Hiroxima tu que nunca viste
em cada homem um morto que não morre.
Sim nós sabemos Hiroxima é triste
mas ouve em Nambuangongo existe
em cada homem um rio que não corre.

Em Nambuangongo o tempo cabe num minuto
em Nambuangongo a gente lembra a gente esquece
em Nambuangongo olhei e fiquei nu. Tu
não sabes mas eu digo-te: dói muito.
Em Nambuangongo há gente que apodrece.

Em Nambuangongo a gente pensa que não volta
cada carta é um adeus em cada carta se morre
cada carta é um silêncio e uma revolta.
Em Lisboa na mesma isto é a vida corre.
E em Nambuangongo a gente pensa que não volta.

É justo que me fales de Hiroxima.
Porém tu nada sabes deste tempo longo longo
tempo exactamente em cima
do nosso tempo. Ai tempo onde a palavra vida rima
com a palavra morte em Nambuangongo.

Manuel Alegre de A Praça da Canção


Nota do editor:
Durante o mês de Abril, irei apresentando uma série de livros que me acompanharam durante os tempos da ditadura.
Livros que, por isto ou por aquilo, ajudaram a formar uma consciência cultural e política.
A sua aparição não obedece a algum critério, e, naturalmente, muitos livros e autores irão ficar de fora. 

quinta-feira, 1 de abril de 2010

OLHAR AS CAPAS



Praça da Canção

Manuel Alegre

2ª edição
Prefácio de Mário Sacramento
Capa de Espiga Pinto.
Colecção Poesia e Ensaio Nº 18
Editora Ulisseia, Lisboa  s/d

NAMBUANGONGO MEU AMOR

Em Nambuangongo tu não viste nada
não viste nada nesse dia longo longo
a cabeça cortada
e a flor bombardeada
não tu não viste nada em Nambuangongo

Falavas de Hiroxima tu que nunca viste
em cada homem um morto que não morre.
Sim nós sabemos Hiroxima é triste
mas ouve em Nambuangongo existe
em cada homem um rio que não corre.

Em Nambuangongo o tempo cabe num minuto
em Nambuangongo a gente lembra a gente esquece
em Nambuangongo olhei a morte e fiquei nu. Tu
não sabes mas eu digo-te: dói muito.
Em Nambuangongo há gente que apodrece.

Em Nambuangongo a gente pensa que não volta
cada carta é um adeus em cada carta se morre
cada carta é um silêncio e uma revolta.
Em Lisboa na mesma isto é a vida corre.
E em Nambuangongo a gente pensa que não volta.

É justo que me fales de Hiroxima.
Porém tu nada sabes deste tempo longo longo
tempo exactamente em cima
do nosso tempo. Ai tempo onde a palavra vida rima
com a palavra morte em Nambuangongo.