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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

QUOTIDIANOS


O neto foi despedir-se dos avós, agora que ia de férias com os pais.
- Manda-nos um postal, disse a avó.
- O que é um postal, vó?...

sábado, 5 de maio de 2012

QUOTIDIANOS


Em alguns dos domingos dos anos 60/70 tínhamos um ritual: apanhar o vai-vem do cacilheiro, e ir a Cacilhas comer berbigões.

Ainda há cacilheiros, já não há berbigões como os daqueles tempos, agora são uns berlindes e apenas casca.

Miolo?

Zero!

Mesmo que queiramos atravessar a rio, há que contar os cêntimos.

O Damião, meu vizinho de cima, juntamente com o Expresso do dia 14 de Abril, deixou-me um suplemento especial: Férias e Viagens.

Percorro as atractivas fotografias, os inesperados e belíssimos itinerários.

Sim, planear férias.

Por sinal, o começo do editorial do Diário de Notícias de hoje, rezava assim:

Nos últimos seis meses, a vida não parou de agravar-se para um número considerável de portugueses. E as perspetivas de futuro, para muitos mais: o desemprego alastra; a cobertura, em montante e em tempo, do seguro de desemprego - vulgo, subsídio - diminui a olhos vistos; o incumprimento de pagamentos está a tornar-se epidémico; o desânimo e a falta de verbas afundam o consumo e o investimento; as sopas dos empobrecidos, o apoio aos sobreendividados e insolventes, a multiplicação dos gestos de solidariedade iluminam um dia a dia de carências e desalentos agravados. Esta realidade, à vista de todos, pesa no estado de alma dos portugueses que, em grande número, se interrogam quanto ao sentido e o fim de tudo isto.

Como dizia o Manuel da Fonseca, quando chega domingo faço tenção de todas as coisas mais belas que um homem pode fazer na vida.

Pode ser que se contem os cêntimos, pode ser que os passos deslizem para a beira-rio,
pode ser que o vai-e-vem do cacilheiro nos leve até à outra margem e fiquemos a olhar a cidade…

Pode ser… sim, pode ser…

terça-feira, 31 de agosto de 2010

LIVROS PARA FÉRIAS

Não há livros para férias. O que existe são pessoas que só lêem nas férias, mesmo assim, as que lêem.

O meu pai tinha a teoria que ler era uma tarefa de todo o ano e as férias deveriam ser aproveitadas para ler clássicos. Foi assim que leu “À Procura do Tempo Perdido” de Marcel Proust, o “Ulisses”de James Joyce, as “Confissões” de Rousseau, estes são os que me lembro.

As listas de livros para férias que os jornais e revistas publicam nos começos de cada verão são apenas um “fait-divers”.

È normal as gentes dizerem, como desculpa para mão lerem, que durante o ano não têm tempo. Apenas conseguem todo o tempo do mundo para se encharcarem, diariamente, com lixo televisivo.

Ler exige esforço, concentração, vontade, o sabermos que o gosto pela leitura necessita de trabalho, muito trabalho e não se apanha como uma gripe. O meu avô dizia, fia-te nos que gostam de ler e desconfia sempre dos que dizem que não têm tempo para ler, como também me dizia para desconfiar dos abstémios, porque eles escondem qualquer coisa de sinistro.

Sabedorias do meu avô…

Percorre-se o areal de uma praia, passamos pelas suas esplanadas e alguém a ler um livro é como encontrar agulha num palheiro. A lerem jornais ainda se encontram alguns a lerem revistas-cor-de-rosa são como enxames, mas livros…

Sabe-se que, em média, um português não lê um livro por ano.

A incultura permitiu uma ditadura de quase 50 anos, permite agora que qualquer um se arvore em político, em primeiro-ministro, em presidente da república, gente hábil que se formaram em contar histórias a camelos, gente que quando ouve falar de cultura não puxa logo da pistola, mas cospe para o lado…

O fracasso de não pensar é sempre uma consequência do não ler.

Uma professora de liceu desabafava: “intelectuais na escola são os que lêem “A Bola” porque os outros não lêem nada”

Isto foi há meia de dúzia e porventura já nem “A Bola”, hoje, lêem.


Num programa de televisão, de há muitos anos, o Raul Solnado perguntava a um miúdo se gostava de ler e o miúdo respondeu-lhe: 

"Evito"

Camilo Castelo Branco deixou escrito:

“A poderosa razão que o lavrador Roberto Rodrigues
opunha para não mandar ensinar a ler o filho, era -
que ele pai também não sabia ler, e mais arranjava
lindamente a sua vida. Esta vinha a ser a razão capi-
tal, reforçada por outras subalternas e praticamente
bastante persuasivas.
- Se o rapaz souber ler – argumentava triunfantemente
o idiota – assim que chegar a idade, às duas por três,
fazem-no jurado, regedor, camarista, juiz ordinário,
juiz de paz, juiz eleito. São favas contadas. Depois,
enquanto ele vai à audiência ou à Camara, a Cabeçais,
daqui uma légua, os criados e os jornaleiros ferram-se
a dormir a sesta de cangalhas à sombra dos carvalhos,
e o arado fica também a dormir no rego. E ademais,
isto de saber ler é meio caminho andado para asno e
vadio.
E citava exemplos, personalizando meia dúzia de bre-
jeiros que sabiam ler e eram mais asnos e vadios que
os analfabetos.”


Terão razão os que dizem que a leitura será sempre uma questão de minorias?

Terão razão os que dizem que não se vive para ler, lê-se somente para melhor viver?

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Antigamente Lisboa, em Agosto, era um deserto. Agora está como sempre.

Uma mão chega, e sobra, para contar as vezes que, em Agosto, tirei férias. Setembro quase sempre, Julho algumas vezes.

Os cinemas faziam ciclos de “reprise”, nos restaurantes não havia necessidade de prévia marcação, percorriam-se mais uns passos para encontrar um quiosque de jornais aberto, mas andar, dizem os cardiologistas, faz bem à saúde. Andava-se pela cidade como por uma pacata aldeia do país, sem tropeções nem encontrões, o sol e a claridade das manhãs lisboetas, as livrarias, sem fala-baratos, tinham um ar de recolhimento que permitiam um olhar mais demorado pelos escaparates, um mais longo passar de olhos pelas páginas dos livros.

Mas agora é como nos outros meses. As dívidas das famílias obriga-as à não possibilidade de saírem para onde quer que seja, outros repartem as férias ao longo do ano.

Os Agostos de Lisboa não têm nada a ver com os Agostos de outrora.

Quando Ramalho Ortigão viajando pelas termas e praias de Portugal escrevia a Eça de Queiroz dando conta da frescura, do silêncio dos sítios por onde passava e o Eça, com uma ponta de inveja, a dizer-lhe meu caro, nada que chegue à sombra de um quarteirão de Lisboa.

Legenda: Imagem encontrada aqui.