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domingo, 20 de janeiro de 2019

OLHAR AS CAPAS


Terna é a Noite

F. Scott Fitzgerald
Tradução: Cabral do Nascimento
Capa: João da Câmara Leme
Colecção Contemporânea nº 31
Portugália Editora, Lisboa, Março de 1962

Na costa aprazível da Riviera francesa, a cerca de meio caminho entre Marselha e a fronteira italiana, fica um vasto hotel imponente, pintado de cor-de-rosa. Várias palmeiras lhe refrescam a frontaria pesada, e diante dele estende-se uma praiazinha deliciosa. Ainda há dez anos era pouco frequentado, depois da debandada da clientela inglesa, mas há pouco tempo tornou-se ponto de reunião de banhistas ilustres e elegantes, e já o rodeiam inúmeros bangalós. Quando, porém, se inicia esta história há apenas uma dúzia de vivendas antigas, e os seus telhados jazem como nenúfares apodrecidos no meio do pinhal denso que vai do Hotel Gausse ou dos Estrangeiros até Cannes, a cinco milhas de distância.

sábado, 19 de janeiro de 2019

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Já não conseguirei colocar aqui todas as capas dos livros que constituem a Biblioteca da Casa.
Por exemplo, falta a capa de Terna é a Noite de F. Scott Fitzgerald.
Será amanhã colocada, porque o intuito deste Relacionado é ouvir Tony Bennett, rapaz muito cá de casa e o tal começo do livro referido no conto de Antonio Tabucchi e a esse conto regresso:

«Então eu começava, por entre os primeiros sinais de impaciência, o Gino parava de servir para não incomodar, ouvia-se apenas a voz de Tony Bennett e o marulhar do Mediterrãneo: Na bonita costa da Riviera francesa, a meio caminho entre Marselha e a fronteira italiana, surge um hotel cor-de-rosa, grande e soberbo. Palmeiras deferentes refrescam-lhe a fachada rosada, à sua frente entende-se um breve praia ofuscante. Recentemente tornou-se um ponto de encontro de Verão de gente elegante e na moda; dez anos atrás, quando em Abril a clientela inglesa se deslocava para o Norte, estava quase deserto…»

OLHAR AS CAPAS


O Jogo do Reverso

Antonio Tabucchi
Prefácio: José Cardoso Pires
Tradução: Maria José de Lencastre, Maria Emília Marques Mano, José Colaço
                   Barreiros
Capa: Rogério Petinga
Livros Quetzal, Lisboa, Abril de 1999

À noite falávamos de Fitzgerald ouvindo Tony Bennett que cantava Tender is the Night. Do filme, para dizer a verdade, ninguém tinha gostado, nem sequer o senhor Deluxe, embora não fosse de gostos difíceis. Mas o Tony Bennett tinha uma voz «pungente como o romance», e o Gino tinha de voltar a pôr o disco uma quantidade de vezes. Inevitavelmente pediam-me o início do livro, todos achavam delicioso que eu soubesse de cor o início dos romances de Fitzgerald: só os inícios, que eram uma das minhas paixões. O senhor Deluxe, sério como de costume, pedia silêncio, eu procurava esquivar-me, mas não era possível dizer que não, o disco do Tony Bennett tocava em surdina, o Gino tinha servido os bacardis, eu olhava fixamente para ti, tu sabias qua quele início te era dedicado, era quase como se tivesse sido eu a escrevê-lo, acendias um cigarro na boquilha, também aquilo fazia parte da representação, brincavas à flapper, mas não tinhas nada de uma flapper, nem a franja, nem as meias de rayon e muito menos o espírito; tu pertencias a outra categoria, poderias ter entrado talvez num romance de Drieu, ou de Pérez- Galdós, tinhas um sentimento trágico da vida, talvez fosse o teu egoísmo sem solução como um castigo.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

POSTAIS SEM SELO


Quando te sentires com vontade de criticar alguém, lembra-te disto: nem todos tiveram neste mundo as vantagens que tu tiveste.

F. Scott Fitzgerald em O Grande Gatsby

Legenda: F. Scott Fitzgerald

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

RECADOS


Scott Fitzgerald ainda viveu quatro anos depois de escrever A Fenda Aberta.
Esteve em Hollywood a fazer argumentos para o cinema (nunca filmados como os imaginou); mandou histórias curtas a jornais (todas incluíveis entre o mai banal da sua produção); iniciou The Last Tycoon, romance (que não teve fôlego para cabar; apaixonou-se por Sheilah Graham – perdi a faculdade de esperar nestes caminhos que levam aos asilos da Zelda, deixou escrito num caderno de notas – (versão pobre e oxigenada das elegâncias das suas heroínas); e em 21 de Dezembro de 1940 sofreu um ataque cardíaco (a que o seu corpo minado pelo álcool não soube resistir).
Foi poupado, no entanto, à morte de Zelda. Morte de oito anos mais tarde – ela doida, de não haver nada a fazer-lhe – sufocada e consumida por chamas num incêndio do manicómio que a internava.
Numa carta, Hemingway tinha-lhe certo dia dado um conselho difícil: esquece, esquece lá a tragédia pessoal… Não és personagem de tragédia. Nem eu. Não passamos, ambos, de escritores…

Aníbal Fernandes, posfácio em A Fenda Aberta.

OLHAR AS CAPAS


A Fenda Aberta

F. Scott Fitzgerald
Prefácio, Tradução: Aníbal Fernandes
Capa: Augusto T. Dias
Colecção Memória do Abismo nº 7
Hiena Editora, Lisboa, Janeiro de 1986

Vou conseguir viver em moldes novos, apesar de ter levado alguns meses a certificar-me disto. E tal como esse risonho estoicismo que permitiu ao negro americano suportar condições de vida intoleráveis mas lhe sacrificou a noção de verdade – também no meu caso um preço tenho de pagar. Já não sinto simpatia por carteiros, merceeiros, chefes de redacção, maridos da prima e a vida agora vai-me ser mais fácil de viver; “Cave canem” (1), tenho sempre escrito por cima da porta. Vou tentar ser um animal correcto, o mais possível, e olhem: se me atirarem um osso com bastante carne agarrada, quem sabe lá se não sou capaz de vos lamber a mão.


(1)  Cuidado com o cão, em latim (Nota do T.).

quarta-feira, 8 de julho de 2015

OLHAR AS CAPAS


O Grande Gatsby

F. Scott Fitzgerald
Tradução e Prefácio: José Rodrigues Miguéis
Capa: Antunes
Círculo de Leitores, Lisboa, Fevereiro de 1987

O Gratsby acreditara na luz verde, no orgíaco futuro que, ano após ano, foge e recua diante de nós. Se hoje nos iludiu, pouco importa: amanhã correremos mais depressa, alongaremos mais os braços… Até que uma bela amanhã…
Assim vamos teimando, proas contra a corrente, incessantemente cortando as águas, a caminho do passado que não volta.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

À CONVERSA...


F. Scott Fitzgerald:

- Sabes, Ernest, os ricos são diferentes de nós.

Ernest Hemingway:

- Sim , eu sei. Têm mais dinheiro do que nós.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

FRAGMENTOS


Possivelmente, Marilyn Monroe fez mais esforços para ler o Ulisses de James Joyce do que muita gente que diz que o leu e nunca acabou, ou sequer começou.

Por mim falo e digo que nunca o acabei e poucos esforços tenho feito para que lhe conheça o meio quanto mais o fim.

Em 1999, o exemplar de Ulisses que pertenceu a Marilyn Monroe, foi vendido por 7100 euros num leilão da Christie's.

A sua biblioteca era constituída por perto de quinhentos livros.

O já citado Ulisses estava por lá, e tinha por companhia obras de Dostoievesky, Jack Kerouac, Yeats, Samuel Beckett, Tolstoi, Walt Whitman, Rainer Maria Rilke, Bernard Shaw, Ernest Hemingway, Tennessee Williams, D.H. Lawrence, F. Scott Fitzgerald, John Steinbeck.

Marilyn Monroe deixou um inventário que inclui fotografias, recortes de jornais, poemas, frases, cartas, notas várias.

Os papeis e fotografias datam de 1943, e vão até aos dias que antecederam a sua morte.

Parte de todo este material foi publicado em livro, no final do ano passado, nos Estados Unidos. Os editores chamaram-lhe Fragments: Poems, Intimate Notes, Letters.

Do mundo de lendas que sempre envolveram, e envolvem, Marilyn, conta-se que um dia, em conversa com um amigo, terá tirado do bolso, um pequeno diário de capa vermelha a que chamava o seu livro de segredos.

Nesse livrinho, entre muitas outras coisas, falava dos planos de Kennedy para matar Fidel de Castro, de testes atómicos, das relações de Frank Sinatra com a Máfia, do movimento dos negros pelos direitos de igualdade, conversas que Marilyn ouviu enquanto conviveu com os Kennedys.

Naturalmente este livro de segredos não consta de Fragments: Poems, Intimate Notes Letters.

Diz, quem já o leu, que Fragments, não é a essência da literatura,  mas permite concluir que Marilyn não foi, exclusivamente, a loura burra que que a indústria de Hollywood construiu e impingiu à opinião pública de todo o mundo.

Um símbolo sexual torna-se um objecto. Eu detesto ser um objecto disse a actriz.
O escritor António Tabucchi  (1943-2012), escreveu o prefácio para a edição francesa do livro,  e observa:

No interior deste corpo vivia a alma de uma intelectual e poeta de que ninguém tinha um pingo de suspeita.

Nos filmes que Billy Wilder realizou com Marilyn, opinião minha, os melhores dos seus filmes, a actriz fez a cabeça em água a Wilder, mas este sabia o diamante que tinha entre mãos:

Penso que ela é a melhor actriz cómica ligeira que temos no cinema hoje em dia, e qualquer pessoa sabe que a comédia ligeira é o mais difícil dos estilos de representação.

Deus deu-lhe tudo.

Obviamente que Billy Wilder, sabia do que falava.

No diário das filmagens do Let’s Make Love , Marilyn confessava:

De que é que eu tenho medo? Porque é que tenho tanto medo? Porque penso que não sei representar? Sei que sei representar, mas tenho medo. Tenho medo e sei que não devo ter, e não quero ter. Mas tenho.

Em 1948, Tom Kelley fotografou-a nua sobre veludo vermelho, que daria lugar ao celebérrimo calendário das paredes de todas as garagens do mundo.

Quando muitos anos mais tarde, um jornalista perguntou-lhe se ela não se envergonhara da ousadia de ter posado para Tom Kelley, Marilyn respondeu:

Tinha fome!

E, sarcasticamente, não deixou de acrescentar:

Porquê? Não gosta do vermelho?

Sabe-se, ou pensa-se que se sabe, que todos morremos a cada dia que passa.

Mas os dias de Marilyn foram tecendo o suicídio organizado em que a sua morte se transformou.

O tal seu livro dos segredos, o livro de capa vermelha, constituía material demasiado perigoso para que, impavidamente, o clã kennedyano assistisse à possibilidade de se tornar público.

Tenho a certeza de que acabarei louca se continuar a viver neste pesadelo, terá dito a actriz naqueles seus tempos de depressão, que irão culminar na noite em que tomou todos os tubos de comprimidos que tinha e não tinha, tal como sugere Ruy Belo no poema que dedicou à sua morte.

Poderá perguntar-se:

Tomou?