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quinta-feira, 23 de maio de 2019

NESSE ANO E MÊS


Nesse ano e mês chamaram de Lisboa
era o pai de meu pai
morrendo velozmente ao telefone

eu ouvia os gritos baterem
nas portas da cristaleira

quis chamar Deus para convencê-lo
a suspender o voo
mas já ia longe para lá de Alfeizerão (1)

espero agora que a monotonia e a chuva
Tornem à minha vida

um pouco é de supor mais intrigante

(     (1)  – à velocidade soube depois/de 1.500 Match/como um relâmpago verde

Fernando Assis Pacheco em Variações em Sousa

Legenda: imagem Shorpy

terça-feira, 19 de março de 2019

DITO A MEU PAI EM TEMPO DE AGONIA



1.
A tua tristeza delicada
o teu cabelo enfim branco

as cadeiras onde te sentas
com um jornal no regaço

o amor violento a breve zanga
desapontada

esse marégrafo no paredão
para medir os meus agravos

2.
A poesia que por ti
em certas noite soluçava

a tua letra já molhada
despedaçando-se na mata

a saudade bordada a fio grosso
no camuflado

o olhar brando e tudo o que não dizes
e eu feito num oito adivinhava

Fernando Assis Pacheco em Variações em Sousa

Legenda: fotografia da revista Time

sábado, 18 de agosto de 2018

O MEU AVÔ NÃO LIA VERSOS


Teve pois que deixar a hortinha
que tanto amava e a fogueirinha do lar
e veio uma primeira vez descendo a corda
do litoral e como era moço moço
quis lá saber dos versos
da senhora Rosalía de Castro
parecia-lhe o país jeitoso
as raparigas tinham modos
suaves e de uma sem remédio
enamorou-se logo

mas isso foi da segunda vez
quando já era o garboso dono
da mula do seu comércio
em Sangalhos acharam-no um intruso
fizeram-lhe uma espera a tiro
safou-se com habilidade enfim casou

o neto é que muitos anos depois
chorava por ele ao ler na adolescência
téñovos pois que deixar
arboriños que prantei
fontiña campanas Virxe d’a Asuncíon
com um aperto no corazón

Fernando Assis Pacheco em Variações em Sousa

quarta-feira, 9 de maio de 2018

F.A.P. FECIT


Este livro é teu que me aturaste
desvairos saüdades amorios
desde o primeiro mal cozinhado verso
ó cúmplice
um que me lê com respeito e vagar
a quem devo chamar prestante amigo
neste mundo de tanta cabronada
o livro é o que é nenhum enleio
nenhuma assinatura a baixo preço
não estou nessa tal lista e tem também
a confissão banal dos mil cagaços
de morrer (dores intercostais músculos
caindo na barriga da perna)
como se eu fosse à noite um filho terno
e teu, leitor, que o não desamparaste

                        *
Peçam a grandiloquência a outros
acho-a pulha no estado actual da economia

                        *
E não sublinhem o que não escrevi

                        *
A ti compadre irmão saúdo e já termino
com só o fósforo duma estrela
na lixa do fim da tarde

Fernando Assis Pacheco em Variações em Sousa

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

POETA NO SUPERMERCADO


1.

Indignar-me é o meu signo diário.
Abrir janelas. Caminhar sobre espadas.
Parar a meio de uma página,
erguer-me da cadeira, indignar-me
é o meu signo diário.

Há países em que se espera
que o homem deixe crescer as patas
da frente, e coma erva, e leve
uma canga minhota como os bois.
E há os poetas que perdoam. Desliza
o mundo, sempre estão bem com ele.
Ou não se apercebem: tanta coisa
para olhar em tão pouco tempo,
a vida tão fugaz, e tanta morte...
Mas a comida esbarra contra os dentes,
digo-vos que um dia acabareis tremendo,
teimar, correr, suar, quebrar os vidros
(indignar-me) é o meu signo diário.

2.

Um homem tem que viver.
E tu vê lá não te fiques
– um homem tem que viver
com um pé na Primavera.


Tem que viver
cheio de luz. Saber
um dia com uma saudade burra
dizer adeus a tudo isto.
Um homem (um barco) até ao fim da noite
cantará coisas, irá nadando
por dentro da sua alegria.


Cheio de luz – como um sol.
Beberá na boca da amada.
Fará um filho.
Versos.
Será assaltado pelo mundo.
Caminhará no meio dos desastres,
no meio dos mistérios e imprecisões.
Engolirá fogo.


Palavra, um homem tem que ser
prodigioso.
Porque é arriscado ser-se um homem.
É tão difícil, é
(com a precariedade de todos os nomes)
o começo apenas.

Fernando Assis Pacheco em A Musa Irregular

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

A BELA DO BAIRRO


Ela era muito bonita e benza-a Deus
muito puta que era sempre à espera
dos pagantes à janela do rés-do-chão
mas eu teso e pior que isso néscio desses amores
tenho o quê? quinze anos
tenho o quê uns olhos com que a vejo
que se debruçava mostrando os peitos
que a amei como se ama unicamente
uma vez um colo branco e até as jóias
que ela punha eram luzentes semelhando estrelas
eu bato o passeio à hora certa e amo-a
de cabelo solto e tudo não parece
senão o céu afinal um pechisbeque

ainda agora as minhas narinas fremem
turva-se o coração desmantelado
amando-a amei-a tanto e sem vergonha
oh pecar assim de jaquetão sport e um cigarro
nos queixos a admiração que eu fazia
entre a malta não é para esquecer nem lá ao fundo
como então puxo as abas da farpela
lentamente caminho para ela
a chuva cai miúda
e benza-a Deus que bonita e que puta
e que desvelos a gente
gastava em frente do amor


Fernando Assis Pacheco em Variações em Sousa

sexta-feira, 3 de março de 2017

SERIA O AMOR PORTUGUÊS



Variações sobre um fado

Muitas vezes te esperei, perdi a conta,
longas manhãs te esperei tremendo
no patamar dos olhos. Que me importa
que batam à porta, façam chegar
jornais, ou cartas, de amizade um pouco
— tanto pó sobre os móveis tua ausência.

Se não és tu, que me pode importar?
Alguém bate, insiste através da madeira,
que me importa que batam à porta,
a solidão é uma espinha
insidiosamente alojada na garganta.
Um pássaro morto no jardim com neve.

Nada me importa; mas tu enfim me importas.
Importa, por exemplo, no sedoso
cabelo poisar estes lábios aflitos.
Por exemplo: destruir o silêncio.
Abrir certas eclusas, chover em certos campos.
Importa saber da importância
que há na simplicidade final do amor.
Comunicar esse amor. Fertilizá-lo.
«Que me importa que batam à porta...»
Sair de trás da própria porta, buscar
no amor a reconciliação com o mundo.

Longas manhãs te esperei, perdi a conta.
Ainda bem que esperei longas manhãs
e lhes perdi a conta, pois é como se
no dia em que eu abrir a porta
do teu amor tudo seja novo,
um homem uma mulher juntos pelas formosas
inexplicáveis circunstâncias da vida.

Que me importa, agora que me importas,
que batam, se não és tu, à porta?

Fernando Assis Pacheco em A Musa Irregular

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

MAL DE PÁTRIA


Se temos nove dez poetas
à escala europeia
ou só quatro ou mesmo talvez
com muito boa vontade três

aflige-me bastante menos
que o problema do Serra:
quantas queijeiras restam
fiéis à rude bordaleira?
para onde vai Portugal?

Fernando Assis Pacheco em A Musa Irregular

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

OLHAR AS CAPAS


A Musa Irregular

Fernando Assis Pacheco
Capa: Rui André Delídia
Colecção Ideias e Atitudes nº  18
Hiena Editora, Lisboa, Fevereiro de 1991

Ó Anna Lüsa Uski minha dama de antanho
o que é feito da tua bizarria
continuas bela como na fotografia?
eu quando penso em ti ainda tenho

dentro do pobre coração torcaz
aquele bicho a roer devagarinho
tu eras só pen pal mas tanto faz
mais sede não se tem de um pucarinho

não te perdoo que ficasses por lá
em Likkolampi casando com um qualquer
como pudeste ó Anna ser tão má?
yours sincerely já te chamava mulher

mais tarde eu fiz catorze anos
o amor era no meu peito como um lenho
quereis saber críticos vós fulanos?

inda me arrepia esta dama de antanho

domingo, 27 de março de 2016

PÁSCOA


A senhora tia alisa a toalha
põe sobre ela talheres muito antigos
herdados dos avós que a terra come

quantos anos passados deste dia
ainda estaremos como agora juntos
na cozinha de Sangalhos
entre o fumo da lenha seca
e o cheiro misturado
das carnes e das hortaliças
que acabam de ferver mo fogo esperto

minha mãe diz um dito qualquer
seca a vista embaciada
eu venho do pátio
certamente cantando

o tio – as urinas presas
no laço da bexiga –
conta uma história
da guerra 14
do vizinho morto jovem
como ele Manuel sorte infeliz

ao tempo que isto foi

Fernando Assis Pacheco em Respiração Assistida

segunda-feira, 21 de março de 2016

OLHAR AS CAPAS



Respiração Assistida

Fernando Assis Pacheco
Organização: Abel Barros Baptista
Posfácio: Manuel Gusmão
Capa: Bárbara Assis Pacheco
Assírio & Alvim, Lisboa, Novembro de 2003

O que vai ser avô saúda-vos
parentes meus
mudos sob a terra guardados
em roupas que sobraram nas gavetas
papeleiras inúteis
pratas deformadas

velhas fotos severas
numa delas meu pai menino
de pé no seu bibe escolar
e a cara tão séria
que jamais perdeu
mesmo quando sorria

minha mãe moça magra
o que se dizia bem posta
vinda nesse ano
de Melias em Ourense
aturdida com a festa
que as minhas filhas
foram conhecer comigo
e como ela bonitinhas

mas depois chega a morte
adeus Cazurro barqueiro
adeus sr. Santiago A. A. Mendes
-nome comercial- adeus tios Eládios
logo dois um deles meu tio-avô

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

OLHAR AS CAPAS


Variações Em Sousa

Fernando Assis Pacheco
Capa: Augusto T. Dias
Hiena Editora, Lisboa, Maio de 1987

F.A.P. FECIT

Este livro é teu que me aturaste
desvairos saüdades amorios
desde o primeiro mal cozinhado verso
ó cúmplice
um que me lê com respeito e vagar
a quem devo chamar prestante amigo
neste mundo de tanta cabronada

o livro é o que é nenhum enleio
nenhuma assinatura a baixo preço
não estou nessa tal lista e tem também
a confissão banal dos mil cagaços
de morrer (dores intercostais músculos
caindo na barriga da perna)
como se eu fosse à noite um filho terno
e teu, leitor, que o não desamparaste

Peçam a grandiloquência a outros
acho-a pulha no estado actual da economia

E não sublinhem o que não escrevi

A ti compadre irmão saúdo e já termino
com só o fósforo duma estrela
na lixa do fim da tarde

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

GENÉRICO


E tu, meu pai? Adivinho esses vidros
das lágrimas quebrando
um a um na boca triste mas
por dentro, para que digamos
mais tarde, sem invenção escusada:
o pai não chorou.

Eu soube das tuas fúrias
(ler silêncios) e da forma
por que te pões às vezes tão de cinza.
O barco, o barco. Ficaremos
ainda estes minutos quantos.
Do que quiseres. E como quiseres.
Fala. Mas nada de telegramas
para depois da barra
- posso não os abrir,
juro que posso.
Se fosses um amigo, se estivesses
em frente de um copo.
Se eu fosse um lábio tranquilo.
Custava menos. Assim
deslizas a unha
pelo tecido da farda, inútil
dedo terno com os olhos longe.
O pai, que não chorou, tremia
de modo imperceptível.

Lembro-me da bebedeira
em Alpedrinha, na estalagem,
com o Luís
subitamente velho.
“Tramados, pá, tramados.”
O carro falha, são as velas
os platinados sujos
“a puta que o pariu” (Luís).
Um último aceno só vinho
para estes adolescentes
ao balcão do bar e depois e depois?

Mas o pai não chora.
Segura-me pelo braço, não chora.
Eis o filho
dos anos meus incorruptíveis.
Nasceria de uma pedra.
Longe do mundo é que ele nasceu.
E não mo tires nunca
ó cegos capitães!

Meia hora antes o pai
filmou o Tejo, as tropas.
Era um barco, um barco onde ele ia.
Era um barco cheio".

Fernando Assis Pacheco em Ctalabanza Quilolo e Volta.

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia

quinta-feira, 30 de julho de 2015

OLHAR AS CAPAS


Catabalanza Quilolo e Volta

Fernando Assis Pacheco
Capa: A.J. Cortez Pinto
Centelha Editora, Coimbra, Maio de 1976


NÃO DORMIAS, NÃO DORMES

(1)
    Olha, Nambuangongo! As bombas explodem na mesa de cabeceira.

(2)
    Mais de um vi eu que se lhe prendiam as fezes e saía cá para fora falando alto contra o regime (leia-se alimentar)

(3)
   Num sábado fui para um morro à espera da coluna, se soubesses o que a gente imagina, imagina tudo, imagina que uma cabra duma bala ou um estilhaço ou uma bailarina e depois a gente tristemente põe-se a fumar, mija de manso no camuflado, grita coisas que são versos para 1980, ah.

(4)
   Eu mostrar-te-ia o Quengue, o Camecungo aprendi depressa uma guerra e digo: algum dia hás-de ouvir-me, digo que mão dormias, não dormes, quem dorme é o Luiz Pacheco mas a esse desculpo e empresto vintes.

(5)
   Olha, a picada do Huong. Julgas que tirei, se tiram fotografias? Aquilo a gente, vai, volta, e sossegadinhos. Tem capim desta altura!

(6)
   As bombas – e tu se calhar crês que não – explodiam na mesa de cabeceira. Literalmente. Explodiam às três e às quatro. Morri uma sexta-feira, uma quinta, no dia seguinte davam-se massas ao faxina para recolher tudo para o balde – ossos, tripas tudo.

(7)
   Por favor olha: onde estive, onde o capim passava do ombro, a morte passava e a melancolia.

OLHAR AS CAPAS


Câu Kiên: Um Resumo

Fernando Assis Pacheco

Capa: A.J. Cortez Pinto
Edição do Autor, Lisboa, Maio de 1972

NÃO DORMIAS, NÃO DORMES

(1)
    Olha, Câu Kien! As bombas explodem na mesa de cabeceira.

(2)
    Mais de um vi eu que se lhe prendiam as fezes e saía cá para fora falando alto contra o regime (leia-se alimentar)

(3)
   Num sábado fui para um morro à espera da coluna, se soubesses o que a gente imagina, imagina tudo, imagina que uma cabra duma bala ou um estilhaço ou uma bailarina e depois a gente tristemente põe-se a fumar, mija de manso no camuflado, grita coisas que são versos para 1980, ah.

(4)
   Eu mostrar-te-ia Bac Ai, Than Van Phuc, Song My, aprendi depressa uma guerra e digo: algum dia hás-de ouvir-me, digo que mão dormias, não dormes, quem dorme é o Luiz Pacheco mas a esse desculpo e empresto vintes.

(5)
   Olha, a picada do Hinda. Julgas que tirei, se tiram fotografias? Aquilo a gente, vai, volta, e sossegadinhos. Tem capim desta altura!

(6)
   As bombas – e tu se calhar crês que não – explodiam na mesa de cabeceira. Literalmente. Explodiam às três e às quatro. Morri uma sexta-feira, uma quinta, no dia seguinte davam-se massas ao faxina para recolher tudo para o balde – ossos, tripas tudo.

(7)
   Por favor olha: onde estive, onde o capim passava do ombro, a morte passava e a melancolia.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O CU DE MARUXA


Um cu que se desvela em Agosto em Ourense
redondo para olhar um cu magnificente
um cu como um bisonte
o teu cu Maruxa adivinhado num restaurante

eu rimo tanto cu que trago na memória
o teu fará por certo mais história
é um cu para a glória é nena impante

rodando na cadeira el’ deixa-nos suspensos
quase presos Maruxa pelos beiços

lembra-me nédio raxo assim forte de febra
lêveda e alva nas Burgas cozinhando
se de soslaio agora se requebra

é como canta Maruxa! igual que um pássaro
ao qual neste mesón péssoro vénia
teu ouriflâmio cu me faz insónia

Fernando Assis Pacheco em Variações em Sousa

Legenda: ilustração de Stuart Carvalhais

sábado, 30 de agosto de 2014

O QU' É QUE VAI NO PIOLHO?


Segundo Balcão dos Bombeiros


Nesse tempo eu já lera as Brontë mas
como era um adolescente retardado
passava a noite em atrozes dilemas
que  mais vale: amar, ser doutrem amado?

ainda não descobrira o simples disto
nem o essencial disto que é tão claro
se tudo no amor vem do imprevisto
deitar regras ao jogo pode sair caro

por isso eu amo e sou ou não benquisto
depende do instante bem ou mal azado
amor tem alegria, tem enfaro
o happy end é coisa dos cinemas

Fernando Assis Pacheco em Variações em Sousa, Hiena Editores, Lisboa, Maio de 1987

Legenda: Gaumomd Cinema em Liverpool-

terça-feira, 10 de setembro de 2013

POSTAIS SEM SELO


quero-te de bicicleta
quero-te outra vez de bicicleta sobre as folhas
quero-te ouvir chegar de bicicleta
quero o som macio que fazia na mata a tua bicicleta

Fernando Assis Pacheco extracto do poema Últimos Desejos em Variações em Sousa, Hiena Editora, Lisboa Maio de 1987

Legenda: Brigitte Bardot.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

DESVERSOS


Um comboio pode esconder outro
evita os filmes de terror
deixa o Annapurna em paz
cuidado com o sal e as gorduras
não atravesses no amarelo
morrer é mais do que suficiente


Fernando Assis Pacheco em Respiração Assistida, Assírio & Alvim, Lisboa Novembro 2003

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

SONETOS


Legenda: postal que faz parte de uma colecção posta à venda em 2007 durante uma exposição sobre Fernando Assis Pacheco, na Casa Fernando Pessoa, para assinalar os seus 70 anos.