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quinta-feira, 29 de março de 2018

OLHAR AS CAPAS


F de Fiama

Fiama Hasse Pais Brandão
Capa: Vitor Paiva
Colecção Letra Viva nº 1
Editorial Teorema, Lisboa, Abril de 1986

Simétrico

Novembro tem o sol de verão no verso, na face,
e a varanda antiga assemelha-se a todas as imagens.
A tríade de seres que atravessa a praç
é actual, e senil como são os plátanos.
Só a escavação revela a gruta onde revejo sons. Sombras. Platão permite-me
negá-lo e rever olissipo neste tempo. Observo na toponímia os sítios
e a população  existe na antroponímia. Inicio o dia,
sendo na face e no verso já dezembro
e estou no claustro da praça, uma manhã.

sábado, 30 de setembro de 2017

OLHAR AS CAPAS



Poesia 71

Selecção de Fiama Hasse Pais Brandão e Egito Gonçalves
Capa: Armando Alves
Editorial Inova, Porto, Junho de 1972

Dois Poemas

I

Nem sei estimar das tuas vestes sem costura
o fito e a alba
ou louvor da tala dos instantes
um só vermelho.
pelas moradas ledas e subtis
à passagem dos castos e escolhidos
                                                                    sustenidos
dos lidos
nada soube
que mais que o sáurio verde não prossiga.
Nem escolhido é o signo por lavrado
Entre a testa e o chão
No húmido verdor dalguma víscera.
Se casas são plantadas com perícia
e arrematados autos lautos
louvados por tão cautos
seja a lhaneza desta a palha da debulha
o verde devolvido em amarelo.
É que não sei dos nomes com firmeza
mais que o início quedo e boçal talo
nem companhia posso ou artefactos
que o langor da lagarta não assista
que não consinta o emergir dos catos.

II

No entretanto do tempo é que o verde resiste
o interstício manso a prova do contínuo
que quebra o passo e mais que o acrescenta
o assegura; se a roda começou
e do metal a terra é estreita         diminui
e de redonda à recta se afeiçoa
pelo verde o sabemos      no intervalo
dum ponto a outro ponto
do recado
da boca a outra boca   da fissura
entre o nome e o feito vertical.
No caule o facto osso e a semente
no espaço a obra de metal e a folha crua.


(Poemas de Maia Velho da Costa publicados no suplemento «Literatura e Arte» de A Capital)

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

OLHAR AS CAPAS


Os Chapéus de Chuva

Fiama Hasse Pais Brandão
Prefácio: Urbano Tavares Rodrigues
Colecção de Teatro Minotauro nº 3
Editorial Minotauro, Lisboa s/d

CONFERENCISTA, lendo por um texto. – Senhor Presidente, caros colegas, meus senhores: o homem é um ser social. Sem dúvida, o homem nasce, cresce e morre em sociedade. Sem a sociedade o homem não pode subsistir. As instituições administrativas, as instituições políticas e todas as demais instituições que pressupõem a reunião de mais que um indivíduo, nasceram do íntimo do homem, do seu pensamento, ou digamos antes, do seu sentimento social. O pensamento político é um estado de consciência social. O pensamento político é um estdao de consciência social. Um estado e um acto. A cultura, a civilização, a aproximação entre os homens e entre os povos, assentam em coordenadas sociais.
O fenómeno social, é por assim dizer, o fenómeno básico do todo humano. Ora de que necessita o todo humano para subsistir em equilíbrio e harmonia?
 Necessita sobre tudo que o indivíduo se realize em solidariedade.
Meus senhores, eis a palavra-chave capaz de penetrar a muralha dos séculos, de transpor os abismos do espaço e cingir em uníssono o globo habitado. Eis a palavra-passaporte do homem civilizado. – Solidariedade.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

OLHAR AS CAPAS


(Este) Rosto

Fiama Hasse Pais Brandão
Iniciativas Editoriais, Lisboa, 1970

(O Sino)

Perde-se o verão, já crescem
à beira de ervas muros
ciprestes as faixas verdes
secas os abetos.

Pelas paisagens entra-se na fala:
nomeio os pastos térreos
as campas vivas (o cemitério longe
é o real) tonalidades
da tarde os vários bandos
velos de lã (rebanhos
nesses campos são reais).

Antes do tempo perde-se esse tempo
- o pensamento vive
que o destrói – secam os fenos
o sino irrompe (tange o seu fim
o tempo a realidade).