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terça-feira, 19 de maio de 2020

CONVERSANDO


Somerset Maugham colocou no seu romance O Mundo é Pequeno esta epígrafe:

«É, pois curta a vida do homem e estreito o canto da terra onde ele vive.»

Não tem indicação de autor, e até poderá ser do próprio Somerset Maugham.

Os governantes vão-nos dizendo que, aos poucos, podemos regressar aos nossos quotidianos.

Mas há tantas limitações!...

Não consigo ver como se pode viver assim…

E há o medo… sobretudo o medo…

O Jorge Silva Melo, como só ele sabe escrever (o texto completo pode encontrá-lo em Coffeepaste), mostra-nos as dificuldades que há nestas tentativa de viver… normalmente…

«Os teatros podem abrir daqui por uns dias, sim.

Mas serão teatros?

Ou só umas fachadas a fingir que vivemos “normalmente”?

Pode haver teatros se não há cidade? E a cidade – que nestes últimos anos de cruzeiros à porta morria da desenfreada especulação e se desertificava – não foi isso que morreu?

Pode haver cidade se não houver abraços?

Vivi a minha adolescência numa cidade – Lisboa – onde era proibido beijarmo-nos na rua. E sonhava com Paris onde os “os rapazes e raparigas da minha idade / caminhavam a dois e dois/ e sabiam o que era ser feliz / e de olhos nos olhos, de mão na mão / não tinham medo do amanhã”, tão linda a Françoise Hardy.

Pode haver rua, pode haver cidade, pode haver teatro se tivermos – como temos – medo?»

quinta-feira, 3 de maio de 2018

ETECETERA


Há muito que os políticos estão descredibilizados.

Hélas!

Uma série desses ditos, tem feito tudo para que os cidadãos não lhes tenham respeito, neles terem deixado de acreditar.

Por uns – e eles são tantos! – pagam outros.

Sempre assim foi e não há volta a dar.

O último triste exemplo dá pelo nome de Manuel Pinho ex-ministro da economia de um governo de José Sócrates.

Entre outras variantes, Manuel Pinho é suspeito de ter recebido 15 mil euros mensais dessa coisa tenebrosa que dava pelo nome de Grupo Espírito Santo, ao mesmo tempo que recebia o respectivo vencimento ministerial.

A comunicação social estranha que Manuel Pinho ainda não tenha dito nada sobre tão escabroso caso.

Mas dizer o quê?

Que é tudo mentira?

Que não passa de mais uma cabala jornalística?

Manuel Pinho iniciou funções de ministro da Economia em Março de 2005 e, a partir de Outubro do ano seguinte, passou a acumular com as retribuições deste cargo público uma quantia mensal de 14 963,94 euros paga pelo Grupo Espírito Santo. A informação de tais transferências, de um saco azul do GES para uma sociedade offshore de Manuel Pinho no Panamá, acaba de ser incorporada no inquérito-crime onde são investigadas decisões do ex-ministro que custaram ao Estado e valeram à EDP 1,2 mil milhões de euros.

Manuel Pinho acabou por pedir a demissão de ministro quando, na Assembleia da República, num episódio lamentável, desenhou com as mãos, um par de cornos ao deputado comunista Bernardino Soares.

Uma atitude miserável, desprezível que agora talvez se perceba melhor: o homem queria sair da governação, não sabia bem como e resolveu-se pela ordinarice.
Recorde-se que Manuel Pinho foi administrador executivo do Banco Espírito Santo  de 1994 a 2005. Próximo de Ricardo Salgado e membro da Comissão Executiva do BES, era igualmente administrador de outras sociedades do GES até tomar posse como ministro.

«Em 10 de Março de 2005, cessei a minha relação profissional com o BES/GES, uma vez que aceitei o convite para integrar o XVII Governo.»

Terá , agora, que prestar contas.

Mais um processo que terá eventual resolução lá para as calendas gregas.

UMA RAPARIGA DO MEU TEMPO

Françoise Hardy, aos 74 anos, lançou o seu 2º disco, Personne d’Autre
«com a elegância e melancolia habituais», escreveu João Gobern no Diário de Noticias:

Disse em tempos:

«Creio ter chegado ao ponto em que a inspiração não me visita com a frequência indispensável. Teria de acontecer algo de verdadeiramente inesperado, quase insólito, que me levasse a regressar aos estúdios. E também que houvesse um forte sopro de energia, que me permitisse ultrapassar os problemas de saúde que me afligem nestes tempos mais chegados.»

Mas são águas passadas.

Regressa como nunca.

O que levou João Gobern  a desabafar:

«Não há ninguém como Françoise.»

Assino por baixo.


Legenda: o artigo de Pedro Adão e Silva foi publicado no Expresso de 28 de Abril de 2018.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

FRANÇOISE HARDY


Esteve sempre nas canções dos primeiros amores de todos os rapazes e raparigas da sua idade, de outras idades, toda uma multidão que hoje é convocada para cantar congratulações pelas 70 primaveras de Françoise Hardy.

Caramba! como o tempo voa!...

A idade da inocência ou o que não se consegue explicar porque não há palavras e porque tempos daqueles, de tão vividos, matéria indefinível de sonhos, não se podem explicar.

Escreveu o Manuel António Pina:

… eu estou velho para tudo, aproximo-me a grande velocidade de tudo e nunca mais serei o mesmo nem serei diferente.




Há sempre um ou outro filho que pergunta:

- Ouve lá então é esta a música de que tanto falas?..

A resposta gaguejante :

- Não, não é esta, é a que ouvi quando tinha 18 anos!...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

17 DE JANEIRO DE 2007



Neste dia, há quatro anos, uma quarta-feira, nasceu a Maria.

Nos céus, a Lua estava em quarto crescente e encaminhava-se para a fase nova que ocorreu no dia 19 pelas 04,01. O sol nasceu às 07:43 e o ocaso registou-se às 17:37. No porto de Lisboa, a preia-mar verificou-se às 01:42 e 14:09 e a baixa-mar às 07:44 e 19:57.

O “Borda d’Água” colocava a caracteres negros que 17 de Janeiro era um “Dia Auspicioso” e informava que durante o mês de Janeiro se devem plantar girassóis nos jardins, que se podem colher as violetas, os amores perfeitos, as camélias, os jacintos, as túlipas e dizia também: “Procura a virtude desde Janeiro e viverás com ela o ano inteiro.”

O “Público” deste dia trazia na 1ª página que os radares em Lisboa detectavam três mil condutores por dia em excesso de velocidade, que em Carcavelos deverá ser construído o novo “El Corte Inglês”, e que os portugueses poderiam ter que suportar novos custos na electricidade.

Nas notícias do país destaque para a condenação a seis anos de cadeia do sargento Gomes, pai adoptivo que sequestrou uma criança que se encontrava em paradeiro desconhecido. O psicólogo Luís Villas-Boas” comentava que a decisão era um “absurdo jurídico, esta menina é uma vítima anunciada. Arrancá-la a quem lhe deu biberão e mudou as fraldas é quase um rapto emocional.”
Cavaco Silva prosseguia a sua viagem oficial à Índia, No noticiário internacional o destaque ia para um duplo atentado em Bagdad que matou 70 alunos e professores de uma universidade,

Nas páginas de Desporto sabia-se que os 40º centigrados, registados em Melbourne, levaram ao cancelamento de vários jogos do “Open da Austrália” em ténis. Antes da interrupção dos jogos, a russa Maria Sharapova quase derreteu ao sol.

O Canal 1 da RTP, às 23,20 H, na sua “Lotação Esgotada” passava “Desejos finais” um “thriller” de Phil Joanou com Richard Gere, uma simplesmente incandescente Kim Basinger e a não menos insinuante Uma Thurman.

Nas páginas interiores ficava a saber-se que o Partido Socialista iria gastar 598 mil euros na campanha eleitoral do referendo sobre o Aborto e que os adeptos do “Não” os gastos chegam aos 635 mil euros.

Título da pág. 18: “Ninguém explica por que é que o 112 parou em três distritos.” E ficava a saber-se que Ana Gomes acusava Luís Amado de travar investigações aos voos da CIA. Passados quatro anos, sabe-se o porquê.

O título de 1ª página do “Diário de Notícias” revelava que os novos impressos da Declaração de IRS não obrigam à declaração de compra de bens imóveis acima dos 250 mil euros.

Nas páginas interiores o “Diário de Notícias”, citando o “El País” informava que Fidel de Castro sofreu uma grave infecção intestinal e que já fora submetido a três operações e o que o seu estado é considerado “muito grave”. O médico espanhol que observou Fidel de Castro, dizia que a informação era infundada. O clínico tinha razão: passados quatro anos Fidel de Castro mantém-se vivo.

De 18 a 21 de Janeiro iria decorrer a 16ª Feira do Fumeiro e do Presunto do Barroso.

A Companhia de Teatro de Coimbra Camaleão-Associação Cultural”, levava à cena, no Teatro da Comuna, em Lisboa, duas peças do poeta norte-americano Russell Edson:“As Crianças” e “Os que Rastejam”.

A RTP revelava a lista dos dez Grandes Portugueses que iriam ser defendidos por diversas personalidades num programa com o mesmo nome.

Carlos Pereira Santos, em “A Bola”, indignava-se por dessa lista não constar Eusébio – “Alguém extasiou mais a nação do que Eusébio?”

Em Paris,neste mesmo dia, mas 63 anos antes, nascia Françoise Hardy.

Os jornais diários custavam 90 cêntimos.