Mostrar mensagens com a etiqueta Francis Ford Coppola. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Francis Ford Coppola. Mostrar todas as mensagens

domingo, 3 de janeiro de 2016

PORQUE HOJE É DOMINGO


Do Fundo do Coração não é um filme de Natal.
Mas acho que fica bem nesta quadra.
Aliás, fica bem em qualquer tempo.
Bom domingo!


terça-feira, 14 de outubro de 2014

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


Sou um coppoliano inveterado.

Coppola é um homem em quem se pode confiar: faça filmes, faça vinho, o que quer que seja.

Filme para a tal ilha deserta?
Indubitavelmente One From The Heart.

Vinte e seis milhões de dólares, de que se recuperou um milhão e que levou à falência a Zoetrope.

Quem corre por gosto não cansa.
 Poucos filmes de Coppola existirão que não estejam rodeados de lendas, algumas de desgraça.


Por norma, os filmes incompreendidos pelas maiorias são os melhores.


Um 4 de Julho em Las Vegas, amores e desamores, uma extraordinária banda sonora composta por Tom Waits, por ele interpretada a que se junta Cristal Gayle e o resultado é um dos mais belos filmes da história do cinema, um acto de amor, de ternura, de vontade, do fundo do coração.
Um filme fascinante, um mergulho na luz, no som e no desencanto, belo até às lágrimas
.
Hollywood sempre olhou Coppola de soalaio.

Não gostaram de o ouvir dizer:

O cinema não é só para ver. O cinema é para amar. E quem não ama o cinema guarda, no seu íntimo, qualquer coisa de inacabado e, quem sabe? Uma discreta dose de imbecilidade.

Tudo isto para vos dizer que amanhã a Cinemateca exibe One From the Heart e se há filmes que apenas podem ser vistos numa sala escura, este é um deles:

ONE FROM THE HEART

DO FUNDO DO CORAÇÃO

de Francis Ford Coppola

com Frederic Forrest, Teri Garr, Raul Julia, Nastassja Kinski, Harry Dean Stanton
Estados Unidos, 1982 - 100 min

Legendado em português | M/12
Sala Dr. Félix Ribeiro 15,30 Horas

Com esta feérie romântica, Coppola propôs-se reinventar o musical numa Las Vegas de estúdio e com grandes inovações técnicas. Aqui tentou fazer nascer a sua companhia, a Zoetrope, e aqui se afundou economicamente o realizador, mesmo que o filme tenha ficado como uma das obras mais decisivas dos anos oitenta. É o filme de Coppola com a célebre banda musical de Tom Waits e Crystal Gayle, com, entre outras canções, I Beg Your Pardon, This One’s from the Heart e a canção que abre o álbum entretanto editado que começa ao som da moeda a cair.


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?



Leitor atrasado de jornais que já disse que sou, só hoje passei os olhos pela  crónica de Manuel S. Fonseca no suplemento Actual do Expresso de 1 de Outubro.

A linhas tantas escreve:

“No Peggy Sue de Coppola, a deliciosa Kathleen Turner viajava no começo e renecontrava-se com o avô, um simpático maçon. Fascinada com o rituaol me o avnetalinho, pedia-lhe uma lição para  ávida. Se voltasse atrás, tinha cuidado melhor dos meus dentes, conforta-a ele.

Eu bem quero fugir, mas volta e meia, vejo-me  a dar razão a Mr. Ié-Ié, quando sarcasticamente diz que há bruxas!, há bruxas! há bruxas!.

Claro que já não estão lembrados, mas a propósito do meu pai, fui buscar este diálogo do Peggy Sue Casou-se.

Se fosse vaidoso, ou melhor: se fosse tão idiota como António José Seguro, secretário-geral do Partido Socialista, dava uma pequeníssima volta ao texto e parafraseava-o:

Verifico com agrado que Manuel S. Fonseca tem estado atento e seguido os meus textos, neste blogue.

Claro que não é nada disso. É certo que o “Cais do Olhar” tem milhares de viajantes que o lêem. mas nem tanto ao mar nem tanto á terra.

Já agora: Manuel S. Fonseca é um homem que sabe de cinema, gosto de ler os seus textos, delicio-me com as crónicas que, semanalmente, publica no Expresso, mas nunca me hei-de esquecer que, como responsável de cinema nos primeiros anos da SIC, permitiu o crime de os filmes exibidos serem mutilados ao ponto de não deixarem correr os créditos.

Sou dos que ficam numa sala de cinema até à última palavra dos créditos, muitas vezes, enfrentando os olhares das trabalhadoras que querem proceder à limpeza da sala.

Aprendi assim, e estou velho para mudar!

Legenda: imagem de The Mayfair, velho cinema do sul de Liverpool tirada daqui.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?



Por vontade própria, o meu pai reformou-se tarde.

Já tinha, há algum tempo, passado os 65 anos, quando colocou um ponto final na carreira de jornalista-gráfico, como gostava de se considerar.

Passámos, então, a ter um tempo que até aí não existira e, pelo menos, uma vez por mês, arrancávamos para uma jantarada, mais regada do que o resto, que terminava sempre com conversas “non-sense”, que iam desde o marxismo-leninismo ao carrapito da D. Aurora, do Benfica às pernas da Cyd Charisse.

Por vezes a jantarada era antecedida de sessão de cinema.

Juntos, vimos, no Fórum Picoas. as Recordações da Casa Amarela do João César Monteiro, - e o que nos divertimos! -, juntos também, (não) vimos no Londres a adaptação cinematográfica da Insustentável Leveza do Ser. Ao fim de vinte minutos de filme, olhou para mim e disse: vamos embora!.

Apanhámos um táxi para Alcântara e aterrámos no Cuidado Com o Degrau, um restaurante que, penso, já não existe.

Marxista-leninista convicto, gostava particularmente de Sartre e, e lia-o em francês. O livreiro Carvalho, da Livraria Clássica Editora, nos Restauradores, ao lado do então Cinema Eden, , conseguiu arranjar-lhe os seis primeiros volumes de Situations e sempre disse:

Mais vale estar errado com Sartre do que ter razão com Aron.

Não admira as cócegas que sentiu vendo o filme saído do livro do Milan Kundera. 
  
Pelo meu lado li Sartre, As Palavras é um livro que marcou muito os meus passos, mas sempre fui mais Albert Camus.

Há dias, ao rever Peggy Sue Casou-se, um filme mal-amado, ou melhor dito: pouco citado,  de Francis Ford Coppola, dono e criador de obras inescapáveis, topei com o diálogo de uma maravilhosa Kathleen Turner com o avô:

- Avô!
Sabe, quando o senhor e a avó morrerem a família morre convosco. Não voltarei a ver os primos.

- O “strudel “da tua avó é que mantém esta gente unida.

- Se pudesse voltar a fazer tudo de novo, avô, que faria de modo diferente?

- Trataria melhor dos meus dentes

Este tratar melhor dos dentes, mandou-me para idênticas palavras do meu pai  (estaria a citar Coppola? Não sei!), numa das jantaradas,  quando a conversa  terá entrado pelo velho beco do se eu soubesse o que sei hoje, se voltasse atrás, blá,blá,blá, e ele muito peremptório a afirmar que faria tudo, mas mesmo tudo, o que fizera, com uma única excepção: 

Trataria melhor dos meus dentes."

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


Numa das cenas mais fortes – e elas são tantas -  de "Apocalypse Now", esse extraordinário filme de Francis Ford Coppola, (1979), sobre a intervenção norte-americana no Vietnam, um coronel de cavalaria (espantoso Robert Duvall) diz para os soldados que o rodeiam:

“Adoro o cheiro a napalm pela manhã. Tem o cheiro da vitória.

 Enquanto monologa com os soldados que o rodeiam, os helicópteros atacam e destroem uma aldeia vietnamita ao som  da “Cavalgada das Valquírias” de Wagner.
De cócoras, em tronco nu, para além do cheiro a “napalm”, o coronel louco, disserta  sobre a onda perfeita para praticar “surf”.
A loucura, os ensandecidos personagens de uma guerra cruel, exemplarmente caracterizados e denunciados por Coppola.

Como é que um povo de anões conseguiu derrotar o poderio bélico dos Estados Unidos.?

“Empenhamos, nesta guerra, o nosso poderio e a nossa honra nacional, o Presidente Johnson em 1965.

Em Março de 2002, centenas de horas de conversas, gravadas na Casa Branca, foram tornadas públicas. Como esta de Richard Nixon com Henry Kissinger, seu secretário de Estado:

“Nixon: Mais valia usar a bomba atómica no Vietname.
Kissinger: Isso, julgo, seria ir longe demais.
Nixon: A bomba atómica perturba-o? A única coisa em que nós discordamos é sobre os bombardeamentos. Você está tão preocupado com os civis e eu estou-me bem nas tintas. Não me interessa isso.
Kissinger: Preocupo-me com os civis porque não quero que o mundo se mobilize a acusá-lo de ser um carniceiro. Podemos ganhar a guerra sem matar civis.”

Cerca de três milhões de vietcongs mortos, incluindo dois milhões de civis.
Cerca de 60 militares norte-americanos mortos, grande parte negros e latino-americanos. Foram gastos 220 mil milhões de dólares. Calcula-se que, para matar um vietcong, os Estados Unidos gastaram 675 mil dólares.
Foram transportados 10 milhões de americanos em aviões comerciais.
Foram utilizadas 15,35 milhões de toneladas de bombas.
Ainda hoje morrem vietnamitas, vítimas de minas e bombas não deflagradas. Desconhecem-se quantas minas, bombas e obuzes continuam por explodir.