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quarta-feira, 13 de abril de 2016

ABRIL


Abril.

Canções da Cidade Nova – Padre Fanhais

Lado 1
Meu Povo Que Jaz - Corpo Renascido - Os Labirintos - Porque - Canto do Ceifeiro -
Cantata da Paz 

Lado 2
Poema - A Saída do Correio - As Pobres Solteiras - Quadras do Poeta Aleixo - Canção da Cidade Nova 

Cantata da Paz

Poema: Sophia de Mello Breyner Andresen
Música: Rui Paz

Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar

Vemos, ouvimos e lemos
Relatórios da fome
O caminho da injustiça
A linguagem do terror

A bomba de Hiroshima
Vergonha de nós todos
Reduziu a cinzas
A carne das crianças

D’África e Vietname
Sobe a lamentação
Dos povos destruídos
Dos povos destroçados

Nada pode apagar
O concerto dos gritos
O nosso tempo é
Pecado organizado.



sábado, 2 de abril de 2016

ABRIL


Outra vez Abril
Já lá vão 42 anos.
Parece que foi ontem.
E tanta coisa aconteceu.
Por este mês, vou mostrar algumas capas dos discos que, aqui pela casa, eram tocadas antes da sonhada madrugada.
25 de Abril sempre!

Padre Fanhais

Lado 1

Cantilena – Juventude

Lado 2

Areia da Praia – Canção do Vento

Cantilena

Poema de Sebastião da Gama
Música: Padre Fanhais


Cortaram as asas
ao rouxinol !
Rouxinol sem asas
não pode voar.

Quebraram-te o bico,
rouxinol !
Rouxinol sem bico
não pode cantar.
Que ao menos a Noite
ninguém, rouxinol !
ta queira roubar.

Rouxinol sem Noite
não pode viver...

domingo, 2 de março de 2014

CANTILENA


Nos tempos da ditadura, numa televisão a preto e branco, o país sentava-se entusiasmado frente ao aparelho para assistir ao ZIP-ZIP.

Apesar de cortes da censura, um programa que conseguia passar para lá do habitual cinzentismo que nos assistia.

Por ele o país ficou a conhecer Almada Negreiros, outros mais, por ele começou a ver e a ouvir uma série de rapazes que, de viola na mão, cantavam coisas fora do circuito do então já chamado nacional- cançonetismo.

Mais espantadas ficaram as gentes quando uma noite um padre, Fanhais de seu nome, entrou casa dentro a dizer que a um rouxinol lhe tinham quebrado as asas não o deixando voar, lhe quebraram o bico não o deixando cantar.

Estava dado o mote.

Ainda com mais força passamos a acreditar-se que, um dia, talvez chegasse um tempo de surpresas.

Mas a Francisco Fanhais, também padre, também professor, também agitador cultural, não mais permitiram que desse missa, desse aulas, cantasse.

No ano de 1970 edita o álbum Canções da Cidade Nova onde inclui o poema de Sophia de Mello Breyner Andresen que será hino de uma vigília de forças progressistas na Capela do Rato, na noite de 31 de Dezembro de 1972 e brutalmente interrompida pela Pide.

Mais não era que um aviso aos tiranos, às gentes (ainda) tão distraídas.


                                         

CANTATA DA PAZ

                                                                                                                                                                                                                  

Nota do Patriarcado acerca dos protestos de católicos, e não católicos, ocorridos da Capela do Rato na noite de 31 de Dezembro de 1972 e publicada no Diário de Lisboa de 11 de Janeiro de 1973.



Entre as cerca de setenta de pessoas detidas pela PIDE na Capelado Rato, encontravam-se doze funcionários públicos que, por decisão do Conselho de Ministros, publicada no Diário do Governo de 13 de Janeiro, foram demitidos das suas funções.
Em 20 de Janeiro os funcionários demitidos recorreram da decisão governamental.
Em 23 de Fevereiro de 1973, por resolução do Conselho de Ministros, negou provimento ao recurso apresentado pelos funcionários públicos.

Durante a vigília da Capela do Rato ouviu-se Cantatada Paz, poema de Sophia Mello Breyner Andresen para música de Rui Paz e que Francisco Fanhais incluíra no seu álbum Canções da Cidade Nova, publicado em 1970. 

Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Relatórios da fome
O caminho da injustiça
A linguagem do terror
A bomba de Hiroshima
Vergonha de nós todos
Reduziu a cinzas
A carne das crianças
D’África e Vietname
Sobe a lamentação
Dos povos destruídos
Dos povos destroçados
Nada pode apagar
O concerto dos gritos
O nosso tempo é
Pecado organizado.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

VEMOS, OUVIMOS E LEMOS


ZIP-ZIP – 2004/L
Violas Fernando Alvim e Pedro Caldeira Cabral
Capa Jorge Torres Vilaça
Arranjos e Direcção Thilo Krasmann

Lado 1

Meu Povo Que Jaz - César Pratas/Francisco Fernandes
Corpo Renascido - Manuel Alegre/Pdro Lobo Antunes
Os Labirintos - Garcia Lorca/Pedro Lobo Antunes
Porque - Sophia Mello Breyner Andresen/Francisco Fernandes
Canto do Ceifeiro - Eduardo Valente da Fonseca/Francisco Fernandes
Cantata da Paz - Sophia Mello Breyner Andresen/Rui Paz

Lado 2

Poema - Ilido Rocha/Francisco Fanhais
A Saída do Correio - António Cabral/Francisco Fanahis
As Pobres Solteiras - António Rebordão Navarro/Francisco Fanhais
Quadras do Poeta Aleixo - António Aleixo/Francisco Fanhais
Canção da Cidade Nova - Fernando Melro/Francisco Fernandes

Depois do EP Cantilena, o Padre Fanahis edita este LP: Canções da Cidade Nova.

O disco contém Cantata da Paz, poema de Sophia Mello Breyner Andresen e música de Rui Paz.


No dia 31 de Dezembro de 1972, um grupo de católicos, sacerdotes e leigos, reuniu-se na Capela do Rato para, em tempo da guerra colonial, celebrarem a paz.

A vigília acabou por ser interrompida pela entrada da polícia que fez diversas detenções, inclusive o sacerdote que celebrara a missa. Junto ao altar e ainda paramentado foi intimado por agentes da polícia a acompanhá-los, sendo decretado o encerramento da Capela.

Os acontecimentos da Capela do Rato marcam um dos mais significativos episódios da luta contra a ditadura. O regime via-se confrontado com mais uma frente de protesto e luta, vinda donde menos esperaria: do seio da Igreja Católica, um pecado organizado, tal como diz Sophia.

Nunca a voz da Igreja se fizera ouvir para condenar a guerra colónia, as perseguições da PIDE, a tortura e a morte. Os acontecimentos da Capela do Rato determinaram que nada seria como antes: estes católicos e não católicos, acusados pelo governo, como traidores à Pátria, diziam ao país que viam ouviam e liam e não mais poderiam continuar a ignorar.

Palavras deixadas, como dedicatória, por José Afonso na contra capa do disco:

Tu que cantas
Defronte
De faces atentas
e seguras
Faz do teu canto
uma funda.
Nesse lugar
Entre outras mãos mais fortes
e mais duras
Te estenderei
A minha mão fraterna.
Canta amigo!


Este é o poema de Cantata da Paz:

Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Relatórios da fome
O caminho da injustiça
A linguagem do terror
A bomba de Hiroshima
Vergonha de nós todos
Reduziu a cinzas
A carne das crianças
D’África e Vietname
Sobe a lamentação
Dos povos destruídos
Dos povos destroçados
Nada pode apagar
O concerto dos gritos
O nosso tempo é
Pecado organizado.


sábado, 3 de abril de 2010

CANTILENA

ORFEU ATEP 6325
Fotografia de Augusto Cabrita.

Cantilena - Sebastião da Gama/Padre Fanhais
Juventude - João Apolinário/Padre Fanahis
Areia da Praia - Manuel Pina/Padre Fanhais
Canção do Vento - Trecho biblico/Adaptação Pedro Lobo Antunes

Em 1969, um padre, Francisco Fanahis de seu nome, apareceu no Programa Zip-Zip, a cantar a balada Cantilena, com música de sua autoria, para um poema de Sebastião da Gama.

Nesse mesmo ano publica o EP Padre Fanhais.

Vindo do sector progressista da Igreja Católica, o Padre Fanhais desenvolve trabalho político contra a ditadura. Proíbem-no de cantar, exercer o sacerdócio e dar aulas nas escolas oficiais.


Em 1971 emigra para França e, após o 25 de Abril, regressa a Portugal e passa a colaborar nas Campanhas de Dinamização Cultural do MFA.

Cantilena

Cortaram as asas
ao rouxinol !
Rouxinol sem asas
não pode voar.

Quebraram-te o bico,
rouxinol !
Rouxinol sem bico
não pode cantar.

Que ao menos a Noite
ninguém, rouxinol !
ta queira roubar.

Rouxinol sem Noite
não pode viver...