Mostrar mensagens com a etiqueta Frank Gruber. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Frank Gruber. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 29 de maio de 2019

OLHAR AS CAPAS


Ponte de Areia

Frank Gruber
Tradução: Fernanda Pinto Rodrigues
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 226
Livros do Brasil s/d

Estava no hospital havia três dias quando consentiram que ela o visse. Carolyn sentou-se ao lado da sua cama e segurou-lhe na mão.
Passados momentos, Ahmed perguntou-lhe com dificuldade:
- O manuscrito… ficou danificado?
- Não. Estava tão intacto, tão perfeito, como da primeira vez que foi utilizado.
- Onde está?
- Na universidade. Eles… leram-no…
- Aceitaram-no?
Carolyn hesitou, mas por fim abanou a cabeça e murmurou:
-Submeterem-no à prova do «Carbono-14». O pergaminho é antigo, de facto, mas insistem em que a escrita está demasiado nítida… parece muito recente. Não pode ter sido escrito por… por Ele.
O homem que dizia chamar-se Ahmed Fosse pensou no que fora durante vinte e cinco anos, no que se tornara ao sentar-se, naquela noite, na Montanha, perto do mar da Galileia, e recordou as coisas em que pensara, então o que aprendera desde que tocara pela primeira vez no rolo de velino com dezanove séculos de existência.
Ele sabia a verdade.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

OLHAR AS CAPAS


O Ofício de Matar

Frank Gruber
Tradução: Mascarenhas Barreto
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 159
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Mort Murray fora a causa de tudo. Mort Mirray, o editor de cada Homem um Sansão, o livro que proporcionara a Johnny Fletecher e a Sam Cragg um modo de vida para tantos anos, Mort Murray, esse rochedo de Gibraltar, esse farol na costa rochosa, esse amigo-em-azar-é-amigo-sem-par.
Mort Murray desiludira-os. Na hora de aperto, desemparara Johnny Fletcher e Sam Cragg. Não pagara a renda e o xerife ferrara-lhe um cadeado na porta. Dessa forma, ficara impossibilitado de expedir os livros que Johnny encomendara, à cobrança, Pela Western Union.
E agora, Johnny e Sam vagueavam pelas ruas de Chicago, sem casa e cheios de fome. Tinham feito sonos intermitentes nas estações da Northwestern da Union, mas é impossível passar-se bem a noite naqueles sítios. Os bancos são duros e há sempre polícias e empregados a incomodar quem dorme.
As coisas corriam mal.
Silenciosamente, Johnny e Sam viraram para o Norte na Larrabee Street e silenciosamente também passaram pelos edifícios escuros das fábricas de North Side. Naqueles edifícios havia quem trabalhasse levantando barris, deslocando cestos e caixas de cartão e accionando máquinas estridentes. Chovia e nevava; por vezes, o vento uivava e, de outras, o sol brilhava esplendorosamente. Mas quem se encaixara entre aquelas paredes, alheava-se de tudo isso. Chegava-se ao trabalho às oito da manhã, labutava-se durante todo o dia e, às cinco horas, voltava-se para casa. As pessoas começavam a trabalhar nessas fábricas ainda muito jovens; rapazes e raparigas apaixonavam-se e casavam-se. Tinham filhos e estes, por sua vez iam trabalhar nas mesmas fábricas. Era fatal. Por vezes, esses operários mudavam de emprego. Saíam de uma fábrica e iam para outra. O trabalho era, pouco mais ou menos, o mesmo; o salário também, mas o horário nunca mudava

quarta-feira, 11 de abril de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Túmulo de Prata

Frank Gruber
Tradução: A. Maldonado Domingues
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 98
Livros do brasil, Lisboa s/d

Às seis da manhã, Johnny Fletcher que fora ao volante nas últimas duzentas milhas, travou o carro ao lado de um restaurante e abanou Sam Cragg que adormecera ao seu lado, feito num novelo.
- Horas de almoço!
Sam resmungou e abriu os olhos. Espreguiçou-se, e torceu-se ao sentir todos os músculos doridos.
- Ainda estamos na Califórnia? Perguntou.
A tabuleta diz Tonapah, Nevada. Mas não vejo diferença de todas as vilas por onde passámos nas últimas duzentas milhas.
Saíram do carro e entraram no restaurante. Era uma sala comprida e estreita com um balcão a todo o comprimento. Junto da parede havia uma fila de máquinas de jogar, automática.
- Sim – disse Johnny. – estamos no Nevada.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Relógio Falante

Frank Gruber
Tradução: Fernando de Castro Ferro
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 81
Livros do Brasil, Lisboa s/d

O velho Simon Quisenberry ia morrer. Não passava dos setenta e quatro anosmas o seu coração estava demasiadamente cansado, e uns dois anos atrás o dr. Wykagl dissera-lhe que tinha apenas seis meses de vida. Portanto enganara o médico por dezoito meses.
Não teria outro mês de vida. O velho Simon sabia-o, e continuava sentado na sua cadeira de rodas a ouvir o tic-tac dos relógios à medida que estes iam contando os poucos momentos que lhe restavam. Tinha mil relógios e todos lhe contavam a mesma história. Cada tic um segundo, sessenta tics um minuto, mil tics um milhar de segundos… Não. Mil tics não representavam mais de um segundo.
Simon olhou os relógios com uma expressão preocupada. Estavam a complicar-lhe a vida. Malditos relógios. Tinha-lhes dedicado toda a sua existência e agora, no fim, estavam a atraiçoá-lo. Estavam a apressar a sua vida, o seu fim – depressa, sem parar, demasiado cedo.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

OLHAR AS CAPAS


Investigação Perigosa

Frank Gruber
Tradução: Lima de Freitas
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 59
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Ainda estava nessa maré destrutiva quando a campainha da porta tornou a tocar. Lash gritou: - Quem é? É do Southern Pacific Depot?
No entanto desceu as escadas e abriu a porta. Fez má cara a Óscar Loomis, o qual, em troca, exibiu um sorriso suave.
- Ah, sr, Lash, posso entrar por um momento?
- Não, estou ocupado.
- É um assunto de negócios. Relacionado com o caso Bonniwell. Tenho uma confissão…
- Então vá procurar um padre. A função deles é ouvir confissões.

domingo, 22 de outubro de 2017

OLHAR AS CAPAS


A Raposa Que Ri

Frank Gruber
Tradução: Almeida Campos
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 146
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Patricia Erb aproximou-se lentamente do lugar jazia Wallace Erb. Debruçou-se sobre ele, viu-lhe os olhos vidrados e o seu corpo foi sacudido por um soluço. Jim Hayes aproximou-se e, num gesto impulsivo, pôs-lhe a mão no braço.
Patricia sorriu-lhe tristemente.
-Creio que ele fez de propósito – enunciou Johnny Fletcher. – Eu desejava apenas… - Interrompeu-se com um riso frouxo.
- O que era que desejava, Johnny Fletcher? – perguntou Jessie Thompson, fitando-o com os olhos cheios de brilho.
Johhny aproximou-se dela. Os seus olhos pousaram-se na capa de raposas que ela tinha no braço.

- Devo-lhe um casaco novo – observou ele, rindo-se ironicamente. – O que eu desejava… era que ele não tivesse morrido antes de me ter passado o cheque!