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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

OLHAR AS CAPAS


O Prazer de Matar

Fredric Brown
Tradução: Mascarenhas Barreto
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 137
Livros do Brasil, Lisboa s/d

A redacção do Herald estava suficientemente quente para cozer um bolo, embora o relógio eléctrico, pendurado na parede, indicasse serem apenas dez horas e meia. Dez e meia de uma manhã de sábado, em Julho, véspera de uma semana de férias que me propunha gozar.
Em qualquer ponto do quarto, próximo do tecto, um moscardo andava numa excitação demoníaca. O seu zumbido parecia-me mais alto do que o martelar esporádico das máquinas de escrever. Ergui o olhar e localizei-o; era enorme e voava de um lado para o outro, descrevendo círculos rápidos.
Ao olhar para cima, senti o colarinho apertado e, portanto, alarguei-o. Diabo de moscardo, disse para comigo, não sabes que num escritório não há gado?

quarta-feira, 5 de junho de 2019

OLHAR AS CAPAS


Luar Sangrento

Fredric Brown
Tradução: Mascarenhas Barreto
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 129
Livros do Brasil nº 129

Eram quase horas de saída, quando meu tio Am entrou no quarto das traseiras da agência Starlock, onde ambos trabalhávamos. Sentou-se e apoiou os pés sobre a secratária. Sorriu-me e perguntou:
- Então, pequeno?
       - Yeah – respondi-lhe e foi tudo.

quarta-feira, 7 de março de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Tio Prodigioso

Fredric Brown
Tradução: Mário Quintana
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 56
Editora Livros do Brasil, Lisboa s/d

No meu sonho, eu estendia o braço através da montra de uma loja. Era a loja que fica em North Clark Street, a meia quadra da Grande Avenida. Estava quase a alcançar um trombone de prata. As outras coisas da vitrina estavam enevoadas e vagas.
O canto fez com que eu me voltasse, em vez de pegar no trombone de prata. Era a voz de Gardie.
Ela vinha cantando e saltando à corda, ao longo da calçada. Tal como costumava fazer antes de entrar para a escola secundária, no ano passado, e de se tornar um chamariz de rapazes, com os lábios pintados e rouge por toda a cara. Ainda não tinha quinze anos: três anos e meio mais nova do que eu. Agora, neste meu sonho, estava pintada como sempre, mas pulava à corda, também, e cantava como uma garota: um, dois, três – upa! – quatro, cinco, seis – upa! Sete, oito, nove – u…
Mas, no meio do sonho, eu ia despertando. É uma confusão quando se fica assim, com um pé lá e outro cá. O barulho do comboio passando no viaduto quase faz parte do sonho, alguém caminha lá fora, no corredor, e – depois de o comboio ter passado – há a campainha do despertador que se põe a tocar no chão, junto à cama, e o pequeno estalido extra que dá, quando a mola está quase a rebentar.
Fi-lo parar e estendi-me de nova na cama, mas de olhos abertos, porque não queria tornar a dormir. O sonho já se tinha ido embora. Eu desejava ter um trombone, pensei; foi por isso que sonhei, aquilo. Por que carga de água veio essa Gardie, despertar-me?

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

OLHAR AS CAPAS



Um Grito Ao Longe

Fredric Brown
Tradução: Almeida Campos
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 105
Livros do Brasil s/d

- Ele era louco? – perguntou Weaver.
Voltou-se e olhou para o médico que sorriu.
- O que é a loucura, sr. Weaver? Não sou um psiquiatra, portanto não sei. Se fosse um psiquiatra ainda menos o saberia. Nada é mais confuso do que tentar dar uma definição de loucura. Nem mesmo sei se eu próprio serei são de espírito. O senhor sabe?
- Gostaria de saber – disse Weaver. Realmente gostaria de saber. Ele era desequilibrado?
- Era um sádico, segundo creio. O sadismo é uma anormalidade mental, mas se é loucura ou não, isso não sei. O sadismo dele esteve latente durante a sua permanência aqui, mas podia facilmente ter-se tornado activo, se lhe fosse dada oportunidade. Era também homossexual, é claro, o senhor mencionou esse facto ao descrevê-lo e eu limito-me a confirmar. Mas a homossexualidade, sendo uma aberração, não é também uma forma de loucura, de maneira alguma. O ponto em que ele mais se aproximava da verdadeira insanidade mental era na psicose do medo. Temia a morte. Toda a gente a teme, é claro, mas nele o grau do medo era provavelmente psicopático.