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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

OLHAR AS CAPAS


O Meu Amigo Maigret

Georges Simenon
Tradução: Mascarenhas Barreto
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 138
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- Estava à porta do seu estabelecimento?
- Sim, meu comissário.
Era inútil repreendê-lo. Por quatro ou cinco vezes, Maigret tentara a dizê-lo «sr. comissário». Mas que importância tinha isso? Que importância tinha tudo aquilo?
- Viu um carro cinzento, um «Grande sport» para por um instante e descer dele um homem, quase em andamento, não foi isso que declarou?
- Sim, meu comissário.
- E esse tipo, para entrar na sua boite, teve de passar junto de si, chegando até a empurra-lo ligeiramente. Ora, sobre a porta, há um letreiro luminoso a néon.
- É de cor violeta, meu comissário.
- E então?
- Então, nada.
- Lá porque o seu letreiro é violeta não pôde reconhecer o indivíduo que, um momento depois, passando o reposteiro de veludo, despejou o revólver sobre o seu barman?

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

OLHAR AS CAPAS


Maigret e o «Seu Morto»

Georges Simenon
Tradução: Lima de Freitas
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 65
Livros do Brasil. Lisboa s/d

Os dois homens seguiam ao longo do cais, Maigret fumando o seu cachimbo, e o dr. Paul fumando cigarro sobre cigarro – não parava de fumar durante as autópsias e insistia, convencido, que o cigarro é o melhor antiséptico. A madrugada despontava. Os comboios de barcaças começavam a descer o Sena. Vislumbravam-se vagabundos, entorpecidos pelo frio da noite, que, de membros inteiriçados, subiam as escadas dos cais onde tinham dormido, sob o abrigo de uma ponte.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

OLHAR AS CAPAS


A Amiga de Madame Maigret

Georges Simenon
Tradução: António Lopes Ribeiro
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 53
Livros do Brasil, Lisboa s/d


- Para mim, Março continua a ser o mês mais bonito de Paris, apesar dos aguaceiros, dizia Madame Maigret. Há quem prefira Maio ou Junho, mas em Março é tão mais fresquinho…

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

OLHAR AS CAPAS


O Doido de Bergerac

Georges Simenon
Tradução: Mascarenhas Barreto
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 117
Livro do Brasil, Lisboa s/d

De novo, volta ao compartimento e é vencido por essa sonilência que lhe desperta ideais e sensações estranhas.
Sente-se separado do resto do mundo. O ambiente traduz-se por uma atmosfera de pesadelo.
O homem do beliche de cima ter-se-á erguido sobre os cotovelos, ter-se-á inclinado para o ver?
Em contrapartida, Maigret não tem coragem para esboçar um só gesto. A meia garrafa de Bordeaux e os dois bagaços, que bebeu na carruagem restaurante, pesam-lhe no estomago.
A noite é imensa. Nas paragens ouvem-se vozes confusas, passos nos corredores, portinholas que batem. Tem a impressão de que o comboio renunciou a partir.
O homem parece que chora. Há momentos em que para de respirar. Depois, de repente, funga. Volta-se. Assoa-se.
Maigret lamenta não ter ficado no seu compartimento de primeira, com o velho casal.
Adormece. Acorda. Adormece de novo. Enfim, já não podia mais. Tosse para aclarar a voz.
- O senhor, por favor, veja se consegue estar quieto um momento.

sexta-feira, 24 de março de 2017

OLHAR AS CAPAS


Pietr O Letão

Georges Simenon
Tradução Mascarenhas Barreto
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 145

Seria talvez exagerado pretender que, em muitos inquéritos, nascem relações cordiais entre a polícia e aqueles que, por dever, terá de entregar à justiça.
Quase sempre, a não ser que se trate de um antagonismo especial, estabelece-se uma espécie de intimidade. Isso deve-se, sem dúvida, a que, durante semanas, por vezes durante meses, polícia e malfeitor não pensam senão um no outro.
O inquiridor encarniça-se em penetrar cada vez mais na vida passada do culpado, tenta reconstituir os seus pensamentos, prever-lhe os mínimos reflexos.
Ambos arriscam a pele nesta partida. E, quando se encontram, é em circunstâncias suficientemente dramáticas para fazer fundir a indiferença polida que, na vida quotidiana, preside às relações entre os homens.
Muitos inspectores, depois de terem passado os maiores trabalhos para prenderem um malfeitor, ganham-lhe afeição, vão visitá-lo à cadeia e amparam-no moralmente até ao cadafalso.
Isto explica, em parte, a atitude dos dois homens, mal se acharam a sós, no quarto. O hoteleiro trouxera um fogão a carvão de madeira e ouvia-se a água cantar numa chaleira. Ao lado, entre dois copos e um açucareiro, erguia-se uma alta garrafa de rhum.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

OLHAR AS CAPAS


O Homem Que Via Passar os Comboios

Georges Simenon
Traduçao: Gemeniano Cascais Franco
Colecção Ficção Universal nº 74
Publicações Dom Quixote, Lisboa Agosto de 1990

No que toca pessoalmente a Kees Popinga, temos de admitir que às oito horas da noite ainda era tempo, pois que, assim como assim, o seu destino não estava fixado. Mas tempo de quê? E podia ele fazer outra coisa além do que ia fazer, persuadido aliás de que os seus gestos não tinham mais importância do que durante os milhares e milhares de dias anteriormente decorridos?
Encolheria os ombros se lhe dissessem que a sua vida ia mudar de repente e que aquela fotografia pousada sobre o aparador, que o representava de pé no meio da família, com uma mão despreocupadamente apoiada nas costas de uma cadeira, seria reproduzida por todos os jornais da Europa
Enfim, se procurasse dentro de si mesmo, em plena consciência, o que podia predispô-lo a um futuro tumultuoso, não se lembraria sem dúvida de uma certa furtiva, quase envergonhada, que o perturbava sempre que via passar um comboio, sobretudo um comboio nocturno, com os estores descidos sobre o mistério dos passageiros.