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segunda-feira, 4 de maio de 2020

EU SOU DOS BARES MARÍTIMOS


Eu sou dos bares marítimos
Do brilho dos cálices
Dos corpos como barcos, cortando o mar
Eu sou dos que contam a sua vida inteira, numa noite,
Ao primeiro marinheiro.
Dos que se auto convidam para o desastre salgado,
E na vertigem do beijo morrem,
Por um porto mais do que sonhado!
Eu sou dos que amam, numa cama liquida e pública o anonimato.
Ergo a vela do amante e apanho a sua bolina,
Tão fácil quanto um sulco de mar eu sou!
Dizer-te o quanto isso me fascina
-ainda não!
Mas é para lá que eu vou.
Quando sentado, me digo a mim,
Meu amigo serve-me mais um gin.


Miguel Patricio


Legenda: fotografia do Café Sport na Horta, Açores

domingo, 9 de fevereiro de 2020

POSTAIS SEM SELO


Gente de bem não bebe gin.

Raymond Chandler em Perdeu-se Uma Mulher

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

ESTÃO A DAR CABO DE TUDO, É O QUE É!!!


Sempre que me apanho no meio deste tempo de Natal, não esqueço o Imenso Adeus e lá estou a beber dois gins, um por ti, outro por mim, mais alguns para o caminho.

Mas Mário, o Natal está cada vez menos Natal, antes um amontoado de confusões, de gasto exagerado de dinheiro, que a grande maioria mão tem mas teima em gastar, tu que tanto te fartaste de dizer que gostavas do natal e a tal
Dietlinde, quando pediu o divórcio, acabou por ficar com os teus discos de Natal, muitas outras coisas, algumas irreversíveis. O que deu bem – deu, mesmo? - foi o apaixonares-te loucamente, pela advogada da tua  mulher. Outro grande amor das muitas tuas vidas que acabaram por contribuir para o fim da tua atormentada, mas bem gozada, vida.

Voltei a mandar uma carta ao venerando sacripanta de barbas e casacão vermelho, com posto de correio em Rovaniemi, lá para o Circulo Polar Árctico, plena Lapónia onde, dizem, os dias são azuis, que me colocasse, no cantinho esquerdo da chaminé, uma garrafa de verdadeira água tónica para que pudesse beber o perfeito gin-tonic. Não é pedir a lua, apenas uma garrafinha de tónica aquela que tem quinino e não hidrocloreto de quinino.

Mas nada!, queridíssimo Mário-Henrique Leiria, e o que é certo é que essa tal tónica com quinino, empresta ao gin um sabor único, um sabor de paraíso. De fazer inveja aos deuses.

De resto, há alguns anos o gin entrou na moda mas pelas piores razões. Já quase ninguém frequenta o clássico gin tónico, rodela de limão, gelo e tónica, antes se uma snobice, uma parvoeira sem nome, e metem-lhe flores, pimentas, uma parafernália de especiarias e até já me falaram em que há por aí gelatina de gin e eu fico espantado e arrepiado.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

PRAZERES


Teria para aí os meus 16 anos quando bebi o meu primeiro gin-tónic.
Na inauguração, no Largo da Graça, da delegação do Banco Português do Atlântico.
Estava com o meu pai e lembro-me de um criado, chegar ao pé de mim, com uma bandeja na mão onde estavam copos com um líquido esbranquiçado, gelo e uma rodela de limão. Imaginei serem limonadas. Era gin-tonic. Bebi e fiquei cliente.
Um dia, conheci o Mário-Henrique Leiria, li os Contos do Gin-Tonic, e se já interiorizara que o gin-tonic é a melhor bebida do mundo, dúvidas deixaram de existir.
Diz o Joe Could que o gin liga a bomba da memória e um velho slogan publicitário do gin «Tanqueray» conta que as histórias românticas de um bêbado são mais credíveis se vierem de alguém que andou a beber gin «Tanqueray».
Passados uns 60 anos pela inauguração da delegação bancária, acordo pelas manhãs a saber que o fígado já não pode pacificamente com o gin-tonic.
E tão amigos que eles eram!
Há uma velha canção do Cole Porter, «Two Little Babes in the Wood», em que se ouve:
«Descobriram que a fonte da juventude é uma mistura de gin e vermute.»

Legenda: imagem de um gin vermute.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

PETER'S BAR


«Peter’s Bar» é um café do porto da Horta, perto do clube náutico. É um misto de taberna, o ponto de encontro, uma agência de informações e uma estação de correios. É frequentado pelos caçadores de baleias, mas também pela gente dos barcos que fazem a travessia atlântica ou outros percursos mais longos. E como os navegantes sabem que o Faial é um ponto de apoio obrigatório e que todos passam por aqui, o «Peter’s Bar» tornou-se o destinatário de mensagens precárias e de sorte incerta que, de outro modo, não teriam outro destino. No balcão de madeira do «Peter’s» estão colados bilhetes, telegramas, cartas à espera de alguém que venham busca-las.

Antonio Tabucchi em Mulher de Porto Pim

segunda-feira, 28 de maio de 2018

A BEBER GIN QUE NEM UM DROMEDÁRIO QUE GOSTE DE GIN


Carta, datada de Carcavelos 11 de Março de 1974, para Isabel:

Tenho andado com um cansaço enorme, a beber gin que nem um dromedário que goste de gin, a ter que ir às compras e outras chatices. Portanto, recuso tudo o mais: o almoço com o pessoal da “República” no sábado, o jantar com o Lopes-Graça no domingo, etc.
Basta de chatices obrigatórias. Aliás, como sabes, cada vez gosto menos de ver pessoas cheia de dentes e a falar às pampas. Basta de pessoas…
O reumatismo também me tem irritado razoavelmente, quase mais que a minha mãe e a minha tia. O costume, sabe-se.
Segue a entrevista da V.M. Tudo uma trapalhada, como verá. Cortes à farta (onde há reticências, foi corte). Nada daquilo foi revisto por mim: está cheio de enganos, gralhas e confusões. Cheguei a ficar envergonhado. Paciência… Não se vai repetir. Aliás, já retirei as poesias que estavam na “Ed Plátano” e os contos de F.C. que estavam na Ed. República”. Basta de escrever e dizer asneiras.
O “Vodka”, que depois de me ter posto um olho negro há uns dias, me pôs a mão em sangue há uns momentos, recomenda-se e dá três pulos dedicados à tua filharada. ´É uma simpatia, não haja dúvidas… raios parta o cão!

sábado, 4 de novembro de 2017

OLHAR AS CAPAS


O Segredo de Joe Gould

Joseph Mitchell
Prefácio: António Lobo Antunes
Tradução: José Lima
Capa: Miguel Imbiriba
Publicações Dom Quixote, Lisboa, Julho de 2002

- Desculpe, Sr, Gould – disse eu -, mas parece-me que é melhor esquecer isto tudo.
- Oh, não! – Disse Gould. Parecia alarmado. – Oiça – disse.
- Eu tenho uma memória inacreditável. De facto, já me disseram muitas vezes que provavelmente tenho aquilo a que os psicólogos chamam memória total. Já várias vezes perdi capítulos da História Oral e reescrevi-os, e depois acabei por o encontrar e havia muitas páginas nos dois que coincidiam quase palavra a palavra. Se fot ter comigo ao Goody’s hoje à noite, posso recitar-lhe alguns capítulos. Posso recitar dezenas de capítulos. Se tiver paciência para ouvir, posso recitar centenas. Ficará com uma ideia tão boa da História Oral como se a tivesse lido. Tendo em conta a minha letra, pode até ficar com uma ideia mais completa.

Nessa noite, por volta das oito, sentei-me com Gould a um canto no fundo Goody’s. Primeiro, bebeu dois martinis duplos, ao que dizia, com um objectivo particular. «Cheguei à conclusão», disse ele, «que o gin liga a bomba da memória.»

sexta-feira, 22 de abril de 2016

CANÇÃO DA TERRA


O Google diz-nos que hoje é o Dia da Terra, o tão mal tratado nosso planeta.
José Saramago escreveu um dia que o universo não tem notícia da nossa existência.
Quando olhei a efeméride, lembrei-me da Canção da Terra de Gustav Mahler, um tema que aprendi a gostar.
O mesmo se passou com o gin tonic.
Mahler tem destas dificuldades.
O Gin nem tantas.

terça-feira, 2 de junho de 2015

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


O gin está na moda.

Um projecto que, segundo leio, chama-se Gin Lovers.

Tem site, facebook, revista trimestral, bar próprio, loja online, workshops e já instituíram o Dia Nacional do Gin, que não sei quando calha, porque dias do gin são os dias todos do ano, assim o fígado deixasse.

O Mário Henrique-Leiria se andasse por aqui talvez dissesse bem-vindos ao clube, mas acrescentaria para não apaneleirarem a melhor bebida do mundo, uma coisa simples de mais para lhe meterem acessórios como frutas exóticas, coentros e rabanetes.

Gelo, rodela de limão, casca amarela, aprisionada entre os cubos de gelo, gin e água tónica, de preferência Schweppes que, lamentavelmente, por aqui não tem quinino, apenas essência.

Parafraseando um poema do Vinicius de Moraes: o gin é a arte do encontro.

A Raínha-Mãe, que morreu com 101 anos, a mulher mais perigosa da Europa, no dizer do déspota Adolfo Hitler, era uma pura e dura bebedora de gin.

Muito antes de chegar ao Beefeater, ao Bombay, ao Tanqueray, andei em iniciações com este Gin da Âncora, também o Bols, o inevitável Gordon’s.

O meu avô, nos jantares de domingo, uma vez por mês, galinha assada no forno, bebia uma gotinha de Genebra.

A garrafa durava uma eternidade e, depois de vazia, servia de botija para as noites de Inverno.

O anúncio foi tirado da edição do Diário de Notícias de 4 de Maio de 1967.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

POR COMBOIOS...


Por comboios, pelo cinema, pelas intermitências da morte: um dia, o dia, aquele que sempre chega.
Patrice Chéreau morreu, em Paris, no dia 7 de Outubro,
Antes de morrer, um artista famoso expressa dois desejos: ser enterrado num cemitério em Limoges e, para assistir ao funeral, os amigos e familiares irão de comboio.
Uma história bem contada, uma banda sonora de bom gosto.



Os que de mim gostam irão no 28.
Beberão gin-tonic.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

É O DETALHE QUE IMPORTA


New York, um tipo com ar de executivo chegava por volta das seis da tarde sempre ao mesmo bar e pedia um Dry Martini.

Deliciava-se, pagava, cumprimentava o barman, e saía.

Acontece que o cidadão foi trabalhar para uma outra cidade e esteve uns anos sem voltar a esse bar de New York.

Mas um dia voltou e o barman era o mesmo.

Pediu um Dry Martini e ficou, silenciosamente a saborear.

Terminada a bebida, perguntou:

Estive anos sem vir aqui, experimentei centenas e centenas de Dry Martinis em dezenas de bares,  e nenhum tem o paladar do seu. Qual é o seu segredo?

O barman olhou-o e, com uma calma ancestral, disse:

Coloco o gin, deixo cair a pequena raspa de casca de limão, ponho a azeitona a nadar um pedaço, e depois pego na garrafa de Martini seco, destapo-a e passo com ela, meio inclinada, com o gargalo por cima do copo, com o cuidado de não deixar cair nem uma gota no Gin... E voilá!...

Adaptação de uma história ouvida a Miguel Esteves Cardoso
.
Legenda: imagem de Bill Butcher.

domingo, 17 de julho de 2011

sábado, 4 de junho de 2011

terça-feira, 19 de abril de 2011

DO TAMANHO DOS LIVROS


Do tamanho dos livros não reza a história, são outras as bitolas que se aplicam para aquilatar da sua importância.

Tendo, a propósito do Mário Viegas, ter falado do maior livro da biblioteca, cabe hoje, a despropósito, falar do mais pequeno.

Trata-se de “As Bebidas” de Fernando Saraiva, um livro com 7,5 cm de comprimento por 10,5 cm de altura.

Como o nome indica, é de bebidas que trata: a sua história e, também, algumas receitas.
Numa nota prévia o autor explica: “Este pequeno livro procura disponibilizar conhecimentos e informações essenciais sobre o universo das bebidas, de uma forma sintetizada e de fácil leitura.
Parafraseando Churchill pretende-se contribuir para que o leitor tire mais proveito das bebidas do que as bebidas do leitor…”

Há também citações:

Montaigne: “Dai-lhes bom vinho, eles vos darão boas leis.”

Pasteur: “Existe mais filosofia numa garrafa de vinho que em todos os livros.”

Novamente Churchill: “Tirei mais proveito do álcool do que o álcool tirou de mim.”

E um provérbio popular: “Bebe, mas não bebas o siso.”

Já agora, fiquem com a receita de “Dry Martini”, a bebida mais simples do mundo, que muito frequentei, quando tinha mais dentes:

9/10 de Gin
1/10 de Vermute Seco
Gelo
No copo de misturas junta-se o gin, o vermute e o gelo. Depois de mexer verte-se para uma taça cocktail que se decora com uma azeitona verde e casca de limão.”

domingo, 3 de abril de 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

sexta-feira, 9 de julho de 2010

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS



Estas sufocantes noites de Julho…
Um belo dia acordamos e ficamos a saber que o fígado já não pode pacificamente com o gin-tonic.
Tão amigos que sempre foram…
Sabia que… o Gin “Hendricks” dever ser servido com uma rodela de pepino, contrariamente aos gins normais, que se fazem acompanhar por uma rodela de limão?
Fiquem com a receita:

Ingredientes
1/3 de gin num copo de “long drink”
2/3 de água tónica
2 a 3 rodelas finas de pepino
Pétalas de flor comestíveis
Gelo
Preparação:


Num copo, junte o gin com a água tónica, alternadamente. Acrescente depois a gosto, as rodelas de pepino e as flores comestíveis.
Não sei porquê… mas vou ali e já venho…

quinta-feira, 1 de abril de 2010

UM RAPAZ CHAMADO MÁRIO VIEGAS

A morte de Mário de Viegas foi uma completa mentira.

Tal como o dia em que saiu porta fora para ir beber uns gins-tónics com o Mário-Henrique Leiria, assim como quem diz que vai ali e volta já.

Ainda estão a gargalhar, a contar histórias, a beber gins.

O guerrilheiro da palavra dedicou a vida às palavras dos outros, mais do que às dele.

Sempre disse, e fez, o que exactamente quis dizer e fazer.

Suscitou paixões e ódios, nada de meios-termos.

Acreditava que se a felicidade é possível, apenas o seria quando se possui todos os vícios. Não lhe terá faltado nenhum: paixões múltiplas, ódios, amores, tabaco, bebida, principalmente gin-tonic, teatro, poesia, cultura vária, polémicas, escândalos.

Sempre viveu intensamente, livremente, com coragem e generosidade.

Desprezava o poder e sempre disse que as únicas causas por que vale a pena lutar, eram as perdidas.

“Porque é que a genialidade encurta a vida?”, perguntava José Niza, a propósito do Mário Viegas.

“O Teatro é a Arte mais efémera do mundo, por isso eu sou um Homem de Teatro.

O Teatro sempre foi a minha vida e a minha morte”,
disse ele


José Saramago escreveu no 4º volume dos seus "Cadernos de Lanzarote":

“Era um cómico que levava dentro de si uma tragédia. Fazia rir, mas não ria. Pouca gente em Portugal tem valido tanto”.

Certamente, quando saiu porta fora, ia a recitar aqueles versos, de que tanto gostava, versos do seu amigo Raul de Carvalho:

“Serenidade, és minha.”

Foi há 14 anos.

Faz-nos uma falta do caraças!

Legenda: Capa do programa "Mário Gin-Tónico Volta a Atacar", Março de 1987